quinta-feira, 23 de maio de 2019

O assalto do PS ao estado de direito

Hoje na revista Sábado, o director Eduardo Dâmaso tem este artigo:


A ideia essencial é que Joe Berardo é um dos biombos de resguardo de muito figurão que por aí anda e Eduardo Dâmaso até os nomeia, com Sócrates e Salgado à cabeça. Se Berardo falasse, tal como os demais,  o regime caía...o que é uma ideia repetida mas sem grande consistência. O regime que temos é o PS e o PS é o regime. Logo, não cai por isto, por corrupção que aliás lhe é endémica. Cai por bancarrotas, mas mesmo assim, só com muito sacrifício já instalado, os votantes se convencem que o PS é o partido das bancarrotas e lá votam nos que costumam salvar a situação. Acontece este cenário há 40 anos e desde então já se repetiu por três vezes e sempre com o mesmo enredo. Quando a situação arriba um pouco, regressa tudo ao mesmo, com este PS a vituperar a austeridade e o liberalismo e o desprezo que a direita tem pelos pobrezinhos. E assim ganham outra vez eleições.
Aconteceu isso em 95, 2005 e agora, com este Costa.

Imagine-se que Joe Berardo, na comissão de inquérito da CGD dizia claramente que foram os responsáveis da CGD, conluiados com pessoas do governo de então, do PS e do Banco de Portugal (ainda o PS, com Vítor Constâncio) que o induziram a investir em acções do BCP a fim de tomar o banco de assalto, como aconteceu, de facto. E para tal prometeram-lhe empréstimos de milhões garantidos com ar e vento de prosápia de comendador. Tudo isto é facto sem grandes dúvidas sobre a respectiva existência. E nada acontece, mesmo assim. O Vítor, Constâncio, agora já nem sequer sua suores frios nas audições parlamentares. Isso foi uma vez e como viu que nada aconteceu, até se ri interiormente do caso e se lhe perguntarem que conversas de pé de orelha teve com o tal Berardo que as confessou no Parlamento, dirá que não se lembra.

Berardo disse uma coisa entre linhas de dislexia: foram efectivamente os bancos que o seduziram para concorrer ao BCP e ele não se fez rogado. É outro facto. E não foram todos os bancos mas os que estavam no esquema que se revelou: CGD, BCP e BES, principalmente.
Perante isto e o resultado que se seguiu, seria caso para o regime cair. Se fosse um regime sério e democraticamente responsável. Não é porque o PS não tem esse adn. E ninguém parece ligar a tal enormidade que se arrasta há muitos anos a esta parte.

O PS vai ganhar estas eleições porque  estes fenómenos interessam quase zero aos eleitores. Em finais de 2009, o PS de Sócrates ganhou as eleições, com uma maioria relativa e que o mesmo considerou uma grande vitória. E só perdeu a seguir porque conduziu o país a uma bancarrota, mais uma, como tinham feito os mais velhos do partido, constâncios, soares e companhia dos  almeidas e todos os santos.

Portugal está num beco sem grande saída por causa disto.

Mesmo que Berardo falasse tudo isto, o resultado seria quase o mesmo. Com tudo o que se sabe de José Sócrates, o seu número dois é primeiro-ministro e alguns dos seus ministros continuam a sê-lo.
Quanto ao resto os media amestrados tratam do assunto.

O Santos Ferreira e o Paz Ferreira e o Constâncio mais o resto da tropa fandanga andam por aí. O regime  é deles e doutros como eles e eles são o regime.

Têm os seus professores de Direito, prontinhos para a parecerística do costume. Têm os seus professores de economia que acertam sempre depois dos acontecimentos e têm os seus discursos bem rodados por quarenta anos de facécias e tudo se resolve em 40% dos votos.

Sobre o assalto do PS ao estado de direito já escrevi muito, in illo tempore, sobre o efeito narcótico que o mesmo provoca em algumas almas intelectualmente sensíveis. Porém, fica aqui, como memória futura, uma vez que pouco interessa para mais nada.

Portanto o que é que interessa isto? Encher papel? Ainda por cima, reportagens fraquinhas, sem sequência ou ligação lógica, sem aprofundamento das ligações e sistemas de contactos.

Um único exemplo: fala-se e escreve-se sobre a fundação José Berardo. Aparentemente ninguém leu os estatutos e os media que conheço cita-os agora porque o Diário de Notícias os terá citado em 1994.
Ninguém tem acesso a isto que aqui publiquei no outro dia? Estão aqui os estatutos originais, em fac-simile e tudo. Se alguém teve porque é que os media não têm? Indolência, incompetência, incapacidade?

Isto que segue é trabalho para as urtigas. Ou para o lixo, temo bem. Ninguém quer saber disto e muito menos os 40% que votam na "mãozinha". Ninguém...




O PS não perde um único voto por causa disto. Desconfio até que os ganha...

Sem comentários:

Um artigo obsceno de Rui Patrício