Ontem à noite, enquanto ouvia, através de um leitor digital Onkyo DP S1 , ligado a um conversor DAC da iFi micro iDSD Black Label e em auscultadores Sennheiser 600, tudo amplificado por um sistema hi-fi antigo, Aiwa 22, de 1979, a gravação digital em dsd 5,6 Mhz, efectuada através de um gira discos Thorens TD 160 Super, com braço Pierre Lurné e cabeça de leitura da Shure ( SC35C) acoplado a um conversor analógico-digital da Korg, modelo 10R, do disco em vinil, prensagem de 1973, Tommy, dos The Who, dei em olhar para a tv que na RTP passava o sistémico Prós&Contras.
Quando olhei de relance, distraí-me um pouco dos sons de I´m Free! e libertei-me da canga dos auriculares quando vi a figura de André Ventura, do novel Chega ( tinha escrito chaga por lapso de escrita e vai ser mesmo uma chaga na pele do politicamente correcto. Aliás já começou a chagá-los...), no programa, a falar.
E ouvi o que nunca tinha ouvido na tv num programa daqueles! Ó céus! Seria possível?! Enquanto tirava a canga, a câmara rodou para as figuras de outros presentes no Prós, como o inenarrável Santos Silva, ministro que malha na direita e das figuras sinistras da irmã Mortágua, filha do pirata e de uma gaga que se chama Joacine, é preta e representa o partido Livre. Reparei que estavam com cara de caso, como dizem os brasileiros e intrigou-me.
Cara de caso é o menos que se poderá dizer, porque todas essas personagens na verdade destilavam ódio, do verdadeiro, para com o interveniente do Chega.
E que dizia então o Chega, para lá do mais? Que o discurso corrente e mediático já tinha definido o Chega como partido da extrema-direita copiando notícias lá de fora e que se preparavam para o excluir do âmbito de um debate democrático, como habitualmente fazem. As três parcas figuras estavam quase possessas. A Nona Santos Silva que malha na direita nem tinha falas e só tinha olhos semi-cerrados por trás das armaduras de óculos sem elas. A expressão era de um quase horror estampado na fronha. A Décima Mortágua contorcia os beiços e a gaga Morta nem tinha voz, apenas olhos coruscantes de raiva.
Eram estes democratas que estavam ali a presenciar o exercício da democracia como nunca se vira: alguém a dizer-lhes na cara mediática o que nunca tinham ouvido assim em directo, num programa de tv!
Deixei os The Who para trás, com a história do rapazito cego surdo e mudo e passei a ver, ouvir e falar sobre o programa, porque logo a seguir houve outra surpresa agradável: o representante do Iniciativa Liberal, um tal Cotrim que nem conhecia, falava que se fartava, quase no mesmo registo que o Ventura e a aventura era a mesma: afinal era possível ouvir na tv um discurso para além do habitual e sistémico.
O Cotrim malhou tanto no malhadinhas Silva que este embatucou umas palermices e não foi capaz de responder a malhar.
Porra! Que bem malharam estes dois naquelas figuras parcas e tristes, da democracia que temos e nos preparam outra geringoça!
Haja esperança! O Parlamento promete ser um local animado. Só espero que aqueles dois não se transformem em antítese dos antigos Mário Tomé e Acácio Barreiros. Para não falar do boquejão António Campos, extremoso pai de Paulo, filho da mãe ou do maçónico Rego que espumava raiva sempre que via sotaina pela frente imaginária.