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quarta-feira, 24 de maio de 2017

O Santo quando é que passou na RTP?

A notícia da morte do actor Roger Moore trouxe à memória algumas das séries e filmes em que participou e foram mostrados principalmente nos anos sessenta e setenta.

Como agente 007 começou em 1973 com o filme Vive e deixa morrer. Em 15 de Dezembro de 1973 a revista R&T dava capa ao assunto:


Anos antes, em Julho de 1970 a revista Flama anunciava que o actor iria protagonizar os filmes de James Bond, o que denota o interesse que o público de então tinha para com o actor.


 Esse interesse advinha de o mesmo ter protagonizado o papel de Santo, numa série de televisão que passou praticamente durante os anos sessenta, no país de origem. E em Portugal?

Alguém saberá dizer quando começou e acabou exactamente a divulgação da série na RTP? Nem o Google ajuda nem a RTP resolve a questão...apesar de agora ser fácil fazer artigos sobre o assunto, com a quantidade de informação disponível.

Não é que tal tenha uma grande importância, mas é pena que nem a RTP se digne estabelecer um cronograma dos seus programas, agora que anda a celebrar o cinquentenário...



14 comentários:

Maria disse...

Pois, estava mesmo a ver que o José iria escrever sobre Roger Moore, como cinéfilo que penso que é. Eu também sou.

Conheci este actor na sala d'embarque do Aeroporto de Lisboa, creio que no ano de 68. Ele estava de passagem para outro país qualquer e fez escala por algumas horas em Lisboa. Eu era muito jovem mas já conhecia o actor da televisão e do filmes. Eu também estava também à espera d'embarcar para Londres, mas assim que o vi juntei-me a algumas jovens o rodeavam e tirámos umas fotos com ele ao centro, foto essa que ainda conservo.

Roger Moore era um actor inglês simpático, acessível e solícito. Mas sou muito franca, ele não era o galã que aparentava no écran e que as suas fotos artísticas nas revistas, com todos os ângulos muito bem estudados e muita luz a incidir sobre a face, deixam escamotear. Este facto real refere-se a ele e a todos os actores e actrizes, particularmente os anglo-saxónicos. O que lhes vale é são quase todos/as fotogénicos/as.

Eu que já era então e continuo a ser muito exigente no aspecto físico e no porte distinto e viril (ou não) que os homens no geral e os actores de cinema e teatro em particular, devem possuir e projectar essa imagem no écran ou no palco, dou com um Roger Moore com um ar de, como direi, galã muito fraquinho, era alto, sim, mas de joelhos metidos para dentro (defeito físico genético de que na Inglaterra mas também nos Estados Unidos muitos homens padecem, incluíndo alguns actores de cinema) dentes amarelos (consequência da ingestão de carradas de whisky gelado anos seguidos), roupa vulgaríssima..., etc.
(cont.)

Maria disse...

Não obstante ele era atencioso com as admiradoras, como normalmente são os actores (salvo excepções que também as há, eu conheci pelo menos duas actrizes famosas muito antipáticas, uma em Londres, outra em Nova York) e pelo que tenho lido ao longo do tempo, ele deve ter sido muito boa pessoa. Casou com uma italiana (estas têm uma propensão fantástica para casar com actores ingleses, assim como algumas actrizes inglesas e americanas com actores ou homens comuns italianos - o mesmo aconteceu com algumas suecas, Ingrid Bergman casou com Rossellini e sua filha Isabella com o inglês David Lean e antes ou depois com um realizador norte-americano d'origem italiana e a enorme sueca Mae Britt com o pequenote actor negro Sammy Davis Junior e o actor inglês Peter Lawford com a irmã de Kennedy; o inglês Edmund Purdom, que substituiu o maravilhoso Mario Lanza, dobrando-o apenas nos diálogos e não nas canções, no maravilhoso filme O Príncipe Estudante, veio a casar com uma italiana ficando a viver em Itália, mas além destes casamentos improváveis, muitos mais houve e continuam a haver) de quem teve dois filhos, mas o maroto foi catrapiscado por uma senhora inglesa da alta sociedade relacionada com a família real holandesa, decidindo ir viver com ela e mais tarde casaram. Como bons italianos cheios de génio, a ex-mulher e os filhos nunca lhe perdoaram a traição.
(cont.)

Maria disse...

Conheci muitos mais actores e actrizes nos Estúdios de Pinewood, com alguns dos quais não cheguei a falar por na altura da minha visita estarem em filmagens, mas vi-os muito próximo de mim e tenho fotos deles, com outros sim falei e tenho fotos deles a segurar uma revista portuguesa de cinema que lhes cedi. Entre eles Pat Boone, Sean Connery, Douglous Fairbanks-filho, aquela actriz toda dourada que entra no filme Goldfinger com Connery cujo nome me escapa de momento, mas possuo a foto dela a segurar na nossa revista de cinema, Conheci ainda outros actores menos conhecidos por cá e que com ela participaram nesse filme. E ainda outros actores que entraram na série de filmes muito populares então, lá como cá, chamados Upstairs, Downstairs. Tenho fotos de todos esses artistas e até uma foto em que esta actriz "dourada" folheia a nossa revista de cinema, que lhe ofereci na ocasião. Guardo de todos eles muito carinho.

Escusado será dizer que a minha corôa de glória foi ter conhecido e falado por uns minutos, na Estreia Mundial de El Cid, em Londres, com o meu mais do que adorado Charlton Heston, encontro este que me deu uma alegria indescritível e que, como se imagina, nunca mais esqueci.

Quanto a Roger Moore, R.I.P.

Floribundus disse...

apareceu recentemente num programa da Nat Geo sobre recuperação de carros dos anos 60-70
Sir Roger mantinha-se em boa forma física

gostava do Santo que li na 'Vampiro' dos LB

Maria disse...

As duas actrizes antipáticas ao máximo: a Leslie Caron, que ao dar com ela mesmo a sair da Casa de Alta Costura, Christian Dior, achei piada ao facto de ver tão famosa actriz tão perto de mim e resolvi ir pedir-lhe um autógrafo e ela, com um ar muito mal disposto e com uma expressão de quem está a olhar para alguém carregado de lepra..., olhou-me de alto a baixo e depois de uns segundos lá me deu a contra-gosto o dito autógrafo, que ainda conservo. Eu era muito novita, mas perante tanta antipatia se fosse mais crescidinha tinha-lhe pedido desculpa pelo 'terrível' incómodo, virado a cara e ido embora.

A outra, Claire Bloom (dos filmes de C.Chaplin), deparei com ela à saída de um Snack-Bar, em Nova York, onde eu ía entrar para também tomar uma refeição. Pedi-lhe um autógrafo e ela primeiro olhou para mim e parou um instante, depois pensou uns segundos de devia ou não virar-me as costas, isto sempre a olhar pra mim com cara de poucos amigos, depois lá condescendeu e satisfez o meu pedido. Ambas personalidades horríveis e actrizes detestáveis. E querem estas criaturas, pela profissão escolhida, ser idolatradas por milhões de fãns, esquecendo-se que é justamente a estes que devem toda a fama e estatuto social mundialmente adquiridos e os muitos milhões que enquanto durar a sua vida artística irão acumulando, aumentando e de que maneira as suas contas bancárias. Pity!

muja disse...

Há-de ter passado até ao fim da década de oitenta, inícios da de noventa.

Miguel Dias disse...

Como admirador da saga James Bond e cinéfilo foi com emoção que acolhi a notícia. Sei que em meados dos anos 90 (1996/1997) a série o Santo passou na RTP 2, assim como outra série, do mesmo género de espionagem, dos anos 60: "Danger Man" com Patrick Mcgoohan.

Curiosamente Roger Moore esteve para ser o primeiro actor, em detrimento de Sean Connery, para interpretar 007, foi mesmo a escolha preferida do próprio Ian Fleming - criador literário da personagem - mas o facto de estar comprometido outra produção televisiva, e o facto dos produtores da série 007 verem no escocês, que tinha sido vencedor de um concurso de beleza masculina, um tipo ideal para personificar a personagem levou à escolha de Connery para o papel.

Ian Fleming nunca gostou muita da escolha de Sean Connery para o papel, considerava que não se adequava à personagem, James Bond possuía um lado "intelectual" que o escocês não representava, e preferia Roger Moore. O escritor faleceu em 1964, no decurso das filmagens, ou após as mesmas, de "Goldfinger" o 3º filme da saga.

Maria: a actriz que contracenou com Connery em "Goldfinger" foi Shirley Eaton, além de outra actriz a "Honor Blackman".

Maria disse...

Exactamente Miguel, essa mesma. Ela no filme parecia uma mulheraça bem gira, não é verdade? No filme, aparece deitada, nua e de costas e toda pintada a ouro e esta imagem emprestava-lhe bastante sex-appeal e volumptuosidade nas formas. Mas garanto-vos que não era especialmente bonita, embora de expressão agradável e muito simpática. Era pouco elegante de corpo e tinha músculos salientes nas pernas, caso raro porque as inglesas tinham/têm pernas perfeitas. Estes defeitos e outros que às vezes os artistas têm, são sempre disfarçados nas filmagens, claro. Por ex., o antigo actor e galã Clark Gable usava um banquinho debaixo dos pés para parecer mas alto do que as damas com quem contracenava... À Rita Hayworth, que casou com um dos filhos do Aga Khan e mais tarde com Orson Wells, era d'origem mexicana e talvez por isso tivesse uma testa muito curta (dizia-se quando ela chegou a Hollywood que o cabelo lhe nascia quase pegado às sobrancelas), vai daí raparam-lhe os cabelos aumentando-lhe a testa em cerca de dois centímetros, tendo ficado de facto muito mais atractiva.

Voltando à Shirley, contràriamente às inglesas que em geral eram e ainda serão muito bonitinhas (isto enquanto novas, porque a partir dos trinta começam a envelhecer ràpidamente e a ficar feias, um bocadinho como as brasileiras mas estas menos) as suas feições não eram nada de especial e tinha o maxilar inferior um pouco saliente. Talvez por não ser uma beleza espampanante e como actriz se limitasse a cumprir, nunca tenha atingido grande sucesso. O que sim verifiquei é que era agradável no trato e simpática na conversação. Mas também é verdade que estando ela no início de carreira talvez por isso mesmo fosse mais acessível ao público e menos pedante, como outros actores e actrizes mais velhos e com carreiras estruturadas o eram nos tempos antigos (então os de Hollywood nem é bom falar, mas até nestes houve algumas excepções e eu pude comprová-lo) e certamente ainda o serão nos dias que correm.

joserui disse...

Maria a Rita nasceu em Brooklyn o pai era de Sevilha. E foi casada com welles antes do khan :) .
Para os apreciadores de moore como bond.

Maria disse...

Será isso, joserui. Escrevo tudo de memória ainda que tenha por aqui alguma documentação e revistas, poucas, desses tempos. Li há muito tempo que ela tinha vivido no México antes de ter ido viver para Nova Iorque, cidade esta onde continuou a dançar em pequenos espectáculos com o pai, com quem aliás fazia par. Foi depois disso que por convite ou de motu proprio, partiu para Hollywood, sendo a partir d'então que a sua carreira disparou. Bonitinha, elegante e dançava bem.

Quando decidi regressar a Portugal deitei fora, com muita pena minha, dezenas de revistas norte-americanas de cinema (e algumas inglesas) quase todas editadas em Hollywood. E fí-lo para evitar pagar um balúrdio por excesso da bagagem. Depois e já por cá ainda comprei algumas destas revistas de cinema que também se vendiam por cá.

Lembram-se do filme Vinte Mil Léguas Submarinas? Filme de grande exito em todo o mundo e que só vi, imagine-se, há alguns anos na nossa TV e até gostei. Muitos filmes interessantes me escaparam então, primeiro porque os estudos não mo permitiam, não tinha tempo, depois prque viajava frequentemente com os meus Pais ao estrangeiro e tal não se proporcionava, mais tarde porque já trabalhava e ainda que volta e meia fosse de facto ao cinema, fazia-o mas só para ver filmes realmente importantes. Um dos seus produtores executivos do V.M.L.S. foi um judeu-polaco a trabalhar numa produtora inglesa e que cheguei a conhecer. Este senhor era muito misterioso e desconfiado e pouco se exteriorizava excepto com os meus Pais, particularidades estas que fazem parte do temperamento de muitas destas pessoas, embora não de todas. Como exemplo disto mesmo, havia um amigo deste polaco, também judeu mas norte-americano e também produtor de cinema, que era o seu antítese, extremamente comunicativo, simpático e afável. Estes contactos eram-nos facilitados porque os meus Avós maternos tinham tido relações d'amizade com alguns realizadores dos anos áureos do cinema português que se prolongaram no tempo, sendo-nos deste modo facilitado o acesso àqueles meios cinematográficos em Londres. (A minha própria Mãe, muito bonita que era, só não entrou num dos famosos filmes portugueses desse tempo, no caso CAMÕES, porque os meus Avós não permitiram). Há alguns anos, dez ou por aí, vi pela primeira vez o espectacular Vinte Mil Léguas Submarinas na TV e para minha surpresa reparei que o nome deste nosso conhecido (Irving Allen) fazia parte da ficha técnica como um dos produtores executivos.

Belos tempos e que saudades.

joserui disse...

O México deveu-se a ser proibido nos EUA ela actuar nos clubes nocturnos com o pai, sendo menor de idade.
Eu vi o Vinte Mil Léguas Submarinas :) . Belas memórias tem Maria, devia escrever crónicas de memórias ou assim.

Maria disse...

É verdade joserui, guardo muitas e boas memórias deste género e desses tempos. Algumas delirantes pelo insperado, mas todas gratificantes. Veremos se arranjo paciência para abrir qualquer dia um blogo. Mas para isso é preciso tempo e disposição e eu não tenho muito dos dois.

Certa vez ía eu de autocarro a passar em Picadilly Circus e vejo pela janela o Russ Tablyn de nariz no ar a olhar para os prédios à sua volta. Devia ter sido a primeira vez que ele visitava Londres. Calculo que ele tivesse acabado de interpretar W.S.S. pouco tempo antes e estaria de férias ou como convidado pelos Estúdios de Pinewood para interpretar algum filme. Se eu fosse a pé tinha-lhe pedido um autógrafo. Este miúdo, razoável actor e bom ginasta, mais do que bailarino, entrou ainda novito no interessantíssimo filme Sete Noivas Para Sete Irmãos, um filme musical excelente e com belíssimos bailarinos, tendo no papel principal o óptimo cantor/tenor Howard Keel. Creio ter sido um dos primeiros filmes de Russ. Mais tarde interpretou um dos principais papéis no inesquecível West Side Story, filme que adorei e vi em Londres umas seis vezes com intervalo de poucos dias e já o vi no Youtube mais três:) Um Romeu e Julieta dos tempos modernos com música do genial Bernstein e interpretações de absoluta excepção.

Um dia, estava eu a passar em Lower Regent Street e deparo com muita gente à porta de um cinema. Fui espreitar para ver o que se passava. Tratava-se da chegada daí a pouco da vedeta principal do filme em cartaz (o último dela), era a mãe da Liza Minelli (não há meio de me lembrar do seu nome neste momento e não me apeteceu ir ver ao Google) que ía assistir como convidada ao mesmo, em estreia mundial. Detive-me por momentos e nem esperei para a ver por não me interessar, já que era uma actriz que pouco me dizia, mesmo quando ela era miúda e nessa altura haver feito muitos filmes, alguns deles com o também miúdo e bom actor Mickey Rooney, como actriz nunca a achei nada de especial. Por alturas deste seu último filme ela já se encontrava muito doente e por algumas sequências do filme que vi mais tarde, isso notava-se e não tendo ainda muita idade ela já era uma sombra do passado e mesmo actriz já pouco representava. Li mais tarde numa entrevista que deu, ela confessar que a sua saúde tinha ficado destruída por ter sido obrigada pelos Estúdios (e por contrato) a comer só uma canja de galinha por dia para não engordar uma grama sequer!

Como estes que fui contando, tenho muitos outros episódios do mesmo género que guardo com saudade, naqueles que considero que foram os anos mais felizes da minha adolescência e juventude.

Obrigada Joserui pelas suas palavras.

Bic Laranja disse...

A minha mãe referia-se a Roger Moore sempre como «O Santo», o que me não fazia sentido porque a minha referencia era só de Bond, James Bond. Até que perguntei, para ver se percebia.
Em 1966, segundo se lia no Diário de Lisbôa de 16 de Outubro:
A «Selecção Policial» vai manter-se como até aqui apresentando «O Santo» e outras séries. A série «Danger Man» desaparece, no entanto [...] Mas a «Selecção Policial» regista uma estreia «Os Vingadores» — aventuras policiais com humor britânico.
Ambas elas, «O Santo» e «Os Vingadores», estreadas em 1961 na Inglaterra.
Bate certo porque comprara-se televisão lá para casa em 1966 por causa do mundial de Inglaterra.
Só vi «O Santo» neste século depois da abertura do canal da memória. E os vingadores, de que só tinha muito vaga ideia, também. Devo ser novo, ainda.
Cumpts.

glb disse...

Em Janeiro de 1964 esteve em Portugal já como Santo - https://ilustracaoportugueza.wordpress.com/2013/10/01/cronica-feminina-no-374-janeiro-23-1964-7/

Entre estes, as séries do ano (1966): «O Santo», «Mister Solo», «Olho Vivo», «O Barão, «Um Homem Chamado Shenandoah». A RTP foi ao teatro e gravou «As Árvores Morrem de Pé». O videotape guarda a recordação de Palmira Bastos. (livro sobre a RTP/de Hogan Teves)