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sábado, 11 de março de 2017

O Ultramar que perdemos

Houve um tempo, anterior a 25 de Abril de 1974 em que as actuais "colónias portuguesas em África" eram apenas as nossas Províncias Ultramarinas, num esforço de integração nacional que o Estado Novo, secundado pelo Estado Social tentou fixar para a posteridade histórica e tentou ainda desse modo justificar a guerra nesse Ultramar que foi nosso durante séculos.

A perda dessa identidade, em nomenclatura e também em substância territorial deveu-se à esquerda comunista e socialista pós-abrilena que conseguiu mudar a linguagem corrente que era a de todos nós que não éramos comunistas ou socialistas avant la lettre do 25 de Abril de 1974.

Até os comandantes militares que depois se associaram ao comunismo partilhavam essa antiga linguagem que era coerente com a nossa identidade como país e que perdemos.

Aqui ficam recortes da revista Observador de17.11.1971 em que tal linguagem era evidente e destoava da actual, bastarda e apócrifa. Por isso mesmo falsa na sua essência, relativamente à nossa identidade.

A direita da "nova portugalidade" tem vergonha disto, mas não devia ter, antes pelo contrário. Até um certo Costa Gomes assim falava, então...



A propósito destes assuntos foi agora lançado um livro que trata de um aspecto particular da guerra no Ultramar português: Os Flechas, de Fernando Cavaleiro Ângelo, prefaciado por Óscar Cardoso, antigo inspector da Pide/Dgs e herói nacional dessa guerra agora só lembrada pela perspectiva dos que então nos combatiam, como era o caso dos socialistas avant la lette e dos comunistas de sempre.




Não se espere ver o autor e muito menos Óscar Cardoso, a falar do livro na televisão. A Lourença ou a Judite ou mesmo a Campos Ferreira só sabem falar da "guerra colonial". A guerra no Ultramar, desconhecem o que foi.  Mas são democratas...
 Os recortes acima são da edição do passado Domingo do Correio da Manhã, jornal que tem vindo há longo tempo a recolher depoimentos de soldados que estiveram efectivamente na guerra do Ultramar e que não fugiram para a França e outros países, com medo de serem apanhados pelos "turras", coitados. 

23 comentários:

Vivendi disse...

Os brasis que não foram em frente. Mais uma atrocidade imperdoável da esquerda.

Já agora convido a todos os leitores para pesquisarem o que acontece actualmente na África do Sul e conheçam o verdadeiro legado do Mandela.

Afonso Albuquerque disse...

Boa Tarde José.
Tendo em conta que o Nova Portugalidade é uma associação/ organização, não ficariam sujeitos a uma interpretação abusiva , caso se assumissem como orgulhosos do Portugal Ultramarino ?

A lei que asfixia e serve de arma de arremesso a todos os que são contra a verdadeira democracia, a que permite desqualificar alguém ao apelidá-lo de fascista:

Lei 64/78, de 6 de Outubro:

"ARTIGO 3.º

1 - Para o efeito do disposto no presente decreto, considera-se que perfilham a ideologia fascista as organizações que, pelos seus estatutos, pelos seus manifestos e comunicados, pelas declarações dos seus dirigentes ou responsáveis ou pela sua actuação, mostrem adoptar, defender, pretender difundir ou difundir efectivamente os valores, os princípios, os expoentes, as instituições e os métodos característicos dos regimes fascistas que a História regista, nomeadamente o belicismo, a violência como forma de luta política, o colonialismo, o racismo, o corporativismo ou a exaltação das personalidades mais representativas daqueles regimes.

2 - Considera-se, nomeadamente, que perfilham a ideologia fascista as organizações que combatam por meios antidemocráticos, nomeadamente com recurso à violência, a ordem constitucional, as instituições democráticas e os símbolos da soberania, bem como aquelas que perfilhem ou difundam ideias ou adoptem formas de luta contrária à unidade nacional."

Pensando bem, aqueles que mais chamam fascistas aos outros, nem sabem o que é isso, nem que em Portugal nunca existiu alguma vez regime fascista dado que isso foi o regime italiano e nunca o português, o que uma leitura da Constituição de 1933 poderia elucidá-los.

Por outro lado, dado difundirem o belicismo(por exemplo intervenções armadas em países estrangeiros), violência( atacando e vandalizando quando existem decisões que não são a favor dos seus desejos), o colonialismo(ao contrário, promovendo a substituição das populações autóctones por uma exterior com o fim de ter mais votos em eleições), o racismo ( dividindo a sociedade por cor de pele, para criar lutas e conflitos que justifique a existência de organizações que vivem de "ajudar os discriminados") ou exaltando figuras de assassinos como Che Guevara, Mao, Pol Pot, Estaline ou outros semelhantes...

Vá-se lá perceber quem é o fascista e... se não é outro "ista" o alvo que se deveria abater

josé disse...

Um povo que se envergonha do que foi não sabe aquilo que é.

josé disse...

Como não é o povo que se envergonha mas apenas uma elite esquerdista temos que não representa tal povo e sequestrou o conceito apenas para efeito de propaganda.

josé disse...

O conceito de povo que está actualmente na Constituição é uma noção bastarda porque não compreende o povo, no seu todo e que existia antes desse documento.

Temos por isso que tal conceito está amputado de uma sua parte importante que é a tradição antiga e que foi simplesmente afastada artificialmente para efeito de falsificação histórica.

O povo que actualmente é citado na Constituição não compreende o povo que a Constituição rejeita ideologicamente, ou seja, o que existia integralmente nos primeiros três quartos do séc. XX.

Ao afastar tal tal conceito a Constituição capou-se, se assim se pode dizer.
Amputou-se.

josé disse...

POder-se-ia dizer que nesses três quartos de século também houve uma parte do povo que foi amputada e é verdade.

Porém, qual a mais representativa do povo português no seu conjunto?

E se a democracia é um conceito mais abrangente, então porque imitar o regime antigo, invertendo-o?

josé disse...

Conclusão: a Constituição de 1933 era mais democrática que a actual.

joserui disse...

Hmmm… o problema dessa elite esquerdista é que tem uma linguagem que penetrou todas as franjas da sociedade, essa vergonha antes fosse só deles, mas não é. Conheço muito boa gente muito longe dessa elite esquerdista que comunga da mesma vergonha. O que isso sim, é uma vergonha, mas não é de estranhar. O que é que é ensinado na escolinha há décadas por exemplo?

joserui disse...

Se calhar não é um problema só nosso… ainda há pouco um dos candidatos presidenciais franceses foi para a Argélia, no caso, dizer uma ou duas verdade… Quer-se dizer… não é bem a mesma coisa, porque de facto os franceses foram um bocado canalhitas. Já para não falar nos ingleses. Portugal deve ser um caso único no Mundo… desbaratado pela elite esquerdista.

Maria disse...

Excelentes e reveladoras notícias ou pedaços delas, que o José aqui nos deixou. Bem haja. Li todas elas com muito gosto.
O ex-inspector Óscar Cardoso, um português singular e um patriota onde os há, devia ser longamente entrevistado para nos contar tudo o que sabe sobre o anterior regime e sobre a verdadeira PIDE-DGS e o que esta representou para a defesa do País e dos portugueses, de que ele foi um agente de topo e também o que lhe parece 'esta' espécie de democracia em que vegetamos. E deve fazê-lo não só pelo alto cargo a nível policial que desempenhou no anterior regime, o que lhe empresta particular valor e conhecimentos da maior valia, mas também atendendo à sua idade avançada. Não haverá muitos ex-militares ou ex-funcionários da PIDE-DGS, ainda vivos, que nos possam relatar com a veracidade requerida e não distorcida e mesmo inventada pela maltezaria brava personificada na esquerda mentirosa e situacionista que sustentamos a contra-gosto, como tudo realmente se passou lá longe nos campos de batalha, onde foram travadas as mais heróicas lutas para vencer uma guerra que nos foi imposta, tendo a grande maioria delas sido ganha e as poucas perdidas foram-no única e exclusivamente por culpa das acções subversivas manobradas do exterior e levadas a cabo por desertores e traidores à Pátria.

Os meus agradecimentos também a este grande português e que Deus lhe dê muita saúde e longos anos de vida.

altaia disse...

Muitos de vocês não sabem do que falam, deviam lá ter amouchado como eu para guardar as costas de muitos FDP que hoje lamentam ter-se-lhe acabado a têta temos pena´, mas é a vida.!

josé disse...

Conte lá às suas mágoas alfaia. Sou todo ouvidos se forem verdadeiras e sinceras.

josé disse...

Altair, desculpe que estou no smartphone

josé disse...

Altaia

Adelino Ferreira disse...

Festejar o 11/3 faz engrossar os dedos...

Vivendi disse...

A constituição de 1933 foi a referendo.

Bic Laranja disse...

Flechas?! Alguém sabe o que é isso? E como atributo da P.I.D.E. subtítulo?... Vai direitinho para o índex democrático.
Entrevistaram o autor na T.S.F. anteontem. Lá disse ao que ia, mas coitado, não saiu sem se justificar (desculpar, eu diria) que se trata de investigação histórica, sem ideologia a movê-la. Alma atormentada, já vejo, com aquele ferrete danado no subtítulo.
Pouco importa. Qualquer valor que possa ter, em quanto a mim, é papel sujo, borrado de Acordês.
Dou de barato que este é muito melhor:
https://www.amazon.com/Flechas-Insurgent-Hunting-Eastern-1965-1974-ebook/dp/B00L3NZ3AU
Bom proveito.

António Rosa disse...

An afterthought...
Quantos alunos frequentarao o curso da FCSH ?

muja disse...

Também gostava de saber dessas mágoas...

muja disse...

Desconhecia o livro, hei-de lê-lo.

Já li o que o Bic Laranja referiu, pelo que hei-de poder comparar os dois.

muja disse...

Lendo as páginas da entrevista, verifico que o autor é militar da Marinha.

Curiosamente, o autor americano não sendo da marinha, é fuzileiro - que nos EUA é ramo separado das forças armadas - e foi enquanto servia no comando naval da OTAN em Oeiras que se interessou pela guerra do Ultramar.

lusitânea disse...

De certeza que muitos flechas foram fuzilados.Muitos tinham sido guerrilheiros recuperados.Certa vez e acabado de chegar tive que fazer um PAO(plano de actividade operacional) de um batalhão reforçadíssimo e tive o apoio de um cabo porreiro por eu ser lá do mesmo concelho.Acabou por correr tudo bem mas um dia o homem da PIDE que enviava os flechas e à parte recomendou-me que não enviasse tropa e flechas para a mesma zona...bem a tropa passou, não deu por nada, enquanto os flechas descansaram...o conhecimento do meio era meio caminho andado...
Mas também havia as antigas tropas do Tchombé refugiadas em Angola e que faziam operações nas matas.E os sul africanos que nos davam o apoio em helicópteros.Enfim em Angola a guerra estava perdida mas pelo inimigo...
Daí à fita do tempo que veio a seguir é pura traição...sem traidores !

muja disse...

Sim, no livro do americano fala disso. Os Flechas tinham uma abordagem sui generis que não era, muitas vezes, bem compreendida pelas tropas regulares.

Os do Tchombé era os Fiéis, gendarmes catangueses.

E havia ainda os Grupos Especiais que começaram, salvo erro, com um grupo grande do Alexandre Tati da FNLA de Cabinda que se passou para os nossos.