domingo, 13 de julho de 2014

Os anos do fim de Portugal, segundo Jaime Nogueira Pinto




Jaime Nogueira Pinto publicou agora este livro que escreveu logo após os acontecimentos de 25 de Abril de 1974. Segundo o autor, foi escrito entre Fevereiro e Novembro de 1975, no Rio de Janeiro, Joanesburgo e Madrid,  que acrescenta no prefácio que em Portugal, na época, ninguém se atrevia a publicar. Era o período mais fecundo das "amplas liberdades"...

Uma das coisas interessantes com este livro é precisamente a percepção e visão histórica de alguém que estava de alma e coração com o salazarismo da época e achou Marcello Caetano o obreiro desses anos do fim, precisamente com a abertura política que se verificou a partir de Setembro de 1968.

É esse contexto que julgo ainda ninguém descreveu deste modo e que vale a pena ler. Uma História contada do ponto de vista daqueles que preferiam que na sucessão de Salazar, em vez de Marcello Caetano aparecesse um ultra salazarista, como Antunes Varela ou Mário de Figueiredo ou mesmo Franco Nogueira.
Como não apareceu, ficaram desiludidos com a abertura marcelista, aqui relatada de um modo interessante e que não leremos nas obras pseudo-históricas dos Rosas&Pereira.







57 comentários:

José Domingos disse...

Na minha modesta opinião, seria Antunes Varela, o sucessor de Salazar, sabia o que queria e acima de tudo sabia onde estavam os ovos da serpente.
Poderíamos ser grandes e respeitados e uma potência económica.
Não era isso, que estava escrito nos livros do tempo.

josé disse...

Pois... mas poderemos agora futurar em prognose póstuma o que teria sido?

Seria possível manter a Censura pior do que já era? E a DGS a actuar em modo mais radical e efectivo?

Durante quanto tempo? Até a Espanha passar para a democracia e nós ficarmos isolados?

Parece-me difícil de pensar que teria sucesso uma tal sucessão.

Marcello Caetano fez o que tinha a fazer e estava certo, a meu ver.

josé disse...

O que seria um governo de Antunes Varela, em 1968, 69, com os movimentos de esquerda que estavam já a despontar em toda a Europa e que tinham reflexo inequívoco por cá?

Para mim o que deveria ter sido feito era conter a esquerda comunista e isso só seria possível com maior liberdade. Nunca com menos.

Marcello foi inconsequente nesse aspecto porque a Censura impediu o esclarecimento do que era o comunismo e o socialismo.

À custa de o diabolizarem tornaram-no atractivo e isso foi o maior erro de Marcello.

Maria disse...

Excelente e oportuna reprodução das várias páginas deste livro. Ainda não completei a leitura, mas fá-lo-ei amanhã de certeza.

Tudo o que por aqui tem sido escrito pelos digníssimos leitores deste magnífico espaço, sobre o que poderia ter sido feito para travar o assalto da maçonaria mundial ao nosso espaço pluri-continental, à nossa Soberania e Independência, por interposta maçonaria portuguesa (com a francesa, à qual pertence Mário Soares, a ajudar ao baile e de que maneira) conspirando e actuando em Paris como ponta de lança, quase todas essas opiniões têm enorme validade e muita razão de ser.

De uma coisa podem todos estar certos - aqueles que acreditam que sim e os que ainda hoje duvidam dos factos - não fora o apoio incondicional durante anos dos Estados Unidos (com fortíssima interferência da CIA de Carlucci, por alguma razão este veio pouco depois do golpe d'Abril como Embaixador para Portugal - antes deste trágico desenlace tinha-se reunido várias vezes com os representantes da maçonaria portuguesa em Paris, mais conhecidos como os maiores traidores à Pátria desde que Portugal existe como Nação - para ajudar a puxar os cordelinhos definitivos e definitivamente...) e da URSS, esta com o fornecimento de armas de todo o tipo e aquele com muitos milhões e um forte contigente de voluntários, mercenários e terroristas coadjuvados por alguma tropa fornecida pelos governos pró-soviéticos africanos, na mira exclusiva de se abarbatarem com as nossas Províncias Ultramarinas desse lá por onde desse e custasse o que custasse, mesmo ceifando a vida de milhões d'inocentes (sabe-se de ciência certa que a maçonaria não dá o mínimo valor ao ser humano) e não teria existido golpe de Estado algum. E se por milagre Divino, lá pelos finais dos anos 50 princípios de 60, tivesse aparecido na URSS um Gorbachov então é que nunca, jamais em tempo algum tal teria acontecido.

Perante uma máfia internacional deste calibre diabólico só o Dr. Salazar lhes teria travado a investida com sucesso garantido, mas isso sabemos que então já era impossível ou, se não ele, em sua substituição alguém que possuísse o mesmo género de personalidade vincada, carácter forte e a coragem e determinação para jamais vacilar perante o perigo contínuo e permanente vindo das duas super-potências. E não menos importante e que sobressaía talvez como a sua maior qualidade como Português e Governante, a juntar a todas as outras que não eram pequenas, o culto sempre presente pelos nossos heróis ancestrais, a preservação das nossas tradições milenares e o respeito total e absoluto pela nossa História.

Se havia na altura portugueses d'igual envergadura e estoicismo? Claro que sim e muitos, diria até milhões e também com a mesma nobreza de carácter e espírito guerreiro. Quem exactamente (ou o quê) terá impedido esses muitos d'actuarem a tempo? Esta é a pergunta de um milhão de dólares. Que se espera um dia seja cabalmente respondida.

zazie disse...

Pois tem razão, José.

Agora ele descreve com muita piada os católicos progressistas.

muja disse...

Não acho que tenha razão, José. Consegue dar um exemplo que sustente a sua tese?

Para mim, com "libardade" tinha acontecido o mesmo, mais cedo. Nem compreendo bem que Vs. não vejam isso.

O que o José diz, faria talvez sentido se o 25A fosse uma sublevação popular, que não foi.

O que é que adiantou à França a liberdade em Maio de 68?

A comunização do Estado e da sociedade é suficiente explicada pelos poderes de facto - executivo, entre outros- que os comunas obtiveram via MFA e derivados.

Cá para mim, olhando para trás, o ideal teria sido uma censura... à inenarrável! eheheh!

O Estado fazer o fazia a esquerdalha e infiltrar os seus agentes nos jornais. Os que não colaborassem, passavam assim como que a sentir o vento contra eles...
Em vez de exame-prévio, auto-censura. O que ia dar no mesmo, mas a repressão era velada e distribuída.

Mas também não se pode esperar que alguém pensasse nisto assim naquela altura. Era gente demasiado franca e honesta... ao contrário dos "democratas"...








zazie disse...

O que adiantou foi não terem revolução.

Tudo o que evitasse o PREC tinha sido melhor.

zazie disse...

O PREC foi sublevação popular.

Por muito que lhe custe foi.

O problema foi espatifarem a economia. Foi a reforma agrária, as ocupações, as nacionalizações.

Espanha escapou a isso porque fez transição.

Não tinham era o problema de Utlramar que nós tínhamos e, daí, ser difícil perceber-se o que se podia ter feito mais do que fez.

lusitânea disse...

O PREC foi sublevação popular orientada e politicamente dirigida.A ocupação de terras do Alentejo foi ideia dos alentejanos rurais?Foi-lhes ordenada e com cobertura dos já revolucionários do MFA convertidos ao internacionalismo proletário e camponês...as massas obedeceram ao poder...

lusitânea disse...

Enquanto os experimentalistas do tudo e do seu contrário pseudo-dirigentes eleitos ou não desde o 25 estão na maior sentadinhos na mesa do orçamento, o zé povinho está a ser obrigado a africanizar agora só cá dentro para fazer o homem novo e mulato.Uma conquista do caraças...

lusitânea disse...

E ainda falta serem governados pelo monhé Costa...

muja disse...

Ó Zazie, então mas o que V. escreveu não tem lógica! O PREC foi sublevação contra o quê ou quem, se o poder "opressor" já estava afastado?

Vs. continuam a falar como se o problema fosse popular. Como se o país estivesse em estado de revolta generalizada... E não estava.

O problema era o Ultramar, claro. Mas era um verdadeiro problema. E continuo a afirmar que só havia duas hipóteses: guerra ou rendição.

É o próprio MC que o diz, e ninguém se lhes refere aos pontos concretos que ele dá: no dia em que Portugal anunciasse uma data para o início da transição/independência/etc perdia o controlo da situação. As exigências passariam imediatamente a ser um prazo mais curto. E assim sucessivamente.

A subversão não ia diminuir, ia aumentar! Que género de idiota é que amaina os seus ataques quando vê o inimigo a fraquejar!?
Quanto mais cedências houvesse, pior seriam os ataques: mais ousados, mais vis, mais infamantes.

Que o cidadão comum não perceba isto, compreende-se. Que o estúpido do estudante universitário não perceba, justifica-se pela imbecilidade inerente ao meio; mas que oficiais de carreira o não percebam, isso não percebo eu...

E para além do inferno - em todas as frentes, externas e internas - que seria esse tal período de transição, dava-se o poder a quem, já agora? E uma vez dado, e admitindo que não fosse aos terroristas, como se garantia que eles não o obtivessem à força?

Vs. atiram uns bitaites para o ar, e falam como que se quem lá estivesse agisse por casmurrice ou coisa do género... Nem Salazar nem Caetano agiram assim. Se alguém o fez, foi o otário do Spínola que se prestou àquela figura de urso...





zazie disse...

Rapaz, foi o pessoal das barracas.

Claro que foram dirigidos pela escardalhada.

também já tinha dito isso e até salientei que a extrema-esquerda se adiantou ao PCP.

Mas a populaça alinhou. Ocuparam e alinharam naquilo sem torcerem o nariz.

Revolução é isto.

zazie disse...

Quanto à tropa, de acordo.

Aquelas bestas do MFA tinham mais que obrigação de saber mas populaça também é isto- pensam primeiro na barriga.

muja disse...

Aliás, disse Vs. mas disse mal.

Mas a maioria das pessoas que acha que teria sido possível uma hipotética transição. E não se dão conta que era isso, precisamente, que se estava a fazer... da única maneira possível e correcta.

zazie disse...

«Como se o país estivesse em estado de revolta generalizada... E não estava.»

Pois não. e em poucos meses passou a estar.

É este fenómeno que o José repete à exaustão que não compreende.

Eu também não e vi.

muja disse...

Mas o pessoal das barracas alguma vez ia ocupar alguma coisa se não o deixassem?

Então não foi sublevação nenhuma!

Foi planeado, organizado e dirigido tanto quanto podia sê-lo.

josé disse...

"O que o José diz, faria talvez sentido se o 25A fosse uma sublevação popular, que não foi. "

Pois, mas o problema é que foi mesmo uma sublevação popular, com o PREC.

Só quem o viveu sabe dizer bem e compreende o clima.

zazie disse...

O PREC foi sublevação popular e não foi contra "o opressor".

Isso seria se houvesse passagem para a democracia.

Porque nessa altura o problema era "o opressor".

Depois foi mais. Foi a o pão, a paz, a terra, o bacalhau

ahahahaha

A inveja é que gera os movimentos da populaça que deixa logo de se estar nas tintas para a liberdade, desde que tenha ela liberdade a sacar por conta.

zazie disse...

Claro. Mas nunca ocupariam se o Poder não tivesse caído na rua.

E caiu por causa do golpe militar do MFA

josé disse...

A entrega do Ultramar foi devido a isso. Os Soares, Santos e COutinhos foram atrás porque se juntou a fome com a vontade de comer e essa gente não queria dar ração de combate.

muja disse...

Vs. já estão a desconversar. Em que é que a liberdade de propaganda ao comunismo ia evitar isso?

Não ia porque quem estava a tentar instaurar esse estado de coisas - e isso instaura-se, quer vocês queiram quer não: fabrica-se - não ia parar, obviamente! Ia redobrar esforços! E duplicar, triplicar, quadruplicar trabalho e meios!

zazie disse...

Exacto, José.

Estas coisas não se aprendem por livros e é por isso que as memórias de quem está vivo são muito mais importantes.

Só quem viveu pode garantir que foi sublevação popular.

A escardalhada chama-lhe "a festa".

Não foi festa- foi a populaça a tomar conta de tudo.

Como nos filmes. Como no Bertolucci, como em muito mais lados na América Latina.

E não foi mais porque foi travado pelo Eanes.

zazie disse...

O "fáxismo" esses gritos da populaça e saque ao que era dos outros, por pura inveja, foi geral.

Foi dirigido pela escardalhada nos campos mas aconteceu por toda a parte por clima geral.

ocuparam-se casas a torto e a direito, de gente até remediada.

Como eu disse, no meu prédio, até a família do polícia sinaleiro que vivia na cave e era gente mais que situacionista, deu em subir e vir ocupar-me o quintal

AHAHAHAHAHHAHA

Claro que não chegou a ser totalmente a sério mas, mais a sério, conseguiram logo tirar parte de quintal que tinha sido comprado com o prédio e parte de uma divisão da cave.

E agora onde eu moro, idem, também achavam que os quintais particulares devia passar a ser de todos.

Como eu disse, conheci família que tinha de ficar na garagem da casa de praia porque lhes ocuparam a casa.

zazie disse...

De resto, nem por curiosidade quis ver a dita reforma agrária.

Se há coisa que me repugnou sempre, desde que me conheço, é sacar o que é dos outros.

Nunca gostei do filme do Bunuel - o Viridiana- por causa disso.

E também nada disto tem a ver com ser latifundiária porque nunca fui.

josé disse...

" Em que é que a liberdade de propaganda ao comunismo ia evitar isso?"

Evitaria como evitou em Itália ou em França. E em Espanha havia a memória da guerra civil.

Em países europeus os partidos comunistas chegaram a ser proibidos como por cá. No entanto, havia liberdade de expressão para se dizer porquê. Aqui não havia tal liberdade em modo de as pessoas em geral perceberem o perigo comunista.

O salazarismo e o caetanismo diabolizaram o comunismo e tornaram-no um mito.

Foi isto.

muja disse...

Em França?! Então evitou o quê, em França? Quando teve que haver confusão houve.

A diferença é que o poder não caiu na rua, como disse a Zazie. Não houve golpe de Estado militar, iniciado ou aproveitado ou desviado pela comunagem.


Mas sei que a seguir V. argumenta que em França o PREC teria sido diferente. Teria havido mais resistência.

Concordo. Mas não é por o comunismo ser mito ou deixar de ser. É porque o meio rural em França, é mais parecido com o norte de Portugal que com o sul. E as pessoas resistiriam mais como no norte de Portugal resistiram.

Dava guerra civil pela certa, parece-me.

Estavam as pessoas no norte de Portugal mais informadas sobre o que era ou deixava de ser o comunismo, nesse aspecto relevante? Penso que não. Tinham quem as mobilizasse, apenas e só.

muja disse...

Olhe, acho que uma boa pista seria a gente ir ver quem eram os padres e bispos das paróquias mais ao sul e o que disseram e fizeram naqueles tempos...

josé disse...

"Em França?! Então evitou o quê, em França? Quando teve que haver confusão houve. "

Evitou as nacionalizações que adviriam com um programa comum entre o PCF e o PSF. E o PSF de Miterrand nãos e atreveu a escaqueirar a economia gaulesa como no PREC aqui fizeram.

Acha pouco?

josé disse...

"os padres e bispos das paróquias mais ao sul " Por aí não chega lá.

muja disse...

Então mas acha que isso se deve ao facto de a propaganda comunista ser livre lá?

Não me parece que seja por aí.

Não me parece que se não houvesse censura, as coisas fossem de todo diferentes. É isso que eu quero dizer. Penso até que todo o processo se teria acelerado.


muja disse...

Porque é que não chego lá por aí?

Dudu disse...

"É porque o meio rural em França, é mais parecido com o norte de Portugal que com o sul. E as pessoas resistiriam mais como no norte de Portugal resistiram."
O Vítor Louro chegou um dia a dizer ao meu irmão que se o campo do norte fosse igual ao do sul, teriam tomado o poder.
Ainda me lembro dos rendeiros que existiam próximo de Vila Franca de Xira, na recta do Cabo. Arrendavam a terra para fazer melão, etc. E viviam numa palhota durante a campanha. Foram aliciados para a ocupação de terras porque eram explorados pelos proprietários como os camponeses sem terra. Mas ... os rendeiros também eram proprietários do que semeavam. Resultado: correram com os da reforma agrária.

Unknown disse...

Mujah,
para mim o que tornou o que era um processo difícil numa tragédia humana como nunca vimos na nossa história foi a interrupção constitucional. Por pior que corressem as coisas (e muitas correriam muito mal), a história teria sido muito diferente sem interrupção constitucional. A força do PCP e a subversão só é explicável pelo vazio que decorre entre 25.5.74.e 25.4.76. Aliás, os estrategas do PC disseram-no publicamente: o maior risco para o partido era uma evolução para um regime com representatividade eleitoral ocidental, onde o jogo estava perdido à partida. Para o evitar havia que endurecer a luta para retirar à "Situação" espaço de manobra. Creio que foi a Zita Seabra quem o referiu há tempos.

Um apontamento só sobre Antunes Varela. É verdade que era um salazarista convicto, um verdadeiro representante de um nacionalismo católico à antiga. Daí a equipará-lo a um defensor de monolitismos vai grande distância. O meu patrono de estágio de advocacia (um tipo pouco politizado) dizia dele ser das pessoas mais tolerantes e abertas que conheceu na vida. Mas como sabia do que não gostava e chamava os bois pelos nomes, as pessoas tinham-no como um intelectual troglodita... Enfim, a cóltura em Portugal é mais bolos...

Miguel D

zazie disse...

O Mujah não entende que uma coisa é pandemónio e cenas à maio 68.

Outra é a brutal destruição do sistema económico

E isso só acontece quando há revoluções.

Ninguém mais teve uma revolução no séc. XX, na Europa.

Tivemso nós com as consequências das quais ainda pagamos a factura.

A prova que com liberdade não se destroi facilmente a economia está aí à vista.

Com a crise da bolsa e mais troikas e o resto, se não houvesse partidarite os comunas nacionalziavam tudo, expropriavam, colectivizavam e expropriavam.

E, para isso, não basta uma utopia e, muito menos, o mito da liberdade.

é preciso a revolta e a inveja do povo.

Unknown disse...

lá em cima, 25.4.74, obviamente

zazie disse...

O PCP sabe que é assim e por alimenta a pobreza e alimenta-se dela.

E quanto pior, melhor.

Não se nacionaliza nem se criam sovietes em democracia, por muito que tentem.

Precisam sempre da instauração do "momento zero".

Tenho para mim que o golpe militar do MFA funcionou com essa mitologia- foi o deitar abaixo e com armas.

A partir daí, sem controle e com vontade fácil de aderir ao que antes era proibido, dá-se a revolução.

lusitânea disse...

O poder no PREC chegou a cair de facto na rua.Lembrem-se que a rádio católica ocupada teve que ser dinamitada...para a calarem
Todos os clandestinos das universidades fizeram experiências revolucionárias.Alguns ainda as andam a fazer...
Em Itália havia instalações espalhadas pelo país cujo fim era engavetar comunistas se estes dessem um golpe
A tragédia caseira é que ainda hoje se governa com medo da rua e dos revolucionários.
Portanto enquanto não houver uma guerra civil a coisa não vai endireitar.E sem se recorrer a VALAS COMUNS.É o que andam a pedir há muito tempo...

zazie disse...

Claro que caiu e a uma velocidade louca.

lusitânea disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
zazie disse...

A tragédia é que ainda se vive com respeitinho e caldinhos aos revolucionários.

Não precisam de revoluções porque temos a UE e ninguém, a não ser malucos, quer mais golpes de lateiros.

lusitânea disse...

Todos os que não forem por nós serão contra nós deve ser o lema.Isto se os Portugueses quiserem ficar em primeiro lugar...e quiserem salvar a Nação Portuguesa da extinção

zazie disse...

A tropa macaca gosta muito de revoluções da boca para fora, mas parece que se cansa facilmente da guerra se não for bem paga.

zazie disse...

Aliás, como eu curto dizer-lhes, quando andam com a imbecilidade do que é preciso é um novo 25 de Abril, agora tinham de se expropriar uns aos outros.

josé disse...

"O poder no PREC chegou a cair de facto na rua.Lembrem-se que a rádio católica ocupada teve que ser dinamitada...para a calarem"

Para a calarem porque a extrema-esquerda tomou conta dela. Os adelinos gomes radicalizaram-se em arturesalbarrans e foi um pandemónio de greves e situações que só calaram à bomba. Colocada pelas autoridades da época, e contra o terrorismo da extrema-esquerda.

Está aqui a História

zazie disse...

é o tal fenómeno da extrema-esquerda que abre sempre caminho por dissidências e depois a ortodoxia aproveita.

muja disse...

Mas essa tal revolução foi engendrada. Qual é a dúvida afinal? A inveja do povo... Invejosos há-os em todo o lado... se os encorajam e protegem, não há milagres. Nem em Portugal, nem em França, nem na Lua...

O argumento que apresentaram é que se houvesse esclarecimento sobre o comunismo - através da livre propaganda - não teria ocorrido a revolução.

Eu digo que tinha ocorrido mais depressa. E não havia estado representativo que lhe valesse enquanto durasse a defesa do Ultramar. Podiam botar as democracias que quisessem que eles faziam-nas em cacos num rápido.

Aliás, "ejectado" o Ultramar, até se tornava indesejável a comunização do país para os "ventos da história". E se aquilo estivesse para durar, a NATO interviria e a URSS deixava. Não convinha a ninguém esse estado de coisas. Nem uns nem outros queriam aqui uma espécie de Cuba.


josé disse...

"O argumento que apresentaram é que se houvesse esclarecimento sobre o comunismo - através da livre propaganda - não teria ocorrido a revolução."

Não é bem isso embora em resumo o seja.

Em, França, Alemanha, Itália, Belgica, Holanda, etc. havia liberdade de expressão e reunião, existindo partidos comunistas com algumas excepções. Na Alemanha, em 1956 o PC alemão foi ilegalizado pelo tribunal Constitucional. COmo aliás o deveria ser o PCP porque também é inconstitucional, hoje e agora segundo a interpretação constitucional mais restrita, porque não é um partido democrático e são proibidos os partidos fascistas. O PCP é idêntico.

Portanto, se por cá houvesse maior liberdade, logo nos ano sessenta, o PCP nunca teria construído o mito e Cunhal nunca teria sido o herói que foi.

É essa a diferença entre nós e a Europa. E por isso os partidos comunistas na Europa valem quase nada de nada.

Por cá, valem a CGTP e os protestos e greves permanentes para arruinar o país e ganharam outra vez posições de relevo.

A estrategia e táctica do PCP tem sido esta ao longo das últimas décadas: enganar o povo e provocar a derrocada económica para ganharem adeptos.

josé disse...

Os frutos proibidos tornam-se os mais desejados e o PCP durante décadas foi proibido. Bastaram algumas semanas em 1974 para o PCP aparecer como o partido dos trabalhadores, da classe operária e dos pobres, a par do PS que era nada antes de 25 de Abril. Nas eleições de 1973 os socialistas nem 5000 votos tiveram. A CDE limparia tudo na oposição se tivesse concorrido.

josé disse...

A classe jornalística antes de 25 de Abril era politizada à esquerda mas não tanto como apareceram depois.

Se tivesse existido liberdade suficiente para o PCP poder ser vergastado na praça pública como o foi na Europa, aquando dos processos de Moscovo e a denúncia dos mesmos no tempo de Krutschev ou quando se discutiram os gulags em finais de 1973 e início de 1974 que por cá nem se chegou a falar devidamente, ao contrário de França. Ou então sobre o que se passou na Checoslováquia em 1967 que Cunhal e o PCP apoiaram ou na Hungria em 1956,as coisas teriam sido diferentes e o PCP nunca seria estalinista como o foi e continua a ser.

O que o comunismo fez na Europa nunca foi discutido seriamente nos media nos últimos 40 anos.

E isso é obra.

josé disse...

O artigo do SOl na passada Sexta Feira sobre as "mulheres comunistas" é exemplar da condescendência de que goza o PCP por causa dos últimos 50 anos em Portugal.

No entanto, o "fascismo" não tem a mesma oportunidade.

Alguém está a ver um jornal a publicar a foto de quatro mulheres fascistas e orgulhosas de o serem?

muja disse...

Portanto, se por cá houvesse maior liberdade, logo nos ano sessenta, o PCP nunca teria construído o mito e Cunhal nunca teria sido o herói que foi.

Bastaram algumas semanas em 1974 para o PCP aparecer como o partido dos trabalhadores

Essa relação de causalidade que o José postula é que está em questão.

E de qualquer maneira, é preciso não esquecer que tanto em França como em Itália os PCs entraram em acordos de Estado - na falta de melhor termo.

Em Espanha perderam uma guerra.

muja disse...

Alguém está a ver um jornal a publicar a foto de quatro mulheres fascistas e orgulhosas de o serem?

José, desculpe lá mas isso é qualquer sítio deste lado da cortina de ferro... E o das mulheres comunistas podia, igualmente, aparecer em qualquer sítio.

Não é específico nem particular a Portugal. Se quer que lhe diga, acho que em França é igual ou pior.

A diferença é que aqui tiveram o poder desregrado durante tempo suficiente para fazerem estragos enormes. E puderam infiltrar directamente tudo sem oposição com os saneamentos, etc.

josé disse...

"em França como em Itália os PCs entraram em acordos de Estado - na falta de melhor termo."

Como isso?

Em França e Itália tornaram-se eurocomunistas, ou seja abandonaram o estalinismo e transformaram-se em social-democratas. Foi isso o compromisso histórico na Itália e mais nada.
E que deu isso? No desaparecimento do PCI e no surgimento de outras forças políticas.

Ora o PCP vendo tal coisa, nunca mudou- porque tem medo dessa mudança que o destruirá. Porém, está condenado a mentir e a dizer que é um "partido como os outros" quando não é.

josé disse...

A essência do PCP hoje como em 1974 encerra uma contradição insanável se colocada claramente às pessoas e votantes:

Não querem o istema capitalista de forma alguma e querem outra vez o Estado totalitário como em CUba ou noutro sítio onde auinda subsistem resquícios de comunismo.

Mas tal é impossível e por isso vivem numa angústia existencial de que só saem porque mentem sobre a ideologia, ou pelo menos fazem de conta que são democratas burgueses quando são precisamente o contrário...

josé disse...

Essa mentira permanente tem actuado de modo eficiente nos últimos 40 anos perante a nova censura e a incultura das pessoas em geral, mesmo as evoluídas em estudos.

O PCP em Portugal goza de uma benevolência extraordinária. Incrível mesmo e só possível porque ninguém quer mostrar que esses reizinhos andam nus há 40 anos.

Unknown disse...

Só sei que tinha onze anos no 25\74 e que,neta de camponeses modestos,filha de bancários cuja ascensão social as politicas do Dr.Salazar tinham permitido criando essa pequena burguesia,me esperava um futuro razoável e seguro.Veio o 25, estudei,trabalhei como uma escrava ( é o que são hoje os professores em Portugal) e,ainda assim,vivo muitíssimo pior e com mais medos e inseguranças,do que jamais viveram as minhas avós camponesas e donas de casa.Nenhuma delas trocaria a vida muito mais desafogada e tranquila que tiveram,com muito menos trabalho e esforço,pela vida de escrava da neta.Foi isto que o 25A fez de mim.Foi tudo isso que o 25A me roubou e nunca,jamais,perdoarei a tais traidores.
Como eu fomos mais 10 milhões de vitimas a quem roubaram todo um futuro e agora até a pátria nos negam e o direito a ela mandando-nos emigrar os filhos como se nem fossem de cá e nem ao seu próprio país tivessem direito!
Pendurados numa forca é que essesoliticos traidores estavam bem!