No i de hoje, o antigo comunista José Magalhães, convertido à social-democracia maçónica, responde a algumas perguntas numa entrevista. As iniciais chegam para definir um estado de espírito de uma esquerda que não tem paralelo na Europa na união contra-natura entre algumas das suas forças.
Magalhães, agora muito dado a contemplações maçónicas, depois de abater a suas colunas marxistas-leninistas percebe muito bem quem ainda as apoia e resume tudo numa pequena frase:
"Em Outubro de 2015 estávamos numa situação extrema. Ou uma solução inovadora ou mais quatro anos da Maria Luís de Passos. Temos um país que é prefeitamente desenvolvível ( sic) mas não com a canção do cagalheiro".
Essencialmente é este o argumentário de toda a esquerda, incluindo a de Pacheco Pereira e Manuela Ferreira Leite, cada vez mais tapada do bestunto. Entretanto, o antigo parceiro de Magalhães, Vital Moreira, por seu turno também ensandeceu ainda mais um pouco. Também acha que o holandês disse que “não se pode gastar o dinheiro em copos e mulheres e logo depois pedir ajuda”, mesmo em modo metafórico e depois sem o ser, ao mesmo tempo, atribuindo-nos o costume.
Em consequência, o esquilibrista Magalhães sugere mesmo o casamento de toda a esquerda, fazendo o PS o papel de entidade parideira do consenso.
Este casamento assim arranjado vai gerar monstrinhos depois de parir nados-mortos. O PS social-democrata não casa bem com o comunismo leninista ou trotskista e tal é conhecido pelo menos desde o tempo de Mário Soares como líder daquele partido.
Essa quadratura de um círculo que aquele Magalhães frequenta será uma aberração.
Em França, o problema é bem conhecido e antigo e foi agora explicado numa edição do semanário Le Un.
Assim:
Em 1977, quando por cá se enfrentava a primeira bancarrota directamente derivada destas aventuras de casamentos contra-natura, à esquerda, o socialista Michel Rocard discursou assim perante os socialistas de lá que eram muito escutados pelos de cá, nesse tempo. E as propostas que fazia, ajudavam a definir os propósitos de uma geringonça que nunca chegou a funcionar. Et pour cause, uma vez que as contradições eram tamanhas que ainda não desapareceram.
De tal modo que a explicação para tal fenómeno natural é dada aqui num modo original e cativante: a esquerda é demasiado utópica para se entender com a realidade.
É esse o problema principal cuja impossibilidade de solução irá gerar as contradições que destruirão inevitavelmente uma geringonça feita para percorrer apenas o caminho sem grandes obstáculos que o dinheiro emprestado proporciona. Quando acabar essa mama desfaz-se a geringonça, do mesmo modo que se montou: à pressa e sem jeito.
O jornal de Negócios deste fim de semana mostra bem o roteiro do que nos espera, perante o cru panorama da realidade virtual:
Na página 3 Camilo Lourenço escreve sobre a alternativa e a ilusão desta geringonça, citando as declarações de um Michel Rocard da actualidade, chamado Jaime Gama.
Conclusão? A do título do postal