segunda-feira, julho 07, 2014

Ultra-direita, um resquício do salazarismo

"Mais do que mudar de regime político, os portugueses- com o golpe militar de 25 de Abril de 1974- mudaram de país".
Esta frase, atribuída a um jornalista estrangeiro,  vem citada no livrinho "Acuso Marcelo Caetano", de E. Freitas da Costa que conheceu o último governante do Estado Novo trinta e tal anos antes e o acusa de ser o responsável directo pelo golpe, imputando-lhe ainda a intenção de  querer voltar a governar, após um breve interregno spinolista.


A explicação deste salazarista irredutível, aparece nas breves cento e vinte e poucas páginas, em que acusa Marcelo Caetano de ter repudiado a herança de Salazar, logo em Setembro de 1968, quando tomou o poder, o que segundo o autor constituiu uma verdadeira "derrocada moral":


Este entendimento dos "ultras" do Salazarismo ainda hoje peregrina por aqui e por ali, como explicação esotérica do golpe militar de 1974 e assenta num ressentimento para com Marcelo por ter de alguma forma traído certos ideiais, imaginativamente atribuídos ao próprio Salazar.

Esta tergiversação marcelista, para o autor,  é a raiz do mal que desembocou no golpe militar de Abril de 1974 e tudo o que o próprio Marcelo vituperou depois aos "heróis de Abril", já aparecia usado na argumentação de Freitas da Costa, o que não deixa de ser irónico.

Como raiz de tal pensamento, o autor do livrinho começa por explicar a "origem" de Marcelo Caetano como fautor de uma "Ordem Nova" de inspiração fascista" e que depois abandonou, convertendo-se ao modernismo doutrinário, numa metamorfose que abandalhou os velhos princípios de "Deus e a virtude, a Pátria e a sua história, a Autoridade e o seu prestígio, a Família e a sua moral, a glória do Trabalho e o seu dever".
Em 6 de Junho de 1981 o Expresso publicou uma página sobre este episódio da vida de Marcelo Caetano.

Ao mesmo tempo, na página anterior, do mesmo número, um artigo de Marcelo Rebelo de Sousa ( whoelse?) fazia o obituário de A Rua, o jornal dirigido por Manuel Maria Múrias que então venderia, na melhor das hipóteses, uma dúzia de milhar de exemplares.


 Em 4 de Junho de 1983 o mesmo Expresso mostrava um acontecimento sem repetição: "cerca de mil pessoas comemoram o 28 de Maio" de 1926, no Porto, revivendo o salazarismo à maneira ultra.



 Não obstante, estes "ultra" tinham uma história que vinha dos anos vinte, pelo menos.
O Expresso contava em 24 de Maio de 1986 tal visão dos "alegres anos vinte", entrevistando António Lopes Ribeiro, o cineasta do regime de Salazar e também Fernanda de Castro, mulher de António Ferro.
E a quem é que o Expresso deu a primazia de contar esta História? Pois, aos mesmos de sempre: Fernando Rosas et al que em Novembro desse ano de 1986 iriam realizar um "Colóquio" na Gulbenkian, sobre o Estado Novo. Vem de longe esta História...




Com estes historiadores e estas efemérides os "ultra" do salazarismo descansaram em paz, no sono derradeiro.
Caetano, esse, nem conta para esta História. 

Merecemos nós, portugueses em geral esta História assim contada por esquerdistas da memória que não sabem contar contos sem lhe tiraram pontos?

Questuber! Mais um escândalo!