sexta-feira, 24 de maio de 2019

O produto do assalto do PS ao estado de direito


Observador, Patrick Monteiro de Barros ao J.E.:  

Joe Berardo foi uma das pessoas de quem José Sócrates se serviu para dominar a banca, como queria fazer com os jornais, defende o empresário Patrick Monteiro de Barros, em entrevista ao Jornal Económico publicada esta sexta-feira. “Eu nunca consegui comprar ações financiadas com uma taxa de cobertura de 100%”, ironiza.

O empresário critica o alarido causado pela audição de Berardo na comissão parlamentar de inquérito, pese embora ser “discutível o estilo de Berardo e a forma como fala português”. Mas a “história toda — e posso dizer que sei porque abordaram-me na altura — foi uma estratégia de José Sócrates, que queria dominar as mídias [os órgãos de comunicação social] e a banca”. “Quem não se lembra da saga que foi a venda da Lusomundo”, recorda Patrick Monteiro de Barros.

Na leitura que o empresário faz do que aconteceu na Caixa, concretamente nos financiamentos para investir em ações do BCP, “o governo sempre dominou a Caixa, onde estava o Carlos Santos Ferreira, muito próximo do PS, mas Santos Ferreira era um técnico, uma pessoa que sabia, e Armando Vara, cujo currículo político é notório”. Então, defende, “foram ter com um grupo de pessoas — com algum peso, alguma, como se diz, surface — e Joe Berardo foi uma dessas pessoas”.

“Disseram-lhe: vamos financiá-lo para o senhor comprar ações do BCP, a 100%, sem garantias pessoais; se houver mais-valias é tudo seu; a gente só quer a procuração para as assembleias-gerais”, acredita Monteiro da Barros. “Foi assim o assalto ao BCP. Resultado: quem é que foi para o BCP?”, pergunta. Resposta: Carlos Santos Ferreira e Armando Vara.

Depois, “a partir do momento em que o Governo domina a Caixa, que é o banco do Estado, e também o BCP, que era o maior banco privado, eu acho que as coisas estão feitas”. É uma estratégia “clara como água”, diz Patrick Monteiro de Barros
.

Fala uma testemunha do atentado ao estado de direito, cometido pelo PS de Sócrates, Costa, Soares, Almeida Santos, Pazes ferreiras et al. 

O que diz Patrick Monteiro de Barros? Que lhe propuseram, a ele mesmo, o que propuseram ao famigerado Berardo: "a história toda — e posso dizer que sei porque abordaram-me na altura — foi uma estratégia de José Sócrates, que queria dominar as mídias [os órgãos de comunicação social] e a banca”.

A questão que se coloca é saber qual o verdadeiro papel de José Sócrates neste crime contra o Estado de Direito: foi o mentor, um dos executores ou apenas cúmplice de algo decidido por outrém que não apenas ele? Pensar que foi apenas José Sócrates, o pindérico que se conhece, o suspeito do costume, antes de ser quem foi, a decidir uma coisa destas e a executá-la sem apoio de mais ninguém, parece surreal. Porém, com o PS nunca se sabe...e perante o resultado da acção criminosa não seria de estranhar tal fenómeno. 

Quanto aos media, o plano soçobrou por incompetência, amadorismo na trafulhice e pinderiquice nos meios. Tudo à imagem e semelhança do suposto mentor, precisamente José Sócrates, inebriado e fascinado pelo poder de uma maioria absoluta. 
Quem é que este pindérico escolheu como comparsas no crime exposto indiciariamente? Armando Vara, o amigo de Trás-os-Montes, companheiro de fundações inacreditáveis, ainda mais pindérico que o pindérico-mor e agora condenado em pena de prisão por ser corrupto num caso menor. Faltam os outros. Mais um par deles, o Patrão, outro da vida airada e palermas como o filho do Campos, cuja classe se espalhou amplamento pelo Parlamento.  

Em Março de 2013, antes de ser preso, o pindérico reunia um suposto "estado-maior", com destaque para um sem-vergonha dos serviços secretos,  um tal Almeida Ribeiro que anda por aí sem que ninguém o incomode com estas coisas:


Outros apoiantes de luxo privado estão aqui, nesta foto de 2015, de uma ceia famosa, pelo ambiente  que exala e tirada quando o inquilino ainda era preso 44 em "domiciliária": 


Veja-se: além de um dos advogados, dos mais contundentes e trogloditas que se conhecem, na defesa de interesses de parte, está um jurista constitucionalista que foi deputado, Vitalino Canas. É pessoa que não ignora o que é um atentado ao Estado de Direito, mas nele colaborou. Está o falecido cantor do PS e do Boavista, cujo nome nem vale a pena lembrar; um autarca, Raposo, suspeito há uns anos de moscambilhices várias; um fiel escudeiro , ao cimo da mesa, cujo nome nem interessa para nada e o célebre Paulo Campos, o homem das PPP rodoviárias que deve andar que nem um feijão lhe cabe no sítio et pour cause. 

A toalha da mesa, se fosse de ráfia ficava melhor...e o sótão do repasto ficava numa casa da rua Abade de Faria, cujo historial tinha muito que contar e ninguém quis saber. 

Foi este indivíduo que arquitectou o esquema de atentado ao Estado de Direito que passava pelo controlo dos media e da banca em geral? Foi mesmo? Se foi e esteve sozinho, tiro-lhe o chapéu que não uso...

Por mim, perguntava antes a quem de direito, o que tiveram estes indivíduos a ver com o assunto...e alguns deles já morreram, entretanto. O sistema é este, aqui representado ao mais alto grau. O pindérico decidiu tudo sozinho, foi? Vão vender essa a outro...


Entretanto, talvez seja melhor indagar e perguntar a outros o que sabem sobre o assunto. Por exemplo, este, aqui com notícias de 2015:


A intervenção deste personagem foi já analisada por quem conheceu certos procedimentos por dentro e falou sobre isso em  Agosto de 2017.


Como diz o Patrick Monteiro de Barros isto "é claro como água"... mas a anamnese não se faz e no próximo Domingo mais um prego se pregará nesse caixão de infâmias. 

Entretanto fica aqui como recordação uma das fotos deste neo-realismo. É de Maio de 2018, tem um ano: 


Como é que isto aconteceu? Um dos produtos do atentado ao Estado de Direito foi o controlo dos media. Falhou, mas não in totum. 

É perguntar a esta como é que era...o tempo das "campanhas negras" contra o pindérico e que a mesma denunciava como atentados à honra do dito.


Outro factor nada despiciendo nesta trama de fenómenos será este: a intervenção, na época, do presidente do STJ, Noronha Nascimento e o PGR Pinto Monteiro. Ambos tiveram um papel crucial em abafar, no sentido de sapar processualmente a investigação do fenómeno do atentado ao Estado de Direito. Foram eles e mais ninguém que o determinaram.
Negaram intencionalidade nessa actuação, defenderam-se com a lei e a sua interpretação e pouco tempo depois chegaram a isto, em Outubro de 2013,  que diz mais do que se possa julgar. Foi na altura em que o antigo presidente do Brasil, Lula da Silva, também presente e actualmente em cumprimento de pena de prisão maior, dizia que este Sócrates precisava de voltar a politicar:


Está aqui, nestas duas páginas do CM da época, um bom retrato do sistema que o PS tem nas mãos. Pertence-lhe e não o largará facilmente. Aliás, ninguém o denuncia claramente...

Agora pegue-se nisto tudo e ainda mais coisas que por aí andam e liguem-se à entrevista de Patrick Monteiro de Barros...

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