segunda-feira, julho 11, 2011

As parcerias público-parecerísticas

O jornal Público descobriu hoje o escândalo das despesas do Estado em consultadoria nos últimos governos do PS.
Baseando-se em auditorias do Tribunal de Contas que facilitam o acesso a números e factos sem grande necessidade de investigação jornalística- que custa muito e não é para todos-apronta duas páginas sobre o assunto.

Diz essencialmente que várias recomendações do Tribunal de Contas nesta matéria foram ignoradas pelo anterior governo e- note-se bem que é importante- pelas empresas públicas. Todos preferiram o ajuste directo que é para não terem que esperar muito pelos serviços de que certas entidades beneficiárias carecem como de pão para a boca, literalmente.
Os dinheiros do Estado, aos milhões, permitiram a várias destas entidades sobreviver na selva da concorrência entre profissionais liberais, durante alguns anos. Foram milhões que entraram nos respectivos cofres em troca de puro trabalho intelectual, sem qualquer investimento ou dispêndio de recursos próprios e com resultados que ninguém sindicou nem vai sindicar porque o Tribunal de Contas nem serve para tal.
Foram milhões e milhões que se gastaram sem que se saiba para quê, exactamente porque alguns desses pareceres serão puro lixo na acepção de uma qualquer agência de notação. Não merecem crédito nenhum.
Sabe-se que algumas dessas firmas trabalham e cobram à hora e o Estado paga alegremente sem discutir preço. Sabe-se que alguns que encomendam, trabalham depois com os encomendados. Não é segredo para ninguém esta promiscuidade obscura e secreta, mas reportagens jornalísticas sobre isto népia. Nicles. Niente. Nada de nada. Não há em Portugal um único jornalista que se atreva a escrever sobre este assunto, com conhecimento de causa e não há "gargantas fundas" que expliquem isto a quem poderia querer entender, ou seja, um jornalista interessado.
A crise dos media faz com que a maioria esmagadora ou mesmo a totalidade dos jornalistas viva com o coração na boca e com receio de perder o posto de trabalho. Essa é a pior forma de controlo e censura que hoje existe em Portugal. Muito pior que no tempo do fassismo.

Os comunistas, esses, olham para o lado e nem sequer têm um jornal minimamente decente para investigar estas manigâncias e denunciá-las. Só falam de cátedra na A.R. e sempre com o credo político debaixo do braço. Poderiam, neste aspecto, fazer um bom trabalho se tivessem um jornal decente e descomprometido com os grandes interesses dos Balsemões e gente que anda nos media para ganhar dinheiro. Não têm e pelos vistos não querem ter. Também estão satisfeitos com o jornalismo "suave " que vamos tendo.

Mas são milhões e milhões de euros ( as contas devem estar maradas porque são muito mais que os indicados 236 milhões em 2008 e 2010) que se transferiram do Orçamento de Estado para o bolso fundo de certas entidades, particularmente certas firmas de advocacia de Lisboa, mas também outras entidades públicas, como o INAG ou as universidades.
A maior beneficiada privada, segundo o jornal, é a inevitável Sérvulo Correia & Associados, com sede no Chiado nas instalações principescas da antiga Seguradora Império. Diz que no gabinete do maioral se pode jogar mini-golfe...
Como justificação para tais gastos, cerca de 55% dessas aquisições de serviços foram-no para "resolução de problemas diversos em áreas/sectores/departamentos do Estado".

Tudo isso à margem dos 96 organismos consultivos que o Estado dispõe para as mesmíssimas tarefas consultivas. E cujos elementos ganham como funcionários públicos. E nem sequer particularmente bem pagos.

Como é que se chama isto, em termos de gestão? Ruinosa, pode ser o termo adequado? E se for, como qualquer administrador de empresa privada reconhecerá imediatamente, o que fazer aos responsáveis por este escândalo? Metê-los na cadeia? Como isso, se temos um ambiente deletério no Ministério Público em relação a estas matérias?
O ex-ajudante de ministro, Emanuel dos Santos, do gabinete de Teixeira dos Santos diz que tais serviços revelavam-se "absolutamente essencias". Não diz é para quê...

PS. À margem do apontamento do Público aparece uma notícia sobre o facto de quatro juízes jubilados se disponibilizarem ao Estado para prestarem consultadoria pro bono. Ou seja, gratuitamente.
A iniciativa já foi comentada pelo bastonário da Ordem dos Advogados do modo habitual: " Devem estar a morrer de tédio sem saber o que fazer com reformas principescas. " Este é o mesmo Marinho e Pinto que decidiu candidatar-se a bastonário depois de se ter assegurado que iria ganhar o mesmo que um qualquer daqueles privilegiados das tais reformas principestas. Com um acrescento de monta: quando sair, Marinho e Pinto vai embolsar 40 mil euros para a "reintegração". Tal e qual.
Quanto aos jubilados juizes é por demais evidente para quem conhece o trabalho dos juizes em certas áreas sabe que são as pessoas melhor preparadas tecnicamente para lidar com certos assuntos: fiscais, por exemplo. Penais, também. Cíveis, nem se fala.
Por isso, desaproveitar esta oferta é um crime.

A linguagem jacobina

Sapo:

A polícia francesa interrogou a jornalista e escritora francesa Tristane Banon, de 32 anos, sobre o processo que abriu na semana passada contra o ex-director do FMI, Dominique Strauss-Kahn, a quem acusa de tentativa de violação.

Quando chegar a sua vez, o suspeito, em vez de ser "interrogado" vai ser "ouvido em declarações"...

Haja Deus!

No Público de hoje este pequeno artigo ( clicar para ler) de um professor de Português do ensino básico permite acalentar esperança de que nem tudo se perdeu no sistema de ensino nacional.
O professor, ainda novo, escreve bem, pensa melhor e apresenta o seu caso num certo modo tongue in cheek que mostra o absurdo do sistema de avaliação de professores com que a senhora dona Rodrigues mai-lo seu primeiro-ministro licenciado pela Independente ao Domingo, nos presenteou. Onde se terá formado este professor? Que escolas frequentou, o que leu e aprendeu e com quem? Aposto que um dos pais era professor...dos antigos e que frequentou o sistema de ensino do fassismo.

Está aí tudo, nesse pequeno artigo, sobre a perversão deste sistema avaliativo: a subjectividade como insustentável, mesmo num ambiente em que se torna inevitável. A impossibilidade de conferir rigor ao que nunca poderá ser rigoroso e o pendor tecnicista e pseudo-científico desse logro.

domingo, julho 10, 2011

A extrema-esquerda no seu melhor

Sol:

(...)"Cortes de pessoal também há. Vinte dos cerca de oitenta funcionários e assessores do BE desaparecem dos quadros. «Essencialmente, serão os elementos que acompanhavam os deputados que agora não foram eleitos», explica fonte partidária. «O vínculo de alguns assessores e funcionários ligados não foi renovado», diz Pedro Sales. O BE deixou de ter deputados eleitos por três distritos: Braga, Coimbra e Leiria.

A poupança poderá ainda ter efeito nas sedes. Das 90 instalações que o partido possui no país, algumas correm o risco de fechar. E as concelhias do BE têm agora mais pressão para angariar receitas próprias e pesar menos nos gastos. Quanto às iniciativas de Verão do BE, também vão ser mais poupadas. (...)

Entretanto, a discussão interna sobre os resultados eleitorais desastrosos decorre com a realização de plenários de militantes e no esquerda.net, o portal do BE na internet.

Há opiniões para todos os gostos, linguagem livre e ironia.

Helena Carmo, militante que esteve presa num processo relacionado com o grupo terrorista FP’25, chega a escrever: «Podem usar a má-língua do passado: ‘Foram os Metralhas’» (alcunha que os adversários puseram à sua tendência).

E o histórico da UDP Mário Tomé fustiga a ‘dissenção de Rui Tavares’ para o Grupo Verde Europeu, num diálogo imaginário com Daniel Cohn-Bendit que começa assim: «Ó Daniel! O Louçã ontem tratou-me mal, posso vir para cá depois de amanhã?».

O jacobinismo e as suas raízes nacionais

Do livro de Fernando Dacosta, Nascido no Estado Novo, publicado em 2001 pela Notícias editorial, respigo uma passagem de página sobre uma figura mítica que desapareceu do nosso imaginário social e relogioso: o Padre Cruz, retratado em "santinhos" antigos com vestes de pároco de cidade e já recurvado pela idade.

"Tocado pelo absoluto, Padre Cruz ( Francisco Rodrigues da Cruz) emergiu num tempo de grandes perturbações. A Revolução de 5 de Outubro, a vitória da República, a fuga do Rei, a perseguição aos religiosos apanharam-no pela frente.
Os elementos da Companhia de Jesus são expulsos do País ( há quem grite, ao vê-los partir: "ide malditos, ide para nunca mais!") sendo os seus bens confiscados. Aos sacerdotes torna-se proibido o uso , na rua, de vestes religiosas.
Imperturbável, incansável, ele continua a sua missão. Saindo certo dia da Igreja de São Mamede, de batina, encontra-se no Rato com dezenas de populares. Alguns injuriam-no: "Lá vai um jesuíta...fora, fora com ele!" Subitamente, do lado oposto, surge um operário que impõe silêncio, clamando: "Não lhe façam mal, olhem que é o Padre Cruz!". Ao visitar os presos, no Limoeiro, é detido e posto incomunicável. Estranhando-lhe a ausência, o cardeal contacta Afonso Costa que manda procurá-lo. Nove dias depois localizam-no e soltam-no. O titular da Justiça passa-lhe então um salvo-conduto. Que ele exibe em momentos de aperto: "Deixem-me passar, tenho ordem do senhor Afonso Costa, vejam este documento".

Sorrindo, comentava depois: "Aqueles nove dias de prisão deram-me muita liberdade".

Algumas décadas mais tarde, alguns jacobinos da actualidade, herdeiros dilectos daquele Afonso Costa também foram presos durante alguns dias e, poucos, até durante meses. Depois de 25 de Abril de 74 tal prisão nas masmorras fassistas garantiram-lhes fama, proveito e estatuto para a vida.
Mas não eram padres. Eram apenas antifassistas, com pendor jacobino e que se esforçam por repristinar o Estado de Afonso Costa e provavelmente aquele conceito muito peculiar de "liberdade".

A aliança estratégica


O jornal Público de hoje noticia "uma aliança estratégica entre Passos Coelho e Cavaco Silva". A comprovar os ditos "Portugal não pode falhar" ( Cavaco) e "Portugal não vai falhar" ( Passos).
Para bem de todos nós esperemos que não falhem.
Ontem, no Correio da Manhã, a ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz colocava os pontos nos ii quanto a determinados assuntos político- judiciários.
Sobre o assunto do PGR Pinto Monteiro, pronunciou-se assim:

C.M.- Quando um governo é eleito e houve também uma reeleição do Presidente da República (PR), e dado que o procurador-geral da República (PGR) depende da nomeação do PR, sob proposta do primeiro-ministro, há a tradição de pôr o lugar à disposição. Este PGR fez isso?
P.T.C. - Eu direi que recebi o sr. PGR, tivemos uma conversa institucional e, como é normal, fizemos o que era suposto do ponto de vista institucional. As competências referentes ao PGR são, como sabe, competências que envolvem o PR.

C.M.- Mas, então, não pôs o lugar à disposição...
P.T.C.- Sobre essa matéria, como entenderá, eu reservarei...

C.M.- Há um problema de poderes? O Ministério Público (MP) tem um problema de poderes? O PGR diz que tem poucos poderes, que é uma espécie de rainha de Inglaterra...
P.T.C.- Vamos ver do que estamos a falar. Se estamos a falar do MP como magistratura, se estamos a falar do PGR como órgão de topo da hierarquia, ou se estamos a falar do próprio Conselho Superior do MP. São questões diferentes.

C.M.- Mas há a intenção do Governo de alargar os poderes do PGR?
P.T.C.- Consta do Programa do Governo que não há intenção de alargar poderes nessa área.

C.M.- Qual é a legitimidade para a continuação deste procurador?
P.T.C.- Não é uma questão a que vá responder. Tenho apenas que dizer que, do ponto de vista institucional, haverá lealdade institucional independentemente de tudo o mais.

C.M.- A lealdade institucional refere-se ao Presidente da República?
P.T.C.- Refiro-me a todas as instituições a que nos estamos a referir e que interagem neste caso.

C.M.- Neste caso, é o Presidente...
P.T.C.- E o sr. PGR também. Tem de haver. Temos de distinguir as críticas legítimas que se fazem depois da relação institucional. E as relações institucionais, independentemente de tudo o mais, têm de ser preservadas.

A mensagem que passa nesta entrevista sobre o PGR é que este não colocou o lugar à disposição, mesmo sabendo que não tem o apoio expresso do Governo. E tinha o do governo anterior. E faltando esse apoio, um dos pilares da sua sustentação democrática desaparece. O outro continua a ser uma incógnita como é habitual em Cavaco Silva. Dá ideia que não quer fazer ondas, mas as ondas já estão feitas. O Presidente da República teve duas ou três ocasiões para fazer cessar terminantemente o mandato do actual PGR e não o fez. Provavelmente não o fará agora por causa do habitual cálculo político da estabilidade e patati patata que se torna supinamente irritante neste PR.

Por isso mesmo vamos continuar a ter um PGR que está em guerra fria com o governo que está e que deu provas sobejas de ter apoio no anterior governo que esteve. Do modo como todos conhecem.

Será isto a tal "aliança estratégica"?

PS. A imagem supra é do dia da "posse" de Pinto Monteiro, a chegar à PGR na rua da Escola Politécnica, vindo do Terreiro do Paço. O carro é, segundo se escreveu na altura, o oficial do ministro da Justiça, Alberto Costa. Uma boleia, segundo também se escreveu na altura. Hoje seria impossível. E assim é que está bem, não o contrário.

O magma nostálgico

O Público de hoje dá um destaque de duas páginas com seis colunas a um pequeno ensaio da autoria de um tal Manuel Loff, historiador do Porto, sobre a biografia de Salazar da autoria de Filipe Ribeiro de Menezes.

Ao tal Manuel Loff não agrada muito a obra e portanto "é duramente criticada". No pequeno ensaio são denunciadas "omissões, erros de perspectiva e uma persistente cedência à retórica do ditador".
Mas o que o amofina mesmo é este pathos que evidencia na obra: " o livro parece querer sintonizar com esse magma vagamente nostálgico que se pressente em vários sectores da sociedade portuguesa." Loff tem da obra de Menezes a ideia de que pretende absolver Salazar do fassismo que Loff lhe imputa. E assim fica tudo dito e os campos ideologicamente demarcados.
Um historiador ideologicamente marcado é como um daltónico a descrever o arco-íris.

Percebe-se muito bem onde Loff quer chegar: à tal perspectiva de narrativa histórica adulterada pela ideologia marxista. Menezes não incorre nessa pecha velha e relha do "antifassismo" português, mesmo travestido de historiografia encartada por doutoramentos variegados e por isso mesmo cilindrada no politicamente correcto.
É esse o seu "erro de perspectiva" denunciado pelo professor Loff, muito novo para ter experimentado o regime fassista, mas solidamente ancorado na profissão de fé anti-fassista que porventura professou na altura dos estudos superiores. Basta ler o curriculum vitae para entender que sendo do seu particular interesse o estudo " dos autoritarismo contemporâneos", o objecto dos seus estudos nunca extravasou os assuntos do "fassismo", do salazarismo e franquismo e correlativos, como o colonialismo, etc.
Como nunca li nenhuma obra do Loff temo o que lá virá, nas variegadas publicações expostas de idiossincrasia académica. Como se vê pela ficha, tem influência na Educação em Portugal. Temo por isso e pelas vítimas das suas arguições académicas em áreas de sociologia e até de jornalismo!
Manuel Loff, pelo curriculum que ostenta pode muito bem chegar a director do ISCTE. É só mais um tempinho de Lisboa.

PS. Evidentemente que esta encomenda ao professor Loff enforma nitidamente o espírito jacobino do jornal dirigido actualmente por Bárbara Reis. É uma vergonha que o melhor jornal português seja orientado desta maneira tão escarrapachadamente enviesada.

Uma burla gigante

Sol:

Mais de seis mil pessoas compraram o Dispositivo Electrónico de Matrícula (DEM) nos balcões dos CTT para poderem viajar nas antigas SCUT (vias Sem Custos para o Utilizador) e ainda não o receberam. A empresa justifica esta situação com a falta de aparelhos disponíveis no mercado.

É muito simples: este comportamento da empresa criada no anterior governo, com o ministério ajudado pelo inefável Paulo Campos de permeio, pode consistir numa burla criminal. Abra-se o inquérito.
A propósito: que anda a fazer esse tal Paulo Campos?

sábado, julho 09, 2011

Jornalismo jacobino

O jornalista José Pedro Castanheira, no Expresso de hoje, não se limita a assinar o artigo referido. Sobre um assunto interessante mas requentado ( os doentes que nos governam, citando um livro estrangeiro) nada melhor que repescar outro tema do Estado Novo, neste caso a doença e sucessão de Salazar para ilustrar o assunto. O caso de Cunhal nem sequer é abordado, pois claro. É coisa que desvirtua o revisionismo histórico que afincadamente os jornalistas tipo Castanheira regurgitam ao longo dos anos e tem-no registado para a posteridade que não sabe ler, nem tem quem lho ensine.
Castanheira relata factos pelo que o revisionismo aparece como o daquelas fotos do regime soviético em que as imagens apagavam da realidade todos os que deixavam de interessar ao regime, passando ao estado de não-existência virtual.
Sobre o acidente de Salazar, em 5 de Setembro de 1968, conta que durante um mês ninguém soube de nada ( "nem o país nem a classe dirigente", escreve). E nada de quê? Pois, do acidente e das "falhas de lucidez, raciocínio e linguagem", num Salazar que governava. Mas logo a seguir desmente-se ao escrever que alguns colaboradores se aperceberam. Certamente colaboradores não dirigentes...
Outro facto relatado pelo jornalista Castanheira: em 6 de Setembro de 1968 Salazar foi operado a um hematoma craniano e " recuperou de forma espectacular". Mas "quando estava na iminência de obter alta foi acometido por um devastador AVC, que o deixou em coma e paralisado do lado direito." Então, 10 dias depois, foi exonerado do cargo de presidente do Conselho e em dez dias substituido por Marcello Caetano.
Sobre esta substituição só uma referência às intrigas palacianas sobre os sucessores. E um facto mais, revisitado por Castanheira: Salazar continuou a viver na residência de S. Bento, "durante mais de ano e meio, numa autêntica ficção, protegido do mundo e rodeado pelas rotinas a que se habituara durante décadas de poder solitário e quase absoluto."
Pois bem, para revisitar esse tempo com notícias da época, mesmo altamente controladas pela Censura Prévia, aqui ficam algumas imagens de revistas que nos dão a explicação do que se passou, com os pormenores que todos sabiam na época e sem mistérios demasiados, como o que rodeou sempre a vida de um Álvaro Cunhal e outros próceres de regimes que Castanheira pelos vistos não conhece ou não quer lembrar. É que a história de quem esconde doenças e vida particular assenta muito melhor em Cunhal do que em Salazar...e sobre regimes democráticos ou não democráticos nem vale a pena falar nisso.

Por exemplo, estas duas páginas da revista Vida Mundial de 4.10.1968 explicavam a todos os que liam o que sucedeu com a substituição do então presidente do Conselho, Salazar. Em 8 de Setembro Salazar tinha sido operado por causa de uma queda de uma cadeira, na sua residência de Verão no Estoril e na qual tinha "batido com a cabeça no pavimento". Conta-se que até ao dia 16 de Setembro tudo tinha corrido bem, na recuperação e então aconteceu o avc, conforme o boletim clínico subscrito "pela legião de médicos " ( com escreve Castanheira) que era composta por três clínicos, a que se juntou um outro especialista americano, vindo de propósito e eventualmente outros especialistas locais. O estado clínico era muito grave e impôs a substituição cujo anúncio público aconteceu em 26 de Setembro desse ano. Tudo isso e o resto está aqui escrito na revista da época que os portugueses leram. Com censura. No período democrático, sem censura, os portugueses nunca souberam ao certo, em tempo real, o que aconteceu a Álvaro Cunhal em termos de saúde...

Porém, o mais interessante do revisionismo de Castanheira ainda é este: escreve que Salazar viveu numa ficção de que ainda era presidente do Conselho. Ora isso é que talvez seja um pouco difícil de sustentar. E muito menos a falta de transparência do regime nessa transição. Se o jornalista fosse um pouco menos jacobino e muito mais rigoroso e competente teria lido o discurso do presidente da República de então, Américo Tomás (que provavelmente toma como um abrolho, como é costume nessa idiossincrasia de esquerda) na parte em que este refere isto, com precisão terminológica: " uso da faculdade conferida pelo nº 1 do artº 81º da Constituição e exonero o Doutor António de Oliveira Salazar do cargo de Presidente do Conselho de Ministros, do qual manterá todas as honras a ele inerentes".

Por outro lado para se ver o que era o regime de então em modo de comunicação ao país destes assuntos delicadíssimos, basta ler o que escrevia o Século Ilustrado de 21.9.1968 a propósito da evolução da doença de Salazar e particularmente ler os 11 boletins clínicos reproduzidos, de 7 a 17 de Setembro de 68. E as capas das revistas referidas- o S.I. de 21.9.68 e a V.M. de 4.10.68.



Uma última coisa: quando é que estes jornalistas de meia-tijela, dobrados em historiadores de pacotilha, tomam um pouco de vergonha e passam a assinar os escritos como- " fulano de tal, jornalista antifassista encartado"?

Desse modo não enganavam ninguém e permitiam que se lesse o que escrevem, como dantes se liam os jornais no regime que desvirtuam historicamente- nas entrelinhas.

O jacobinismo no MP

Segundo o Expresso de hoje, o magistrado do Ministério Público no 2º juizo criminal de Lisboa, onde decorre o julgamento do caso "família de Silva Pais contra Peça de Teatro no Teatro Nacional D. Maria II", pediu a absolvição dos acusados porque " Uma peça de teatro é uma criação artística e como tal diferente de uma investigação histórica ou jornalística".

Pois bem. Se um autor teatral escrever uma peça de teatro em que diga expressa ou veladamente que um antigo presidente da República seria pedófilo, o que lhe acontece se o visado ou a família reagirem judicialmente? O Ministério Público vai dizer o mesmo que agora este magistrado disse e que o assunto é do âmbito da História?
Não vai. Claro que não vai.
O problema do Ministério Público que temos, neste caso, é apenas idiossincrático. O Ministério Público surgido com o 25 de Abril era dominado totalmente pelo PCP. Depois, pelo jacobinismo.
E continua a ser assim. Por isso mesmo, os crimes previstos no Código Penal tem um valor geométrico, com ângulos variáveis e se o caso assume contorno político como este assume, a idiossincrasia antiga vem toda ao de cima, como veio. Os ângulos deslocam-se para a esquerda ou direita conforme os vértices da idiossincrasia de quem aprecia. Dificilmente se posicionam num centro inimaginável de total isenção e desvinculação ideológica. Por estas e por outras o crime de Atentado ao Estado de Direito não existe no regime actual se o PS for poder. É, no dizer de Fernanda Palma, professora de Direito Penal, um crime "adormecido". Acordará apenas com a mudança de poder e idiossincrasia.

PS. O pequeno artigo, sob epígrafe "Estado Novo" é assinado no Expresso por José Pedro Castanheira, o mesmo que co-escreveu o livro que originou a peça de teatro. Percebem esta isenção não percebem? Esta gente acha-se no direito absoluto à verdade revelada pela ideologia esquerdista. E passados mais de 37 anos continuam na mesma. E não se coíbem de escrever sobre um assunto em que são parte directamente interessada sem declaração desses interesses ideológicos em que manifestem algum pudor deontológico. Acham-se neste direito de pernada no jornalismo. É assim e foi sempre assim no jornalismo português das últimas décadas. São os arautos da chamada superioridade moral do...jornalismo caseiro.

sexta-feira, julho 08, 2011

Encher os bolsos

Mário Soares anda muito ocupado em falar na praça pública da opinião publicada. Os jornalistas suaves que nos informam não deixam escapar uma ocasião para o ouvir sobre tudo e o habitual par de botas.
Nunca percebi muito bem a importância em ouvir um indivíduo como Mário Soares que devia estar remetido a um silêncio pudibundo. Melhor seria ouvir Ramalho Eanes mas esse ninguém parece interessado em ouvir. Coisas do nosso jornalismo.
Hoje, mais uma vez, uma jornalista suavíssima da Antena Um, suscitou-lhe um comentário sobre os camaradas socialistas. Disse que no governo que passou e até nos anteriores, de Guterres, havia "muita gente dentro do PS que pensava que o partido era uma coisa boa para se estar e para se poder ganhar dinheiro". Falou mesmo em "encher os bolsos".

Mário Soares não citou nomes, esqueceu-se de Macau, de António Vitorino, de Almeida Santos, de Pina Moura, de Jorge Coelho, de um Rui.Pedro.Soares, de um Armando Vara e de todos os camaradas de partido que entraram em bancos e empresas públicas para sacar milhões do erário público em modo perfeitamente legalizado e insindicável. Encheram bem os bolsos.
Mário Soares esqueceu-se sobretudo de uma fundação com o seu nome (!) que saca todos os anos ao Estado milhões. E começou precisamente com Guterres que lhe deu logo 300 mil contos. E depois disso nunca mais tal instituição teve dificuldades financeiras. E não consta que sofra com a crise...
Esqueceu-se ainda de outra coisa muito importante: entre todos aqueles socialistas que entraram no poder para "encher os bolsos", há um que escapa a tal fenómeno: José Sócrates. Saiu pobre do governo, tal como Salazar...e nem se sabe como vai ganhar a vida.

Estes socialistas são uns pândegos.

Monteiro vs. Monteiro

Sol:

A secção disciplinar do Conselho Superior do Ministério Público (CSMP) decidiu castigar com quatro meses de suspensão o magistrado que, em Outubro do ano passado, denunciou ao Supremo Tribunal de Justiça a prática de vários crimes pelo procurador-geral da República (PGR), Pinto Monteiro, e pelo seu vice, Mário Gomes Dias.

Trata-se de uma das penas mais severas aplicadas a um magistrado do topo do MP – sendo superior, por exemplo, à de Lopes da Mota (suspenso um mês, em 2009, por pressões sobre os procuradores do caso Freeport).

O magistrado – Carlos Monteiro, procurador-geral-adjunto no Tribunal Central Administrativo Sul – recorreu para o plenário do Conselho do MP. E o Sindicato dos Magistrados do MP também interveio, tendo solicitado junto do Supremo Tribunal Administrativo a suspensão da eficácia dos despachos de Pinto Monteiro que determinaram a abertura do processo disciplinar.

Comentário:

Em primeiro lugar o timing desta notícia requentada de alguns meses e que já por aqui foi glosada. Porquê agora este destaque? Por causa da intervenção do Plenário do CSMP? Só se for.

E o que sucedeu à queixa apresentada contra Pinto Monteiro, por Carlos Monteiro e que foi apreciada no STJ, na secção criminal após sorteio do conselheiro Maia Costa (um crítico do PGR e que tem escrito no blog Sine Die sobre vários assuntos de justiça)? Isto: foi arquivada. E sem que o Conselheiro instrutor-arquivador mencionasse sequer um resquício de denúncia caluniosa de Carlos Monteiro contra Pinto Monteiro. O que permite concluir que a denúncia foi legítima e legalmente sustentada.

Mesmo assim, o CSMP na sua secção disciplinar acolheu parcialmente a tese do inspector e do queixoso Pinto Monteiro e entendeu que o prestígio deste saiu afectado...

Há por aqui qualquer coisa que não corre bem e o prestígio da instituição não merecia este tipo de notícias.

O watergatezito dos pobrezinhos

Sol:

A direcção do PSD foi informada durante a primeira semana da campanha para as legislativas de que estaria a ser alvo de escutas ilegais. Denúncia foi enviada à PGR.

Francisca Van Dunem, procuradora distrital de Lisboa, ordenou a abertura de um inquérito a uma denúncia recebida pelo PSD durante a campanha para as eleições legislativas, que avisava os principais membros da direcção do partido que estavam a ser alvo de escutas ilegais. A investigação vai tentar apurar se foram praticados os crimes de violação das telecomunicações e de gravação ilícita.

As coisas em Portugal são assim: há uma denúncia, nem sequer anónima, de que um partido político da oposição pode estar a ser alvo de escutas telefónicas criminosas. A denúncia deu origem a um inquérito ( nem se sabe bem porquê, uma vez que a doutrina oficiosa da PGR é a de que os partidos políticos gostam de resolver os assuntos políticos no âmbito de processos criminais e afins, mas pronto) e o caso vai seguir "os trâmites legais".

Repare-se: como é que se vai descobrir à distância de meses, de algumas semanas ou mesmo dias ou até mesmo horas que determinada pessoa foi alvo de um hacker que lhe pespegou com um bug ( vai tudo em inglês técnico que é para se entender melhor) para lhe apanhar conversas ou localizações precisas e que se esgotam no momento em que se produzem? Como é que será tecnicamente possível aos investigadores da PJ analisar os telemóveis ou telefones das vítimas que supostamente nem se apresentarão como tal? Vai-lhes ser dada autorização para refazerem todos os contactos efectuados e chamadas recebidas ou tentativas disso? É o vais!

Então para que é que se anda a perder tempo com mais um processo político travestido de criminal?

O caso Watergate, em 1974 surgiu em primeiro lugar na imprensa e porque dois repórteres do Washington Post souberam de uma notícia sobre um assalto a uma sede de campanha do partido da oposição a Nixon. Pela notícia, um simples caso de polícia, desconfiaram de certos nomes que apareciam envolvidos. Só isso. E a partir daí, dessa desconfiança começaram a desenrolar o novelo até chegar ao caroço da conspiração contra o partido democrático.

Não foi a polícia ou o ministério público de então que lá chegou: foi o jornal que seguiu pistas e confirmou dados, factos, nomes, lugares e ligações. Com ajudas externas de um um "garganta funda", diga-se.

Por cá não haverá gargantas fundas que saibam algo sobre os nossos olriks? De que estão à espera para lhes destapar a careca e mandá-los por uns anitos, para onde deveriam estar? Será um problema- mais um...- de oportunidade?

Balsemão e o jornalismo sabujo

Manuela Moura Guedes em entrevista à revista Sábado de ontem: " Não tenho culpa que José Sócrates tivesse tantos episódios na sua vida que merecessem investigação."
E mereciam! E poucos quiseram saber. Nas tv´s, apenas MMG se atreveu a dar notícias com reportagens e investigação autónoma. Foi corrida da TVI em circunstâncias que atentam contra um Estado de Direito porque se comprovou por escutas telefónicas que não foi possível preservar integralmente e esconder totalmente da opinião pública, como era desejo de alguns, que o primeiro-ministro, com alguns homens de mão queria mesmo intervir em certos órgãos de informação. O caso foi alvo de inquérito parlamentar mas ficou em águas de bacalhau como é costume em Portugal.
Manuela Moura Guedes iria para a SIC, tendo até contrato verbalmente apalavrado. Pelos vistos o patrão do grupo, o célebre Balsemão que há uns anos teve a fama de não intervir no Expresso e respeitar os critérios editoriais, opôs-se, contrariando essa fama de isenção postiça.
Porquê? Por uma razão plausível: Manuela Moura Guedes iria continuar a estragar-lhe o jornalismo suave da SIC e de outros órgãos de informação que detém. Prefere continuar a perder dinheiro com o tal jornalismo suave do que meter-se em alhadas com os poderes that be.
É este o jornalismo que temos- o das Anitas na tv que vão com as outras. O do pensamento único e sem partir pratos. O do conformismo mais chão e do discurso empaleado em chavões e conceitos pronto a vestir. Numa palavra: o jornalismo sabujo.

Herman ri-se da justiça



Neste video, gravação de uma entrevista passada anteontem na RTP-N, Herman José fala de Justiça. Para dizer que gostaria de ver em Portugal, um dia, aquilo que aconteceu com o processo de D.S-K nos EUA, ( ao minuto 11:15) " que era a certa altura o acusador perceber que aquilo era um cambalacho e ser a própria acusação a dizer -desculpe lá que a coisa está a correr mal que nós investigamos e afinal há aqui qualquer coisa que está podre".
Herman acha que por cá não haveria tal atitude e que a acusação encetaria uma "fuga para a frente".

Duas coisas a propósito desta palermice de um cómico: a acusação nos EUA, não percebeu que aquilo era um cambalacho, antes pelo contrário continua convencida que não é nenhum cambalacho e que os factos se passaram como a empregada- vítima contou. Isso mesmo foi agora noticiado e Herman depois de dizer aquelas enormidades não vai desmentir porque já está convencido do que disse e não muda. É a tal coisa...que imputa aos outros.
Por outro lado, por cá, a acusação é sempre "à charge e à décharge", quer dizer, se forem apurados factos a favor do suspeito há uma obrigação de os valorar e considerar em termos processuais. Nos EUA não é assim. O que é assim é o receio que a acusação tem de ver naufragar o caso porque tal se apresenta sempre como uma derrota da acusação. O processo penal nos EUA é um processo de partes e por cá não é assim. Explicar isto a Herman, um convencidinho da silva nestas coisas, torna-se penoso.

quinta-feira, julho 07, 2011

O 24 Horas inglês fechou

Diário Digital:

O presidente da News Corporation, James Murdoch, filho do magnata Rupert Murdoch, anunciou hoje o encerramento do tablóide britânico News of the World, envolvido num escândalo de escutas ilegais.

A notícia de que familiares de soldados mortos no Afeganistão e Iraque foram vítimas da intercepção de mensagens telefónicas pelo jornal News of the World motivou hoje mais críticas e manifestações de revolta no Reino Unido.

A causa directa do encerramento foi algo inacreditável, mesmo em Inglaterra. Mas foi neste país onde o próprio Príncipe Carlos foi escutado em conversas íntimas com a actual mulher enquanto ainda era casado com Diana. E as escutas foram publicadas, revelando as coisas mais íntimas que alguém pode ter. O News of the world é apenas um dos tablóides que se dedicam à pesca de escutas ilegais. O Sun publicou então aquelas escutas...

O inquérito que falta fazer

Económico:

Pinto Monteiro atribui prioridade ao inquérito judicial à Moodys, Fitch e Standard & Poor’s.

O Procurador-Geral da República considera prioritária a investigação judicial às três principais agências de 'rating': Standard Poor's, Fitch e Moodys, tendo esta última baixado o rating da dívida soberana portuguesa para 'lixo' na terça-feira passada.

Pinto Monteiro pediu já um parecer à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que funcionará como uma espécie de perito no âmbito do processo, aberto a 3 de Maio passado. O inquérito está a cargo da procuradora geral adjunta, Cândida Almeida, directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), que investiga os crimes de maior complexidade.

"Ao inquérito respectivo, que foi iniciado em 3 de Maio de 2011, foi atribuída prioridade", revela fonte oficial da PGR, na sequência processo relativo às agências de rating que foi remetido por Pinto Monteiro à directora do DCIAP e que teve por base uma queixa entregue, a 11 de Abril, por quatro economistas portugueses que defendem a existência de graves prejuízos produzidos por aquelas entidades nos interesses do Estado e do povo português na avaliação que realizam à situação dos países, entre os quais Portugal

Comentário: os inquéritos criminais fazem-se para apurar se houve algum crime cometido e quem o cometeu. Apenas para isso. Necessário se torna, como é óbvio, apurar se há indícios de crime e em primeiro lugar se determinado acto constitui crime.
O PGR tem dito repetidas vezes que em Portugal a política procura ajustar contas nos inquéritos criminais. Não disse assim, mas falou em "contaminação política dos processos judiciais" e, pior, que «Os partidos querem resolver as questões políticas através de processos judiciais" , dando até como exemplo os processos em que José Sócrates se viu envolvido!
O que é que se pretende apurar com este inquérito às agências de rating, organizado depois de participação criminal apresentada por economistas com simpatias bloquistas e de esquerda?

Que as agências de rating americanas cometeram um crime? Que crime terá sido que não sabemos ao certo? O de lesa-majestado do povo português? Mais:

Onde é que cometeram o crime? No sítio onde estão sedeadas ou no lugar onde os efeitos se produzem? Nos EUA, na sede do BCE ou no Ministério das Finanças e bancos avulsos? Na casa de cada um dos portugueses?

E quem são os perpetradores do crime? Os responsáveis pelas agências, em responsabilidade objectiva evidentemente proibida pelo direito penal ou apenas os técnicos que usam modelos matemáticos "primitivos" ( segundo Paul De Grauwe, do professor de Economia em Lovaina hoje citado pelo Público)?

E como se vai apurar a responsabilidade criminal de agências de rating cujo produto é meramente opinativo e consensualmente admitido pelos financiadores das mesmas agências entre os quais Portugal que assim continua a conceder crédito às suas opiniões?

As perguntas poderiam continuar e até à demonstração do óbvio:

Este inquérito, a meu ver e salvo melhor opinião, não tem fundamento suficiente para ser instaurado. Deveria ter o mesmo destino da certidão sobre o Face Oculta e ter sido tratado em mero expediente administrativo para dizer uma coisa muito simples: se crimes há a apurar no que se refere às agências de rating, eles foram cometidos cá, por gente que nos governou durante meia dúzia de anos, com destaque para o primeiro-ministro que atentou várias vezes contra o Estado de Direito. Numa delas os indícios eram mais que suficientes para um inquérito que não se fez, por vontade expressa do PGR.

É esse o inquérito que falta fazer e mais nenhum, sobre esta matéria. E não é um inquérito em que se deva ter medo da "contaminação política" porque os crimes previstos no Código Penal e legislação avulsa sobre execução orçamental não são crimes políticos. São crimes cometidos por titulares do poder político, o que é coisa substancialmente diferente.


Mais: como se torna cada vez mais óbvio e este desenvolvimento do assunto denota, com a intervenção da CMVM como entidade para a "perícia" , o MºPº não está minimamente, repito, minimamente preparado para tal investigação. Se perguntarem à titular do inquérito o que é um cds, provavelmente responderá que não se quer meter em política...


A essa falta de preparação endémica do MºPº, por causa da falta de investimento na preparação técnica da magistratura, acresce o resultado final. Tal como no caso dos "aviões da CIA" o objectivo evidente desta gente que participou contra as agências de rating americanas e nunca se preocupou com a execução orçamental nacional que nos afundou objectivamente, é meramente político.


Portanto temos um processo crime em que a evidência de contaminação política não fez o PGR ponderar duas vezes. Porquê?

quarta-feira, julho 06, 2011

A loca infecta continua

Depois de ler um postal no Do Portugal Profundo, sobre a nova série de aventuras do Câmara Corporativa, um blog com montes de tempo para gastar e imagens rapinadas para inverter, achei que deveria dar um pequeno contributo para a loca infecta se entreter a chafurdar, como habitualmente. Vai numa notícia do Correio da Manhã, transcrita pela A Bola:

José Sócrates ganhou como primeiro-ministro, em seis anos, mais de 600 mil euros. A nova lei do controlo da riqueza dos titulares de cargos políticos obriga a declarar as contas à ordem com saldo superior a 50 salários mínimos, correspondente ao valor actuar de 24.250 euros.

Mas Sócrates, apesar daqueles rendimentos, não tem poupanças nem contas bancárias à ordem com um saldo superior a 24.250 euros. É o que consta da sua declaração de rendimentos de cessação de funções de primeiro-ministro, que entregou no Tribunal Constitucional no dia 20 de Junho, véspera da tomada de posse do novo Executivo.



Como aqueles avatares da corporação xuxa estão sempre em cima das jogadas, escapou-lhes esta, mas ainda vão a tempo: um primeiro-ministro que ganha o salário mínimo enquanto tal e gasta-o em chapa batida de despesas correntes com fatos em Milão e Nova Iorque e bucho bem aforradinho em restaurantes tipo DOP. Não aforra, não investe ( a não ser em acções do Benfica ao mesmo tempo que pede emprestados 40 mil euritos à banca...) e promete ir estudar filosofia para Paris, depois de ficar desempregado e sem ocupação garantida.


Sobre filosofia socrática já estávamos há muito informados. Sobre projectos de futuro estudantil, certamente à pala de alguém, é que ainda não.


Talvez a loca infecta nos possa ajudar a saber como vai ser, agora que se esgotaram os meios oficiais para ajudar anonimamente os esforçados militantes infecciosos.

terça-feira, julho 05, 2011

As agências estão a tremer de medo do PGR

A agência de 'rating' cortou em quatro níveis o 'rating' de Portugal para 'Ba2' devido ao risco de o País precisar de um segundo resgate.

A agência de 'rating' desceu de 'Baa1' para 'Ba2' o 'rating' de Portugal com perspectivas negativas, o que quer dizer que podem seguir-se novos 'downgrades' à nota do País em breve.

A Moody's explica esta revisão em baixa com dois factores. Por um lado, a casa de 'rating' argumenta que existe o risco crescente de Portugal precisar de um segundo pacote de empréstimos internacionais antes de conseguir regressar aos mercados com "taxas de juro sustentáveis" no segundo semestre de 2013.

Mas então o dr. Reis de Coimbra mai-lo professor Boaventura não apresentaram uma queixa à PGR contra as agências de rating? E então os mandados e as buscas e as prisões? Ainda falta muito para o PGR anunciar o resultado do inquérito?

Pour épater le bourgeois...

Diário Digital:

O teste de Investigação Criminal e Gestão de Inquérito (ICGI) do curso para magistrados, que foi anulado devido a um copianço generalizado entre os auditores de Justiça, foi repetido no passado dia 27 de Junho, informou hoje o Centro de Estudos Judiciários (CEJ).

Numa nota hoje divlgada, o CEJ refere que, na sequência da recomendação do Conselho Pedagógico de 20 de Junho, repetiu-se dia 27 de Junho, o teste de ICGT, com a duração de hora e meia, com consulta restrita aos textos legais aplicáveis, exigindo resposta a nove perguntas, sendo uma para desenvolvimento.

Segundo um quadro de resultados (que exclui os auditores cooperantes dos países de língua oficial portuguesa), os 120 auditores tiveram todos positiva - oito (com nota de 10 a 12), 18 (nota 12-14) e 94 (mais de 14).

O caso do copianço generalizado no primeiro teste de Investigação Criminal e Gestão de Inquérito acabou por levar à demissão da juíza desembargadora Ana Luísa Geraldes das funções de directora do Centro de Estudos Judiciários (CEJ), pedido aceite pela nova ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz.

Tudo positivo, como era de esperar. E agora? Está lavada a honra do convento com este novo teste sem cruzes, canhoto?

jornal i: coma assistido?

O novo director do i é António Ribeiro Ferreira e apresenta-se assim aos leitores:

"Trinta anos de jornalismo. Hoje começa mais uma etapa. Na direcção deste jornal nascido a 7 de Maio de 2009. Não vale a pena gastar espaço com lugares-comuns. Não vale a pena entrar em grandes filosofias.Mas faz todo o sentido afirmar que me sinto muito honrado por trabalhar com uma equipa notável, que resistiu a ventos e marés e esta pronta para enfrentar todos os desafios [para quem prometeu não entrar em lugares-comuns no parágrafo anterior, é obra]. E que conseguiu pôr de pé um diário de referência e de grande qualidade. Não faço promessas. Mas garanto que tenho um sonho. Vencer."

Vencer o quê? A "batalha da qualidade", com uma escrita assim? Com um título de primeira página que promete o que não dá no interior, ou seja a explicação da tal "razia"?
O termo "razia" remete imediatamente para o jornalismo desportivo. Mas...Ribeiro Ferreira não foi isso mesmo, um jornalista desportivo? A modalidade será esta?

Espero sinceramente que o i vingue nas vendas. Que se aguente no panorama da imprensa nacional. Mas pressinto que não vai lá com mais este jornalista desportivo que deu em director de jornal.
O problema do jornalismo português é um problema intrínseco à qualidade dos jornalistas que o produzem e cuja densidade cultural é fácil de perceber e explicar: ou são de esquerda com toda a idiossincrasia e todos os lugares-comuns que foram acumulando na mentalidade que os consome; ou são assim-assim, nem carne nem peixe e portanto ornitorrincos culturais, sem eira nem beira, mas com referências no meio ambiente. Que é de esquerda como sempre foi, desde há mais de trinta anos a esta parte. Temos mais uma tragédia cultural a acrescentar à outra, económica. E que lhe deu o alento principal.

PS às 23:20:
O novo dono do “I”, Jaime Antunes, estabeleceu um prazo de cinco meses para o diário, que vende em média 8500 exemplares por dia, se reestruturar e subir as vendas.

"O processo tem de ser rápido. O mercado não está fácil. Estabeleceu-se um prazo de quatro ou cinco meses e, até lá, temos de concretizar uma mudança", disse o gestor em entrevista ao Jornal de Negócios.

Para Jaime Antunes, a redução de custos é uma prioridade. Neste sentido, a nova equipa vai fazer um “ajustamento de pessoal” e deixar de pagar aos seus colunistas, pelo menos, durante o período de reorganização.

Comentário: não vai conseguir. Este director é pior que o anterior e ambos são piores que o primeiro. Jaime Antunes é anda pior que todos eles...pior no sentido de não ter qualidade para um journalismo "gourmet". É mais bacalhau quer alho.


segunda-feira, julho 04, 2011

Um dos coveiros do país fala mais uma vez

Económico:

Para Silva Lopes o financiamento que Bruxelas e o FMI darão a Portugal nos próximos três anos é "largamente insuficiente".

José Silva Lopes, que falava na conferência "E Depois da 'Troika'?", organizada pelo Instituto de Direito Económico Financeiro e Fiscal (IDEFF) e pela Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC) a decorrer em Lisboa, destacou a situação grega como um dos maiores riscos para Portugal, e esbateu as diferenças entre Portugal e Grécia.

"Portugal é diferente da Grécia? Não é não. Só somos um bocadinho melhores que a Grécia nas finanças públicas. Não tenhamos dúvidas. Se acontecer alguma coisa na Grécia, nós somos logo a seguir", disse.

Silva Lopes disse ainda que, na sua opinião, os 78 mil milhões de euros que Bruxelas e o Fundo Monetário Internacional (FMI) acordaram emprestar a Portugal é "largamente insuficiente" e que "a União Europeia tem de arranjar novos esquemas para apoiar países, nomeadamente Portugal", caso contrário o problema só se vai agravar.

"Se a União Europeia não nos emprestar mais dinheiro, se continuar a acreditar que os mercados vão resolver o problema, estamos arrumados. Eu não acredito que os mercados resolvam o problema, pelo contrário, vão agravá-lo", acrescentou.

A (i) moralidade

Económico:

Paralelamente, as despesas correntes da AR sobem também de 75,6 milhões de euros para cerca de 81 milhões de euros, com acréscimos em despesas como "combustíveis e lubrificantes" (mais 20 mil euros), "limpeza e higiene" (mais 75 mil euros) - alíneas como "material de escritório", "consumíveis de informática", "Livros e documentação e outras fontes de informação" e "artigos honoríficos e de decoração" sofrem também aumentos, mas menos significativos.

A aquisição de serviços, por seu turno, sobe quase 1,4 milhões de euros, com derrapagens em rubricas como "água" e "electricidade", "limpeza e higiene", "conservação de bens", "locação de material de transporte", "locação de outros bens", "comunicações" (mais 98,5 mil euros), "deslocações e estadas" (mais 64,5 mil euros), "estudos, pareceres, projectos e consultadoria" (cerca 157 mil euros adicionais) ou "outros trabalhos especializados" (592 mil euros a mais).

Estas pessoas que nos representam não têm a mais leve noção do que é ter vergonha. Se tivessem, mostravam que o exemplo deve vir de cima. E neste caso, da Assembleia da República. Assim, alguém deverá sentir-se obrigado a conter despesa pública e a poupar seja o que for?

Morreu António Jorge Branco

Morreu um dos fundadores da TSF, António Jorge Branco. A história do Rádio em Portugal também se faz com figuras como a de AJB. Há pouco na Antena Um, outro radialista, João Paulo Guerra, contava que logo nos dias a seguir ao 25 de Abril apresentou-o a quem "de direito" no novo poder que se implantou nos media. Branco era familiar de outro Branco, músico, exilado em França e fugido à guerra do Ultramar. Contestatário, revolucionário e esquerdista dos cinco costados. Ainda hoje.
António Jorge Branco falou no rádio muitas vezes quando ouvia a TSF que foi criada em 1981. Assim:
Março de 1981 – Aproveitando o programa eleitoral do novo governo, que fala em reprivatizar a rádio, é criada a “TSF – Cooperativa de Profissionais de Rádio”, constituída por Adelino Gomes, Albertino Antunes, António Jorge Branco, António Rego, Armando Pires, David Borges, Duarte Soares, Emídio Rangel, Fernando Alves, Jaime Fernandes, Joaquim Furtado, João Canedo, José Videira, Mário Pereira e Teresa Moutinho.

Tudo gente à esquerda, como convém no Portugal moderno. Em 1980, o jornal Sete, de 13.2.1980, apresentava uma resenha do que foram dez anos de rádio em Portugal. Escrita por José Manuel Nunes, outro personagem de esquerda e que esteve na Alemanha pouco antes de Abril de 74, na Deutsche Welle, depois de ter apresentado o programa Página Um, no Rádio Renascença. Adelino Gomes foi o apresentador que se seguiu. E depois, Luís Filipe Paixão Martins, actualmente na LPM.
Pode ler-se a página do Sete, clicando abaixo, neste momento em que o rádio de Portugal perde um dos seus cultores mais notáveis e situados no canto esquerdo do espectro político, como quase todos os radialistas que temos. Neste momento a que mais me irrita é a Maria de São José, na Antena Um, com aquele soletrar das sílabas saltitantes a matraquear notícias enviesadas.

É muito revelador atender ao que o autor cita em epígrafe: "Prefiro controlar a Comunicação do que o Banco de Portugal"...foi o que o Inenarrável José Sócrates tentou. Antes dele, Mário Soates tentou também. Mas não foi suficiente para se manterem no poder. Contudo é suficiente para manterem no poder uma mentalidade de esquerda e uma intelligentsia sempre virada para o mesmo lado, jacobino e avesso às nossas tradições antigas.
Sobre a história do rádio em Portugal talvez valha a pena ler o livro de Dina Cristo.


Os inoxidáveis

Sapo:

A jornalista e escritora Tristane Banon, de 31 anos, vai processar Dominique Strauss-Kahn por tentativa de violação em 2002, anunciou hoje o advogado David Koubbi em entrevista ao site lexpress.fr.

"A minha cliente, Tristane Banon, vai apresentar uma queixa por tentativa de violação contra Strauss-Kahn. Irei abrir o processo amanhã, dia 5 de julho, no Ministério Público, que o irá receber na quarta-feira pela manhã", afirmou o advogado.

"Strauss-Kahn é doente. Tem um problema real de vício em sexo, álcool, drogas e jogo. Sobre o recente caso passado nos Estados Unidos não me posso pronunciar, mas uma coisa posso afirmar sem quaisquer dúvidas: ele tentou abusar sexualmente da Tristane", considerou Anne Mansouret, mãe de Tristane Baron, que é afilhada da segunda esposa e amiga da filha de Strauss-Kahn.


A França não é bem a mesma coisa que os EUA no sistema penal. A descredibilização da vítima não funciona do mesmo modo porque o sistema judicial é mais como o nosso que pretende ir ao fundo da verdade material e portanto, o facto de a vítima ser mentirosa ou ter companhias duvidosas conta menos do que nos EUA.
Por outro lado, em França o caso já é abertamente político, para além de judicial. Por isso mesmo já estão em marcha acelerada várias teorias cabalísticas que pretendem justificar o suspeito e limpá-lo de todas as manchas. Mesmo as indeléveis.
Aliás, lá como cá. Há por aí uns certos figurões, apontados a dedo por várias vítimas que se fizeram de esquecidos durante uns tempos e agora regressaram à política caseira porque nada mais sabem fazer na vida. E para tanto, as vítimas são sempre mentirosas. Eles são os puros e indeléveis. Os inoxidáveis.

PS. Já começou
:

Dominique Strauss-Kahn abrirá um processo por calúnia contra a jornalista francesa Tristane Banon, que tinha anunciado que terça-feira o denunciaria por tentativa de violação, segundo informaram os advogados do político francês.

Em comunicado, o escritório de advocacia Herni Leclerc e associados, que representa Strauss-Kahn, anunciou a intenção de «redigir uma denúncia por calúnia contra Banon».

Quem quiser saber saber desenvolvimentos ulteriores deve recordar o que se passou no processo Casa Pia, entre nós. O esquema é o clássico...


O jornal i e o jornalismo caseiro

O jornal i muda hoje de direcção. Em 674 números já leva três directores. O primeiro, Martim Avilez de Figueiredo conferiu um figurino ao jornal, eventualmente centrado em análises económicas que apesar disso não ajudaram muito o leitor a perceber o buraco em que o governo de então, liderado pelo Inenarrável José Sócrates, se aprestava a colocar o país, com a ajuda prestimosa do "pior ministro das Finanças da Europa". O jornal i falhou na sua inserção no público do Público. Actualmente venderá pouco mais de 8 mil exemplares o que é nada para os objectivos que se propôs.
Haverá muito analista que concluirá que o jornalismo caseiro tem falta de público porque há diversificação de informação com a televisão a assumir as despesas das notícias do dia e a deixar os restos para os jornais do dia seguinte. Outros dirão que a míngua de leitores se deve à crise económica, esquecendo as tiragens dos três desportivos. Outros ainda alvitrarão que as pessoas não se interessam por jornais de intelectuais, esquecendo a popularidade dos intelectuais que sabem comunicar, mesmo na tv.
O problema número um do jornalismo caseiro continua a ser a qualidade intrínseca do que produz. O i pretende ser um jornal de qualidade e "de categoria gourmet", nas palavras do seu director que cessa funções, Manuel Queiroz. Que estabelece a distinção entre esse jornalismo e o "muito popular", como sendo o prognóstico do futuro do jornalismo.
O conceito de "gourmet" no entanto, é equívoco porque a cozinha molecular não é do agrado de toda a gente que muitas vezes prefere os pratos tradicionais bem servidos e cuidados e com paladar característico. Pode por isso dizer-se que o "chef" do i ainda não acertou na receita.

Como exemplo de opção pelo "muito popular" podemos ver actualmente o Jornal de Notícias, assim assumido pelo director que entrou em funções há semanas e que em entrevista ao DN, ladeado pelo "amigo Joaquim" assim resumiu o papel do jornal que dirige actualmente. Popular significa dirigido à populaça. Supostamente a populaça assim designada gosta de sangue suor e lágrimas, na primeira página e o actual director, antigo esquerdista, não se faz rogado no populismo. Desde que assumiu funções, as primeiras páginas são de faca e alguidar com a liga à mostra, e nem sempre a do futebol. É esse o conceito de "popular" para o antigo comunista Manuel Tavares, porque o amigo Joaquim assim o pensará também.
Veremos onde chega o Jornal de Notícias com esta liderança tão popular.

Provavelmente o jornalista Manuel Tavares não conheceu o jornalista Hugo Rocha, antigo director do Comércio do Porto e que em 5.8.1984 dava uma entrevista extensa ao D.N. sobre jornalismo que devia ser lida e estudada nas escolas de jornalismo onde ensinam expoentes como a dona Judite de Sousa.
Hugo Rocha dizia assim na entrevista de três páginas em quase broadsheet: " O pior aspecto da Imprensa é a exploração daquilo que é condenável, execrável, e que são os crimes."
Vão dizer isso ao antigo jornalista do Diário ou ao actual director do Correio da Manhã. Para eles a máxima é a antiga "give the people what they want". Melhores que o ultraliberalismo de Sir Rupert? Nem um grama. E contudo preenchem páginas e páginas a denunciar o "ultra-liberalismo", em modo de notícias enviesadas e em campanhas por causas eleitorais que nem conseguem esconder.
Hugo Rocha diz ainda na página do suplemento do D.N.: " O jornalismo não se aprende, nasce com aquele que o quer cultivar."
Pois sim. Vão dizer isso às novas gerações de jornalistas que frequentaram cursos de novas oportunidades para o exercício da profissão.

Não por acaso, certamente, alguns dos principais jornais portugueses são dirigidos por antigos jornalistas desportivos. O resultado só pode ser um: prognósticos, só no fim do jogo.

Marcelo Rebelo de Sousa é assim

"A saída de Bernardo Bairrão da lista de secretários de Estado teve a ver com a luta de protagonistas do mundo da televisão no quadro da privatização da RTP.

É esta a análise feita por Marcelo Rebelo de Sousa no seu habitual espaço na TVI."

O que faz um indivíduo que depende da credibilidade para sobreviver no espaço público?

Nunca se dá por achado.

E se for católico? Confessa o pecado na próxima confissão.

sábado, julho 02, 2011

Os donos de Portugal- os revolucionários e os reformistas

O jornal i de hoje, desenvolve uma pequena reportagem sobre "os maoistas" que fizeram nome público na nossa sociedade. O elenco completo dos mencionados:

Rui Pereira, PS, ex-ministro da Administração Interna, professor universitário.
Ana Gomes, PS, deputada no PE, diplomata na reserva.
Mariano Gago, PS, ex-ministro, professor universitário.
Emanuel Santos, PS, ex-governante, professor universitário.
José Manuel Durão Barroso, PSD, presidente da UE, ex-primeiro-ministro, professor universitário
José Lamego, PS, advogado.
Jorge Coelho, PS, ex-ministro, administrador de empresa ( Mota-Engil) devido aos cargos políticos.
Nuno Crato, independente, actual ministro da Educação.
Maria José Morgado, procuradora geral-adjunta, directora do DIAP.
José Manuel Fernandes, jornalista.
José Pacheco Pereira, comentador e historiador da esquerda ( vai publicar um livro sobre a extrema-esquerda), eventualmente professor de secundário reciclado na universidade.
João Carlos Espada, comentador e professor universitário.
Manuel Villaverde Cabral, comentador, sociólogo, professor universitário.
António Costa Pinto, sociólogo, professor universitário.

São estes e os milhares mais de compagnons de route ideológica, os verdadeiros donos da intelligentsia de Portugal, juntamente com os comunistas. Nunca ganharam eleições. Ficaram sempre em percentagens de ultra-minoria e democraticamente deveriam assumir que os seus projectos ideológicos são um fracasso e uma tragédia nacional. Muitos deles sairam do espartilho partidário-ideológico mas nunca abandonaram a mentalidade em que vicejaram por uma questão muito simples de entender: são idiossincraticamente anti-democráticos e propensos a radicalismos. Muitos deles sairam directamente do maoismo e esquerdismo para o liberalismo mais chão e radical, nos anos noventa do século que passou, o que se compreende muito bem nesse contexto.

Vibraram todos em uníssono com o PREC, onde lutaram para impôr a sua visão da História e alguns deles contra o PCP que estimavam como "reformista", sendo eles os verdadeiros revolucionários, "os da Bayer".
Ouvir a explicação para a mudança de posição política e ideias é patética. Por exemplo, José Manuel Fernandes diz ao i que houve dois momentos para tal. Um foi o enterro de Mao (em Setembro de 1976 é bom lembrar...) em que a nova direcção do PCC apagou a foto da viúva de Mao e dos seus apoiantes. Outro, o das purgas do poder na Albânia em que o dirigente Mehmet Sheu apareceu "suicidado" ( em Dezembro de 1981, note-se).
Quer isto dizer que todos os livros, informações, relatos ( há um livro interessante saído em 1977, Os Russos, de um jornalista do NYT; havia sobre a China de Mao muita informação credível...mas nada disso adiantou para a mudança ideológica. Preferiram sempre não ligar a essa "reacção". Agora dão o dito por não dito, não se retratam na estupidez e mantém relevo nacional o que é ainda mais interessante).
O caso de Pacheco Pereira que dá entrevista extensa ao jornal ainda é mais interessante. Diz que mudou,mas não mudou um milímetro. O que mudou foi apenas a referência programática.

Estes indivíduos, sem excepção, em Agosto de 1974 perante este relato do jornal Sempre Fixe ( De Ruella Ramos, um esquerdista radical) em que se dá conta da reorganização do capitalismo português, depois do 25 de Abril e da saída das 20 famílias que a Time dava conta na época, o que diriam destas propostas capitalistas puras e duras para o nosso desenvolvimento económico?
Note-se que nessa altura- Agosto de 1974- tal ainda era possível e a reorganização económica proposta pelas figuras retratadas, entre os quais, Vasco Leitão, Jorge Lucena, João Morais e Valimohmed Ibraim, poderia ter sido adoptada caso o ambiente político fosse outro e as ideias dominantes fossem outras, como o foram em Espanha.
Por cá não foram porque a Esquerda global onde se incluía um Partido Socialista à procura de identidade e com receio de perder apoios para o PCP se aliou ideologicamente e praticamente às propostas comunistas e da extrema-esquerda de nacionalizações e "caminho para a sociedade sem classes". Essa ideologia e essa prática ditou o fim do nosso sistema económico como o tínhamos em 25 de Abril de 1974, um sistema "coerente" como já foi dito e citado aqui por pessoas de mérito intelectual indiscutível.


Muitos deles, actualmente, se lerem isto percebem instantaneamente a estupidez e a burriquice em que incorreram. E provavelmente a sua culpa objectiva e subjectiva nesta tragédia colectiva. Mas nem isso os afastou de liderarem projectos políticos, jornais, comentários avulsos nos media e isso durante anos a fio. José Manuel Fernandes, por exemplo, no outro dia apresentou o programa do CDS dos anos oitenta como modelo do que se poderia ter feito para evitar a situação de bancarrota em que estamos.
Mas em Agosto de 1974 o que diriam todos eles sobre este programa económico que aqui fica e que se pode ler com um clique? Diriam que era reaccionário, burguês, fascista e seria a recuperação do "condicionamento industrial" e outras baboseiras que nos custaram o mais caro que pode haver em termos económicos: a destruição do tecido produtivo.
Foram eles e as suas ideias os causadores directos de tal situação e que disso não haja a mínima dúvida possível. Foram eles e mais ninguém.
Em Julho de 1975 a Time já dava conta do resultado do PREC: "fim das 20 famílias". Todos aqueles sem excepção aplaudiram o facto. Regozijaram-se e lutaram por isso. Lá fora, muita gente pensava que Portugal ia a caminho do comunismo. A imprensa internacional como por exemplo a americana e francesa, moderada, já nem faziam segredo do assunto e publicavam capas alusivas e explícitas. Por cá, ainda há "historiadoras" a dizer o contrário.

Em Janeiro de 1976 o O Jornal publicava, ufano, o resultado dessas ideias que deram as nacionalizações de 11. 3.1975 aplaudidas de pé, com punho erguido por TODOS aqueles indivíduos sem excepção: "O Estado controla 201 empresas". Fabuloso! Menos de um ano depois disso o FMI estava cá dentro a ajudar o país. Causa directa e necessária? Aquelas ideias daqueles indivíduos mencionados. Só e apenas.


Com a ajuda preciosa de sumidades como esta que aqui aparece em baixo a assegurar que "as nossas ideias não estão em saldo". Jorge Sampaio, então da Intervenção Socialista e que se integrou no PS, vindo do MES, veio a ser eleito presidente da República!
Que mais é preciso dizer sobre a nossa tragédia dos últimos 36 anos?
Que ela tem responsáveis e que são estes mesmos que aqui aparecem simbolica e ideologicamente? Mas isso é apodíctico...

A luta de classes está vivinha de boaventura

"Vai haver sempre uma luta entre aqueles que dominam o capital produtivo e aqueles que dominam o capital financeiro"- Boaventura Sousa Santos, citado pelo Público de hoje.

"A desobediência civil, manifestada em múltiplas e diversas acções dos gregos, poderá não ser, ainda, uma sintaxe revolucionária."- Baptista- Bastos, citado pelo Público de quinta-feira.

Que ninguém se deixe enganar: estas pessoas continuam agarradas ao passado nostálgico da Revolução da grande Esquerda. Nada esqueceram e nada aprenderam. Mas querem continuar a ensinar e doutrinar.
Em 1986, O Jornal, viveiro preferido da ideologia, publicava este suplemento em que retomando um cartoon ( excelente por sinal) de João Abel Manta, interrogava os áugures da sua mensagem sobre o futuro do país, depois de dez anos do PREC. A ideia básica continua viva na mente daqueles. O comunismo não se enuncia do mesmo modo, mas reside na mentalidade. O esquerdismo, mesmo em doença infantil, nunca lhes afectou as meninges e os bacilococos ideológicos continuam lá


Um procurador como deve ser

No caso Strauss-Khan, o procurador Cyrus Vance, após ter investigado durante pouco mais de um mês, descobriu que a vítima Diallo tem uma história de vida pessoal que a descredibiliza perante um assunto cujo esclarecimento depende essencialmente dessa credibilidade.
Descobriu que a referida Diallo teve contactos telefónicos com um suspeito de tráfico de droga e que todos os meses lhe depositava na sua conta várias importâncias que atingiram 100 mil dólares nos últimos dois anos. Ainda descobriu que Diallo tem vários telemóveis em cinco redes que carrega e lhe custam várias centenas de dólares por mês. A vítima refuta estes factos e a investigação prossegue, mas a credibilidade de uma pessoa assim perante um júri afigura-se problemática e por isso Strauss-Khan recuperou a liberdade provisória.
Esta investigação é a que se chama "a décharge", ou seja a que pode favorecer o suspeito e foi o procurador que a fez, não o advogado manhoso do suspeito, um judeu celebrizado por defender salafrários notórios, com métodos que por cá ninguém hesitaria em chamar de "pidescos", adjectivação que já entrou no léxico comum.

Cyrus Vance é um procurador que disse acreditar que todos merecem um sistema judiciário justo e igual para todos. E ainda ontem, no tribunal, o repetiu: o sistema americano de justiça visa assegurar a igualdade de todos perante a lei e os casos devem ser investigados sem medo e sem protecção de poderosos ou até favoritismo aos mesmos.

A directora do DCIAP no outro dia, numa entrevista à tv, disse que os casos que envolvem pessoas importantes devem merecer um especial cuidado. Duvido que seja no sentido apontado, porque tal entendimento exige precisamente o discurso oposto, ou seja de que todos devem ser tratados por igual. O advogado Proença de Carvalho, amigo pessoal do PGR Pinto Monteiro, ontem na tv, repetiu o estribilho do costume: menos autonomia para o MºPº e maior poder para o PGR, para algo que desta vez não chegou a definir mas que é a mesma ideia de sempre: sob a capa de uma pretensa responsabilização que na prática não existe, porque o nosso sistema não é o americano ( nem ele quer que o seja, cruzes canhoto!) ter o melhor de dois mundos: controlo directo da investigação e possibilidade de favorecimento pessoal aos importantes que caem nas redes processuais.
Em alguns casos mediáticos, em Portugal, mesmo com o sistema que temos, tal já sucedeu.

Procuradores como Cyrus Vance, por cá, não vejo muitos...e no topo não vejo mesmo nenhum. Mas pode ser que estejam escondidos, quietinhos, caladinhos e direitinhos...

sexta-feira, julho 01, 2011

O advogado Proença de Carvalho apareceu!

Ena! Proença de Carvalho apareceu na tv. Está agora no Expresso da meia noite a falar sobre o programa do governo na área da Justiça.
Ideia principal: o governo, coitadinho, pouco pode fazer pela justiça. Imagine-se!
Está contra a autonomia do MºPº. Acha que o seu amigo PGR não manda o suficiente na instituição ( "não tem poderes para ordenar o MP", segundo Proença). E acha que isso é uma originalidade portuguesa porque na Europa é tudo diferente. Não há dúvida.
Acha também que o CSM devia ter mais membros nomeados pelo presidente da República. Tudo em nome da democracia.
E acha que a ideia da justiça arbitral é uma boa ideia tal como é a de um gestor no tribunal.
Proença de Carvalho deve ser dos advogados que mais enche a boca com democracia neste tipo de programas...mas nunca se lhe ouviu uma palavra de apoio e incentivo aos magistrados para o exercício das suas funções: contribuir para a Justiça em modo igual para todos, sejam fracos sejam poderosos. Nunca.

Por questões estritamente processuais...

...Fátima Felgueiras absolvida de todos os três crimes no caso “saco azul”.

Claro que vai clamar inocência.

Rogério le fucker

Esta imagem do suplemento ipsilon do Público de hoje é um must, por causa do título do artigo escrito por um tal Rogério casanova, um escriba que tecla com os pés.
Ao traduzir um título de J.G. Ballard - "Why i want to fuck Ronald Reagan"-aponta-lhe o lado "pedagogicamente sugestivo" e afinfa-lhe com o verbo "pinar" em vez de "foder".

Confesso que foi a primeira vez que vi escrito em letra de imprensa o verbo "pinar", dicionarizado como vulgarização de praticar o coito. Ao ler, parei, escutei o termo e olhei outra vez. "Pinar Ronald Reagan"? Mas quem raio quereria uma coisa dessas? J.G. Ballard, um modelo de cidadão pacato e honesto? Fui ler. A neve caía. Branca e leve; branca, e fria. E que saudades, Deus meu!
Saudades de uma cultura sólida nas artes e letras. No conhecimento linguístico e na semântica mais intensa para nos devolver imagens e ideias por fazer. Debalde! Só apanhamos (o)pinantes de fim-de-semana.

A Maçonaria nunca existiu

Em 1976, Eduardo Lourenço, o nosso pensador mais proeminente da modernidade, publicou um livro com o título irónico que lhe deu corpo. Passados uns anos, já achava que afinal não seria tanto assim, porque Mussolini patati e Franco patata.

Com as agremiações secretas que temos, estamos quase no mesmo registo sonoro. A Maçonaria em Portugal é uma entidade abstracta. Se perguntarem directamente a alguns dos nomes abaixo mencionados na revista Sábado desta semana ( clicar para ler), a sua pertença a lojas como a Universalis, negarão veementemente, como Guilherme Silva no outro dia na A.R. negou a influência da Maçonaria na eleição frustrada de Fernando Nobre.
De resto, para que servem tais lojas? Para abrir portas, voilà! E pequenos mundos a neófitos do arrivismo.

Ainda a licenciatura de José Sócrates. A história do que ficou calado

O jornal Sol de hoje ( clicar para ler) trata novamente a questão da licenciatura de José Sócrates. A página que se copia devia servir para reabrir o processo de averiguação da falsificação de documento ou abrir um novo inquérito para tal.
Não para se apurar o eventual crime de falsificação original, prescrito devido ao decurso do tempo, mas para averiguar da veracidade material de documentos posteriores, nomeadamente um certificado emitido em 2003 e um outro emitido em 2000 e enviado para a Câmara da Covilhã.

O que o antigo director de cursos na UnI afirmou em tribunal, sob juramento, - "José Sócrates não é engenheiro, mas sim supostamente licenciado em Engenharia Civil"- é suficientemente grave para reabrir esses inquéritos ou abrir novos. José Sócrates já não é primeiro-ministro, não goza por isso das prerrogativas do cargo e como estamos num país democrático em que as instituições, acima de tudo, devem ser um exemplo para os demais cidadãos, impõe-se essa nova indagação em moldes diversos da efectuada pelo DCIAP em data passada.

Os indícios de falsificação são tão graves e tão sérios, perante estas novas afirmações que não se compreende que tal não seja ponderado por uma questão de justiça elementar e seriedade básica.

Esta questão não deve ser varrida para debaixo do tapete ou relegada para o olvido como águas passadas.

Aquele que agora fala, Eurico Calado, na altura, em 2007, em plena maioria absoluta do suposto engenheiro, ficou calado. Como um rato? Mas como, se nem sequer estava no Largo?
Um português típico? Mas como, se era professor universitário, com currículo prestigiado, com passado que atestava competência, foi capaz de calar assim?
Será este o exemplo da tragédia que nos assolou durante uma dúzia de anos e determinou o futuro dos nossos filhos ? É bem capaz.

E isto fica assim, sem mais nada que nãoLink o juizo da História? Não pode ser. NÃO PODE SER!! Esta gente objectivamente prejudicou milhões de pessoas. Conduziu-nos a um beco de incompetentes e salafrários cujos escândalos são às dúzias e todos os dias se descobrem.
Será que isto vai mesmo ficar assim? Não haverá ninguém, em Portugal, capaz de fazer a JUSTIÇA que se impõe?

PS. O artigo do Sol refere-se vagamente à "blogosfera" como tendo sido o sítio onde o assunto foi abordado em primeira mão. É uma incorrecção e uma injustiça não referir o blog Do Portugal Profundo, cujo autor até escreveu um livro sobre o assunto, muito melhor documentado do que alguns ensaios que por aí se vendem ao desbarato. E foi o primeiro blog que dedicou postais e postais ao assunto, sendo quase certo que não fora o mesmo e o assunto teria sido varrido para debaixo do tapete das irrelevâncias, como muitos outros. O Público, na Páscoa de 2007 apenas lhe deu a visibilidade mediaticamente institucional.
O jornalismo nacional é assim e não se vê remédio para esta mediocridade.

A contra-Educação que se espera deste governo

Vale a pena ouvir durante cerca de um quarto de hora esta pequena prelecção, de Abril deste ano. É assim que se fala. Vamos a ver se a acção corresponde ao discurso.

Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso