sábado, julho 02, 2011

Os donos de Portugal- os revolucionários e os reformistas

O jornal i de hoje, desenvolve uma pequena reportagem sobre "os maoistas" que fizeram nome público na nossa sociedade. O elenco completo dos mencionados:

Rui Pereira, PS, ex-ministro da Administração Interna, professor universitário.
Ana Gomes, PS, deputada no PE, diplomata na reserva.
Mariano Gago, PS, ex-ministro, professor universitário.
Emanuel Santos, PS, ex-governante, professor universitário.
José Manuel Durão Barroso, PSD, presidente da UE, ex-primeiro-ministro, professor universitário
José Lamego, PS, advogado.
Jorge Coelho, PS, ex-ministro, administrador de empresa ( Mota-Engil) devido aos cargos políticos.
Nuno Crato, independente, actual ministro da Educação.
Maria José Morgado, procuradora geral-adjunta, directora do DIAP.
José Manuel Fernandes, jornalista.
José Pacheco Pereira, comentador e historiador da esquerda ( vai publicar um livro sobre a extrema-esquerda), eventualmente professor de secundário reciclado na universidade.
João Carlos Espada, comentador e professor universitário.
Manuel Villaverde Cabral, comentador, sociólogo, professor universitário.
António Costa Pinto, sociólogo, professor universitário.

São estes e os milhares mais de compagnons de route ideológica, os verdadeiros donos da intelligentsia de Portugal, juntamente com os comunistas. Nunca ganharam eleições. Ficaram sempre em percentagens de ultra-minoria e democraticamente deveriam assumir que os seus projectos ideológicos são um fracasso e uma tragédia nacional. Muitos deles sairam do espartilho partidário-ideológico mas nunca abandonaram a mentalidade em que vicejaram por uma questão muito simples de entender: são idiossincraticamente anti-democráticos e propensos a radicalismos. Muitos deles sairam directamente do maoismo e esquerdismo para o liberalismo mais chão e radical, nos anos noventa do século que passou, o que se compreende muito bem nesse contexto.

Vibraram todos em uníssono com o PREC, onde lutaram para impôr a sua visão da História e alguns deles contra o PCP que estimavam como "reformista", sendo eles os verdadeiros revolucionários, "os da Bayer".
Ouvir a explicação para a mudança de posição política e ideias é patética. Por exemplo, José Manuel Fernandes diz ao i que houve dois momentos para tal. Um foi o enterro de Mao (em Setembro de 1976 é bom lembrar...) em que a nova direcção do PCC apagou a foto da viúva de Mao e dos seus apoiantes. Outro, o das purgas do poder na Albânia em que o dirigente Mehmet Sheu apareceu "suicidado" ( em Dezembro de 1981, note-se).
Quer isto dizer que todos os livros, informações, relatos ( há um livro interessante saído em 1977, Os Russos, de um jornalista do NYT; havia sobre a China de Mao muita informação credível...mas nada disso adiantou para a mudança ideológica. Preferiram sempre não ligar a essa "reacção". Agora dão o dito por não dito, não se retratam na estupidez e mantém relevo nacional o que é ainda mais interessante).
O caso de Pacheco Pereira que dá entrevista extensa ao jornal ainda é mais interessante. Diz que mudou,mas não mudou um milímetro. O que mudou foi apenas a referência programática.

Estes indivíduos, sem excepção, em Agosto de 1974 perante este relato do jornal Sempre Fixe ( De Ruella Ramos, um esquerdista radical) em que se dá conta da reorganização do capitalismo português, depois do 25 de Abril e da saída das 20 famílias que a Time dava conta na época, o que diriam destas propostas capitalistas puras e duras para o nosso desenvolvimento económico?
Note-se que nessa altura- Agosto de 1974- tal ainda era possível e a reorganização económica proposta pelas figuras retratadas, entre os quais, Vasco Leitão, Jorge Lucena, João Morais e Valimohmed Ibraim, poderia ter sido adoptada caso o ambiente político fosse outro e as ideias dominantes fossem outras, como o foram em Espanha.
Por cá não foram porque a Esquerda global onde se incluía um Partido Socialista à procura de identidade e com receio de perder apoios para o PCP se aliou ideologicamente e praticamente às propostas comunistas e da extrema-esquerda de nacionalizações e "caminho para a sociedade sem classes". Essa ideologia e essa prática ditou o fim do nosso sistema económico como o tínhamos em 25 de Abril de 1974, um sistema "coerente" como já foi dito e citado aqui por pessoas de mérito intelectual indiscutível.


Muitos deles, actualmente, se lerem isto percebem instantaneamente a estupidez e a burriquice em que incorreram. E provavelmente a sua culpa objectiva e subjectiva nesta tragédia colectiva. Mas nem isso os afastou de liderarem projectos políticos, jornais, comentários avulsos nos media e isso durante anos a fio. José Manuel Fernandes, por exemplo, no outro dia apresentou o programa do CDS dos anos oitenta como modelo do que se poderia ter feito para evitar a situação de bancarrota em que estamos.
Mas em Agosto de 1974 o que diriam todos eles sobre este programa económico que aqui fica e que se pode ler com um clique? Diriam que era reaccionário, burguês, fascista e seria a recuperação do "condicionamento industrial" e outras baboseiras que nos custaram o mais caro que pode haver em termos económicos: a destruição do tecido produtivo.
Foram eles e as suas ideias os causadores directos de tal situação e que disso não haja a mínima dúvida possível. Foram eles e mais ninguém.
Em Julho de 1975 a Time já dava conta do resultado do PREC: "fim das 20 famílias". Todos aqueles sem excepção aplaudiram o facto. Regozijaram-se e lutaram por isso. Lá fora, muita gente pensava que Portugal ia a caminho do comunismo. A imprensa internacional como por exemplo a americana e francesa, moderada, já nem faziam segredo do assunto e publicavam capas alusivas e explícitas. Por cá, ainda há "historiadoras" a dizer o contrário.

Em Janeiro de 1976 o O Jornal publicava, ufano, o resultado dessas ideias que deram as nacionalizações de 11. 3.1975 aplaudidas de pé, com punho erguido por TODOS aqueles indivíduos sem excepção: "O Estado controla 201 empresas". Fabuloso! Menos de um ano depois disso o FMI estava cá dentro a ajudar o país. Causa directa e necessária? Aquelas ideias daqueles indivíduos mencionados. Só e apenas.


Com a ajuda preciosa de sumidades como esta que aqui aparece em baixo a assegurar que "as nossas ideias não estão em saldo". Jorge Sampaio, então da Intervenção Socialista e que se integrou no PS, vindo do MES, veio a ser eleito presidente da República!
Que mais é preciso dizer sobre a nossa tragédia dos últimos 36 anos?
Que ela tem responsáveis e que são estes mesmos que aqui aparecem simbolica e ideologicamente? Mas isso é apodíctico...

Questuber! Mais um escândalo!