Ao ler esta crónica de hoje, de Alberto Gonçalves, no Observador, saudavelmente iconoclasta, dei por mim a sintonizar melodias antigas ouvidas de há 50 anos para cá e por esta época a propósito do Festival Eurovisão da Canção.
Tal Festival já foi um acontecimento cultural e popular de importância singular há muitos anos, quando não havia internet e a televisão só tinha dois canais e a preto e branco.
Actualmente é um entretenimento semelhante a outros que todas as semanas passam nas tv´s para preencher horário nobre nas noites de fim de semana.
Sobre a cançoneta que ganhou o festival da Eurovisão deste ano e que é portuguesa, cantada por Salvador Sobral pouco há a dizer: é uma boa canção pop e que mereceu ganhar, pela composição melódica e pela interpretação.
Quanto ao valor intrínseco e duradouro só o tempo dirá o que vale, mas não irá muito longe nessa caminhada. Quem é que se lembra hoje de Smokey Robinson? Cantava coisas parecidas, às vezes...
Nos últimos 50 anos, aliás e que me lembre, com auxiliares de memória, apenas três ou quatro cançonetas merecem esse destaque e distinção do tempo, já com mais de 40 anos:
Sandie Shaw- Puppet on a string, em 1967.
Dana- All kinds of everything, em 1970.
Abba- Waterloo, em 1974.
Em 1973 houve uma canção que não ganhou e que os espanhóis Mocedades cantaram- Eres tu. A melhor canção de sempre desse Festival, na minha modesta opinião.
Depois dessas não me lembro de nenhuma outra que valha a pena lembrar e ouvir.
Estará Amar pelos dois ganhadora deste ano, ao nível de qualquer uma destas? Não me parece.
Então isto que hoje se pode ver nos quiosques de todo o país é um sinal de outros tempos...que pouco ou nada têm a ver com música, mesmo pop.
A música não é pirotecnia, pois não? Nem papel pintado, de parede.