Há cerca de meia dúzia de anos ( Julho de 2011) este mesmíssimo problema suscitou-me algumas reflexões. Assim:
Há alguns dias o
jornal Público escrevia sobre Justiça Fiscal: "há dois milhões de
processos pendentes nos tribunais". E adiantava que os notários podem ser
parte de uma solução para esse problema, nas execuções, nos despejos, nos
inventários e partilhas e na arbitragem fiscal.
"O desinvestimento em recursos humanos, nomeadamente no recrutamento de juizes, é uma das causas que podem explicar o actual caos tributário."- Domingos de Azevedo, bastonário da Ordem dos Técnicos oficiais de contas no "Diário Económico" de há dias também.
"O desinvestimento em recursos humanos, nomeadamente no recrutamento de juizes, é uma das causas que podem explicar o actual caos tributário."- Domingos de Azevedo, bastonário da Ordem dos Técnicos oficiais de contas no "Diário Económico" de há dias também.
Há quinze anos atrás, o governo de António Guterres, apresentou um relatório sobre uma reforma
fiscal que se impunha depois da nossa adesão à CEE, dez anos antes.
Um dos decanos dos economistas lusos, Silva Lopes tinha sido incumbido por Eduardo Catroga ( governo de Cavaco) de coordenar uma equipa de estudo do assunto e apresentar medidas.
Esse relatório tinha demorado dois anos a fazer e Silva Lopes disse então que "não fomos tão longe como se exigiria".
Uma das medidas mais significativas e que se pode ler no Público de 16 Maio de 1996 é sobre os tribunais tributários.
Um dos decanos dos economistas lusos, Silva Lopes tinha sido incumbido por Eduardo Catroga ( governo de Cavaco) de coordenar uma equipa de estudo do assunto e apresentar medidas.
Esse relatório tinha demorado dois anos a fazer e Silva Lopes disse então que "não fomos tão longe como se exigiria".
Uma das medidas mais significativas e que se pode ler no Público de 16 Maio de 1996 é sobre os tribunais tributários.
Escrevia-se nesse relatório, preto no branco, que era
necessário "contingentar o número de processos por juiz, aumentar o número
de juizos, já que a manter.se a média dos últimos três anos, seriam necessários
42 anos para eliminar o actual "stock" de processos."
Sabendo nós que actualmente está em curso a implementação
prática da justiça arbitral tributária, com a designação de cerca de 91
árbitros ( incluindo alguns Conselheiros jubilados do STA), como resolver agora
o problema dos processos pendentes, por exemplo no tribunal tributário de Lisboa, em
concreto, quando se sabe que haverá cerca de 10 mil processos pendentes e a
entrada processual é superior à dos que são findos?
Permito-me alvitrar algumas sugestões práticas:
1. A
primeira coisa a fazer é tentar perceber através de estatísticas e mapas que
são enviados regularmente pela Secretaria do Tribunal, quais são as verdadeiras
pendências e tentar localizar os focos de maior paragem processual e motivos
concretos e reais.
Para tal afigura-se-me necessário indagar através de métodos
informais e que passam necessariamente pela averiguação pessoal e personalizada
junto dos funcionários e dos magistrados ( juízes) acerca das razões “reais”
dos atrasos.
Tal indagação, em meu entender só surtirá algum efeito útil
se for realizada através de “conversa de café”, ou seja, por conversa
despreocupada com os intervenientes nos gabinetes ou nas secretarias, o que se
torna difícil porque será sempre uma tarefa ingrata averiguar a origem de
problemas que podem residir em ausência de produtividade suficiente, mas que
também dependem de outros factores cuja identificação será melhor realizada
através desse método.
Uma indagação em modo de inspecção relevará sempre a
desconfiança dos visados o que é compreensível e por isso mesmo se revelará
pouco proficiente para o objectivo visado.
2. Por outro lado, é sabido que essa produtividade por parte
dos juízes depende muito da celeridade na elaboração de peças processuais
complexas como as sentenças que exigem esforço intelectual acrescido por causa
do resultado técnico que é muitas vezes realizado a pensar nas inspecções.
Tal fenómeno justifica muitas vezes a extensão desnecessária
dessas peças processuais que se estendem por páginas e páginas que exigem horas
de trabalho e encurtam as possibilidades de maior produtividade.
Assim, a par da simplificação das leis processuais nesse
aspecto, torna-se necessário também uma nova cultura de elaboração de
sentenças.
A meu ver são estes os dois aspectos cruciais que impedem a
melhoria da Justiça Fiscal nos tribunais administrativos e fiscais.