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"Eles" não sabem...

Mais uma contribuição para o livro negro do anti-salazarismo:

Um dos elementos do nosso subdesenvolvimento pode resumir-se no uso do “eles”. “Foram “eles”, é por causa “deles”, “eles” é que têm a culpa. Ninguém se considera também responsável pelos seus próprios actos e ainda menos pelo destino do país ou por comportamentos que contribuem para o analfabetismo, a iliteracia ou ainda para aspectos tão simples como manter a sua rua limpa.
É uma pesada e profunda herança do Estado Novo. Que, para nos ter em ditadura, nos manteve analfabetos, desresponsabilizou-nos enquanto indivíduos e fez de nós iletrados cultural, social, económica e financeiramente. Com o apoio e cumplicidade das elites, elas própria também viciadas neste perfil de “povo”. Algumas dos raciocínios a que assistimos hoje e que são atribuídos à esquerda recordam dolorosamente essa política de infantilização, uma das receitas para dominar os povos.
  O texto é de Helena Garrido, no Observador e pergunto-me que formação  e cultura tem a autora para produzir tiradas deste calibre. Formada em Economia pela Nova é jornalista de assuntos económicos. Desde há muito que tenho ideia que os economistas fazem parte da espécie dos sabe-tudo que abundam nos media e este pode ser mais um exemplo. Mas pode ter razão...

 É uma pesada e profunda herança do Estado Novo. Que, para nos ter em ditadura, nos manteve analfabetos, desresponsabilizou-nos enquanto indivíduos e fez de nós iletrados cultural, social, económica e financeiramente- escreve a autora.

Será assim? O tempo de Salazar foi assim? Havia esse analfabetismo endémico e incultura atávica? Que infantilização é essa de que fala a autora?

Sabemos que o discurso de acusação ao salazarismo e do que apelidam obscurantismo radica numa falácia: o que o salazarismo impediu com a Censura foi a propaganda da esquerda comunista e pró-comunista. Proibiu livros, revistas e jornais e mesmo notícias que poderiam ter esclarecido a opinião pública em geral sobre os malefícios reais do comunismo. Nisso, os comunistas até deveriam agradecer. Por dois motivos: fariam bem pior se mandassem e aproveitaram a ignorância generalizada, em 1974, sobre o que eram na realidade, para edulcorarem o discurso e captarem a atenção de quem adoptou a democracia como regime.

Por causa dessa censura as pessoas em geral não foram informadas devidamente da real natureza do comunismo, nos países de Leste e quando desapareceu a Censura do antigo regime, os partidos comunistas apareceram como sendo amigos do povo, dos trabalhadores em geral e afinal adeptos da democracia. Por exemplo, ninguém informava os crédulos que o comunismo proibiu as greves nos países de Leste e na Hungria, após 1956, até com pena de morte. O Expresso não apareceu em 1973 para cumprir tal papel informativo, mas precisamente para abrir caminho para o comunismo português do PCP e socialismo do PS que entendiam ser partidos essenciais a uma democracia.
Em Junho de 1975 na entrevista a Oriana Falacci, Álvaro Cunhal assegurou que Portugal nunca seria uma democracia de tipo ocidental, mas desmentiu logo tal afirmação, sem que lhe mostrassem as provas da mentira. Ninguém se incomodou e o Expresso nem insistiu.
O PCP e extrema-esquerda em geral sempre tiveram boa imprensa em Portugal, depois do 25 de Abril 74, muito por causa da inexistência de notícias sobre os mesmos antes dessa data.

A Censura em Portugal resultava de uma espécie de paternalismo do regime para com o povo em geral. "O povo ainda não estava preparado para  a liberdade", parece ser também a ideia que Marcello Caetano exprimiu a Alçada Baptista num livro de entrevistas publicado cerca de um ano antes do 25 de Abril 74.

Mas será isso o reflexo da tal infantilização do povo português? A mim parece-me outra coisa que já aqui sinalizei, a propósito da biografia recente de José Manuel de Mello, o herdeiro do grupo CUF.

Na primeira sondagem realizada após o 25 de Abril de 74, pela CEAD, em finais de 1974, em moldes científicos e representativos, os resultados foram surpreendentes e mostraram a meu ver duas coisas:



A primeira foi que a maioria esmagadora do povo votaria em partidos moderados, parecendo-lhe que o PS era um desses partidos, ao mesmo tempo que jurava defender os pobrezinhos, contra os ricos empresários latifundiários e exploradores. Este discurso passou com grande eficácia na meia dúzia de meses de propaganda revolucionária que se seguiu ao golpe militar de 25 de Abril.

Em segundo lugar a demonstração  de uma grande ignorância, generalizada, sobre opções económicas fundamentais.

Ainda hoje me parece existir o mesmo estado de coisas, na sociedade portuguesa.  Mas se é assim, havendo liberdade de expressão e informação que antes, no regime anterior não existia, das duas uma:

Ou as pessoas continuam tão condicionadas pelo que (não) lêem, (não) ouvem e (não) vêem, como dantes, continuando por isso mesmo analfabetas nessa acepção; ou foram suficientemente doutrinadas e preferem sempre quem lhes promete mundos e fundos e acaba sempre por lhes oferecer bancarrotas, numa improvável verificação do dito "à primeira quem quer cai...".

Tendo mais para esta última opção. Afinal a infantilização da sociedade portuguesa será fruto dos mesmíssimos factores que a condicionam há décadas, vindos do tempo anterior ao 25 de Abril de 74.
Logo não será apanágio da ditadura, tal estado de coisas. É sinal de que as elites que governam actualmente também não têm interesse premente que as pessoas sejam mais cultas e informadas.

Tal como refere Eduardo Dâmaso na crónica de hoje da Sábado, as elites que governam ( PS, PSD, CDS e quem os apoia, mesmo parlamentarmente) querem um Estado bem gordinho para o irem chuchando e darem a melhor parte a interesses de grande porte ( empresas de que fazem parte, escritórios de advogados de que participam, bancos que os apoiam, etc). A função pública, no seu todo, deve apoiar um regime destes que se implantou em 25 de Abril de 1974 e se solidificou ao longo destas décadas. É por isso que um Paulo Pedroso pode ir para um Banco Mundial...e há uns milhares de outros a poderem ganhar o que ganha um deputado. Quanto à elite, tem sempre uma Mota-Engil ou outra parecida que lhe oferece centenas de milhar por ano. Nenhum político ganha isso mas depois passa  ganhar. O Jorge Coelho ensina como é, num intervalo de visita à fábrica de queijo em Contenças, para entreter o tempo.
Conhecem algum caso semelhante no tempo de Salazar? Tenreiro? Pois sim. Vão saber a história e terão vergonha de o mencionar sequer.

A "infantilização" actual é isto:



O sistema de ensino não melhorou com o acesso das pessoas a informação mais fácil. No fim de contas quem não sabe, não faz perguntas e não obtém respostas. Os professores tornaram-se uma classe sem classe. Sem prestígio e sem rendimento.

Assim, a tal infantilização permanece porque continuam a vicejar na sociedade portuguesa  as mesmíssimas condicionantes que existiam antes de 25 de Abril de 1974: a Censura agora não é prévia nem há comissão específica para tal, mas existe ainda mais eficaz e permanente em todas as redacções, mesmo no Observador. Está na mente de quem escreve, o que é mais insidioso do que antes, quando se reduzia a um punhado de censores com um código de boas maneiras escrito por eles.
Portugal continua infantilizado porque a Educação não melhorou, o ensino tornou-se um meio de chegar a um fim que é um emprego bom. A informação também não melhorou, apenas se modificou assumindo agora aspectos ainda mais preocupantes derivados de uma tendência para o politicamente correcto orientado por uma Esquerda que é quem manda intelectualmente no país.

Ora aí está a conclusão: Portugal piorou porque é um país maioritariamente de esquerda. Esquerda e Inveja caracterizam bem a maioria do povo que temos.

Em Abril de 1974 já era assim...

Aditamento:

Um comentário colocado por Jorge Marques no artigo de Helena Garrido no Observador, sobre o analfabetismo e o tempo de Salazar:

1900 - 73%
1911 - 69%
1920 - 65%
1930 - 60%
1940 - 52%
1950 - 42%
1960 - 33%
1970 - 26%
1981 - 21%
1991 - 11%
2001 - 9%

[Fonte: António Candeias et al. (2007): Alfabetização e Escola em Portugal nos Séculos XIX e XX. Os Censos e as Estatísticas, Fund. C. Gulbenkian, p.40]

O que significa que a taxa foi reduzida em cerca de 35% durante o Estado Novo (era de 25% em 1975), e desde então, em pouco menos de 20% pois actualmente é de 5,2%.

Aliás, as estatísticas dizem o que toda a gente que viveu nessa altura sabe: o Estado Novo mandou construir escolas por Portugal inteiro, até nas aldeias mais remotas que hoje estão abandonadas.

E este problema não existiria, se a 1ª República tivesse feito alguma coisa neste capítulo, como se vê pelos números no início da tabela!!!
 
Esta gente da Esquerda velha e da nova direita que dela saiu não sentem vergonha pelo que escrevem ao perceber isto? 

Comentários

lusitânea disse…
Um grande jindungo no cu dos internacionalistas-corruptos...
Ricciardi disse…
E no entanto as maiores multinacionais da área da informática, da google, Amazon etc, acham que por cá formamos excelentemente os engenheiros.

Os passadistas, atentos exclusivamente aquilo que se passou no passado e, mesmo assim, com informação enviesada pelo sucesso da propaganda de então, nem conseguem ver a realidade presente.

Acordem.

Hey, o tempo do povo analfabeto acabou. Hoje temos formandos do melhor que há no mundo. Somos capazes hoje, ao contrario de ontem, de competir com qualquer profissional de qualquer pais do mundo. Principalmente nas engenharias.

Universidade do Minho olé. Até comemos a rapaziada do Sillicon Valey de cebolada.

Também nas formaturas em gestão e economia nao estamos mal.

Onde estamos mesmo mal, é verdade, É na formacao intermedia profissional. Pessoal dos ofícios não tem preparacao adequada ao mundo de hoje.

É neste capítulo que este Portugal democrático tem de agir.

Rb

Ricciardi disse…
Aquela nata de empresários com pouca instrução, vinda claro dos tempos do salazarismo, esta á acabar por razoes próprias da natureza das coisas.

O pessoal desses tempos está a desaparecer e estão a ser substituidos por gente com habilitações.

Do empresário com a 4 classe, estamos agora a passar para o empresário mestrado. O empresário que não discorria nem conseguia competir com marcas no mercado mundial, estamos agora com pessoal habilitadissimo. Deixamos aos poucos de trabalhar por subcontrato e começamos a introduzir as nossas marcas. No calcado e no têxtil são bons exemplos. Passamos de meros subcontratados, de empresários sem.instrução para mais (dedicados porem e trabalhadores) para empresários com.marcas próprias a disputar mercado com marcas de topo mundial.
.
Acordem.

Rb
Mario Figueiredo disse…
Uma das grandes falácias, se não a maior deste país, é a aquela que dita que somos relevantes. Vê-se em todo o lado; desde que somos bons nisto ou naquilo (mas que sem nunca se mostrar evidência real disso mesmo, excepto que algum estrangeiro o disse da mesma maneiro do português que vai para Angola dizer que gosta do povo Angolano) até frases tão velinhas e desprovidas de qualquer sentido prático como "Saudade é uma palavra que só existe em Português".

Desde que se andaram a fazer computadores para crianças a custo zero e desde que aquela maluca da pior ministra da educação que este país já viu tomou posse lá nos tempos idos do Socratismo e arrancou com aquele estúpido programa da Novas Oportunidades para que rapidamente e artificalmente se transformasse abandono escolar em 12º ano de grau académico sem ter que ir à escola, que também começou a ficar na moda que Portugal é um exportador de quadros superiores, muito em particular nas áreas cientificas. Estranhamente, precisamente naquela área com menos investimento no ensino e cujo modelo tem sido continuamente alterado para reduzir a complexidade, coitadinhos dos meninos não vão eles ficar traumatizados com a imensa dificuldade da matemática, da física e da química.

É insultuoso o nível de ignorância demonstrado por quem dispara este tipo de postas de pescada, num país com um dos mais elevados níveis de insucesso escolar em toda a Europa, com mais desistências e com piores resultados académicos nas três principais fases da educação (primário, secundário e superior).

É claro que a crença de que alguma maneira somos bons e importantes para alguma coisa é precisamente o tipo de narrativa que sustenta regimes no poder. É hoje a esquerda marxista abrilista deste país que usa as mesmas ferramentas que acusa o Estado Novo de ter usado para acalmar e estupidificar a nação.

Felizmente o mundo está a mudar. E o péssimo legado de Abril está a morrer aos poucos. Novas gerações que nãop viveram o Estado Novo não conseguem compreender a narrativa da esquerda de diabolização e procuram com mais frequência olhar para o passado num contexto histórico em vez de ideológico. A infantilização das pessoas e da educação é apenas um processo em extinção.

Não serei um desses beneficiários. E ainda bem que assim é. Afinal eu pertenço precisamente ao tipo de geração que tem de desaparecer para dar finalmente espaço aos mais novos para se libertarem da terrível ideologia abrilista que assaltou e dominou este pais nos últimos 44 anos.
Ricciardi disse…
Não fiques assim oh Figueiredo. Tem calma. Vais desaparecer, é certo, e eu também.

É provável que eu vá para o inferno e tu para o céu.

Mas não te preocupes, de lá de baixo das profundezas arranjarei uma forma de exibir para vexas, e para ti também, almas puras celestais, uma selfie com o senhor doutor professor Antonio Salazar.

Eu e ele em franca parceria estrategica a engendrar formas de tramar algumas almas. Ele a dos portugueses. Eu a dos comentadores deste blogue.

Rb
Floribundus disse…
Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho

é uma constante da vida

tão concreta e definida

como outra coisa qualquer,

como esta pedra cinzenta

em que me sento e descanso,

como este ribeiro manso

em serenos sobressaltos,

como estes pinheiros altos

que em verde e oiro se agitam,

como estas aves que gritam

em bebedeiras de azul.



eles não sabem que o sonho

é vinho, é espuma, é fermento,

bichinho álacre e sedento,

de focinho pontiagudo,

que fossa através de tudo

num perpétuo movimento.



Eles não sabem que o sonho

é tela, é cor, é pincel,

base, fuste, capitel,

arco em ogiva, vitral,

pináculo de catedral,

contraponto, sinfonia,

máscara grega, magia,

que é retorta de alquimista,

mapa do mundo distante,

rosa-dos-ventos, Infante,

caravela quinhentista,

que é cabo da Boa Esperança,

ouro, canela, marfim,

florete de espadachim,

bastidor, passo de dança,

Colombina e Arlequim,
Ricciardi disse…
Agora a serio. Já sonhei com cenas assim.

Invariavelmente, nos sonhos, quando bater a bota, vou para o inferno.

É estranho, mas na viagem não resisto nem tento atalhar por outro caminho.

Nem, imagine-se, me passa pela cabeça corromper um demonio porteiro qualquer para me livrar das profundezas, como dantes se fazia para o pessoal se livrar da incorporação para a guerra colonial.

Nada. Vou sempre, nos sonhos, com imensa vontade e abnegação.

A minha ideia, nos sonhos, é perverter o inferno. Sabotar os mecanismos e as engrenagens todas.

Sou sempre um herói fantástico nos sonhos. É para compensar, talvez, sei lá, o facto de não existir virtualmente como comentador.

Na viagem, imagino o diabo puto da vida, como dizem os brazucas. Fodido dos cornos, como dizem no norte. Comigo.

Só que, quando chego à presença dele, temendo o pior, mas pronto para o que der e vier, o gajo (entenda-se, o diabo) abraça-me e depois ajoelha-se, prostado à minha frente, como se eu fosse superior hierarquicamente ao próprio diabo.
- Atao pá, não devia ser eu a ajoelhar...
- Senhor Rb, desculpe, eu fiz com que viesse aqui, por uma razão.
- sim? E qual foi?
- epa, Deus mandou o Salazar para aqui, como sabe, e eu acolhi essa alma. Nunca recuso um grande tormentador da humanidade, e dos tugas em particular.
- e então, oh diabo, e depois?
- acontece que o camelo do meu financeiro fez um acordo com arcanjo Miguel - o meu irmão - e esvaziou os cofres infernais. Fugiu para o céu, e esta la protegido com a massa toda.
- porra pá, a serio belzebu?
- sim.
- então e o que é q o Salazar tem a ver com isso ?
- um problema. Eu conto. Senta-te aí nessas labaredas. É assim, quase na falência técnica, resolvi substituir o financeiro ladrão pela prata da casa. O Salazar tinha boa fama. Contratei o homem para recuperar as financas do inferno e...
-

(Há-de continuar, deveres de pai vivo falam mais alto)

.
Rb
Mario Figueiredo disse…
Nem mais Floribundos.
António Gedeão, poeta português e formado no Estado Novo -- o tal periodo que a Helena Garrido diz ter como herança o analfabetismo.

Estranho analfabetismno esse que formou alguns dos maiores poetas e literários do país. Estranho analfabetismo esse que desde que foi derrotado no 25 de Abril nunca mais se produziram poetas e literários como eles. Estranho analfabetismo esse que produziu grandes empresários e filantropos cujas fortunas hoje alimentam fundações de investigação cientifica.

Estranho analfabetismo esse que nos deu 2 prémios nobel, um da medicina e outro da Literatura. Ou 4 (quatro) prémios se considerarmos também os dois prémios nobel da paz a Ximenes Belo e Ramos Horta, ambos educados no Timor Português.

Pois é. os analfabetos dos Estado Novo são tramados. Parece que afinal nos envergonham e ultrapassam a cada dia que passa...
Mario Figueiredo disse…
Estranho analfabetismo esse que tinha uma forte massa estudantil nos anos 60 e onde se germinou o intelectualismo da décade de 60 e o sentimento anti-regime, que entre outras coisas celebrou o Maio de 68 nas faculdades a abarrotar de estudantes e que se substitui em massa a bombeiros nas inundações de Lisboa de 67.

Tramados estes estudantes analfabetos, iletrados social, cultural, economica e financeiramente segundo a especialista Helena Garrido e nos bons termos do pensamento de esquerda português...
Ricciardi disse…
"António Gedeão, poeta português e formado no Estado Novo "

Caraças, oh Figueiredo, estamos com azar nas fezadas que vais escrevendo em modo de propaganda.

O Gedeão, formou-se antes do Estado Novo.

Mas pronto, deixa lá, isso é um pequerucho pormenor.

Sobra o outro premio Nobel. O Saramago. Este foi realmente formado na epoca, apesar do regime. Mas só teve liberdade para usar os seus dotes na sua plenitude em democracia.

Nota: escrevo agora em tom baixinho para o pessoal fanático deste blogue não ouvir. Figueiredo o Saramago, premio Nobel, é esquerdalho, não fica bem dar mérito a esse pessoal. Olhe que o José zangam-se e depois, em vez de proibir de falar comigo, pode mesmo cortar-lhe a língua, neste caso os dedos. Tchuuuu

Rb

Mario Figueiredo disse…
Estranho analfabetismo esse que nos trouxe a época de ouro do cinema português.

Estranho analfabetismo esse que educou grandes figuras da televisão e do jornalismo português como Mário Zambujal, José Hermano Saraiva... eu sei lá, Sousa Veloso, Armando Batista-Bastos, Mário Veloso... isto nunca mais acaba.

Estranho analfabetismo esse que agora que foi derrotado nos dá figuras maiores do que no Estado Novo como A Casa dos Segredos e o Rodrigo Guedes de Carvalho.
Mario Figueiredo disse…
Estranho analfabetismo esse que formou Álvaro Cunhal.
Ricciardi disse…
Espera espera, ouve, não quero magoar as tuas crencas mas, epá o Ramos Horta foi formado na Academia de Direito Internacional de Haia, nos Países Baixos (1983) e na Universidade de Antioch (Estados Unidos) onde completou o mestrado em Estudos da Paz.

Tchuuuu, eu não digo nada a ninguém. Podes continuar a inventar.

Rb
Ricciardi disse…
"Estranho analfabetismo esse que formou Álvaro Cunhal."

Bem visto. Foi o estado novo que formou esse grande sacana que queria entregar isto aos sovietes.
.
Rb
Ricciardi disse…
Esperava uma lista de notáveis melhor. Porque portugueses bons, muito bons, também existiram durante o estado novo.

O problema nunca está nas elites que se formam. Qualquer pais de terceiro mundo forma um punhado de gente capaz.

O problema esta nas massas. Na iletracia das maiorias que se vivia no estado novo.

Rb
Ricciardi disse…
Ok, só para finalizar que tenho contas a acertar com o diabo.

Figueiredo, tu consegues, se quiseres. Eu estou quase quase a promover-te ao estatuto intelectual da Maria. Falta mais um ou outro dislate e pimbas, consegues o diploma.

Rb
muja disse…
José,

Os Governos do Estado Novo muito fizeram para que as pessoas se cultivassem e informassem. Tal pode ser objectivamente demonstrado, creio.

E porém, deu isso em algo que, politicamente, se visse? Não.

Donde a conclusão que cultivar e informar as pessoas é uma coisa boa, eventualmente em si própria, mas quanto a sê-lo para daí extrair boas decisões em regime democrático, penso que está por demonstrar.
muja disse…
E como a governação dos Estados nunca deixou de se fazer por intermédio de uma classe, "elite" ou escol, mesmo - quiçá sobretudo - em regime democrático, tudo se joga, ao fim e ao cabo, em saber escolher a quem dar o poder.

O poder, claro, que está ao alcançe dos eleitores para dar.

Porque, desde logo, não é todo e eu diria que nem é a maior parte.



muja disse…
Ora, para saber tal coisa, idealmente, ter-se-iam todas as informações sobre o andamento da administração, das finanças, da diplomacia, etc; um conhecimento, enfim, alargado e profundo tanto dos negócios públicos como da sua condução.

É isto uma coisa razoável de pedir a todo o cidadão? No mais, enquanto deve fazer pela vida: trabalhar, cuidar da família, descansar, etc?

Os que governam podem, ao menos, dedicar a isso todo o tempo - e já não é tarefa fácil.
Ricciardi disse…
Aqui o mujinha, apesar de tudo, ainda é o único que consegue perceber o o imbróglio logico que aqueles que dizem que no estado novo é que formavam bem o pessoal.

Parabéns mujinha, pateta não és.

Senão vejamos. Se o estado novo foi tao exemplar isso deve-se ao pessoal que o liderava, todo ele formado antes do estado novo. Se a democracia é muito má isso deve-se-ia, portanto, às fracas elites formadas durante o estado novo.

Actuais governantes na casa dos 60 anos foram todos formados pelo regime salazarista. Se nao tem competências suficientes isso deve se à fraca instrução educacional durante o estado novo.

Ou será que não é bem assim?

Quando se pensa com a cabeça mais pequena depois não se consegue produzir bons argumentos. Não é Figueiredo?

Rb
Ricciardi disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Ricciardi disse…
E pronto, vou finalmente retirar-me por.uns tempos que tenho mais uma viagem a fazer proximamente. Se o aviao cair, epá, fica desde uma previsão muito importante acerca do devir. Que é esta:

A Maria vai aparecer em baixo a dizer que aprecia muito o Figueiredo. A seguir vai ressalvar os méritos do Mujinha e finaliza com um bem.haja ao senhor José pelos inigualáveis dotes na arte de...

(Imitando o Pedro Arroja)

1) usar o digitalizador
2) viver no passado
3) tentar criar a seita de fieis devotos de São Salazar.
5) todas as respostas acima

.
Rb
Bic Laranja disse…
Dos papagaios e do analfabetismo ainda há dias fiz um gráfico, que até ficou bonito, passe aí modéstia.
https://biclaranja.blogs.sapo.pt/o-estado-novo-e-a-retorica-dos-1229843
Bic Laranja disse…
Da Garrida e da garridez com que singra na correnteza abrilina parecendo que disfarça com quem meteu a mão na caixa, é mais uma analfabeta que se fareja sem necessidade de perdigueiro.
https://biclaranja.blogs.sapo.pt/do-evangelho-pelo-dia-de-s-marcos-1165208
Ricciardi disse…
Taxa albetizacao 1950:

Alemanha, Áustria, Holanda- 98%
Franca, Bélgica - 98%
Rússia - 90%
Espanha, Itália - 80%
Grécia - 75%
Portugal - 55%

Fonte: censos (joanhasson)

Como é evidente o nível de albetizacao, como qualquer outro índice, tem valor por comparação com outros países para verificarmos se se trata dum problema global ou particular.

No caso português, parece me evidente que a educação não foi, claramente, aposta do Salazar. Pelo menos ate 1950 e já ocupava o poder há cerca de 25 anos.

Éramos o pais mais iletrado de todos.

Foi feito um esforco depois da década 50, mas muito insuficiente. O que distingue um bom dum mai governante é precisamente a atenção que dá às prioridades estruturantes.

Um pais com um nível de iletracia na casa dos 50% nao podia ter futuro. Porem foi a estrategia da ignorância que perpétuo Salazar no poder.

Reparem que falamos de níveis de educacao mínima. 50% do povo não sabia ler e escrever.

Se falarmos de educação à seria, com instrução mais evoluída, então é vergonhosa a comparação com outros países.

É por razoes de atraso na educação básica e mais desenvolvida que O pais nao pode desenvolver se ao mesmo ritmo doutros países europeus. A educação ou a falta dela distingue os países.

Rb
Ricciardi disse…
Por esta e outras razoes, Salazar devia ter sido mandado borda fora em 1950. Se tivesse sido removido nessa altura hoje teríamos um pais muito mais desenvolvido.

Perdemos muitas décadas com o excesso de salazarismo.

O homem apegou se ao poder e ate se achava matrimoniamente casado com a Nação. Palavras dele próprio ao cardeal cerejeira.

Para mim, que sou psicologo de trazer por casa, o problema dele residiu provavelmente na falta de sexo. As hormonas masculinas pululam de tal maneira e descontroladamente que é preciso arranjar meios alternativos de descarregar a tensão acumulada. Como bem aconselhou o Cardeal, Salazar precisava mesmo duma.mulher que lhe pusesse juiz o na cabeça. Nas.duas cabeças.

Mas isso é mera especulação minha. Alicerçada naquilo que eu achava que seria se me faltasse mulher.

Rb

Ricciardi disse…
Não obstante, Salazar foi importante. E fez aquilo que tinha de fazer na década de 30. As carateristicas que tinha, a obstinação principalmente, foram uteis naqueles tempos.

Era um.homem inteligentissimo, e de refinada cultura. Formado antes, claro, do estado novo.

Mas não é apenas isso que distingue a inteligência dum governste. O que distingue é à capacidade de atrair bons colaboradores. Ele reuniu uma.boa equipa. De gente bastante competente.

Não fora o apego ao poder e teria sido a estrela que brilha e nunca se apaga.

Parece que é a nossa sina. Homens com capacidades estragam se por vaidades e excesso de apego ao cargo. O Sócrates também foi assim como o Salazar. O apego ao.poder levou o ex governante a tentar controlar tudo. Excessivamente. Da a ideia que leu profundamente a vida de Salazar. Ate no.modo como queria controlar a comunicação social.

Rb
Ilo Stabet disse…
«Ignorância é felicidade e eu quero que o meu povo seja feliz»

A frase, por vezes atribuída a Salazar, cuja veracidade da atribuição não conseguimos averiguar, é apontada, quando é, em modo de escárnio e nojo pelos seus inimigos – querendo com isso atacar o homem pela sua suposta vontade de manter o povo ignorante para poder, despoticamente, controlá-lo. Aqui não é tanto a veracidade histórica que pretendemos discutir, mas a sabedoria intrínseca da afirmação, defender a sua intenção e fazer uma apologia da ignorância. Ou seja, se Salazar a tivesse dito, teria o nosso apoio e compreensão: o povo será sempre ignorante, e mais vale que o seja em consciência, do que inconsciente, podendo assim ser feliz na sua condição, e a governação continuar sem impedimentos criados pela soberba dos ignorantes. Ou seja, o exacto contrário do que acontece com o regime presente.

Apesar da descida do analfabetismo ter continuado até praticamente ser zero nos nossos dias, os mitos sobre o Estado Novo permanecem contra toda a evidência, fundados numa ignorância voluntária da maioria da população. Se pensarmos que esta ignorância não se encontra somente nas classes mais baixas, desinteressadas do estudo e das questões da governação, a quem não aquece nem arrefece questões abstractas e intelectuais como os destinos do país, mas também – e com grande ênfase – nas camadas intelectuais, naquelas cuja vocação é precisamente congeminar, analisar, escrever e propagar ideias, vemos ilustrado o abismo entre as pretensões democráticas do votante informado e a realidade crua da natureza humana.

Entreviste-se o estudante médio de Ciência Política, de Filosofia, de História, ou até o graduado, ou o professor, e observe-se a ignorância voluntária a que se acomoda, a ausência de capacidade crítica, a disposição para aceitar todos os lugares comuns do seu tempo sem nunca os questionar, e conclua-se que educação e ignorância não são mutuamente exclusivos. A ignorância é o estado natural do Homem. Independentemente das ferramentas que se lhe oferecem, o cidadão comum vai continuar agrilhoado na Caverna, interpretando as sombras como realidade, mesmo tendo as chaves dos grilhões na mão e um manual de fuga na outra. Isto sem se falar na outra fatia populacional de quem não se espera qualquer afrontamento teórico abstracto, mas a quem a doutrina democrática também atribui responsabilidade na sua libertação. Os democratas esperam que uma vaca toque piano e surpreendem-se quando ela é incapaz de sequer perceber para que servem as teclas – mas se por acaso produzir meia dúzia de sons desconexos, tomam-no como evidência de que as vacas, de facto, podem ser pianistas. A pouco mais que isto se resume o sistema eleitoral de sufrágio universal.


(1/2)
Ilo Stabet disse…
A doutrina democrática assume, porque tem de assumir, que o povo é capaz de escolher os seus representantes, assim decidindo por interposta pessoa, os destinos do país. Mas só uma ingenuidade mortal, ou uma malevolência premeditada, poderia levar a que proclamássemos tão clara mentira como sendo a verdade. Mas sendo o regime fundado nessa mentira, as estruturas exteriores têm de se conformar a ela, sob pena de todo o edifício ruir. Daí nasce a obrigatoriedade da escolaridade muito para além do necessário ao desempenho da maioria das funções requiridas para o funcionamento da sociedade, primeiro até ao nono ano, depois até ao décimo segundo, e eventualmente, dada a parvoice progressiva do nosso sistema, até à licenciatura. Este estado de coisas só pode advir das duas origens que mencionámos, pois é por demais óbvio que a extensão da obrigatoriedade, ao invés de elevar o conhecimento e o pensamento crítico dos cidadãos, rebaixa a relevância e profundidade do ensino, reduz a motivação e dedicação dos professores, forçados a lidar com miúdos sem interesse no que lhes estão a tentar ensinar, e necessariamente faz cair as exigências de conhecimento para que a promoção deste novo patamar não resulte em inúmeras desistências do salto, ou em saltos que não elevem o atleta à altura desejada. A isto se chama reduzir ao mínimo denominador comum, tarefa que nenhum outro sistema concretiza com tamanha mestria como o democrático.

Quando Eva e Adão comeram o fruto da Árvore da Sabedoria não souberam o que fazer com o seu novo conhecimento. Também a maioria da população não sabe o que fazer com o que lhe ensinam para além das artes de contar, ler e escrever. Não sabem porque não lhe vêem qualquer préstimo, não lhes dá mais oportunidades de serem homens produtivos e morais, não lhes permite uma mundividência mais completa, pois incompleta será sempre a mundividência dos simples. No entanto, em grande parte, convence-os de que têm agora capacidade para compreender e opinar sobre assuntos que de facto não compreendem e cujas opiniões não são, na verdade, suas, mas regurgitadas em segunda mão com origem em figuras de autoridade – para mais, em muitos casos, caracterizados por uma arrogância natural e uma aversão a trabalhos manuais para os quais serão, na verdade, mais dotados. Mostrem-nos um ignorante orgulhoso, e nós desvendamo-vos um universitário moderno. Mas o ignorante convencido da sua sabedoria continuará, na verdade, mais interessado na baixa cultura do seu tempo, crente sem crítica nas convenções que lhe colocam à frente dos olhos como verdadeiras, ingenuamente interpretando as notícias e os seus veículos como fidedignos, ouvindo os seus professores como autoridades, incapazes de entender que eles foram e são como eles – ignorantes que, na verdade, não dão para muito mais.

(2)
Ilo Stabet disse…
A maioria da população, agora como sempre, é atraída quase exclusivamente por pães e actividades circenses – sendo o tipo de pão e o tipo de circo as únicas variáveis. E isto não é uma crítica, é uma apologia. O que nos separa do pensamento vigente é, em primeiro lugar, reconhecer esta inevitabilidade, sejam quais forem os anos obrigatórios de escolaridade e as exigências cívicas dos cidadãos, e em segundo, não lamentarmos essa condição, pois fingir que se pode evitar o inevitável, como já dissemos, só pode ser produto de ingenuidade ou de malevolência. E como tal, prescrevemos um sistema que leve em conta esta realidade, um sistema que não finja que todos podem e devem ser filósofos-reis, quando a maioria não serve para bobo da corte. Consideramos uma aberração que se peça opiniões e se exijam decisões sobre o mundo real, a quem só o conhece pelas sombras reflectidas nas paredes.
Quando a Revolução Protestante declarou que o comum mortal podia, e devia, interpretar a Bíblia pelas suas próprias luzes, abriu-se a Caixa de Pandora das mais torpes e idióticas interpretações, tudo e o seu contrário podia ser encontrado nas Escrituras a partir desse momento, e com efeito, encontrou-se – pois se há matéria infindável no universo é a da estupidez humana. Em vez de ser um veículo para procurar a Verdade única, foi o meio de a esconder e soterrar em mil mentiras. O mesmo se pode dizer do presente zeitgeist, em que perante a infindável biblioteca da Internet, o cidadão comum continua mais interessado na vida das celebridades, nas novelas e filmes e músicas da baixa cultura em que elas se distinguem sem distinção, no futebol e nas suas narrativas, exercendo a sua capacidade crítica em assuntos em que ela não tem préstimo, porque não dão para mais e simultaneamente aceitando sem crítica, sem a sombra de uma dúvida, o que um actor que se convencionou chamar de pivô lhe diz todas as noites ou todas as manhãs sobre o país e o mundo. Porque, repetimos, não é capaz de mais, e é um ultraje, uma irresponsabilidade e uma violência exigir-lhe mais. Mas exige-se, com resultados atrozes.

A diferença entre um electricista com a quarta classe durante o Estado Novo e um universitário dos nossos dias é que o electricista não tinha a soberba de achar que a sua opinião valia muito fora dos limites do seu mister; o antigo tinha a humildade de dizer ‘não sei’ e aquela ainda maior de dizer ‘não quero saber’. Isso, e provavelmente escrevia melhor o português. Por esta ignóbil situação temos de agradecer aos sucessivos aumentos da escolaridade obrigatória e à estupidez congénita de perguntar a todos aquilo que só alguns podem saber. Afinal, são aqueles que agitam os fantoches formando as sombras que iludem o cidadão comum, os mesmos que perpetuam a mentira de que este vê a realidade tal como ela é.

Por isso fazemos a apologia da ignorância, não porque gostemos dela mas precisamente por não gostarmos. Um sistema que finge que ela não é o destino da maioria, está condenado a generalizá-la e a dar-lhe poder, em vez de a limitar e a manter inofensiva. Devolvamos ao povo o privilégio de ser ignorante sem culpa, e devolvamos aos capazes o dever do governo sapiente.

(3)
Miguel D disse…
Caro Muja,

Ando muito curioso para ler as suas impressões sobre Moçambique.
Se um dia destes tiver vagar e paciência, diga de sua justiça.

O José que me perdoe a ousadia.
Cumpts
Mario Figueiredo disse…
Ponto de ordem.

Isto de estar a mostrar estatísticas tiradas à pressão, não dá bom resultado. Em Portugal seguramente a iliteracia não era calculada durante o Estado Novo, pelo que qualquer número é pura inveção.

O primeiro dado estatístico oficial da iliteracia em Portugal e aceite por instituições internacionais é de 1981, e diz-no que Portugal tinha uma taxa de alfabetização de 79,4%. 7 anos após o fim da ditadura.

Após uma pequena pesquisa foi possível aceder a um relatório da UNESCO datado de 1957 sobre a iliteracia mundial e que nos fala sobre a dificuldade de calcular estes valores naquela data (muitos países, icncluindo Portugal, não calculavam estas taxas) e os métodos utilizados para o fazer. Segundo a UNESCO, na europa de 1950 a taxa de alfabetização média entre a população adulta era muito distinta entre países do norte e do sul. E a europa do norte tinha taxas de 98%, enquanto que a europa de sul ficava-se pelos 80% (http://unesdoc.unesco.org/images/0000/000029/002930eo.pdf). Não faz portanto qualquer sentido comparar a iliteracia em portugal com a de França ou Bélgica na década de 50.

O que é preciso entender é que ninguém aqui questiona o analfabetismo gritante da população portuguesa no periodo do Estado Novo. É pura demagogia entender que alguém está a negar o que parecia evidente.

O que se questiona são duas outras coisas:

1. Esta ideia velha e cansativa que o Estado Novo usava o analfabetismo como arma política para manter o regime, quando foi durante o Estado Novo que se fizeram alguns dos maiores investimentos em educação básica, média e superior e nem o estado criava entraves a que a população portuguesa estudasse fora do pais. Por outro lado, as universidades estavam cheias e também as escolas. Tanto que foi possível desenvolver uma cultura estudantil forte e cultural e politicamemente esclarecida no país em plenas décadas de 50 e 60.

2. A ideia que o analfabetismno em Portugal era crónico e resultado directo da governação, quando na realidade no mundo nesta altura o analfabetismo era crónico em países subdesenvolvidos e com grandes percentagens de população rural como era o caso Português.

O que se discute aqui no essencial é:

1. O analfabetismo em Portugal durante o Estado Novo era um problema grave de desenvolvimento do país, como aliás já o era antes do Estado Novo. A ditadura em Portugal fez pouco para resuolver o problema e só começou a agir tarde para começar a resolver esse problema.

2. De lá para cá o país não evoluiu muito. Se temos felizmente uma população mais letrada, saber ler ou escrever por si só já não nos traz espectativas de desenvolvimento. Aliás, o desenvolvimento tecnológico encarregou-se de tornar a taxa de literacia um dado obsoleto e hoje procuram-se outras formas de calcular o potencial intelectual e cultural de uma população. A verdade é que hoje o nosso país com 98 virgula qualquer coisa de literacia continua na mesma a não conseguir competir na economia europeia e sofre de exactamente os mesmos problemas de atraso comparativo. Talvez não tão gritantes, é certo. Mas ainda assim claramente visíveis.

Se o Ricciardi quer usar da demagogia e aderir ao discurso do "na ditadura isto é que era mal" para escamotear os problemas actuais do país, isso é lá com ele. Gajos como ele andam aí aos magotes e é por isso mesmo que somos o país que somos. Eles são os construtores do Novo Estado.

Mas pelos menos ficou aqui o meu ponto de ordem à mesa. E é a última coisa que eu tenho a dizer sobre isto.
muja disse…
Mário Figueiredo,

Esse é um socretino. Isso basta para lhe tirar o perfil.

Tudo quanto escreve é provocação. É capaz de ir escrever o contrário noutro lado qualquer.

Não é para ler, quanto mais levar a sério.
josé disse…
Mário Figueiredo: peço-lhe para não alimentar trolls. Ainda por cima inexistentes se não forem lidos.
josé disse…
De resto concordo com a sua análise.
muja disse…
Quanto a estatísticas, mais do que qualquer estatística, bastaria um rol detalhado de tudo quanto se construiu no Estado Novo - escolas, postos de correio, estradas, etc.

Embora não fosse a obra mais importante, é a que melhor hoje se compreende.

Isso e referir detalhamente o escrúpulo de Salazar quanto às suas próprias despesas com dinheiro público basta para arrumar estes hipócritas bacocos em público, e fica o retrato duns e doutros tirado.

Mas ninguém tem interesse nisso porque ninguém fez, nem se acha capaz de fazer, melhor.

E como o poder depende, em parte não dispicienda, do mercado da opinião pública, não é preciso ter "MBA" para perceber que ninguém vende muito considerando-se inferior aos outros...
Floribundus disse…
censo de 2011
48% da população do rectângulo tinha no máximo 4 anos de escolaridade

as estatísticas do INE sobre inflação não correspondem aos gastos mensais com a compra dos mesmos alimentos nos últimos 10 anos

hoje saber ler e escrever serve apenas para brincar com jogos electrónicos

esperem pela porrada
não se agachem
josé disse…
O Estado Novo e o Estado Social de Marcello Caetano fizeram o que poderiam fazer e estavam no bom caminho.

Se não tivesse havido a Revolução de Abril julgo que em matéria de educação estaríamos bem melhor.

Não teríamos cometido o maior crime de sempre na Educação e que é da responsabilidade do PCP e do PS de Rui Grácio: a abolição do ensino técnico industrial e comercial, nos moldes em que estava.

Só faltava uma coisa que seria corrigida: a ligação às empresas existentes na época.
Ricciardi disse…
Em suma, Figueiredo, em 1950 Portugal tinha 55%. Os países do norte, 98%. Espanha e Itália, 80%.

Não é preciso dizer mais nada. O atraso de Portugal era gritante.

É essa a razão pela qual o Portugal saído do estado novo não tinha ferramentas para competir com outros países. Não tinha educação suficiente.

O mérito da democracia é precisamente esse. Democratizar a educação. Massificar a educação.

Massificada a educação, estamos agora em boa altura de prosseguir para novos patamares.

Em vez de discutir quantidade estamos agora a discutir qualidade. É na batalha de melhor educação que o pais esta centrado e deve centrar.

A nível global estamos posicionados em 21 lugar. Pisa. Melhor do que Espanha por exemplo. Passamos da cauda do.mundo para o pelotao da frente.

Dentro deste pelotão há muita coisa a fazer para poder chegar a um 15 lugar e ficar à frete duma franca por exemplo.

Mudar o sistema de ensino centrando os alunos mais na qualidade do que na quantidade de conhecimentos.

Por exemplo, no tempo do Salazar o ensino era baseado no encornanço. Na quantidade. Saber muitas coisas desnecessárias era a pedra de toque. Já nessa altura os países nórdicos apostavam na qualidade do ensino. Em vez de decorarem as linhas de comboio de norte a sul do pais, na Holanda preparavam a estudantada para a física e para a matemática. Ensinavam a fazer comboios em vez de ensinar as estações por onde eles passavam.

Isto é um exemplo estúpido e básico mas é verdadeiro.

.
Rb
Ricciardi disse…
O dono deste tasco nao se cansa de pedir para não me lerem. Boa sorte.

Eu também gostava que não dissessem asneiras. E se o fizessem ninguém teria o prazer de ler o que escrevo.

Rb
muja disse…
Miguel,

não tenho muitas mais do que as que já fui referindo. Mas resumo assim:

- Os chineses estão lá em força e conspicuamente. Pelo que já ia lendo e lá ouvi, é assim por toda a África. Daí, vai por água abaixo a tese de que seria possível defender "interesses", mormente económicos, fazendo a descolonização "realmente" exemplar dos ingleses ou franceses. Cantigas... Nem os americanos lá se vão aguentar, pelo andar da carruagem.

- Tudo quanto li que havia de mau durante a colonização, lá constatei, ouvi ou sub-entendi. Ou seja, continua a haver quem tenha rica vida - brancos, mestiços e pretos - e a maior parte vive conforme pode, e não pode mais hoje que podia antes. Continuam a trabalhar para esses por tuta e meia.

- Continua a haver o "asfalto" onde não se está muito mal e, nalguns sítios, está-se muitíssimo bem. E depois há o resto, que é o que imagina.

- E esses brancos e funcionalmente-brancos da vida boa não têm pejo nenhum em referir que pagam pouco pelo que consideram também, verdade seja dita, pouco trabalho. Acham que eles - os pretos - são felizes assim e que até lhes fazem um favor.

- Mas estas pessoas também defendem a descolonização! E muitas são "de esquerda". O que era terrível e opressor colonialismo dantes, é hoje uma opção de vida, eventualmente uma fatalidade antropológica "do nosso povo" ou "deste povo" (é assim que se referem aos pretos)!

- Há terrorismo islâmico no norte do país - que foi, ironicamente, também onde surgiu o terrorismo anti-português na altura. Dir-nos-ão que são os moçambicanos que desejam ardentemente a conversão ao maometismo? Que são os ventos da história?

- Em todo o caso, a proporção de muçulmanos deve ter aumentado. Disseram-me que andará pelos 30% ou mais. Ignoro a verdade. Mas se assim for, vão ter problemas pela certa - enfim, já têm.

- A terra em si é fantástica e não é nada difícil perceber o fascínio que exerceu - e continua a exercer - sobre tantos de nós pelos séculos fora.

Resumindo e concluindo: vim de lá firmemente convencido que abandonar aquilo foi a coisa mais estúpida, mais grunha, mais perfeitamente imbecil que alguma vez se fez na história deste país.
Ricciardi disse…
Recebo emails todos os dias de gente que exorta aqui o vosso estimado comentador a não desistir de falar a verdade acerca dos mitos que este blogue suscita acerca do estado novo.

Obrigado pelo apoio a esse pessoal que vem aqui e não lhes apetece vomitar comentários. Mas não o faço por vexas. Temos pena. Faço -o Pôr que não suporto propaganda que pretende falsear parte duma época desastrosa para a Nação.


Rb
Ricciardi disse…
O nabo do mujinha comprou a cassete do Cunhal e repete ad nauseum que eu sou socretino.

Esta falsidade, atirada por incúria intelectual, demonstra o nível desta gente.

Este melro confunde cenas simples, como é habitual. Ele acha que alguém que acha que o Sócrates não devia ter sido preso preventivamente é um socretino.

Estais a ver? Um tipo que defende que ate um mau governante não tem que necessariamente ter sido bem preso faz dele um defensor do governante .

Esta é a logica da batata mujadina. É defino-o.

Para registo: nunca votei noutro partido na vida que não seja o psd. Não admiro a governação do Sócrates, excepto em duas ou três coisinhas que ele fez muito bem.

E tu mujinha, já te desfiliaste do hezbolah?

Rb

Ricciardi disse…
Olha que o teu hezbolah tem boas receitas em Moçambique. Os EUA volta e meia descobrem como operam e por que empresas e "obrigam" o governo mcambicano a agir fechando essas empresas. Mas eles mudam e fazem outras.

E qual é o.método dos teus amigos do hezbolah em.Moçambique?

Explorar preços de bens essenciais. Fasem o que podem para suster a entrada de bens e, quando eles atingem preços exorbitantes, lançam os bens no mercado. Exploram a pobreza de forma vil.

Os teus amigos do hezbolah pegam na massa que por la obteem e levam na para o Líbano.

Bons e grandes projectos em.Moçambique são realizados por Israel e pelos EUA.

Infelizmente descobriram demasiado gás a norte que vai ser a fonte de problemas do pais que estava a conseguir evoluir com recursos menos danosos para economia.

Rb
Ricciardi disse…
"Resumindo e concluindo: vim de lá firmemente convencido que abandonar aquilo foi a coisa mais estúpida, mais grunha, mais perfeitamente imbecil que alguma vez se fez na história deste país."

Eu vim de la convencido de que levar a guerra a Moçambique foi a coisa mais imbecil que podia ter acontecido é o motivo pelo qual os portugueses foram de lá expulsos.
.
Rb
Miguel D disse…
Caríssimo Muja,
Muito obrigado pela sua resposta.
Tenho uma curiosidade enorme sobre Moçambique, a família da minha mulher viveu lá e espero um dia poder conhecer.
Quanto ao que diz, creio que ninguém se pode confessar surpreendido. A realidade tem horror ao vácuo e se nós saíssemos, outros teriam que entrar. Era fatal como o destino. A diferença é que já lá andávamos há uns anitos e tínhamos aquela terra como nossa. Os que vieram depois tinham outras perspectivas.

Obrigado e bem haja
muja disse…
Miguel,

vale a pena uma visita.

Embora, de uma forma geral, não seja um destino barato.


Quanto ao mais, nada que não veja quem não queira não ver.
Tiro ao Alvo disse…
Talvez um gráfico ajudasse a ver melhor a evolução da taxa de alfabetização em Portugal que, desde o princípio do século XX, cresceu com muita regularidade, verificando-se ligeira aceleração nos anos trinta e um grande mas compreensível abrandamento nos anos noventa, quando se atingiram valores superiores a 90%.






josé disse…
Obrigado pelo gráfico. Acabei de o usar sem mencionar a proveniência, mas digo aqui.
Tiro ao Alvo disse…
Felicito o BIC laranja por ter elaborado o gráfico que sugeri e que eu também tentei fazer, embora menos bem elaborado, mas que me vi incapaz de o enviar para o blogue.
Pedro disse…
Cambada de mentirosos.

O estado novo não censurava apenas propaganda comunista, mas tudo o que criticasse o estado novo, o que criticasse o sistema social ou colonial, criticasse a igreja ou entrasse em campos proibidos pela moral sexual da igreja.

Desde o Anticristo de Nietzsche, até ao Capitães da areia do Jorge Amado, por serem "imorais", passando, claro, pelos livros humorísticos do Vilhena.
Anjo disse…
Ó Pedro, a moral vigente era essa e não foi o salazarismo que a construiu. Era a mesma em todo o Sul da Europa, caso não saiba. As pessoas falam, falam, mas omitem essa importante contextualização, o que é obscurantismo puro e duro. Não sabem, por exemplo, que mesmo um país aparentemente tão "adiantado" como a Suíça só concedeu direito de voto às mulheres na década de 70 do século passado.

Tome lá uma fonte:

https://www.swissinfo.ch/por/voto-feminino-s%C3%B3-tem-30-anos/1877014

Porque é que não são menos comprometidos nas vossas análises? É como a vossa insistência no analfabetismo durante o Estado Novo. Qual? O que ele combateu activamente, como demonstram os dados?

Ou o já estafado argumento do "Fátima, fado e futebol". Qual? O que o actual regime pratica empenhadamente?

Eh pá, a malta não nasceu toda ontem e já começa a ficar cansada de tanto esforço para tapar o sol coma peneira.
Bic Laranja disse…
Fado futebol e Fátima: a Amália e o Izébio já lá estão. É só mandar para lá a irmã Lúcia para a consagração abrilina da trilogia fassista no Panteão ser definitiva.
Nem se enxergam.
Ricciardi disse…
Figueiredo, corre em paralelo uma entrevista ao zozie dans la carruage. Um homem com forte bigodaça, com mala de cartão, sobrancelhas proeminentes, de tamanho piqueno, que resolveu emigrar para França a salto nos anos 60. Decidiu voltar à terra que o viu nascer para gozar a reforma.

Conheceu a sô dona josefina num café da aldeia onde esta fazia limpeza às seguntas, quartas e sextas.

Apaixonaram-se violentamente. Porem, a josefina descobriu algo surpreendente no parceiro.

O homem da bigodaça escondia um segredo muito importante. A josefina descobriu na carteira do homem um cartão de identificação antigo. Ao principio não se deteve no pormenor do nome zazie. Pensou que era um erro de impressão e que tinham trocado o O pelo A. O casamento com josefina deveria ocorrer nessa tarde ensolarada de inverno mas...


Rb