Alberto Gonçalves, cronista no Observador depois de o ter sido no Diário de Notícias e na Sábado, explica hoje ao i uma razão que lhe foi apresentada pelo director do Diário de Notícias, para o dispensar de lá escrever, cortando-lhe o estipêndio: "disse que eu confundia os leitores do DN: havia quem fosse à página do DN por minha causa e ficasse confuso com o resto do jornal, e havia leitores "naturais" do DN que ficavam confusos com a minha crónica, e a culpa era minha. Segundo o próprio me disse, o objectivo dele era evitar confrontos e agradar à "corte de Lisboa". Não queria chatices. "
Esta expressão de Baldaia " corte de Lisboa" suscita alguma curiosidade.
Em primeiro lugar para saber quem dela faz parte e onde se reúne ou manifesta. Para além disso, para haver uma "corte" é preciso existir um monarca e assim torna-se necessário saber quem será, num regime republicano e laico, tal personagem, mesmo simbólica.
A expressão, dita pelo director de um jornal que é jornalista tem muito que se lhe diga, porque o mesmo não denotou qualquer necessidade de esclarecer o interlocutor acerca de quem se tratava, assumindo que era compreendido. Como este interlocutor também não questionou aquele e agora fala no assunto, é de presumir que saiba de quem se trata e que as pessoas em geral o possam também saber ou pelo menos ter uma ideia sobre a identidade dos cortesãos e do novo príncipe.
A minha opinião é que este nobre que agora reina no país não é o povo valente e imortal. Será apenas uma clique, uma súcia que se costuma designar no estrangeiro anglo-saxónico por establishment, de indivíduos ligados entre si por interesses comuns, muitas vezes obscuros mas sempre com vista num fito principal: o poder e o domínio de bens e rendimentos em proveito próprio e dos seus.
Este príncipe nas trevas tem uma corte e dela fazem parte os que lhe aparam o jogo, como Paulo Baldaia e afins.
Temos por isso, confessadamente ( acredito em Alberto Gonçalves e no que disse) um jornalista que o não é. Escuso de lhe escolher o sobrenome porque ele mesmo o escolheu para si próprio, nessa expressão...mas compreendo que as pessoas queiram ter uma vidinha. Isso compreendo. A credibilidade, a seriedade, a lisura e a honestidade profissional não fazem parte dos atributos dessa vidinha e cada um escolhe livremente o caminho. Em princípio. Pode haver um estado de necessidade desculpante.