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domingo, 19 de fevereiro de 2017

A História alternativa continua

E como é que os novos senhores que herdaram a democracia antiga e jacobina entendiam o que se passara antes?

Assim, como diziam também no referido número do Semanário de 18 de Abril de 1984:

O estribilho era sempre o mesmo: isolados ( de quem?) , mal vistos no estrangeiro  ( por quem?) e atrasados ( em relação a quem?) e com economia "débil" ( e depois, com as duas bancarrotas era o quê? ) e ainda com clima interno de "cortar à faca" ( comunistas e afins...apenas).



Seria mais que natural e exigível que a Democracia desse ao povo, afinal a sua razão de ser, melhores condições de vida do que as que existiam no tempo do "fassismo".  Ora não foi isso que sucedeu, comparando as performances e oportunidades.

Em 1984 o panorama económico e social não melhorou como seria possível e desejável e tinha sido garantido antes pelos que defendiam que o fim da guerra no Ultramar iria trazer a prosperidade a todos ( Mário Soares dixit antes de 25 de Abril de 1974).

Em 15 de Junho de 1984 o título era este: as grandes empresas públicas-os elefantes brancos da economia portuguesa.
Ou seja, o falhanço redondo, completo e total daquela ideologia que impediu Mário Mário Soares, meia dúzia de anos antes, de desfazer o sistema económico socialista entretanto consagrado "irreversivelmente" na Constituição que ainda garantia que Portugal era uma "República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na sua transformação numa sociedade sem classes" ( artº 1º da CRP de 1976).

Este fantástico entendimento do que deve ser uma sociedade deu os seus frutos em pouco tempo, menos de dez anos, mas não alterou uma vírgula nos programas fossilizados dos partidos que defendiam tal solução política.O equívoco permanece até aos dias de hoje.



Uma das soluções possíveis para o problema era a "integração na Europa" ou seja a entrada no Mercado Comum  e a adesão aos princípios fundadores da Comunidade Económica Europeia. Ou seja, mais uma vez, estender a mão à caridade europeia dos alemães, principalmente. Como hoje. Como desculpa, há as trocas comerciais. Eles vendem-nos carros e máquinas e nós pedimos dinheiro para lhes pagar. E a dívida cresce e cresce.

E a fome já espreitava em 1985. A real, a que se sente agora na Venezuela. Por cá havia quem entendesse que era nada disso e fome era a da Etiópia...


 Quem ler a imprensa de época ( e a de agora) fica com a ideia que a integração de Portugal na CEE foi obra da Democracia e solução miraculosa encontrada por Mário Soares e outros artífices.

É isso que se escreve no Expresso de 8 de Junho de 1985.


Será justa e correcta a ideia retransmitida de que a entrada na CEE se deveu à Democracia? Nem isso é verdade nem a História actual conta como foi.

Na revista Observador, publicada muito antes de 25 de Abril de 1974 explicava-se o que hoje não se explica: a CEE não era para todos ( nem para a Inglaterra da altura o era...) , mas havia alternativas: OCDE e EFTA. E Portugal já fazia parte.  Para além disso, as negociações para uma eventual entrada na CEE não estavam afastadas nem eram iniciativas esquecidas ou sequer ignoradas.  Portanto, a Democracia retomou apenas uma ideia antiga e que não era original.



Seja como for, com a entrada de Portugal na CEE não se resolveram os problemas graves da economia que duravam há cerca de dez anos, surgidos com o 25 de Abril de 1974 e as opções ideológicas e económicas tomadas pela Esquerda portuguesa no seu conjunto.
Em Janeiro de 1986 Portugal continuava na "cauda da Europa", como hoje aliás. 

Havia uma explicação para tal e era dada por um dos que não alinha na ideologia esquerdista que predomina em Portugal e por isso é ouvido muito poucas vezes pelas televisões, em vez dos Galambas idiotas que pululam pelo écran, todos os dias.
Em 1 de Março de 1986 Ferraz da Costa, no Semanário: 


E qual a razão para este estado de coisas? No meu modesto entender que aqui chega depois de ler isto e mais factos, uma das razões principais é esta que ainda perdura na sociedade portuguesa: a discussão sobre a natureza de uma geringonça de Esquerda e a sua viabilidade como sistema de governação económica de um país.

Em 1985 a discussão fazia-se à roda dos candidatos presidenciais que se perfilavam "à esquerda", depois da experiência da AD que durou o tempo de Sá Carneiro e sobreviveu em estado de coma durante um tempo daquele Balsemão que em 1975 queria arranjar modo de vida alternativo...
Esta discussão, recorrente na sociedade portuguesa dos media, ocorre porque uma boa parte dos jornalistas ( como esta Teresa de Sousa) fizeram parte de partidos e movimentos esquerdistas e extremistas. Nunca abandonaram o resquício de pensamento que os liga a tal experiência, como a todo o tempo o prova Pacheco Pereira e afins.

Esta inutilidade de pensamento e esta perversão recorrente na sociedade portuguesa mina e corrói qualquer tentativa de colocar na Democracia todas a correntes que dela deveriam fazer parte, portanto uma Direita autêntica e não apenas uma cripto-direita que se integra num CDS, por exemplo e que muito jeito dá à Esquerda para compor o ramalhete para inglês ver.









Esta ideologia move-se por ideias simples, explicadas por VPV numa crónica do Público de  finais de 2013: inveja, mesquinhez e querer o que os ricos têm porque além do mais nem deveria haver ricos. No fundo nunca saíram disto.


Pode então perguntar-se como é que nestes últimos trinta anos foi gerido o dinheiro que veio da CEE, CE e UE?
Foi muito...como se mostrava em 2013:



O que é que a Democracia fez com isto? Elegeu um José Sócrates, em 2005...por exemplo.

Outro exemplo, aliás correlacionado é este:


E tudo isto começou mais ou menos por volta de 1995 com estas de outras pessoas...algumas repetiçãpo daqueles cromos antigos, de 1976 e outras novos "rostos" que vieram dar colorido à Democracia e resolver a vidinha deles e de alguns outros milhares de correlegionários. Mas não muitos.

O povo, esse, ficou na mesma ou pior.


E tudo isto porquê, afinal? O VPV naquele artiguito de 2013 explica uma das razões. Este, do Expresso de 1989 explica quem eram os inimigos "de classe" desta nova classe que passou a governar e a governar-se. Aí em cima estão os rostos de pelo menos quatro advogados que têm dos escritórios maiores do país. Um deles ( Sérvulo Correia, um dissidente do PSD)  é autor do actual Código Administrativo. Nunca vai à televisão mas tem uma influência maior do que uma boa parte dos que lá vão:


Quem não gostava destes indivíduos, expulsou-os, expropriando-os do que tinham. Em troca ficaram com a faca e o queijo na mão que julgavam que os mesmos tinham e por isso o tiraram.

O resultado está à vista para quem quiser ver e acima se dá uma amostra.

Esqueci-me de alguma coisa importante? Sim, talvez: como ocorreram as entregas de propriedades aos expropriados de 1975, cerca de uma dúzia de anos depois ou nem isso.
E neste campo figura Cavaco Silva que agora escreveu memórias políticas. Mas apenas das quintas-feiras, o que é muito pouco.

2 comentários:

José Domingos disse...

Boas memórias e convém não esquecer, porque há culpados, ao estado a que Portugal chegou.

joserui disse...

Mal algum destes personagens se dá por achado em algum tipo de prejuízo para o país? Têm sido todos bem recompensados pelos serviços prestados, ter passado pela UDP ou MRPP é melhor que um MBA na escolinha "oporto business" do Belmiro. Até o mosquinha morta do Guterres saiu do ninho dos ratos e voou longe.