sexta-feira, julho 08, 2011

O watergatezito dos pobrezinhos

Sol:

A direcção do PSD foi informada durante a primeira semana da campanha para as legislativas de que estaria a ser alvo de escutas ilegais. Denúncia foi enviada à PGR.

Francisca Van Dunem, procuradora distrital de Lisboa, ordenou a abertura de um inquérito a uma denúncia recebida pelo PSD durante a campanha para as eleições legislativas, que avisava os principais membros da direcção do partido que estavam a ser alvo de escutas ilegais. A investigação vai tentar apurar se foram praticados os crimes de violação das telecomunicações e de gravação ilícita.

As coisas em Portugal são assim: há uma denúncia, nem sequer anónima, de que um partido político da oposição pode estar a ser alvo de escutas telefónicas criminosas. A denúncia deu origem a um inquérito ( nem se sabe bem porquê, uma vez que a doutrina oficiosa da PGR é a de que os partidos políticos gostam de resolver os assuntos políticos no âmbito de processos criminais e afins, mas pronto) e o caso vai seguir "os trâmites legais".

Repare-se: como é que se vai descobrir à distância de meses, de algumas semanas ou mesmo dias ou até mesmo horas que determinada pessoa foi alvo de um hacker que lhe pespegou com um bug ( vai tudo em inglês técnico que é para se entender melhor) para lhe apanhar conversas ou localizações precisas e que se esgotam no momento em que se produzem? Como é que será tecnicamente possível aos investigadores da PJ analisar os telemóveis ou telefones das vítimas que supostamente nem se apresentarão como tal? Vai-lhes ser dada autorização para refazerem todos os contactos efectuados e chamadas recebidas ou tentativas disso? É o vais!

Então para que é que se anda a perder tempo com mais um processo político travestido de criminal?

O caso Watergate, em 1974 surgiu em primeiro lugar na imprensa e porque dois repórteres do Washington Post souberam de uma notícia sobre um assalto a uma sede de campanha do partido da oposição a Nixon. Pela notícia, um simples caso de polícia, desconfiaram de certos nomes que apareciam envolvidos. Só isso. E a partir daí, dessa desconfiança começaram a desenrolar o novelo até chegar ao caroço da conspiração contra o partido democrático.

Não foi a polícia ou o ministério público de então que lá chegou: foi o jornal que seguiu pistas e confirmou dados, factos, nomes, lugares e ligações. Com ajudas externas de um um "garganta funda", diga-se.

Por cá não haverá gargantas fundas que saibam algo sobre os nossos olriks? De que estão à espera para lhes destapar a careca e mandá-los por uns anitos, para onde deveriam estar? Será um problema- mais um...- de oportunidade?

4 comentários:

Karocha disse...

Então não José, só de pensar nos 6 meses que a pt, andou em minha casa e, não descobriu!
Até um dowload ao pc do meu marido à altura fizeram, nunca conseguiram descobrir que tinha posto a escuta e, claro que era ilegal!!!

Camilo disse...

Calma, calminha... o que mais há por aí são "gargantas-fundas"!
O probema... é que o "saco" deles é ainda mais fundo que a dita cuja!!!

Manuel Pereira disse...

josé :

se eu fosse um "garganta funda", nem sequer me dava a esse trabalho, por um motivo muito simples :

"em Portugal, ninguém com poder (especialmente político) vai preso"

Ponto final.

Ex. : Face Oculta
Casa Pia
Freeport
Cova da Beira
Lopes da Mota
etc...

josé disse...

PIor que isso Manuel Pereira: segundo desenvolvimentos últimos parece que não só não são condenados como nem sao investigados. Coisas do princípio da oportunidade.

Mas tarde se saberá porque escrevo isto.

Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso