sexta-feira, 17 de maio de 2019

Berardo e o sistema de atentado ao Estado de Direito

Hoje no Correio da Manhã, alguns comentários sobre o caso Berardo: 

 Ontem, na AR, prestou depoimento um técnico da CGD que dirigia o departamento de risco da instituição entre 2007 e 2017. Disse simplesmente o que a Comissão de Inquérito deve concluir: a Administração da CGD concedeu créditos de favor, mormente a Joe Berardo. Tal é um crime, no contexto vigente. E houve cúmplices, um dos quais será  Eduardo Paz Ferreira, amigo de um dos administradores e o responsável pela comissão de auditoria que sacudiu a água do capote, sem vergonha alguma.


Os dois Ferreiras são militantes de um PS que ajudaram a fundar e pertencem a um grupo selecto de privilegiados do poder político e económico, de vidinha regalada, que o PS confere aos seus. Há vários neste grupelho que congrega ainda o vitinho do BdP, desse tempo e que arranjou tacho no banco europeu. O outro, agora muito calado, afoito a denunciar corrupções mas sem nada fazer de concreto para as dominar, Cravinho, também é do grupo.  É tudo gente do mais sério que existe. Até denunciam a corrupção, veja-se lá! Quanto a Sócrates, ficaram muito admirados quando sucedeu o que sucedeu. Não esperavam. Foram surpreendidos, veja-se lá! Nem imaginavam tal coisa! 

Porém, são conhecedores exímios destas trafulhices que se desenvolveram amplamente no tempo de José Sócrates e em que foram promovidos socialmente, comentando nas tv´s, arranjando cargos para si e os seus e aumentando o património, sempre de modo seguro e legalizado, com as inúmeras prebendas e ajustes directos do Estado, em género e espécie. 
Se formos a ver onde colocaram rebentos e familares ou amigos, não nos admiraríamos muito se o assunto se parecesse com o daqueloutro César, da mesma família política que aproveitou o Estado para dar sustento aos seus, porque teve poder para tanto.

Depois do que ontem disse na AR o referido técnico da CGD, sabe-se agora o seguinte: 

Depois da audição polémica de Joe Berardo, a Direção de Risco da CGD afirma agora que esteve entre 2007 e 2012 sem ser chamada a emitir um parecer sobre os créditos do banco ao comendador.

É este o sistema PS. Depois, quanto surge um problema com algum filisteu de quem se serviram para o efeito, tratam assim o assunto, como se nada fosse com eles. 


Neste contexto surgem depois os komentadores, tímidos a levantar a ponta do véu, como hoje no CM e não tiram as devidas conclusões: 


No Observador, Rui Ramos, conclui com lógica o seguinte:

Experimentem isto: ponham-se no lugar do comendador. Quem têm à vossa frente, na comissão de inquérito? Quem imaginam que vos esteja a ver lá fora, nos ecrãs da televisão ou do telemóvel?

À sua frente, à volta da mesa parlamentar, a fazer-lhe perguntas, o comendador tem os políticos que chegaram àquele lugar sob a protecção de outros políticos que também o ajudaram a ele, Berardo, a fazer dívidas de milhões. Os políticos que agora querem fazer dele o bode expiatório foram os políticos que puseram o banco do Estado a emprestar-lhe dinheiro. Os políticos que agora fingem que este caso justifica até a nacionalização da banca foram os políticos que com as operações a que o comendador se prestou já visavam precisamente uma espécie de nacionalização da banca – nesse caso, o controle do BCP. Imaginem, portanto, Berardo a olhar para esta gente, a lembrar-se de velhas cumplicidades. Que queriam que fizesse? Que mostrasse respeito por quem tem este “desplante”, para usar a linguagem do primeiro-ministro?

E lá fora, atrás dos ecrãs, quem está? Lá fora, a indignar-se, está uma sociedade que, segundo as sondagens, se prepara este ano para reconduzir no poder o mesmo grupo de amigos e de famílias que, em mais de vinte anos de governo, pôs o Estado à beira do colapso financeiro e fez da economia portuguesa uma das que menos cresceu na Europa neste século. Lá fora, muito enervada, está uma sociedade segmentada, em que quem pode faz lobby ou greve para aumentar a sua quota parte nas rendas garantidas pelo Estado, e quem não pode, se abstém e pensa noutra coisa. Que queriam que o comendador fizesse? Que mostrasse respeito por quem não parece ter respeito por si próprio?

No tempo de Sócrates, um governo conspirou para controlar o Estado, a banca, as grandes empresas e a comunicação social, numa manobra típica daqueles regimes musculados onde ainda se fazem eleições, mas já ninguém respira. Nem as instituições, onde o poder judicial esteve açaimado, nem as oposições, incapazes de alternativa, nem o eleitorado, que em 2009 reagiu obedientemente aos aumentos da função pública, foram capazes de enfrentar esse “mecanismo”, finalmente comprometido pelos mercados de capitais em 2010. Nos últimos quatro anos, o mesmo grupo de amigos e de famílias que rodeava Sócrates recuperou poder e influência, sob a protecção financeira do BCE e com a colaboração do PCP e do BE. E mais uma vez, nem as instituições, nem as oposições, nem o eleitorado parecem em condições de resistir.

Berardo, que foi um peão das manobras socráticas, vê tudo isto – e ri-se.

Ri-se de António Costa, dos novos comparsas parlamentares de Costa e daquela oposição cujo ideal é aliar-se a Costa.

Se perguntarem à actual ministra da Justiça, casada com aquele Eduardo, ao tempo responsável máxima do MºPº em Lisboa, abaixo do então PGR, Pinto Monteiro, pessoa muito lá da sua casa política, o que pensa do crime de atentado ao Estado de Direito que foi denunciado em tempo, em Aveiro por um magistrado do MºPº e secundado por outros magistrados e inspectores da PJ, o que dirá?

Será preciso responder?

Se não quiserem perguntar isso, questionem-na ao menos sobre o modo como concluiu o curso de Direito na Universidade de Lisboa, em 1977. Ou investiguem, para que não subsista qualquer dúvida sobre o que consta do currículo escolar que aparece na Wiki...

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