quarta-feira, 30 de outubro de 2019

O Partido Socialista exilado

Há um PS que foi exilado do poder há cerca de meia dúzia de anos, juntamente com o líder que se preparava para o ser e não foi, António José Seguro.

Esse PS parece um pouco melhor do que tralha socretina e socrática que ficou do tempo de José Sócrates e de que António Costa é o capitão-mor. De um outro PS, aparentemente.

Vejamos então que PS seria esse...com a entrevista de um exilado a sério por causa deste último PS. Chama-se Pedro Caetano e não tem papas na língua. Diz o que não dizem os jornais e televisões em Portugal, completamente anestesiados por estes ex-socráticos e até socretinos que invadiram todo o espaço público.

Observador:

Foi, desde sempre, um feroz opositor de Sócrates e de Costa. Neste aspeto, diz, o Financial Times já se enganou duas vezes: a primeira foi em 2007, quando elogiou os défices baixos de José Sócrates, acreditando que este iria implementar as reformas que, afinal, só foram iniciadas com a chegada da troika, em 2011.
Sabe que há, em tudo isto, uma componente quase irracional, emotiva, admite. Mas por isso traz para a mesa os números do Eurostat, do Banco de Portugal, do Banco Mundial. Mais do que no campo da ideologia, coloca a divisão do PS - sim, existem dois PS, defende - no campo da ética. É a corrupção que divide o partido, uma espécie de índios e cowboys. 


É do Partido Socialista e fez parte do grupo que estava a elaborar o programa de governo de António José Seguro para a área da saúde, até 2014, quando António Costa interrompeu o processo. Podemos dizer que existem dois PS?

Claro. A última entrevista de Francisco Assis revela perfeitamente isso. Há dois PS porque há um PS que acredita que o país tem um grave problema de corrupção, mais do que de ideologia. As lideranças têm dado um exemplo tão mau que, mesmo a níveis mais baixos da população, já está entranhado o sentido da cunha, do favoritismo. É um problema muito grave, de ética, e tem de ser resolvido. Temos batalhado ferozmente contra isso, ao ponto de termos convencido Seguro a dizer algo que não era mainstream: há aqui negócios misturados com política. A entrevista de Seguro à Visão, em 2014, foi um marco histórico na política portuguesa, acho que as pessoas não se apercebem de que esse grupo, para dizer isso, teve de lutar muito. E Seguro só o disse quando já sentia que poderia vir a ser primeiro-ministro, que poderia começar a dar o exemplo. No grupo da saúde, para lhe dar um exemplo - e não vale a pena personalizar - já éramos vistos como ministro e secretário de Estado, o Álvaro Beleza e eu, e reuníamos com conselhos de administração de hospitais privados e com associações de doentes para dizer que tinham de arranjar maneiras de se auto-sustentar porque não podia ser o Estado a pagar-lhes. Nunca tinham ouvido alguém dizer que o dinheiro do Estado não era para esbanjar. Mas não éramos radicais, somos ao centro.

(...)

O primeiro-ministro foi indigitado antes mesmo de terem sido contados os votos pelos círculos da emigração. Mas depois temos os políticos, incluindo o presidente da República, a apelar ao voto. Faz sentido?
Marcelo [Rebelo de Sousa] tem-me desapontado bastante pela subserviência ao governo. Quanto devia ser um contraponto. Penso que foi por isso que as pessoas votaram nele, para ser um contraponto, ideológico ou moral, a virtude está no meio. E ele não balança nada. Temos um presidente que é quase como o juiz Ivo Rosa, pende sempre para o mesmo sítio. O caso mais grave foi despedir Joana Marques Vidal [procuradora-geral da República], o que, claramente, era do interesse de muita gente associada a Costa e, por quaisquer razões, Marcelo tornou-se enormemente subserviente ao primeiro-ministro, e esta é mais uma linha que tenho observado. Outra linha que observei [em Costa] foi o nepotismo, quando começo a ver nomeações como as da filha de Vieira da Silva [Mariana Vieira da Silva] ou de Eduardo Cabrita [marido de Ana Paula Vitorino], num país europeu, em 2017, entre 10 milhões de portugueses em Portugal, mais três milhões de portugueses no estrangeiro onde encontrar os melhores dos melhores para governar sem ter de pertencer à mesma família. Não é possível, isto já não acontece nem em Angola - acontecia no tempo de José Eduardo dos Santos, mas não com João Lourenço. É inexplicável.


Pois bem, um exemplo deste PS de ex-socráticos que é elucidativo da pouca-vergonha que os anima. É da Sábado de hoje:


Este indivíduo que figura na imagem é um tal Galamba, um dos socretinos mais típicos e que andava pelos blogs a azucrinar quem se opusesse ao chefe que lhe(s) pagava estipêndio para tal. 
Agora é ajudante no Governo e já fez merda em pouco tempo. 

A adjudicação a uma empresa duvidosa, em tempo record, denunciado no programa de tv Sexta às 9, da autoria da filha da Fátima Felgueiras, outra socialista dos tempos de Felgueiras, é bem exemplar desta tralha que governo há meia dúzia de anos. 

A empresa que venceu o concurso não deveria ter ganho pelo que aqui vem explicado. Mas ganhou. E eventualmente de modo legalmente insindicável. 

É sobre estes casos que o PS exilado se pronuncia? Sem dúvida. Estes e outros piores...

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