Observador:
O
Observador entrevistou a artista de "variedades" Io Apolloni, uma
italiana que veio para Portugal e singrou nas artes de representação em
"revista".
Assim:
Como título da entrevista o Observador pôs este que envergonha a realidade e defrauda a verdade:
Io Appolloni: “A PIDE deu-me 48 horas para sair do país por desencaminhar um homem casado”
A seguir explica-se assim o título:
À época o Camilo não estava mais com a mulher, estava com a
Io, mas certo dia a mulher dele apresentou queixa contra si na PIDE e a
Io recebeu um ultimato: tinha que deixar o país.
Tive quarenta e oito horas para sair do país! Por desencaminhar um homem
casado, vê tu bem. A mulher dele sabia que ele era mulherengo, mas
também sabia que eu era um grande “perigo”. Portanto, sabia que comigo a
conversa era completamente diferente, era séria. Essa coisa de ter
saído de casa, que era a primeira vez que tinha acontecido num casamento
que durava há doze anos, foi uma coisa séria.
Foi graças ao Aníbal Nazaré, o autor de “Sopa no Mel”, que acabou por não deixar o país, não foi?
O Aníbal felizmente era amigo do Silva Pais [director da PIDE]. Aquilo
na altura não era brincadeira nenhuma e se não tivesse sido o Aníbal
tinha mesmo abandonado Portugal. Todas as pessoas que nasceram depois do
25 de Abril não têm a verdadeira noção do que é a liberdade. Eu que
vivi sem ela, e aqui em Portugal sentia-se e de que maneira a ditadura,
quando chega o 25 de Abril quase rebentei por dentro de felicidade.
Portanto,
a artista de variedades não saiu do país, apesar do ultimato "da PIDE"
porque um amigo meteu uma cunha ao director da polícia e tudo se compôs.
Imagem tirada daqui.
A PIDE seria terrível, segundo o que diz a artista. Até tinha o poder de repôr no sítio certo o "magnetismo" dos homens, afastando-lhes o polo de atracção...
Como motivo de interesse desta entrevista está este fabuloso desenho de Juan Miró, oferecido pelo próprio à artista:
Sobre uma "revista" de que se fala na entrevista, "Vison Voador", que foi um sucesso em 1970, a revista da época, Mundo Moderno ( a nossa Playboy...) em 1 Março de 1970, mostrava uma página e a seguir os nomes e caras de quem fazia a revista, na fabulosa Agência Portuguesa de Revistas.