sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Olha! Que surpresa!

Daniel Proença de Carvalho, o advogado do actual primeiro-ministro, antigo polícia da PJ do tempo do Estado Novo, aparece em entrevista "especial" na Sic-Notícias. É já a seguir e o comentário também.

Sempre que surge um problema para o poder político do momento, o homem da ocasião é Proença de Carvalho. Isto acontece há anos, com o maior dos despudores do nosso jornalismo de Anas Lourenços e Albertos de Carvalho ( a RTP correu com o comentador Paulo Pinto de Albuquerque porque este lhes estragava as notícias). Por isso a expectiva não é elevada: já sabemos muito bem o que vai dizer, este "maquiavel à moda do Minho".

E a entrevistadora é...Ana Lourenço. Bingo!

O mefistofélico Proença é apresentado como um "homem que conhece o sistema por dentro e conhece o sistema de Justiça". Não é bem assim, cara sonsinha. Não é bem assim: o que este advogado conhece melhor é outra coisa: os carreiros do poder político para fazer carreira nos negócios. Essa é a verdade que V. , cara sonsinha conhece muito bem mas faz de conta que não, para colaborar na farsa.

Porque de farsa se trata. Proença acha que o sistema de Justiça funciona mal e tem-se agravado. E porquê? Por causa da exposição mediática, diz Proença. E foi assim que os cidadãos descobriram que a Justiça funcionava mal. Olha a novidade! Não foi por isso, mas por outra coisa: por causa dos proenças que aparecem regularmente a desinformar, a manipular e a manipular factos e opiniões. Essa é mais próxima da verdade, cara sonsinha.

Proença acha que a politização da Justiça é o problema que "é muito grave". Está-se mesmo a ver onde quer chegar: Proença já defendeu Leonor Beleza com os mesmos argumentos. Beleza era do PSD. Agora defende José S. apresentando as mesmas razões esfarrapadas e ninguém o contesta, claro que as Anas Lourenços não sabem convidar mais ninguém para tal.

E Proença fala do amigo Pinto Monteiro, "colega de curso" e "magistrado distinto" que "pensou que devia pensar pela sua própria cabeça" e por isso, acrescenta a sonsita, atalhando. "estamos a assistir às resistências da corporação". Falsidade atras de falsidade é assim que se constrói a verdade de Proença, neste caso.
Proença fala de sufrágio. Eleições. Poder do MP. E que os magistrados "deviam responder" ao PGR. Proença atalha logo o discurso que veio largar na SIC, a convite da sonsita: passar a ideia que os magistrados do MP estão em roda livre e portanto os magistrados deviam responder perante o PGR. Tal como no Estado Novo, deveria acrescentar. Mas não acrescenta nem a sonsita lho lembra porque não está ali para isso, mas apenas para ajudar a passar o "recado".

Isto mete nojo, esta manipulação, este jornalismo travestido, esta pouca- vergonha de sectarismo encapotado.

Como o discurso já foi todo exposto, vou ouvir os dislates e acrescentarei o que for preciso.

Portanto, Proença defende um reforço de poderes do PGR. No caso casa Pia já era a mesma cantiga, para defender os entalados. Sempre o discurso do poder de topo.

Proença nunca viu um despacho como o dos magistrados do Freeport, em "40 anos de democracia" e apresenta um argumento ridículo e espantoso para um advogado com 40 anos de advocacia: o despacho é ilegal porque a lei ( de processo civil) proíbe os actos inúteis e Proença acha o acto inútil. Repare-se bem neste argumento de rés-do-chão.

Proença esteve a analisar as 27 perguntas da lista. E fala agora abertamente sobre elas. E Ana Lourenço faz-lhe uma pergunta perigosa: se fosse advogado de José S. aconselharia o seu constituinte a ser inquirido pelo MP? Que sim, diz Proença. Seria muito fácil ao seu cliente responder àquelas perguntas.
E a entrevistadora insiste nas perguntas da lista: acto inútil, porque sem relevância jurídica, insiste Proença.

Até agora nem uma única pergunta sobre o núcleo do assunto: a corrupção de membros do Governo na aprovação de um licenciamento polémico, apresentada como plausível e com indícios. Nem uma pergunta sobre algo que incomode sua Exª e muito menos que faça Proença mexer-se na cadeira.

E agora introduz o tema do tempo das investigações. E quer saber porque demoram tempo? Será por incompetência ou falta de meios? Proença acha que não é por falta de meios, porque a Justiça tem meios suficientes.( Esta é notável porque ninguém diz isto nem sequer o seu amigo PGR). E portanto Proença apresenta uma sugestão, para resolver o problema: prazos peremptórios na investigação. Mas foi isso que aconteceu, pobre alma! Então não ouviu falar do prazo peremptório fixado pelo amigo PGR?!

O direito ao bom nome e a reputação aparece agora na berlinda. Proença apresenta o caso da suspeição que se levanta sobre alguém durante anos e que deve "preocupar as pessoas de bem". "Pessoas de bem", exactamente.

Proença apresenta agora um assunto mais subtil: os poderes e contra-poderes do Estado, em democracia. E mostra que essa ideia do prazo peremptório pode ser encarado como um modo de limitar o poder da magistratura mas que por isso mesmo o poder político tem medo de aprovar. E não devia, segundo Proença.
Proença está sempre ao lado do poder executivo e político. Nunca o veremos ao lado de quem procura a verdade oculta em actos políticos que suscitam suspeitas. Sempre será do lado dos que procuram afastar essas suspeitas.
Proença foi polícia e por isso age como polícia...ao contrário: defendendo os marginais da política, apresentados como vítimas de conspirações e cabalas e de maldosos que só querem o mal de alguns elementos sãos da sociedade.

Proença cita agora o caso do EUA e refere que todos os juizes do Supremo foram nomeados pelo presidente. Todos, diz Proença. E daí? O sistema anglo-saxónico tem alguma coisa a ver com o nosso? Também aceitará o sistema de escutas que há nos EUA ou o sistema de inquirição de testemunhas com a obrigação de dizerem a verdade sob pena de pesadas condenações em penas de prisão? É com estas e outras que Proença passa o discurso mefistofélico, ao desviar a atenção para sofismas e com a chamada à colação do sistema político e do meio eleitoral da escolha que não existe na magistratura. E deve existir, pode perguntar-se?
Agora pergunta-lhe porque abandonou a defesa das vítimas da Casa Pia. Proença não pode dizer, por causa do sigilo profissional, diz. O sigilo profissional para este advogado, por vezes começa neste caso e acaba aí mesmo, porque não se coíbe de falar sobre outros casos em que a deontologia obrigaria a calar-se: todos os que abranjam os interesses do seu cliente.

E fiquemos por aqui, por este exercício despudorado de um frete político.

7 comentários:

joserui disse...

É um nunca acabar... É como a junça no meu quintal. Nem De lança-chamas. Cara sonsinha? Hehe. -- JRF

Karocha disse...

Mudei de canal rapidamente!

Diogo disse...

Excelente post, meu caro. Apetecia-me dizer mais mas não sei o suficiente de Direito para tal.

A.L.R disse...

Muito bom post!!!!
A cambada está a defender os tachos com unhas e dentes...

Transmontana

Mani Pulite disse...

A GIGANTESCA GOLPADA MONTADA PARA PÔR UM TERMO AO INQUÉRITO DO FREEPORT E EVITAR A AUDIÇÃO DO SÓCRATES E CLONE COMEÇA AGORA A ESTAR TODA À VISTA.OS MENTIROSOS E MENTIROSAS COMPULSIVOS QUE MANDAM NO MINISTÉRIO PÚBLICO COMEÇAM TAMBÉM A ESTAR TOTALMENTE DESMASCARADOS.NÃO SE DEMITEM DIZEM.TERÃO DE SER CORRIDOS A PONTAPÉ NO TRASEIRO.

Monchique disse...

Boa tarde. Gostava de saber se o sindicato vai agir contra o jornalista ricardo costa da sic/expresso que titulou no sábado passado o seu artigo no expresso com a ideia de que a invetigação foi feita com dolo. (já o havia dito na véspera no expresso da meianoite)

josé disse...

O Ricardo Costa é um cretino. Ponto final. Merece apenas um par de estalos como se dá a um puto.