terça-feira, março 14, 2017

O movimento da Nova Oportunidade

A crónica de João Miguel Tavares  no Público mostra-nos o que é a Direita que se orienta pela Nova Oportunidade.



É muito fácil ser oportunista em Portugal. Eu, por exemplo, conheço vários modos de lá chegar. O primeiro é situar-me num centro político-ideológico que se alimenta de social-democracia ao pequeno almoço, socialismo democrático ao almoço e ao jantar petisca umas pataniscas comunistas como refeição suficiente, execrando o fassismo à ceia, tardia, dizendo sempre muito mal de Salazar e desse período "odioso" da nossa história, moderando governos sombra.
Outro modo é deixar que me acantonem numa direita mitológica e inexistente que diz mal da esquerda mas precisa dela para sobreviver, louvando-lhe as virtualidades democráticas  inexistentes mas proclamadas e acompanhando-a no caminho ideológico que mexia nas contradições mas já não mexe por mor de afectos vários .
Um último será viver ideologicamente numa esquerda mítica, adoptando princípios de vida prática coincidentes com a direita, juntando por isso o útil ao agradável,  numa táctica deveras fedorenta mas eficaz para a vidinha de todos os dias em que se pagam contas altas.

Destes três exemplos, JMT não participa directamente de nenhum mas bebe nos três, pelo que há ainda uma síntese dos mesmos que define um quarto tipo de oportunidade política.

 Evidentemente que tudo isto carece de uma explicação prévia, um pressuposto que é o de saber distinguir direita e esquerda. Alguém saberá dizer, exactamente?
Como não me parece fácil tal distinção, analisemos o conteúdo da crónica num aspecto deveras revelador dessa oportunidade sempre presente que é o de dizer mal de Salazar e associar o antigo presidente do Conselho ao fascismo perene, como o faz JMT.

A circunstância de um movimento intitulado Nova Portugalidade integrar um dirigente que admira Salazar é motivo de escárnio e maldizer porque Salazar é um proscrito da sociedade portuguesa da nova oportunidade.

Há uma pequena frase na crónica que define o espírito desta oportunidade: "alguns aspectos menos bons do Estado Novo ( como matar pessoas pelas suas opiniões, e tal").
Será esta a tal definição, o tal link revelador do fascismo de Salazar? Matar pessoas por delito de opinião?

Quando a discussão dos novos oportunistas chega aqui, acaba logo aqui. Porque não é séria e revela o que efectivamente pretendem ser: híbridos numa ideologia conveniente.

Para tentar mostrar um motivo simples e directo de tal estultícia fica aqui uma fotografia recente do cemitério de Santa Comba Dão.

Assim que JMT souber o que significa esta pedra e o que está por trás da sua feitura estará em condições de perceber porque não é e nunca foi de direita.Nem será.


Se de caminho entender o que significa mesmo esta imagem e o que está por trás da construção desta escola ainda melhor.


E em acrescento que pouco significará a quem já tem ideias feitas em resultado da propaganda de 40 anos, aqui ficam mais dois recortes.
O primeiro é de O Diabo de hoje e mostra em estatística uma das razões por que Salazar foi o maior português do sec. XX.


 O segundo é da revista Sábado desta semana. Espero que entre os basbaques que foram já visitar a exposição da obra de Almada à Gulbenkian não se encontre JMT...


Questuber! Mais um escândalo!