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Portugal dos pequenitates

Este artigo de Helena Matos  no Observador representa um salto qualitativo na análise do que foi o nosso passado histórico e o modo como se conta esse passado.

Helena Matos fala do Museu de Arte Popular que está fechado pela Censura democrática que substituiu a que existia quando o museu foi criado e diz o fundamental que por aqui tento desvendar: algo que  "não pode ser não por aquilo que foi no Estado Novo mas sim por aquilo que mostra do que não conseguimos ser na democracia."

É exactamente isto que sucede actualmente em Portugal : quem fala mais no Estado Novo para vilipendiar esse tempo são os incapazes de fazer melhor do que então foi feito. A Esquerda em geral, ou seja os frustrados e falhados de sempre. Os capados e eunucos da História. O Portugal que nos contam é o da sua versão de pequenitates da História ideologicamente importada e das ideias feitas de inveja e despeito. Querem agora ser grandes e esconder os que o foram verdadeiramente porque não os suportam. 
Alguns deles estão aqui nomeados...


(...)

Este museu existiu durante décadas e fechou não por falta de público mas sim por razões ideológicas: o Museu de Arte Popular sofria do pecado original de não só ter nascido durante o Estado Novo como, segundo o auto-de-fé ideológico que lhe ditou o fim, de ser um produto da propaganda do salazarismo. E portanto de nada valia a importância do seu acervo. Milhares de peças em que se contam arados, cabanas de pastores, teares, barros, linhos, bonecos de Estremoz, as estranhas figuras saídas das mãos de Rosa Ramalho, cestos, carros chorriões do Alentejo… tudo isso que não precisou de António Ferro para existir foi encaixotado e armazenado porque, nos idos dos anos 40 do século passado, o Secretariado da Propaganda Nacional transformou o que tinha sido uma secção da Exposição do Mundo Português no Museu de Arte Popular.

(...)

 Ironicamente, tendo nascido enquadrado na propaganda do Estado Novo, o Museu de Arte Popular foi condenado à agonia e depois à morte porque os senhores da nova propaganda, mais do que não tolerarem um símbolo do Estado Novo, o que não suportavam era precisamente o que esse museu transmitia sobre a capacidade de comunicar. O Museu de Arte Popular tornou-se no museu que não pode ser não por aquilo que foi no Estado Novo mas sim por aquilo que mostra do que não conseguimos ser na democracia.

Até me admiro como este museu vivo e ao ar livre ainda não foi reciclado por causa daquilo que representa...





 Imagens retiradas da net, algumas do site indicado.

Comentários

zazie disse…
É isso mesmo. A HM tem melhorado bastante e neste foi certeira.

O dos pequeninos, se calhar mantem-se por ser obra de maçon.

Mas é uma vergonha esconderem a maravilha do Museu de Arte Popular e aqueles murais.

Floribundus disse…
do Prof Barreto ao 'grande barrete'

isto parece a Loja P3:
paneleiros, putas, pretos

aguarda-se um Beppe Grillo

'cada vez + na mesma'
Anjo disse…
José, há muitas formas de ceder. Veja como a Fundação Bissaya Barreto também sabe dar-se com Deus e com o diabo:

http://www.fbb.pt/blog/centro-de-formacao-bissaya-barreto-realiza-curso-de-formacao-em-igualdade-de-genero/
carlos disse…
Depois do 25A, o Portugal dos Pequenitos esteve por um fio. Salvou-se então e existe hoje porque é uma fonte inesgotável de receitas. É de longe o local mais visitado de Coimbra e deve ser dos mais visitados de Portugal.
josé disse…
Mas não me lembro de o ver mostrado nos media...durante as últimas 4 décadas.

Quando as minhas filhas eram pequenas fui lá mostrar-lhes aquilo e que para mim também constituiu uma surpresa porque só lá fora quando era também muito pequeno e não dava conta do que era.
carlos disse…
Pois, como muitos portugueses!
Eu também lá fui em pequeno e ainda me lembro.
Depois fui com os filhos. Agora já fui com as netas e ainda não fui com o neto que só tem um ano. mas hei-de ir.
Não precisa de publicidade.
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José Domingos disse…
Um excelente post de Helena Matos. Estranho é que a esquerdice, hipócrita como nunca, não fala das origens dos casamentos de Sto António, criados em 1958, portanto, ainda na longa noite fassista, para ajudar o povo a ter um casamento "decente", deviam era ter vergonha, coisa que a ética republicana não sabe o que é.
Ao Portugal dos Pequeninos, um dia destes vou mostrá-lo ás minhas netas como mostraram a mim.
joserui disse…
Muito bom de Helena Matos.
Pedro disse…
A esquerda são uns frustados e falhados?

Mas então não sabem que foram vocês que foram derrotados no 25 de abril?

Não me digam que ainda não sairam do vosso esconderijo, debaixo da cama, e ainda não sabem quem ganhou.

Parece que foi a tal esquerda "falhada".

E todo o vosso projeto político para Portugal foi reduzido a menos que nada, uma discussão para museólogos...
Ricciardi disse…
Eu gosto muito da obra e da ideia do parque do Portugal dos Pequenitos.

Não representa um tempo. Representa vários tempos, alguns gloriosos, da nação lusa.

Deve ser actualizado e renovado com outras valências da modernidade para evitar o "cansaço".

Espaços holográficas por exemplo. Eu visitei não semana passada em Itália a aldeia muito antiga de Ravello. O castelo foi modernizado com holografismo. As estátuas falavam, os bustos sobressaíam. O meu filho de 11 anos adorou aquilo. Conseguiu-se mobilizar as crianças para aprender e apreciar a história.

Ravello em Itália é um bom exemplo da conjungacao da história com a modernidade. Em Itália o passado é mostrado com todos o esplendor da modernidade. Sem passaríamos de espécie alguma.

.
Rb


lusitânea disse…
Espero que a "renovação" do portugal dos pequeninos não envolva nenhuma estátua ao escravo...
No outro tempo havia a catequização comunista na residência dos estudantes do império, agora temos o CES do Boaventura a catequizar para nos fazerem uma guerrilha cá dentro...e agora é o contribuinte a pagar porque a URSS já deixou de dar para esse peditório...
Floribundus disse…
baseado no Satyricon

«o homem vive a plenitude do absurdo, o
desgarre dos valores tradicionais, os caprichos ociosos da Fortuna; e, nostálgico
da lama, repete, no segredo da sua alma, a confissão de Flaubert: l'ignoble me
plait: c 'est le sublime d'en bas. Quand il est vrai, il est aussi rare à trouver que
celui d'en haut.»