segunda-feira, dezembro 14, 2015

TVI: entre a pouca vergonha e o frete descarado

Logo à noite a TVI prepara-se para passar uma entrevista com José Sócrates, o arguido principal do "processo do Marquês".

Entre o descaramento em José Sócrates querer ser entrevistado e escolher a televisão adequada ( cujo director, Sérgio Figueiredo foi presidente de uma fundação no tempo em que aquele era primeiro-ministro e foi colocado na TVI por amigos políticos deste), o desaforo desta estação televisiva dar tempo de antena a quem pretende manifestamente perturbar o inquérito criminal em curso e a lata do entrevistado, lendária e de efeito garantido,  espero para ver quem leva a palma desta pouca-vergonha travestida de assunto de interesse público.

Se no final da entrevista, uma vez que até agora o silêncio é tumular, ninguém do MºPº, da ERC ou do novel ministério da Justiça se pronunciar,  podemos ficar cientes que a lei não é igual para todos e que essas instituições do Estado têm medo do indivíduo e da pequena clique que o apoia activamente e da grande que espera passivamente que o tempo passe e nada aconteça.  

Ainda não chegamos aqui, mas por este caminho lá chegaremos e bem depressa.

ADITAMENTO:

Estas 16 perguntas que Luís Rosa, do Observador gostaria de ver respondidas são inteiramente supérfluas porque partem do pressuposto que ainda se duvida de que o dinheiro movimentado por José Sócrates proveniente das contas do amigo Carlos Santos Silva pertencerá a outrém que não José Sócrates e não se sabe bem a quem.
Ora não deve existir uma única pessoa em Portugal, a começar por Mário Soares, passando pelo mais empedernido dos apoiantes que foram visitar o recluso 44 a Évora e até chegar ao simples cidadão que chegou agora ao país e tomou conhecimento dos factos que pense que o dinheiro é de outra pessoa que não José Sócrates.

A única pergunta sobre tal assunto deveria ser para comentar o telefonema da mulher de Carlos Santos Silva a Fernanda Câncio sobre as suas agruras com o processo...

Esse telefonema que aquela dita Câncio proclamou falso mas não se sabe se por inteiro ou apenas no pormenor é que deveria ser  comentado pelo entrevistado. E só esse que não era preciso mais nada, se fosse colocado no ar, agora que o segredo de justiça é coisa para que o entrevistado, presumivelmente também se está a cagar...tal como a segunda figura do Estado esteve durante o caso Casa Pia.

EM TEMPO:

O advogado Magalhães e Silva, do PS, está na TVI 24 a dizer coisas que denotam que deve ser um dos que acreditam na inocência formal de José Sócrates porque adiantou que para as suspeitas que existem poderão existir para aí cinco ( foi o que disse) explicações possíveis e plausíveis para os factos da suspeita. E só as não disse porque espera que seja a defesa a fazê-lo.
Pois sim, abelha!

Magalhães e Silva parece desconhecer o significado de uma expressão interessante que há em direito penal: "prova indirecta".
Prova indirecta é chato comó caraças e não convém nada a advogados que são do PS ou que têm mais manha que sete raposas e apesar de negarem o pendor político do processo, acreditam piamente nesse efeito perverso...

O único acórdão existente para estes advogados de chinela no pé é o do juiz Rangel. Os outros todos não existem, incluindo os do STJ.

Só uma anedota para finalizar com este Magalhães e Silva, incapaz de despir o casaquinho do PS:

Acabou de dizer que José Sócrates não quis a pulseira electrónica por uma questão de dignidade. Foi, foi...para quem não conhece a cronologia factual do que então sucedeu.

Eu lembro: José Sócrates quando recusou a pulseira electrónica pensava que o acórdão libertador  assinado pelo desembargador Reis estaria iminente. Enganou-se porque quem assinou o acórdão que não o libertou foram as duas asas desse colectivo. E quando decidiram já José Sócrates recusara a pulseira electrónica. Foi apenas isso e Magalhães e Silva é uma anedota que faz rir quando se pronuncia deste modo.

Finalmente: qual a verdadeira razão e motivo pelo qual a TVI convida para comentar esta entrevista dois advogados do costume e um deles fundador do PS e consabidamente um defensor de José Sócrates, que o defenderia mesmo sendo indefensável porque é assim a natureza do mesmo advogado?
O outro, Paulo Sá e Cunha está fartinho de perder processos de arguidos excelentíssimos, seus clientes.  Ou  não fosse ele advogado típico que defende sempre inocentes. Os culpados são para os outros e a realidade, aqui, é apenas um pormenor.

Porquê?!

Eu respondo: porque tem que ser assim e quem manda na informação é um indivíduo chamado Sérgio Figueiredo. É essa a única razão e uma razão para terem vergonha. Que não têm e dizem-se jornalistas.

Jornaleiros, talvez  seja melhor dizer.

A TVI anuncia já que a seguir aparecem Pedro Delille, J. Miguel Tavares e Fernando Esteves para comentar o assunto.

Veremos como decorre.

E...decorreu bem. O advogado Pedro Delille continua a acreditar no pai Natal e no palhaço que vai ao circo nesta altura...

Questuber! Mais um escândalo!