quinta-feira, 9 de maio de 2019

Notícias sobre os chico-espertos

As revistas Visão e Sábado desta semana dedicam o tema de capa ao mesmo assunto: os falidos que  gozam de óptima saúde financeira. São vários:


Comprei a Visão porque dizia assim na capa: "saiba como escapam dos credores"...e fiado na promessa fui ler o caso singular do "hey, Joe!" que temos por aí a envergonhar a inteligência média dos contribuintes. 

Leia-se a explicação da Visão para esse caso do Joe que é um autêntico motherfucker para credores desprevenidos ou palermas, como é o caso do Estado português gerido por socialistas. 



A explicação é simples, mas ninguém fica a perceber nada: os negócios deste Joe , Zé Manel da Madeira, não estão em seu nome pessoal. São todos efectuados através de testas de ferro legalizados em pessoas colectivas. Fundação Berardo, Metalgest, Associação de Colecções. Tem tudo em nome de outros. Tal como os demais. São o exemplo acabado dos chico-espertos. 

Quem quiser saber algo mais a propósito destas pessoas colectivas, privadas, fica na mesma, sem saber mais do que o que resulta do registo comercial. E no entanto ninguém anda a dizer que foi a Metalgest que cravou o calote à CGD, da ordem dos milhões. Todos dizem: foi o Joe! Hey, Joe! Que merda de confusão, Joe. Toda a gente a dizer a verdade e esta a não poder ser afirmada pelo direito.

Portanto o artigo da Visão explica nada de nada, a não ser o óbvio que é o de o nome deste Joe só aparecer por empréstimo nas sociedades de que faz parte e detém os principais activos. Mas nem sequer é dono da casa onde mora, com mais de 600 m2, na Avenida Infante Santo, em Lisboa. Evidentemente que não é a empresa Atram que lá mora...nem provavelmente terá aí a sua sede social, encostada que estará à mítica Metalgest. Enfim, um faz de conta completo que os tribunais aceitam como verdade presumida juris et de jure.

A Sábado também pretende explicar, mas não vai além disto:


O que eu gostaria de ler nestas revistas de divulgação era a explicação detalhada e mais profissional destes assuntos. 
O advogado Eduardo Paz Ferreira, um dos beneficiários dos ajustes directos deste Governo, marido
da ministra da Justiça, responsável por fiscalização de contas, na CGD no tempo em que isto sucedeu, disse no outro dia no Parlamento que era "extremamente difícil" que o banco conseguisse recuperar as garantias dadas pelo empresário Joe Berardo. Não explicou porquê e ninguém lho perguntou...ficando o fiscalista afortunado com fama de sabichão das dúzias.

Pela minha parte lamento este tipo de jornalismo sensacionalista que capeia revistas deste modo e não explica nada a seguir.

Mais: nem sequer exploram informação disponível e que já foi aqui mencionada, transcrevendo-se:

Ora bem, a Metalgest é a METALGEST - SOCIEDADE DE GESTÃO, SGPS, S.A. (ZONA FRANCA DA MADEIRA) uma empresa curiosa: uma sgps, uma holding ( de quê?) deste Joe. 
Quanto aos seus activos, resultados, gestores, etc etc. mistério. Não há nada na Net disponível para consulta aberta.
No entanto, segundo notícias, parece que foi a credibilidade desta forma do hey Joe que sustentou todo o crédito concedido. A filha do pirata até confrontou os esquecidos da CGD com tal circunstância:

"Durante a audição ao ex-secretário geral da CGD João Dias Garcia, a deputada do BE revelou que nesse parecer condicionado, sobre o crédito de 50 milhões de euros concedido à Metalgest, está escrito que a informação obtida “da sociedade Metalgest e sobre o universo Joe Berardo afigura-se escassa, na medida em que se limitou a mapas de 2005 não auditados sem qualquer nexo explicativo“. 

A “ligação da Metalgest ao comendador Joe Berardo que, segundo informação recolhida na comunicação social, tem obtido resultados aceitáveis nos seus investimentos bolsistas” e “a aparente valia financeira da Metalgest”serviram como atenuante do parecer condicionado emitido pela direção-geral de risco (DGR) da Caixa."

Quanto ao Joe, hey!, desde 2012 que está falido...mas pelos vistos continua a receber dividendos chorudos pelas suas participações em empresas rentáveis, como a Sonae ( ZON Optimus sgps, SA)...ora veja-se lá com reporte a 2014:
(2) A Fundação José Berardo é titular de 14.013.761 ações correspondentes a 2,72% do capital social da Sociedade. Por sua vez, a Metalgest - Sociedade de Gestão, SGPS, S.A. é titular de 3.985.488 ações correspondentes a 0,774% do capital social da Sociedade. A posição da Fundação José Berardo é reciprocamente imputada à Metalgest - Sociedade de Gestão, SGPS, S.A.



Na altura perguntei e volto a perguntar, esperando que estes jornalistas de revista pudessem indagar e responder, mas em vão, como agora vejo: 

E já agora, as participações do Joe nessas empresas não são activos susceptíveis de penhora? A Metalgest não pode ser penhorada por aí? A Associação onde este Zé Manel se acoita não tem escopo diverso? Mantém-se como tal, em regime associativo e sem índole comercial, apesar de andar por aí a negociar em grande e aos milhões? 

Ninguém actua? O MºPº dos "interesses difusos" serve para quê?  Até quando é que se desvirtua despudoradamente o direito comercial e civil, das fundações, associações e sociedades comerciais? 

Quanto à Sábado, comemora os 15 anos de existência. Tem agora uma redacção pequenina e se calhar é por isso que não tem capacidade de investigação. 

A jornalista Raquel Lito é formada em quê? Comunicação Social? Ah...está bem. Já se compreende. Para se perguntar é preciso saber...


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