O que disse o holandês de tão ulrajante para uma boa maioria de políticos portugueses reclamarem a sua demissão, "já!"?
Isto, segundo este relato:
"O pacto na zona euro baseia-se na confiança. Com a crise do euro, os
países do norte na zona euro mostraram a sua solidariedade para com os
países em crise. Como social-democrata considero a solidariedade
extremamente importante. Mas quem a exige, também tem obrigações. Não
posso gastar todo o meu dinheiro em álcool e mulheres e continuar a
pedir ajuda. Este princípio aplica-se a nível pessoal, local, nacional
e, inclusivamente, europeu.”
Quer dizer, recorreu a uma imagem: se alguém gastar mal e sem preocupação em pagar o que lhe emprestaram para refazer a vida é legítimo que o credor se interrogue sobre tais opções e franza o sobrolho. No mínimo.
O holandês não disse que quem gastou o dinheiro o fez em bebida e mulheres e é sumamente estúpida tal interpretação.
Pois foi exactamente o que fizeram muitos jornalistas portugueses, secundados por políticos do mesmo calibre intelectual, a começar pelo primeiro-ministro e um ministro, um tal Santos Silva, que há poucos meses chegou a comparar uma negociação de parceiros de "concertação social" a uma feira de gado. E ficou impassível, mantendo-se no lugar...