sexta-feira, julho 22, 2011

As fontes dos telefones

O cronista Ferreira Fernandes ( que gosto de ler e por isso o critico com ironia prazenteira) dá hoje à estampa da última página do DN uma croniqueta sobre costumes jornalísticos caseiros. Diz que por cá não se espiolham vidas como fazia o desaparecido de circulação News of the World, porque os jornais nem dinheiro tem para mandar cantar um cego, quanto mais os melros.
E no final paraleliza com o fenómeno português de acesso a segredos via violação de segredo de justiça. E pergunta sem responder: "fornecidas por quem?"
A resposta implica uma insinuação e Ferreira Fernandes esconde a mão depois de atirar a pedra da ignomínia, ao escrever que os propósitos de quem viola tal segredo são intangíveis. "Nem lhe conhecemos as intenções".

Conhecemos, Ferreira Fernandes, conhecemos. Quem viola o segredo de justiça é quase sempre quem tem interesse nisso. E os primeiros são os jornalistas...porque foi assim que lhes ensinaram desde o estágio: notícia... é o cão que morde o dono. Não é assim?! Alguma vez viu uma notícia sobre um dono que mordeu um cão? Então...

Os jornalistas caseiros são malandros, Ferreira Fernandes. Malandros porque trabalham pouco. E muitos, mal, mas não há muita gente que lhes diga isso. E ganham demasiado bem para o que ( não) fazem.
Por isso mesmo servem-se dos telefones e das fontes. E na maior parte dos casos não violam qualquer segredo que mereça protecção ou esteja protegido. Mas como são malandros, dão a entender que sim. E por isso aparece um Ferreira Fernandes com pretexto para uma crónica de sexta-feira no Diário de Notícias. Para continuar a lenda. Não me importava nada de ganhar assim a vida...

Questuber! Mais um escândalo!