sexta-feira, 16 de julho de 2010

O político Isaltino

Sol:

Isaltino «só não continuará a fazer o mesmo se não puder».
Foi isso que se escreveu no acórdão que condenou Isaltino numa pena de prisão efectiva de dois anos, pelos crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais, cometidos já na década de 2000.
A expressão " só não continuará a fazer o mesmo se não puder" é fatal para a credibilidade seja de quem for, mormente uma fígura pública, de político e autarca que já foi ministro. E magistrado do Ministério Público durante quatro anos. É um atestado de degenerescência cívica, ética e...fatal para a honra, seja de quem for.
O que a Relação de Lisboa prognosticou numa sentença de colectivo, foi que Isaltino de Morais é corrupto moralmente, porque se puder continuará a defraudar o fisco e a branquear capitais, na Suíça, como foi o caso, ou noutro lado qualquer. Poderia fazê-lo? Sim, se o fundamentar devidamente, porque as penas aplicam-se também com base nesses critérios de culpa.
No entanto, logo após esta sentença mortal para a idoneidade cívica, ainda provisória porque susceptível de recurso prático mesmo que denegado pela teoria, o visado declarou-se inocente e fê-lo em modo sorridente e bem disposto. Farsa?
Talvez não porque tem quase todos os motivos para tal: foi reeleito autarca, depois de todos os munícipes saberem de que estava acusado e até mesmo julgado, com uma condenação a sete anos de prisão efectiva, escassos meses antes e de que se riu também.
E com o sucesso que se viu agora: de sete passou para dois, por causa da prescrição de alguns crimes de fraude fiscal. Por isso mesmo, de recurso em recurso, lá chegará à meta almejada: a absolvição ou a prescrição.
E ao branqueamento daquele anátema terrível. Que será nada de especial, porque já está completamente branqueado pelos eleitores do município que lidera. E isso é que é mesmo terrível.

8 comentários:

Milan Kem-Dera disse...

Gente desta estirpe, e são uma grande maioria dos que andam na política neste país, já se estão nas tintas para observações deste género, venham elas donde vierem.
Descarados e sem escrúpulos, perderam já a vergonha por completo, optando sempre pela "fuga para a frente", sem olhar a meios!
O que é para esta gente uma observação destas num acórdão de um tribunal? -NADA... continua tudo como dantes! E eu até aposto que continua a ter o apoio da maioria dos munícipes do concelho!

Este acórdão teria, com toda a certeza, o seu efeito devastador em qualquer país civilizado e democratizado. Aqui... não tem valor algum! Apenas porque só geograficamente nos encontramos na Europa; de resto, a nossa mentalidade política está mais próxima de uma qualquer república centro-africana!

joserui disse...

José eu não entendo uma coisa: Isaltino é condenado por um juiz e ri-se. Depois é condenado por outro mais levemente e continua a rir-se. Quem o elege ri à gargalhada. Qual é o papel dos juízes nesta galhofa toda? Basta-lhes receber os salários (substanciais) ao fim do mês?
Agora leio que a CMVM condenou o antigo ninho de ratos do BCP a umas multas pesadas e que os visados vão evidentemente recorrer para os tribunais porque é a garantia que têm que vão continuar a rir-se. Há um país todo à gargalhada à custa desta justiça, onde os juízes são uma espécie de símbolo. Qual é o papel deles nesta farsa? Não têm consciência? -- JRF

josé disse...

joserui:

Isto é mesmo uma farsa. Começa nos legisladores que como farsantes aprovam leis que em alguns casos não se adaptam à nossa realidade e toda a gente faz de conta que sim e que são geniais.

Depois segue para os aplicadores do Direito. Em primeiro lugar os investigadores que se apercebem do que está em jogo e da realidade que conseguem perceber. Mas não conseguem mostrá-la ao povo em nome de quem se aplica a justiça porque as regras para se mostrar são mais apertadas que as de um jogo se sueca em que as cartas estejam marcadas.

Logo, os tribunais continuam a farsa porque do pouco que lhes chega para apreciar ainda fazem maior boca fina e são mais relutantes em mostrar a realidade do que os primeiros.

No fim da linha estão pessoas como Isaltino e quem o elege.
São eles os espectadores desta farsa continuada e sabem que o são e que estão a representar uma farsa.

joserui disse...

Eu não percebo. Do que tenho lido aqui principalmente, entendo que tudo começa na lei e nos politiqueiros + gabinetes de advogados a soldo.

Mas os juízes eram uma classe prestigiada. Também vai pelo cano isso? Vai tudo.

Eu arranjo um emprego no estado que consiste em limpar a merda que corre na Ribeira dos Milagres. E o estado para isso dá-me um uniforme (uma espécie de pano preto até aos pés), uma colher de chá e um baldinho de praia. E passa um tipo e pergunta:
— Então homem que anda a fazer?
— Ando a limpar esta merda, não vê?
E o mirone afasta-se à gargalhada. Vem outro:
— Qual é o seu papel camarada?
— Comigo a merda está condenada!
Faz um gesto a indicar que devo ser maluco, goza, ri-se e vai-se embora. Nos jornais, dizem que a culpa é minha porque a Ribeira dos Milagres está cada vez mais nauseabunda. E assim sucessivamente. Um país inteiro a rir-se de mim e de outros como eu.
Das duas uma: ou começava a lutar para resolver o problema ao nível das pocilgas, ou exigia ferramentas adequadas, ou mudava de emprego. E era o amor-próprio mínimo que me compelia a tal, não era nenhum orgulho exacerbado. E é isso que não entendo.
Isto aguenta-se porquê? Porque no fundo os juízes não têm realmente que sujar as mãos e o salário é jeitoso. Aplicam a lei o melhor que sabem, vão condenando uns pilha galinhas com grande autoridade e basta. Não é culpa deles e a mais não são obrigados, apesar dos resultados e da risota geral.
Anda tudo ao contrário. Queriam um país próspero e moderno, saiu isto. Acontece muito, mas não se diga que são só os políticos. Só um abalo violento vai mudar isto. -- JRF

Diogo disse...

Caro José, diga-me meia dúzia de medidas para mudar este tipo de coisas.

josé disse...

Daqui a oito dias vou tentar.Agora, com teclado Azert, tenho dificuldade e falta de tempo.

zazie disse...

Eu arranjo um emprego no estado que consiste em limpar a merda que corre na Ribeira dos Milagres. E o estado para isso dá-me um uniforme (uma espécie de pano preto até aos pés), uma colher de chá e um baldinho de praia. E passa um tipo e pergunta:
— Então homem que anda a fazer?
— Ando a limpar esta merda, não vê?
E o mirone afasta-se à gargalhada. Vem outro:
— Qual é o seu papel camarada?
— Comigo a merda está condenada!


ahahahahahaha

josé disse...

Por aqui, onde estou, onte, recolhi um papel de um restaurante de museu celebre e que vem a acompanhar as bandejas do self-service.

Em cerca de umq d'uzia de l'inguas explica a maravilha da mundializacao da comida de self-service.

Nenhuma dessas l'inguas 'e portuguesa.

E qt'e h'a l'inguas ex'oticas com muito menos expressao que o portugues.

Quando puder publico; porque ' e um sinal dos tempos.