quinta-feira, 4 de julho de 2019

Os bancos e a realidade nacional

Nos jornais de hoje e ontem há alguns  recortes sobre assunto de bancos e afins que me chamaram a atenção.

O primeiro é de uma entrevista da filha do pirata Mortágua, uma rapariga encantadora e com voz bonita que é do BE.
Diz assim sobre os bancos, na revista Sábado, mostrando o descalabro do sistema bancário em Portugal e a corrupção que potencia, sem responsáveis à vista desarmada.


Quem leva por tabela por causa dos bancos e logo na capa da revista é Cavaco Silva que no seu melhor estilo de discrição a mastigar assuntos se remeteu ao silêncio.
A revista atesta com documentos saídos da investigação criminal, porventura em segredo de justiça, mas dispensados por mão amiga sempre que figuras públicas deste calibre o justificam, que as eleições presidenciais de 2011 foram financiadas por bancos e provavelmente de modo ilegal. Novidade destas é estonteante! Nunca tal sucedeu. E os outros candidatos não tem pechas destas, claro está. Mário Soares, por exemplo e que comprovadamente facilitou politicamente o regresso ao país da família Espírito Santo, através do Crédit Lyonnais, bem manejado por um son ami bem conhecido. Nunca terá recebido um tostão ou um cêntimo indevidamente? Ou terá e nem sequer comparação com isto? Bora lá a investigar, equipa da Sábado! Isto é o retrato de um regime e todo esse trabalho merecerá um pulitzer que não temos. Temos vendas em quiosque ou virtuais ( Visão...).

 Cavaco ganhou com a percentagem  fantástica de um pouco mais de 53%, tendo como concorrentes personagens do tipo Manuel Alegre que ainda assim apanhou os habituais e seguros votos de 20% dos socialistas. Sem ajudas de bancos, pela certa...ou não é assim?

A revista diz em síntese que o BES contribuiu para tal vitória estonteante, ajudando financeiramente. Como não podia dar o dinheiro todo ,directamente,  arranjou-se um esquema, certamente com a complacência ou participação activa de Ricardo Salgado: os administradores doavam dinheiro em cheque, dentro dos limites da lei jacobina.
Depois, para que não ficassem assim desembolsados de um pecúlio que não tinham vontade nenhuma em largar, o banco assegurava-lhes o retorno, como assegurou. Como? Por via de offshores o dinheirinho era-lhes devolvido integralmente. Ou seja, quem financiou a campanha de Cavaco foi o BES e não os doadores avulsos. Fraude? Evidentemente. Crime? Logo se verá.
Cavaco sabia disto? Como defender que não? Só se fosse estúpido, porque estulto costuma ser e manhoso, ainda mais.  Porém, a lei jacobina protege-o. Não havendo escutas comprometedoras, documentos reveladores ou outros testemunhos credíveis, Cavaco é inocente até prova em contrário. Prova juris et de jure que não existe, digo eu. Já lavou as mãos. Mandou dizer que os responsáveis pela campanha foram Baião Horta e Eduardo Catroga. Ele nada teve a ver com o assunto...típico. Não quis saber quem lhe deu dinheiro para uma campanha que lhe aproveitou pessoalmente. Inacreditável. Aceitou implicitamente ilegalidades porque nem quis saber de nada. Negligência no mínimo, mas não se dá por achado, claro. Como de costume.



Logo, esta capa e este título é um frete a alguém, nomeadamente aos interesses comerciais da Cofina. "O esquema "deu" 253 mil euros a Cavaco? Mas quem é que se atreve  a pôr um título destes, capcioso e aldrabão?

Pois, alguém do mesmo grupo de media que tem este modo de acompanhar assuntos, como mostra o CM de hoje. Um emplastro de ocasião, um perturbado de sempre e a jornalista de serviço, Tânia Laranjo, a que arrasa e passa tudo a pente fino:


Quanto ao assunto do BES e do financiamento está aqui explicado o funcionamento bancário dessa instituição que pertenceu à família Salgado, cujo avô era amigo de Salazar. Foi isto que deixou de herança...




Outro caso que merece atenção relativamente ao funcionamento bancário é o do antigo BPN, também com Cavaco metido indirectamente porque...sim e escuso de explicar mais. O assunto, neste caso do BPN,  está mal explicado. Não sei se haverá mesmo crime de burla e se o negócio dos Mirós foi entre entidades privadas que negociaram do modo como se sabe, escondendo segredos que são alma dos negócios ou se houve trafulhice. Lendo, duvido, mas logo se verá. O MºPº que temos, pelos vistos já viu, mas às vezes vê mais que a própria barriga e é pena que assim seja. Mas é.

O que se vê, porém é o mesmo modus operandi: offshores, dinheiro a circular e aproveitadores que estão no seio das instituições bancárias.


No meio disto aparece a lista dos nossos "milionários" da actualidade, ontem no CM. É confrangedor ler isto. E a verdade é que tal ocorre porque alguém em meado da década de 70 decidiu nacionalizar quem tinha mais que isto e poderia multiplicar a riqueza. Tiveram inveja de quem produzia o que nunca tal gente conseguir produzir, correram com essas pessoas e depois sobra isto:




E sobra ainda isto, no Público de hoje que é um escândalo e uma vergonha mas tem tudo a ver com o que acima fica escrito:



Para relatar publicamente todas estas coisas temos estes, conforme notícia de ontem:



Resumindo: o que é que a filha do pirata Mortágua, o Cavaco, o Salgado e os banqueiros nacionais da actualidade, mais os milionários pindéricos que temos têm em comum com um palerma como Pedro da Silva Pereira?

Uma coisa: todos querem que façamos figura de parvos e tudo fazem para isso.

Os media indicados ajudam nesta tarefa diária e permanente de encobrimento da realidade.

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