O jornal "Público" abriu um programa de rescisões voluntárias, a que os trabalhadores podem aderir até 6 de Janeiro próximo, no âmbito de uma reestruturação mais alargada, que inclui o fim da publicação da revista 2 já em Janeiro.
A administração do "Público" enviou uma carta aos trabalhadores, a que a Lusa teve acesso, na qual fala nas dificuldades de viabilidade que o jornal enfrenta e na necessidade de reduzir custos, o que passa por um programa de rescisão voluntária.
Segundo apurou o Expresso, na origem desta medida está o facto de o "Público" estar na iminência de fechar o exercício deste ano com um prejuízo na ordem dos três milhões de euros. Um prejuízo similar ao que o jornal registou em 2012, quando decidiu avançar com o despedimento colectivo de 48 trabalhadores para tentar alcançar uma poupança anual de custos na ordem dos 3,5 milhões de euros.
Qual o problema do Público? Ninguém compra o jornal. Porquê?
Se perguntarem à sua directora, dona Bárbara, será talvez por causa da conjuntura adversa. A crise, a troika, a austeridade, a direita, o neo-liberalismo, enfim o Passos.
Como não há cego pior do que aquele que não quer ver, a não ser os mais de três milhões de euros de prejuízo num ano, talvez valha a pena dizer duas ou três coisas, vindas de quem lê o jornal desde o primeiro número no início dos noventa e que o comprava regularmente, deixando de o fazer quando esta direcção inflectiu para o jornalismo de causas da Esquerda intelectualmente hegemónica.
Actualmente compro ( mas compro mesmo) o jornal para ler artigos de opinião sobre a Esquerda e a unidade e frente de Esquerda que é um fenómeno deletério para o nosso país, na minha opinião. E só o compor por isso. Para um jornal diário é muito pouco.
O Público actual não tem um jornalismo que seja essencial e imprescindível e perante a concorrência fica sempre a perder. O Correio da Manhã informa melhor, de modo mais sucinto e eficaz, mesmo com a faca sempre na liga das anunciantes de costumes de mau-gosto.
Provavelmente os jornalistas do Público serão tão bons como os demais, mas ainda assim é pouco porque muitas vezes querem armar a um pingarelho pedantesco sem sentido, principalmente nas notícias do fait-divers que muitas vezes parecem envergonhadas de dizer o que devem dizer e que o Correio da Manhã diz muito bem. A escola de jornalismo do Correio da Manhã foi diferente da do Público? Não creio.
Será que os jornalistas do Público não percebem que a sua directora e equipa editorial já deviam ter saído há muito e dar lugar a alguém que quisesse fazer um jornal menos pedante e mais consentâneo com o público a quem supostamente se dirige, ou seja uma classe média medianamente instruída mas cada vez menos informada?
O principal defeito do Público é a propensão para a causa política do agrado de quem dirige o jornal. Não conseguem desligar-se dessa militância que chateia quem lê. Eu não quero que me digam, principalmente um jornal diário, e muito menos subrepticiamente, o que devo pensar sobre os assuntos. Quero apenas que me digam com toda a objectividade o que se passou aqui ou ali que tenha relevância e interesse plausível e que mostre a maior isenção em apresentar os lados de uma questão.
Não quero um jornal feito de opinadores quase todos no mesmo sentido político e apenas com um par de cronistas ( JMT e VPV) que supostamente asseguram um pluralismo que o jornal não tem.
Portanto, em resumo, o problema do Público e que vai acabar com o jornal são estas duas questões: um jornalismo pedantesco e um enviesamento político desnecessário e de causa fracturante e de esquerda que nem disfarçam no modo como fazem o jornalismo.
O Público é um jornal diário que pretende arremedar os semanários? Fica a perder.
Querem sobreviver? Têm que "matar" a direcção editorial porque com ela perecerão inevitavelmente.
E não deixa de ser uma pena.