terça-feira, 13 de julho de 2010

As vagas no ensino superior

Ontem foi notícia o aumento de vagas no ensino superior para o ano que vem. Para o curso de Medicina, mais três vagas, ficando em 1660 no total e 1516 regulares.
Para o curso de Direito, há 1230 vagas, tendo aumentado desde 2008, ano em que eram 1190.

O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho e Pinto, vociferou imediatamente que era uma "fraude": «O conselho que deixo aos jovens é que fujam dos cursos de Direito, procurem outros cursos, ou então vão continuar muitos anos depois de licenciados a viver à custa dos pais» .

Logo de seguida foi ouvido nas tv´s o ministro do ensino superior, Mariano Gago. Para o governante há ainda poucos licenciados em Portugal. Diz que há um milhão e que são metade do número que deveria existir. Daí que defenda o aumento cego das vagas e frequência do ensino superior. E por isso não está de acordo com Marinho e Pinto e até acha que os licenciados em Direito têm emprego em diversos sectores para além da magistratura e da advocacia.
Quanto aos médicos, o mesmo ministro acha que há falta deles e por isso o aumento de vagas justifica-se. Os médicos acham o contrário e que o número de vagas aberto é demasiado elevado.

Este problema, relacionado com saídas profissionais de licenciados, é grave e o sentimento geral é o de que os licenciados em geral, não têm actualmente a mesma facilidade de emprego que tinham há vinte anos atrás.
A questão de fundo, por isso, tem a ver com a percepção que os governantes têm da adequação das vagas no ensino superior aferido às necessidades do país.
Haverá justa adequação quanto aos médicos e aos advogados?
Quem saberá dizer melhor? Os bastonários estão contra o aumento do número de vagas, com base em conhecimentos empíricos, mas fundados numa experiência prática que o ministro não tem. Este, sustenta o aumento, com base em critérios de racionalidade teórica e estatística comparada e ideias com alguns anos, anteriores até à "paixão pela Educação".

Tanto um como o outro não citam elementos objectivos, fiáveis, com um mínimo de segurança argumentativa e que convença o cidadão da razão que lhes assiste. Limitam-se a palpitar sobre o assunto, segundo razões que não apresentam concretamente, para além dos chavões da praxe.

Isto é sustentável? Se alguma instituição no país devia dedicar alguma tempo de estudo, para estes fenómenos, seria o ISCTE: o instituto superior das ciências do trabalho e empresas.
Faz esse trabalho? Não. Faz outros. Que interessam a ninguém.

3 comentários:

joserui disse...

Um bom licenciado em direito, arranja emprego em qualquer lado não necessariamente a exercer, basta querer trabalhar.
Os médicos, conhecem como ninguém a lei da oferta e da procura. A doença é uma indústria próspera, quanto menos médicos melhor, mais facturam os que já estão no mercado. Nunca os vi reconhecer que pudessem existir poucos. Há poucos, concentrados onde se factura e frontalmente contra todas as medidas que alterem ao de leve essa situação.
E não há corporação mais coesa e que melhor se mexa, com nível e descrição. Na família, se a conversa descamba para aí, entorna o caldo imediatamente. O médico em Portugal é algo que não se discute. -- JRF

joserui disse...

Escrevi discrição? Senão, era para ser. -- JRF

diconvergenciablog disse...

Não é preciso estudos para se perceber que actualmente existem licenciados a mais em Portugal.
A mair parte dos que se licenciaram nestes ultimos 5/10 anos não têm emprego. Os que têm é mal remunerado (500€ - 800€ )e a prazo.
As vagas do curso de direito deviam ser reduzidas a mais de metade. O Bastonário da OA tanto fala que ás vezes acerta... é certo que a esmagadora maioria dos novos licenciados em direito não vão exercer qualquer actividade relacionada com o direito.
Não se entende como na faculdade de direito de Lisboa existem 500 e tal vagas, na FDUC 360 vagas... só para falar nestas duas.
Quanto a medicina existem poucos médicos, mas se seguir a fórmula de aumentar vagas todos anos... segue o mesmo caminho do curso de direito.

O excesso de vagas e o facilitismo no ensino secundário e no superior são as causas deste excesso de licenciados.

Por este caminho no futuro, a maioria dos cidadãos vão ter um curso superior. Em termos de educação é bom, uma população instruida tende a ser mais critica, mais informada, mais feliz, talvez...
O problema é que não vai haver emprego...
Os homens vão para as obras como e as mulheres lavar escadas!
Em termos de emprego não valerá a pena gastar 1 € em formação, não terá retorno.
São as leis do mercado!

Sabemos bem que os governantes não pensam nisso.Nem se interessam.... Eles têm sempre o seu lugar garantido, mesmo que tirem cursos por fax.