sábado, maio 07, 2011

Sacudir água do capote

Maria Celeste Cardona, ex-ministra da Justiça, escreve um pequeno artigo no Público de hoje para justificar a inoperância da acção executiva que foi aprovada no seu tempo de ministério. É um pequeno exemplo da dificuldade em fazer reformas na justiça portuguesa e um aviso para o que vem aí, com medidas de fundo e de forma propostas à vol d´oiseau pela "troika".

Celeste Cardona explica que na altura em que chegou ao Governo de Durão Barroso, em Abril de 2002 havia uma reforma da acção executiva pronta a entrar em vigor e preparada toda ela pelo anterior governo de Guterres que tivera António Costa como ministro da Justiça.
Perante alguns reparos acerca da flexibilidade do novo sistema, a ministra pediu então ajuda a um professor de Direito de Lisboa, Lebre de Freitas, versado nessas tecnicalidades que verteu em livros e ensinou na faculdade.
A reforma entrou em vigor em Janeiro de 2004 e introduzia a figura carismática do solicitador de execução ( os advogados puseram-se fora da carruagem reformadora).

Escreve agora a ex-ministra que " De imediato foram detectadas anomalias, deficiências, dificuldades, sobretudo a nível técnico e a nível do funcionamento dos solicitadores de execução".

Ou seja, a reforma de António Costa mai-la contribuição da sumidade Lebre de Freitas deu logo com os burros na água da ineficiência e incompetência.
Mas...ninguém lhes pediu contas sobre o fracasso que dura desde então. Nada de nada e tudo se passou como se essas sumidades continuassem a merecer a atenção desvelada dos alunos onde se ensina Direito. São sumidades e basta.
Na altura o sistema era entendido como o "nec plus ultra" que iria pôr nos eixos a bagunça de caloteiros à solta e a deverem as penas aos pássaros mas a chilrearem de impunidade.

Escreve agora Celeste Cardona que "dei de imediato início à introdução de melhorias operacionais e legislativas no regime de acção executiva. Devo, aliás, referir que no Ministério da Justiça ficaram elementos mais que suficientes que ilustram os trabalhos que já tinham sido feitos, bem como os que estavam em curso." E justifica Celeste Cardona que este seu trabalho durou seis meses e que desde então está tudo na mesma e pior, porque " a reforma da acção executiva continua a ser considerada como um bloqueio à celeridade da justiça."
E esclarece que se "multiplicaram, ao que se sabe, as iniciativas legislativas e outras.
Portanto, conclui: " O governo socialista encomendou, estudou e preparou a reforma da acção executiva. Fez bem. Eu reanalisei, melhorei e tornei operacional a reforma. A sua entrada em vigor demonstrou algumas fragilidades que, de imediato, foram ou estavam a ser corrigidas quando terminei o meu mandato. O PS voltou a ser governo. Passaram mais de sete anos. A reforma da acção executiva continua a ser qualificada como um problema.
A pergunta óbvia: de quem é a responsabilidade? "

Pois é uma pergunta óbvia mas a resposta não é.

A responsabilidade é da incompetência das sumidades. E nada mais. Julgam-se no olimpo do saber académico e provocam estes desastres de milhões e milhões.
Pior ainda: nunca darão o braço a torcer acerca da sua incompetência prática sustentada em manuais e teses de doutoramento com centenas de citações.

A acção executiva destina-se a cobrar coercivamente, através dos tribunais, o que os caloteiros se recusam a fazer tempestivamente.
Os problemas com esta cobrança coerciva são inúmeros. As soluções milagrosas não existem. Os estudos académicos esbarram na inexequibilidade prática que aquelas sumidades não conhecem, porque gizam teorias copiadas de lugares onde não se praticam os nossos costumes.

Quem deve muito, a primeira coisa que tenta fazer é "fugir com os bens". Quem teme dever muito nunca tem os bens " em seu nome".
Há uns tempos andou por aí uma notícia sobre a fortuna de Dias Loureiro e que parece mítica. parece que o pobre homem nada tem de seu. É tudo de empresas onde se encontra...

O que se poderá dizer de um sistema teoricamente elaborado, tecnicamente sofisticado, com base de sustentação comprovada em modelos estrangeiros e que afinal de contas não funciona?

Que é uma caricatura de sistema. É isso a nossa acção executiva. Uma caricatura. E ninguém tem coragem de dizer aos sofisticados autores das reformas que andam sempre nus, como reizinhos de caricaturas.

Danos não-patrimoniais ao senso comum

O deputado Ricardo Rodrigues, vice-presidente da bancada parlamentar do PS e figura política de proa desse partido, cabeça de lista para deputado à próxima legislativa, pelos Açores ( é um dos imprescindíveis) , foi acusado pelo Ministério Público, recentemente, pela prática de crime de atentado à liberdade de imprensa.

Os factos da acusação reportam-se a 30 de Abril de 2010 e a uma entrevista à revista Sábado que correu muito mal. Segundo o Público de hoje, Ricardo Rodrigues "decidiu processar judicialmente a revista e os dois jornalistas, pedindo uma indemnização de 35 mil euros por "danos não-patrimoniais sofridos".

Ricardo Rodrigues só agora se lembrou de accionar os jornalistas e a revista e acha que o assunto é do foro privado, depois de ter sido publicamente debatida a sua conduta, o que não foi suficiente para o afastar da bancada do partido onde milita. O assunto delicado que a revista pretendia abordar na entrevista era o caso Farfalha, ocorrido nos Açores e que respeitava a pedofilia. Havia rumores na ilha de que o então membro do governo regional dos Açores estaria envolvido no assunto e Rodrigues demitiu-se e veio para o continente postar-se na Assembleia da República, pelos vistos um refúgio propício para fugitivos.

Um dos motivos da actual queixa, segundo o Público, será o de ter sido alvo de comentários depreciativos sobre a sua indoneidade para "estar à altura das funções que exerce nas comissões parlamentares". Outro motivo refere-se explicitamente "à chacota" de que foi alvo...

Rodrigues, seguindo os ensinamentos públicos do presidente do STJ, Noronha Nascimento, sabe que em direito civil, a amplitude para apreciação da matéria de facto atinente aos danos é muito mais lata que em processo crime. E por isso poderá sempre apresentar as provas suficientes, com as testemunhas todas da bancada do PS a dizer que sim e que o mesmo chorou baba e ranho de vergonha e opróbrio por causa dos malvados jornalistas.

Por isso mesmo, haverá agora um terceiro motivo, para resposta numa eventual réplica: a má-fé processual. Devida a quem costuma fazer o mal e a caramunha a seguir. Que é punida nos termos da lei de processo civil e que a troika parece querer aumentar nos respectivos valores.

Dos tribunais portugueses espera-se a devida e necessária colaboração para esse efeito.

sexta-feira, maio 06, 2011

O primeiro mentiroso é um querido líder

Para estes e deste modo surreal que só tem paralelo na terra dos kimilsun. A prosa que segue é do melhor que se pode encontrar nos antigos panfletos da propaganda que nem sequer no tempo do "fachismo" era possível ler.

E ainda dizem mal do Américo Tomás...pois então leiam e meditem.

Defender Portugal:

Ao fim de 6 anos como Primeiro-Ministro, julgaríamos já conhecer suficientemente bem a personalidade de José Sócrates. No entanto, no «5 para a meia-noite», com Fernando Alvim, o Primeiro-Ministro conseguiu surpreender, revelando a sua faceta mais humana, descontraída e bem-disposta. Foi um José Sócrates bem diferente aquele que, desta vez, nos chegou a casa pelo ecrã da televisão. Mais solto e liberto das obrigações institucionais, José Sócrates mostrou ser:

- um homem divertido e com sentido de humor, que sabe imitar o Futre (ó sócio, tou concentradíssimo), que envia SMS aos seus ministros sportinguistas a brincar com a situação do clube e que responde às provocações com uma piada rápida (Alvim: vai contratar o melhor político chinês da actualidade? José Sócrates: não sei se o FMI deixa...)

- um homem simples, que gosta de ir ver os jogos ao estádio, que vai com os filhos ao cinema e que deixa a gravar as mesmas séries que todos nós vemos: Dexter, Mad Med, etc.

- um homem terra-a-terra, que consegue explicar em poucas palavras a diferença entre ser de direita ou de esquerda, com a mesma naturalidade e à-vontade com que expõe as vantagens do programa INOV e a forma como ele promove o emprego jovem.

- um homem com fair-play, que tem amizade e respeito pelos seus adversários políticos, não confundindo as disputas eleitorais com as relações pessoais.

- um homem que não se deixa levar pelo politicamente correcto e não tem qualquer pudor em assumir que é do Benfica e que tem orgulho nisso.

E, para isto, não precisou de recorrer a marketeiros brasileiros para lhe construirem uma personalidade artificial, nem de expor a sua intimidade em público...


A fome e a peste

Segundo sondagens hoje conhecidas o PS aproxima-se do PSD nas intenções de voto e talvez mesmo o ultrapasse na recta final das cruzinhas no boletim.

As razões profundas e verdadeiras para tal fenómeno não são inteiramente conhecidas por ninguém. Seria preciso perguntar a cada um dos votantes PS ou na Esquerda típica a razão porque não confiam nos partidos que lhes estão mais à direita. E mesmo assim, haveria equívocos porque as respostas não seriam esclarecedoras.
Nenhum sociólogo das tretas no ISCTE ou no CES de Coimbra conseguirá entender e explicar com segurança e verdade todas as razões dos votos neste ou naquele partido porque há razões que a razão desconhece e essas ainda entendem menos.

Mas pode haver aproximações explicativas. A minha é esta:

O PSD é um partido social-democrata cujo programa político-económico em nada se distingue, no essencial, do do PS actual. Então por que razão não se vota no PSD ou mesmo no CDS, escolhendo outros protagonistas para o governo em vez das estafadas figuras que estão e querem continuar com o projecto que deu tão belos resultados? Mistério acrescido. E que se pode explicar de uma maneira simples e com anos de prática empírica:

O PSD nestes últimos anos tem passado uma imagem que sendo falsa tem sido aproveitada subrepticiamente pelos informadores dos media: é um partido de liberais, "de direita", daqueles que irão despedir na função pública, privatizar a eito, entregar "isto" aos ricos. Como se os ricos não estivessem logo logo com quem ganha a seguir. Ricardo Salgado que o diga.

O PSD nunca foi um partido que entrasse abertamente no eleitorado de Esquerda típica porque sempre foi denunciado pela mesma como um "partido de direita", o que faz imenso jeito à Esquerda que alimenta esse embuste há dezenas de anos. Et pour cause. As poucas vezes em que tal conseguiu, timidamente, foi com propostas social-democratas e nunca liberais.

Colocado perante uma escolha entre a fome e a peste, o eleitorado português parece disposto a escolher a fome do PS por lhe parecer que o PSD é a peste.

Tem sido essa a propaganda consistente dos últimos anos e o próprio PSD tem contribuído com largas medidas para que o eleitorado o veja como a peste do regime que está.

Qualquer pessoa da rua está convencida que o PSD não fará melhor que o PS e que este fez o melhor que podia e até podia ser pior do que é...e tal ideia tem sido propagandeada abertamente através de todos os Prós & Contras, noticiários da RTP e agora da TVI e dos jornais afectos que são quase todos, mais a TSF que passa tudo o que se passa neste contexto, com ou sem balda(ia)s.

E tal ideia básica, subliminar primeiro e sedimentada agora, vai ser muito difícil de desmontar. Para isso seria preciso entendê-la e depois ter o génio para a denunciar como um embuste. E não parece que este Passos Coelho seja capaz. Talvez o Rangel o fosse porque denota outra capacidade que anda muito desaproveitada.

lavagem automática


Esta é uma publicidade que hoje aparece no Público. Uma imagem da nova informação da TVI. Uma informação ajustada a um controlo de danos de imagem do poder que está. A nova informação da TVI está em consonância com aquilo que António Reis, o maçónico do GOL, diz ao Sol, em entrevista.

Perguntado sobre o primeiro ministro diz candidamente como quem não parte o prato das reuniões de avental que "Foi perseguido como provavelmente nenhum outro governante português depois do 25 de Abril". Subentende o grão-mação que a perseguição foi ignóbil e de todo injusta, ao líder do partido no poder que está. Subentende que o primeiro-ministro de um governo que conduziu o país à miséria em que se encontra- a pior média de crescimento económico dos últimos 90 anos; a dívida pública maior dos últimos 160 anos; a maior dívida externa dos últimos 120 anos; o desemprego maior dos últimos 80 anos- sujeito a humilhação suprema de ter de estender a mão a uma caridade sem alternativa, é um bom primeiro-ministro, injustiçado e quiçá incompreendido pelos "perseguidores", essa canalha vil que não acolhe com salmos e améns a política que nos trouxe até aqui.

Em seguida e para compor o ramalhete, este grão-mação, como o jornal lhe refere que "há quem diga que ele tem vindo sucessivamente a mentir ao pais", responde assim:

"Essa expressão, mentir, é das que maior irritação me produz. Hoje, na vida política, usa-se a palavra mentir com uma facilidade que eu não julgava ser possível. Perdeu-se a noção da gravidade das palavras e é verdadeiramente lamentável que o debate tenha caído tão baixo."

É este o mote e o tom da informação tipo TVI, depois da reformulação da equipa de assessores, sob a batuta do conde que a comprou em negócio muito curioso. O Primeiro Mentiroso é apenas o mais virtuoso dos políticos e a mentira relativa é a ordem natural das coisas na gestão da coisa pública. Se perguntarem ao grão-mação o que pensa, por exemplo, de Berlusconi e da sua manipulação informativa através dos media que controla directamente porque os detém, dirá precisamente o contrário do que agora diz. E com o maior desplante de seriedade maçónica.

E tal como em 2009, a informação televisiva tem um papel crucial e fundamental no resultado eleitoral. No núcleo essencial do Estado de Direito. E o grão-mação, mai-los seus correlegionários sabem perfeitamente que assim é.

quinta-feira, maio 05, 2011

A competência muda

ATESTADO DE INCOMPETÊNCIA no blog Desmitos

Quem ler atentamente os documentos com as medidas da troika facilmente pode concluir que este é o maior atestado de incompetência do actual governo que já foi produzido por entidades internacionais. É certo que a OCDE, o FMI, e a própria Comissão Europeia já tinham criticado em vários documentos a política económica e a política fiscal dos últimos anos. Entre nós, este papel de crítica institucional foi igualmente desempenhado variadíssimas vezes pelo insuspeito Tribunal de Contas e pela UTAO (a Unidade Técnica de Apoio Orçamental da Assembleia da República). No entanto, até hoje, nenhuma entidade internacional tinha ousado criticar tão frontalmente o governo actual.
Embora, por motivos políticos, a linguagem seja técnica e alegadamente neutra, a apreciação da troika da economia portuguesa e da governação dos últimos anos é simplesmente arrasadora. Não há área onde as sugestões da troika não se façam sentir e onde os falhanços e as irresponsabilidades dos últimos anos não sejam denunciados. Desde à Justiça paralisada, ao mercado de trabalho excessivamente rígido, ao mercado de rendas desajustado, aos problemas de competitividade, à economia anémica e esclerosada, aos sofríveis indicadores da Educação, às excessivas dívidas das empresas públicas, à reavaliação das parcerias público-privadas (PPPs), à pouca concorrência dos sectores protegidos, à pouca transparência das contas públicas, e ao excessivo despesismo do nosso Estado, os documentos da troika não deixam de lado praticamente nenhuma área inalterada. Se isto não é um atentado de incompetência, eu sinceramente não sei o que é. Afinal, se as coisas estavam tão bem e se a crise nacional tivesse começado mesmo em 2008 (como o governo nos quer convencer), por que razão teríamos que reformar todas estas áreas?
E é exactamente por isso que o pacote das medidas propostas é bastante razoável e faz bastante sentido. Porventura, o elemento mais negativo do pacote da troika é a insistência no agravamento fiscal das famílias e das empresas. Sinceramente, espero que um próximo governo seja capaz de renegociar este aspecto do pacote de ajustamento, pois seria preferível insistir numa maior redução da despesa estatal em vez de ter de agravar mais os impostos das famílias e das empresas.
No entanto, é de saudar que o pacote de medidas a implementar inclui inúmeras propostas para melhorar a competitividade da economia e das exportações portuguesas, incluindo uma reforma abrangente da Justiça, uma maior flexibilização do mercado laboral, e uma reforma do Estado, que irá incluir uma reforma administrativa (com a redução de freguesias e municípios) e a redução dos milhares de organismos e entidades públicas. Para além do mais, o pacote de ajustamento propõe a chamada desvalorização fiscal, onde se dá uma descida da taxa social única paga pelos empregadores em contrapartida da harmonização das taxas do IVA e de uma diminuição da despesa pública. Ao baixar as contribuições sociais das empresas, os custos do trabalho baixam, o que nos permite melhorar a competitividade das nossas exportações, criar mais emprego e, assim, combater a maior chaga social do nosso país, que é o nosso desemprego histórico.
Em suma, com a excepção da subida dos impostos, bem como dos cortes na Saúde e na Educação, penso que a grande maioria dos economistas e analistas poderia facilmente subscrever o pacote de ajustamento proposto pela troika. Um pacote de ajustamento que, pela sua abrangência e diagnóstico arrasador, é simplesmente o maior atestado de incompetência do governo actual. É tão simples como isso.
Posted by Alvaro Santos Pereira

Bafo de onça





Sapo:

O cabeça de lista socialista pelo Porto, Francisco Assis, afirmou hoje que o PSD ficou “subitamente sem programa eleitoral” já que estava à espera da boleia da “troika” para destruir o Estado Social, não tendo agora condições para o fazer.


Este Assis, em vez de escuteiro, de vez em quando solta-se-lhe o bafo. De onça. Seja como for, outra personagem cómica e de livros do patinhas.


O escuteiro "mirim"



Económico:

O Governo quer congratular-se pelo facto de desta vez ter prevalecido o sentido de responsabilidade dos partidos da oposição, em particular do PSD e do CDS, ao terem agora aceitado um compromisso político alargado quanto à execução do acordo negociado pelo Governo", afirmou Pedro Silva Pereira, no habitual 'briefing' após o Conselho de Ministros.

Este Pereira é a figura típica do escuteiro mirim. Todos o santo dia tenta a boa acção que o redima das aldrabices em que se envolve.

"Coisa horrorosa!"



Sapo:


Depois de Teixeira dos Santos ter anunciado que era prematuro divulgar as taxas de juro associadas ao empréstimo, Poul Thomsen, representante do FMI, avançou que "serão de 3,25 por cento no início, mas irão mudando. São taxas flexíveis".


Este desgraçado ministro das Finanças que ainda temos, professor universitário no Porto, suposto pelo Governo, sus muchachos e papagaios associados, como alta competência na Finança e deposto como nulidade pelo Economist, tem manifestamente azar. Um azar mumificado.


Depois da representação tipo "múmia paralítica" a que assistimos na sua última intervenção ao lado do seu mentor, o desgraçado interveio hoje para tocar a campaínha do discurso conveniente.

O regente fez ouvidos de mercador e mumificou-o outra vez.

O nosso Primeiro Mentiroso

A demonstração da aldrabice, pelos estrangeiros:

O representante da Comissão Europeia disse que se Portugal tivesse pedido ajuda mais cedo, a cura de austeridade poderia ter sido mais leve. Ainda assim, cortes dos subsídios de férias e natal nunca estiveram em causa, afirmou.



A única pergunta a fazer pelos jornalistas do sistema é esta: Senhor Primeiro-Mentir, perdão, Ministro, como é que explica a afirmação do representante da Comissão Europeia que o desdiz naquilo que anda a afirmar sempre e em todo o lado?

A pergunta ganha mais impacto se for fotografada em exclusivo como agora é costume, pelo inefável Ricardo Oliveira, fotógrafo privativo da presidência do Conselho de Ministros.

O caso Snu e Mário S.

Decorreu ontem no auditório 3 da Gulbenkian um evento- o lançamento de um livro da autoria da repórter de tv Cândida Pinto, sobre o relacionamento amoroso entre Snu Abecassis e Sá Carneiro.

O Público de ontem, sobre isso, nada escreveu. Hoje, escreveu nada. O i anunciava em duas páginas ilustradas o assunto.

Presentes no evento estiveram o embaixador da Dinamarca, terra de origem daquela Snu, casada antes com Vasco Abecassis e que se terá apaixonado por Francisco Sá Carneiro nos anos a seguir à Revolução de 25 de Abril. Também presentes, o presidente da Gulbenkian Rui Vilar e o administrador curvado ao peso da responsabilidade, o professor Grilo que foi ministro e escreve livros em que se lamenta pelos alunos não se sentarem. Presente ainda um confuso Rui Ramos, com discurso atropelado e de reverência escusada a Mário S. também presente. E uma amiga do casal desfeito, Maria João Sande Lemos. Também Fernando Dacosta, sempre muito bom comunicador e que contou a história do encontro dos dois. Terá sido Natália Correia quem os apresentou em modo ditirâmbico e grandiloquente no seu Botequim. E contou que Natália era apelidade por Agustinha Bessa Luís como a "tasqueira da Graça" ao que a desancada replicava com o vitupério "bruxa da Areosa".

O personagem dúbio, Mário S., recontou algumas peripécias desses tempos relacionadas com o assunto. Que era amigo do casal e até visita. Que se dava muito bem com eles e patati patata. Contou que semanas antes do desastre que os matou, cruzou-se com Snu Abecassis nos Passos Perdidos da Assembleia da República e esta olhou vagamente, em frente, sem lhe falar. Então Mário S. voltou-se, agarrrou-lhe o braço e pediu-lhe explicações para aquele comportamento, para lhe ouvir dizer que estava muito zangada com ele por causa do que dissera publicamente da relação entre aqueles.

Mário S. ter-lhe-á explicado como explicou ontem que não era nada pessoal e que essas coisas não devem contar e que só por motivos políticos haveria razões para zangas o que não chegava para ser motivo de coisa alguma.

Na sala do Auditório 3, onde se encontravam presentes várias pessoas que se lembram muito bem do que se passou realmente, ninguém teve a coragem de contradizer o pai do socialismo democrático que temos.

Dizer-lhe de caras e ali mesmo que nessa altura, num comício no Algarve, Mário S. vituperou o comportamento de Sá Carneiro dizendo alto e bom som que quem não tem capacidade para governar a sua própria vida pessoal e familiar não tem igualmente competência para governar o país. Ou seja, serviu-se do facto de Sá Carneiro ter repudiado a mulher legítima, trocando-a por uma paixão na pessoa de Snu para o atacar politicamente e fê-lo sem qualquer pejo ou vergonha, o que não o impediu de cinicamente apresentar depois tal facto, perante a visada como coisa sem importância alguma...

Mário S. saiu dali a pouco "porque tinha outros afazeres" e quem ficou lembrou depois o episódio triste, na ausência do dito.

É este um retrato da personagem e de um carácter político e pessoal que muitos adulam e se recusam a mandar para o caixote do lixo da nossa História.

quarta-feira, maio 04, 2011

O mudo



Nos idos de setenta do século passado, na RTP a preto e branco havia um programa patusco chamado Museu do Cinema, apresentado por António Lopes Ribeiro, um realizador de cinema do antigamente. Os pequenos "clips" de cinema mudo, com Chaplin e Pamplinas eram pontuados em notas de piano vertical tocado por um ainda mais mudo António de Melo, arrancado ao silêncio no fim do programa através de um incentivo particular do apresentador: " António, diz boa noite aos espectadores!" e o outro lá balbuciava as duas palvras da praxe, sem mais.


Ontem, na mesma RTP, o circunstante mudo nem a isso teve direito...porque o realizador da farsa habitual nem sequer lhe deu oportunidade.


A prova dos dois

RR:



O Supremo Tribunal de Justiça confirmou a condenação a dois anos de cadeia de Isaltino de Morais. O órgão rejeitou o pedido de anulação de prisão efectiva a que o autarca foi condenado no Verão passado e aumentou para mais do dobro o montante da indemnização cível que vai ter de pagar à administração fiscal.




A questão que se coloca é muito simples: Isaltino vai ou não cumprir os dois anos de prisão efectiva?


Aceitam-se apostas. E cds ( credit default swaps) para a hipótese previsível...

A tiragem das ofensas

Decorre no tribual criminal de Lisboa um julgamento em que se discute se uma peça de teatro baseada num livro pode constituir um acto de difamação de alguém já falecido.

No caso, a famíla de Silva Pais, último director da DGS ( a notícia do Público em que me baseio só refere a PIDE, o que é significativo da incorrecção histórica e do enviesamento subjacente), polícia política do antigo regime, entende que a atribuição factual, ao seu familiar, de responsabilidades directas na morte de Humberto Delgado, como co-autor do crime de homicídio, é uma ofensa à memória da pessoa falecida.


Segundo o Público de hoje, Carlos Fragateiro, , antigo director do teatro D. Maria II e um dos visados na queixa apresentada "questionou ontem em tribunal se é possível "manchar a honorabilidade" de um responsável por uma polícia política" .


Para estes "antifachistas" de sempre, um responsável por uma polícia política, ipso facto, está desprovido de honra e despromovido à categoria de "üntermensch".

A honra pessoal á apanágio de "antifachistas" que defenderam as polícias políticas mais hediondas de que há memória na História. E negaram os seus feitos. E não renegaram as suas crenças. Os que se lhe opunham em nome de uma legalidade não têm direito sequer ao bom nome. Sacanas sem lei, portanto.


No editorial do jornal, o assunto é notícia, para se escrever que "acusar uma peça de teatro a tal pretexto, é, no mínimo, impensável".

Portanto, no mínimo "impensável". No máximo será, talvez... o quê? Absurdo? Inexistente no campo das hipóteses plausíveis? Onírico e portanto inelutável para o sonhador?

Então o que se deverá dizer de uma queixa crime em tempos apresentada por um notável da nossa praça política, contra uma pessoa que lhe disse ter pisado a bandeira nacional, no exílio dourado onde se encontrava?

Uma queixa "impensável" , também?

Bárbara Reis que dirige o jornal, tem nestas tiradas de luxo o seu cartão de apresentação. O jornal por estas e por outras de teor igualmente jacobino e completamente esquerdizado nos preconceitos adquiridos, tem descido nas vendas. Já vai em 31 950 exemplares, numa descida de 33 393 desde a última contagem. A notícia no jornal sobre este fenómeno ainda é mais fenomenal: "Correio da Manhã sobe e Público ultrapassa DN".


Parece uma notícia lida no teleponto pelo primeiro-ministro...

O prime minister que não era




Segundo os jornais de hoje, José S. , denunciado num processo crime, por difamação à jornalista Manuela Moura Guedes, por queixa particular desta, verá a instrução do processo decorrer num tribunal de primeira instância e não no STJ como aquele pretendia e o próprio MºPº assim entendeu.


O STJ, em resumo e segundo os jornais, diz que na altura em que José S. foi a uma televisão conversar com os jornalistas suaves que conhecemos, o fez noutra qualidade que não a de primeiro-ministro. Explica que " a entrevista dada pelo primeiro-ministro não se insere no exercício das funções políticas, legislativas ou administrativas e aquele não estava no momento em funções governamentais." Logo, tinha despido a fatiota de primeiro-ministro e vestido o fato de treino político que costuma envergar como uma segunda pele.


A distinção é subtil e provavelmente o actual primeiro-ministro nunca a entenderá a não ser que lha escrevam no teleponto para ler no intervalo de um jogo de futebol de grande audiência.


Assim, parece seguro poder dizer-se que o acto de representação que há pouco mais de um ano foi noticiado e a que se alude na foto acima mostrada, foi um abuso.


Quem esteve no bijan do Rodeo Drive de L.A. não foi o primeiro-ministro em funções. Foi apenas um José S. que se apanhou na pele de primeiro-ministro e não a quer largar por nada deste mundo, principalmente no mundo do luxo e da ostentação.




Por isso mesmo, seria mais apropriado figurar na montra do bijan, com a verdadeira pele que lhe subjaz e recobre todas as outras: José S. Primeiro Mentiroso de Portugal.




terça-feira, maio 03, 2011

As ideias paradoxais

No Público de hoje, numa página a seguir à outra, fica à vista o peso de ideias na política.


Num dos casos, José Vítor Malheiros acha simplesmente populista a ideia de que "os ricos devem ser penalizados pelo seu uso do SNS", ideia "aparentemente socialista mas profundamente reaccionária" porque se os ricos já pagam mais impostos, uma taxa moderadora progressiva afastará os ricos do SNS e este ficará apenas para os pobres, o que determinará a sua destruição a breve trecho.

Esta ideia, sendo paradoxal ( a de que todos devem pagar igual pelo SNS, pois só assim todos beneficiarão de modo igual) é também um mito. A mim me parece que a taxa moderadora deveria mesmo ser progressiva, embora em doses aceitáveis. Tudo grátis para todos, redunda em encarecimento para os que já pagam, mesmol pouco. O que desmonta o paradoxo.

Mas isto é um exemplo do que significa governar: optar, escolher e decidir o que será melhor para todos. Se neste aspecto as dúvidas são as que se expõem, como será possível escolher o "melhor para todos"? Através da experimentação? Nem isso porque as ideias erradas não mudam, por causa dos burros velhos que temos na política.

Outra ideia mais extensa e publicada na página anterior:

Os membros da Comissão de Revisão do Código de Processo Civil, formada pelo governo que está e esteve, em 18.12.2009, assumiu o encargo de remodelar a legislação executiva e de processo civil. Parece que se reuniram mais de 25 vezes desde então e até Novembro de 2010.

O trabalho que produziu foi simplesmente deitado às malvas pelo mesmo ministro que nomeou. Por isso se queixam no artigo de página inteira do Público. Lamentam que se tenha adiado mais uma vez a reforma conforme preconizavam e o governo tenha optado por outra.

Os membros dessa comissão que assinam o artigo são:


António Abrantes Geraldes, um teórico do direito processual civil; Armindo Ribeiro Mendes, outro teórico do Direito, com breves incursões na prática de tribunais, como o Constitucional; Carlos Lopes do Rego, um teórico do ensino de Direito, no CEJ, com incursões na prática dos tribunais superiores como procurador-geral adjunto; Gabriela Cunha Rodrigues, uma juiza de direito, filha de Cunha Rodrigues; João Alves, procurador- jurista; João Correira, advogado, antigo secretário de Estado; João Paulo Remédio Marques, um teórico, professor de Direito em Coimbra; Júlio Castro Caldas, advogado e actual membro do CSMP e da Maçonaria, presumivelmente; Miguel Teixeira de Sousa, professor, teórico do direito civil e processual e Paulo Pimenta, outro teórico do processo civil.


Todos se manifestam frustrados por as medidas que preconizaram para a reforma da acção executiva e do processo civil terem dado em nada, porque o actual governo assim o quis, substituindo-as por outras que encomendou a outros.


Resta dizer o seguinte: estes teórico-práticos do direito processual civil sabem toda a teoria sobre o assunto. Algums fizeram teses de doutoramente sobre o mesmo. Antes desses, outros tentaram reformar o processo civil e gizaram o actual modelo de acção executiva. Tanto ou mais teóricos que estes. Tanto ou mais competentes que estes. Tanto ou mais capazes que estes. E a acção executiva deu no que deu: um rotundo fracasso que agora se impõe como evidência indiscutível. Com um nome que se evidencia agora, pela negativa: Tiago Silveira que desde então continua a ajudar o Governo nesta como noutras matérias, seguindo o famoso princípio de Peter e a demonstração da ausência de responsabilização política por erros cometidos.

Por isso mesmo se organizou esta comissão e cujos resultados foram agora ignorados pelo poder político em detrimento de outras propostas.


Para analisar as propostas desta comissão podem ler-se aqui as medidas que os mesmos achavam iriam resolver os problemas jurídicos e práticos que avultam nos tribunais e que redundam na famosa "crise da justiça" que os membros da "troika" parece estarem interessados em perceber. O que duvido, como duvido das soluções que aparentemente irão propor.


Para verificar o que pensam dessas medidas alguns práticos do direito e que o aplicam nos tribunais, podem ler-se os comentários.


E concluir o seguinte: não basta saber muito Direito para se poder fazer leis adequadas. E ainda outra coisa: as reformas de leis processuais são difíceis de fazer porque lidam com muitas variáveis e duvido que os teóricos as abarquem todas. A única maneira de lidar com o problema é dar tempo ao tempo para estudar os efeitos do tempo em que se aplicam. Por isso mesmo, as revisões dos códigos, antigamente demoravam anos e anos. Não por os revisores serem calaceiros, mas porque era assim mesmo que se podiam fazer.


Parece que esse ensinamento antigo se perdeu e que se pretendem inventar rodas quadradas.

segunda-feira, maio 02, 2011

A sombra da vergonha


Um dos sinais mais preocupantes no panorama político recente é a recuperação de certas figuras pardas de um certo partido, no caso o PS.

Uma delas é Ferro Rodrigues, tacticamente afastado das lides políticas durante uns anos e regressado há meses para retomar a actividade política a que se julga com pleno direito. Ferro Rodrigues foi em tempos indiciado por vítimas da Casa Pia participante em factos vergonhosos no âmbito da Casa Pia e foi-o no respectivo processo. Tal como Jaime Gama. Tal como Paulo Pedroso, único acusado pelo Ministério Público.
Os três agiram judicialmente contra os vários acusadores. Perderam sempre os processos de difamação que intentaram e os considerandos dos respectivos acórdãos deviam ser suficientes para se afastarem de vez de todas as actividades políticas, apesar de haver mentecaptos a pensar ao contrário.
Mesmo assim não se descompuseram politicamente. E ninguém os descompôs. Os três vivem e sempre viveram à sombra da actividade política, de um partido político.

Paulo Pedroso tentou obter uma indemnização do Estado por ter estado preso preventivamente. A recente decisão do STJ, esmagou-lhe por agora as veleidades de se apresentar ao eleitorado, o que terá inviabilizado a apetência pelos holofotes do teleponto no recento congresso-comício.
Mas tal não sucedeu com Ferro Rodrigues. Este e os acólitos de partido acham que está tudo resolvido na opinião pública que é o que conta.
Quanto a Jaime Gama, é o próprio presidente da República Cavaco Silva quem o recupera politicamente sendo inclusivamente um candidato frustrado pelas circunstâncias para substituir o actual primeiro-ministro. Segundo o jornal i de hoje, tal hipótese foi seriamente considerada.

Há aqui qualquer coisa de moralmente doentio. E tem Cavaco como mentor o que ainda torna a doença mais estranha.

O psiquiatra das vítimas da Casa Pia, Álvaro de Carvalho, actual Coordenador nacional para a Saúde Mental em entrevista recente, dizia que "os ex-alunos não mentiram em tribunal". E disse mais: que as vítimas foram escolhidas a dedo para alguns Sombras poderem dizer depois que "poderiam estar a mentir"...

Não importa para o caso que interessa, saber se são culpados ou inocentes. Presumivelmente sê-lo-ão, como entenderem...e o que importa mesmo é saber se ainda assim têm direito a exposição pública em cargos de representação por nomeação ou eleição. Pessoas assim, com este passado assado, têm direito a figurar nos livros de registo de cargos públicos de nomeação política? Por mim, acho que não. A democracia não precisa destes génios e há muitos outros capazes de os substituírem com vantagens acrescidas.

Portanto, a pergunta que se impõe é esta: o presidente da República não terá o pingo de vergonha suficiente, nesta matéria, para não convocar politicamente, quem ficou seriamente assombrado deste modo?

A política é um exercício de voluntariado. Não é uma carreira nem sequer uma obrigação civil. Então porquê insistir em pessoas que se julgam insubstituíveis? Não há mais ninguém ou as várias maçonarias é que mandam em Portugal?

domingo, maio 01, 2011

O novo guião do alienado

Sapo:

O secretário-geral do PS, José Sócrates, desafiou hoje em Évora o PSD a parar de “jogar este jogo infantil” e apresentar as suas propostas e programa eleitoral, passados “37 dias desde que foi chumbado o PEC”.

O PSD, segundo consta, tem insistido em conhecer as contas verdadeiras do Estado. O Governo esconde-as e evita a conversa.

O Inenarrável encontrou agora a nova linha de argumento alienado: o PSD que apresente o programa! Como se o programa do PSD lhe interessasse um chavo, a não ser para o desfazer como neoliberal ou coisa que o valha. Um programa que não pode ser diferente do do FMI mais os acólitos da União Europeia. Tal como o do PS nunca poderá ser.

Este tipo é mesmo inenarrável.

sábado, abril 30, 2011

Não pagamos! Não pagamos!

Sapo:

O líder do PCP defendeu hoje, em Coimbra, que a “única solução” para os problemas financeiros do país passa pela “imediata” renegociação da dívida externa ao nível dos prazos, montantes e taxas de juro.

“Perante a complacência e a cumplicidade da União Europeia, com as práticas de agiotagem e especulação, a única solução que se impunha para defender os interesses do país era e é, em alternativa a esta inadmissível ingerência externa, a imediata renegociação da dívida externa portuguesa”, afirmou Jerónimo de Sousa.

O bravo Jerónimo, se tivesse poder, levar-nos-ia num instantinho para a miséria mais adequada ao seu programa eleitoral: à saída do euro e à desvalorização da moeda que viríamos a ter. Como boa parte da dívida privada aos bancos é de empréstimos à habitação, cujo pagamento de juros seria incomportável para a maioria dos portugueses, era fácil: nacionalizava-os e mandava-os dar uma volta ao bilhar grande da especulação. Depois, o bravo Jerónimo iria fazer uma quête à Coreia do Norte ( a Cuba já não adiantava) para nos dar algum...

Este Jerónimo e os seus economistas só inventados. Será que o Octávio Teixeira também pensa assim?

Alguém trave este louco!

"Na prática, sem ajuda externa o Estado não tem dinheiro para funcionar a partir do final de Maio."- escreve Joao Silvestre no Expresso de hoje.

O título da notícia , na página 6,- " Cofres do Estado estão praticamente vazios"- devia estar na primeira página, mas os critérios editoriais do cretino que dirige o jornal são o que são e prefere por isso noticiar uma fantasia: que a "troika reestrutura Portugal de alto a baixo". Maior parvoíce jornalística é difícil de encontrar e só um director como o dito seria capaz de uma coisa assim.

Portanto, a notícia diz o que parecia óbvio a muitos e que era a realidade que nunca deveria permitir a este Inenarrável primeiro-ministro andar por aí publicamente a anunciar que não havia necessidade de intervenção externa, de ajuda financeira porque "tínhamos dinheiro".
Não tínhamos, o ministro das Finanças sabia-o muito bem e colaborou na farsa deste Mentiroso compulsivo que poucos querem acreditar seja um verdadeiro Vale e Azevedo. O tempo o dirá e nessa altura, os que o negaram voltarão com aquele ar de sábios tournesol a assegurar que sempre assim pensaram.

A verdade nua e crua, sabida já muito tempo antes do chumbo do PEC IV e do anúncio de pedido de ajuda e da demissão desse Inenarrável, é que Portugal, no início de Abril tinha em caixa apenas 300 milhões de euros. Isso tornava inevitável um pedido de ajuda externa como aconteceu e não seria qualquer PEC que o evitaria.

O Inenarrável evidentemente sabia disto. E mentiu. E votou a mentir. E continua a mentir. Não é a simples mentirola política de dizer que não esteve com quem teria estado. Não. É muito mais grave que isso: É uma negação de uma realidade que lhe seria prejudicial eleitoralmente e na qual o mesmo acredita tão piamente como no ponto electrónico que lhe colocam na frente quando discursa.

Tudo o que este Mentiroso pretende é permanecer no poder. Para continuar a mentir e a mentir e a mentir. Descarada, impudica e impunemente.

Evidentemente que isto só pára quando um alguém de reconhecida competência de credibilidade lhe diagnosticar a doença ou o prenderem para conduzir a um rilhafoles que já não existe.
Já há vozes dispersas a reclamar responsabilidade " de tribunal" a este Inenarrável. São poucas, manhosas algumas delas e sem consistência factual em corpo de delito suficiente. Outras surgirão, como aparecerão os Sombras do costume a cobrir com o manto diáfano da fantasia a notória mancha de factos criminosos.

Portanto, como isso não vai suceder, este Inenarrável vai conduzir-nos ao lugar onde nunca estivemos em centenas de anos de História: à falência económica e moral. Porque a anomia que vemos no eleitorado é de tal ordem que essa espécie de nemátodo social já está em expansão.
Os Sombras, nessa altura ficarão mudos que nem petos. Pica-paus a quem tiraram as árvores...

PS. Pacheco Pereira, no artigo no Público de hoje, diz a mesma coisa. Agora e de outro modo mais suave. Tipo jornalismo caseiro.

Uma estupidez, apenas.

Num programa de rádio, na Antena Um e que passa aos Sábados de manhã, João Gobern e Pedro Rolo Duarte, dois animadores mediáticos das últimas décadas, entrevistaram hoje o advogado Garcia Pereira.
Em dado momento Garcia Pereira falou da sua vida política e pessoal e no seu passado do "fachismo", palavra que há mais de quarenta anos lhe enche o discurso para falar do regime de Salazar/Caetano.

Contou que um tio se encontrava preso no Aljube ( não disse porquê, mas adivinha-se que foi por ir duas vezes seguidas à missa de Domingo) e foi visitá-lo com a mãe, pessoa que notoria e confessadamente o influenciou para a vida. Ao deparar com o tio "desfigurado" com a "tortura do sono", nem o reconheceu pela face e só notou que era o tio que foram visitar quando ele falou e lhe ouviu a viva voz. Chocado com o aspecto, começou a chorar e perto de "um Pide" que vigiava o encontro e a conversa.
A mãe então deu-lhe uma lição para a vida: "nunca se chora à beira de gente desta". Carrascos, entenda-se. Facínoras, compreende-se. Psicopatas, adivinha-se. O piorio, conclui-se.

Garcia Pereira já então jurava pela subversão ao "fachismo" e continuou a luta pela revolução proletária com os slogans importados da China de Mao, da Albânia e outros paraísos da classe operária.
Nem é preciso lembrar a Garcia Pereira quem era "essa gente" chinesa que o dirigente do MRPP adulava politicamente e apoiava em bandeiras, cartazes e panfletos num culto ridículo de uma personalidade estúpida.
Desde então e até hoje, a História, em livros, documentos e depoimentos de pessoas vivas e testemunhas daqueles "amanhãs a cantar" em "campos de flores" com bandeiras a desfraldar ao vento do folclore político, encarregou-se de lhe mostrar com uma evidência de tal modo esmagadora que nunca o atingiu nas meninges, a natureza do regime que Pereira propunha em alternativa ao "fachismo".

Mesmo com estas evidências que nunca lhe permearam os neurónios pensadores, Garcia Pereira continuou ao longo dos anos a defender o absurdo e o projecto político da "ditadura do proletariado" e da revolução de classe, com luta armada se preciso fosse. O MRPP,depois tacticamente transformado em PCTP, continua por aí em cartazes de circunstância e depoimentos do garbo deste Garcia Pereira, dirigente sempiterno desse projecto fantástico que denuncia o "fachismo" mas não se revê no regime que continua a defender e que matou, assassinou, torturou, escravizou, vilipendiou milhões de pessoas.
Não foram nos aljubes ou caxias ou mesmo em campos de deportação quase semelhantes a campos de trabalho para presos, existentes em democracias sem ditaduras. Foram em extermínios massificados, por simples delitos de opinião contrária à oficial. Foram em matanças colectivas e prisões de uma arbitrariedade que o nosso "fachismo" nunca sonhou sequer imitar.

É nisto que o advogado, supostamente inteligente Garcia Pereira ,acredita ainda hoje e é isto que os animadores de rádio em Portugal, numa estação oficial, continuam a apreciar, porque é politicamente correcto entrevistar um lutador contra o "fachismo" e que acredita no projecto político que extermina pessoas como ele. É um "romântico" defensor dos trabalhadores e sempre na luta política, que tem sido marginalizado pelo actual poder político e mediático que não quer ouvir as suas magníficas propostas, partidárias porque nem sequer pessoais ( que horror! Ele que até disse que nem gosta de falar de si próprio...) e a sua actividade de causídico lutador com maravilhas nos tribunais do trabalho. Ou a defender pequ(en)itos.

Será isto uma vergonha? Não, não é. É apenas uma estupidez.

sexta-feira, abril 29, 2011

O conto do vigário

O programa eleitoral do PS é um novo conto do vigário. Mostra aos portugueses o seu vigésimo premiado: o PEV IV. E que não se pôde aplicar porque a malvada oposição subtraiu ao aflito e empenhado governo a possibilidade no último instante, fechando-lhe a porta na cara. Mas o PS precisa de novo fôlego para aplicar esse vigésimo que sendo premiado será pago aos eleitores depois das eleições.

Por isso mesmo só pede uma coisa: que lhe dêem os votinhos necessários e que são de graça, não custando nada a ninguém.

Os crédulos e néscios cairão na esparrela e no fim pagarão a conta do que lhes era prometido como gratuito...

A caridade maçónica

José Moreno, grão-mestre da Grande Loja Legal de Portugal, hoje em entrevista ao Sol:

Sol- Porque é importante para a Maçonaria ter pessoas com cargos importantes?

José Moreno- Se um maçon desempenha um cargo de relevância, levará também valores da maçonaria para a sociedade. E, por outro lado, nós gostamos que os nossos irmãos estejam bem. Pretendemos ser uma elite ética e moral. Uma escola de valores.

Sol- Nas lojas debate-se muito a crise e o estado do país?

José Moreno- Partidariamente nunca falamos. Discutimos os problemas que preocupam a sociedade e trazemos a eventos nossos figuras que não são maçons mas que têm destaque na sociedade.

Sol- Quem?

José Moreno- Desde dirigentes partidários a dirigentes religiosos.

Sol- Que dirigentes religiosos foram esses?

José Moreno- Temos tido conferências com bispos e de grande sucesso. Mas não revelo os nomes.

Sol- Um dos princípios é a protecção dos irmãos. A todo o custo?

José Moreno- Naturalmente se sou seu amigo e precisar da minha ajuda, eu ajudo-o. Da mesma forma se for minha amiga também me ajuda. É apenas isto.

Os anglo-saxónicos têm uma melhor definição: I scratch your back you scratch mine.

Fica apenas um mistério gozoso: por que razão os "irmãos" do credo não se dão a conhecer à comnunidade? Têm medo da exposição ou cultivam o anonimato útil e insindicável? Para quê?

A Maçonaria nunca responde a esta questão simples.

quinta-feira, abril 28, 2011

O que a propaganda esconde

Isto, por exemplo:

O programa eleitoral do PS ontem apresentado por José Sócrates, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, apresenta os números do défice de 2010 que foram corrigidos pelo Instituto Nacional de Estatística no passado dia 23 de Abril.

Ou seja, em vez dos 9,1% reais, refere os 6,8% antes apresentados. Num tom elogioso escreve-se na página 27 que "o défice de 2010 foi de 6,8% do PIB, isto é, menos 2,7 pontos percentuais do que no ano anterior. Este é um indicador evidente do esforço de consolidação realizado." Os números estão errados.


E principalmente isto:

No PEC IV, o verdadeiro programa que o Governo queria seguir, mas que agora já nem sequer pretende impingir, mas vai cumprir porque nem tem alternativa, previa-se o aumento para o dobro do IRS a pagar por reformados com pensões inferiores a 1000 euros.

Quem denuncia esta manigância? Ninguém.

Para entender a nossa miséria

Este vídeo mostra uma pequena lição do fiscalista Diogo Leite Campos sobre o rendimento dos nossos "ricos", segundo o entendimento comum deste "socialismo democrático" que temos e que é a principal base de apoio do partido do governo.



Vale mais que um artigo no Público... porque mostra até que ponto descemos e fomos descendo no cômputo da riqueza média comunitária. Um país cujo rendimento mínimo socialmente garantido é inferior a 500 euros por mês e tal é considerado excessivo por um FMI e até pelo próprio governo que está, é um país que perdeu definitivamente a capacidade de fazer contas e perceber onde nos conduziu este socialismo de miséria.




Onde, paradoxalmente, um primeiro-ministro que ganha 5000 euros consegue milagres de poupança pessoal para almoçar nos restaurantes de maior luxo e comprar os fatos em Nova Iorque e Milão e foi cliente ( pelo menos uma vez ) do famigerado Bijan, em L.A., deixando lá o nome de Portugal inscrito na montra. Inenarrável. Só visto.

A táctica eleitoraleira do vale tudo

O portal do Sapo, às 11h e 30 já tinha notícias frescas da propaganda "vota PS":

O primeiro-ministro, José Sócrates, convidado do Fórum TSF, disse que o PSD foi irresponsável ao provocar uma crise política quando chumbou o PEC IV. Além de assumir a responsabilidade pelas negociações com a Troika, o líder socialista garantiu que o PS está a trabalhar para que as medidas tenham o menor impacto possível, tanto a nível social como económico.


É assim que se apanham votos, na democracia portuguesa: com patranhas e bolos prometidos. Serão tolos, os votantes? Alguns, muitos, certamente o serão. Mas para o certificado psiquiátrico contribuem em esforço denodado as agências de informação e propaganda.


Que interesse especial relevam as declarações repetidas e marteladas do primeiro-ministro sobre esta matéria, quando o governador do banco de Portugal disse coisas gravíssimas sobre a responsabilidade daquele, essas sim gravíssimas e isentas de propaganda?

A (ir)responsabilidade

Daqui, um artigo no Público de hoje:



Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, defendeu esta quarta-feira que os decisores políticos e os gestores públicos devem ser responsabilizados pelo incumprimento de compromissos orçamentais.

“É crucial que os decisores de política e os gestores públicos prestem contas e sejam responsabilizados pela utilização que fazem dos recursos postos à sua disposição pelos contribuintes”, afirmou, à margem de uma conferência sobre os 35 anos da Constituição da República Portuguesa e citado pela Rádio Renascença.

Carlos Costa não esclareceu, porém, se esta responsabilização deve ser civil, criminal ou qualquer outra.

O governador do banco central português afirmou ainda que nos últimos 12 anos os governos não foram comedidos. Diz mesmo que não quiseram cumprir regras europeias, de manter o défice abaixo dos 3%, ou de simples bom senso.

“O objectivo de atingir um saldo orçamental próximo do equilíbrio foi sistematicamente reiterado nos nossos diferentes Programas de Estabilidade e Crescimento mas foi sempre adiado para o final do horizonte do programa seguinte, isto é, não nos esquecemos da regra mas nunca a respeitamos ou aplicamos”, sublinhou, citado pela Rádio Renascença.

Pediu também maior transparência sobre as actividades do sector público. “Quantos organismos públicos existem. Quantos são os funcionários públicos e quais os respectivos regimes de vinculação? Qual o volume global das garantias conferidas pelo Estado? Quais os encargos futuros com os sistemas de pensões ou com as parcerias público-privadas?”, perguntou.




O Governador do Banco de Portugal atirou, com estas declarações, uma pedra para charco, perdão, pântano político em que estamos atolados.


Ao pedir publicamente responsabilização dos decisores políticos e gestores públicos não estava a lembrar-se do seu antecessor, monsieur Constant. Mas devia.


Como também devia alvitrar que tipo de responsabilidade acha adequado pedir-se a esses dirigentes. Civil? Pois já temos uma lei, tímida mas ainda assim consequente se a quiserem pôr em marcha acelerada.


Penal? Isso é que era bom. Ontem, um advogado de Coimbra, Castanheira Neves, da oposição, participou criminalmente pelo facto de o primeiro-ministro ter decidido dar uma "balda" ao funcionalismo público na quinta-feira santa. Obviamente saberá muitíssimo bem que é processo para arquivar e só resta saber se o PGR o vai fazer como fez ao expediente do Face Oculta ou o vai encaminhar para a secção criminal do STJ. Aposto que vai ser para esta última, porque o assunto não melindra ninguém. É apenas fogo de vista.




E por isso mesmo resta a última das responsabildiades, aquela que os políticos consideram exclusiva e excludente. É a deles, a única que reconhecem e que atira as demais para os outros.


Sempre que alguém tem o devaneio do advogado de Coimbra ou a petulância de apelar à responsabilização criminal dos actos lesivos da coisa pública, aparece logo quem se indigne pela politização da justiça. E como entre os indignados aparecem legisladores, magistrados e executivos, mais os politólogos das tretas do costume, estamos todos muito bem conversados.




Portugal não é a Islândia e depois do comício de um fim de semana em Matosinhos e o resultado das sondagens, podemos apostar o dobro contra singelo que a irresponsabilidade mais uma vez campeará.




Até um dia.


quarta-feira, abril 27, 2011

O país do primeiro-ministro José S.

É este:

O vídeo passou como uma "gaffe".

Tragicamente nem sequer de gaffe se tratava...

Este jornalismo não presta

O jornal Público de hoje trata o "caso BPN" na primeira página e em duas interiores. O artigo é assinado por Cristina Ferreira e estive e ler com atenção. Ficam algumas passagens para mostrar o que é o jornalismo hoje, em Portugal.

"Num quadro de escassez de liquidez, a CGD já emprestou ao banco liderado por Francisco Bandeira ( vice-presidente da CGD) cerca de 5,3 mil milhões de euros, linhas que o BPN substituiu no final de 2010, emitindo papel comercial. com garantia do Estado.
É neste contexto que se admite que o plano de resgate possa prever uma linha destinada a liquidar os empréstimos que a CGD concedeu ao BPN.

(...)
A nacionalização do BPN ocorreu em Novembro de 2008, em plena crise financeira, com a promessa de o restituir ao mercado no curto prazo. Mas as duas tentativas de o privatizar falharam por ausência de comprador." (...)

O BdP recusou ainda comentar ao Público a possibilidade de a instituição. que apresenta uma situação líquida negativa, poder vir a ser declarada "oficialmente" inviável tal como tem sido defendido há vários meses por um grupo de quadros do supervisor.
A liquidação, a confirmar-se, iria ampliar, por um lado os prejuízos do Estado, para cima de oito mil milhões de euros( somando às perdas de dois mil milhões de euros os financiamentos dados pela CGD com aval público), mas, por outro lado, permitiria estancar as perdas." (...)

"A falência do BPN, que foi liderado por Oliveira e Costa"(...) para além das polémicas à volta do BPN, a última legislatura ficou ainda marcada, no que diz respeito ao sector bancário, pela escassez de liquidez, pela necessidade de "desalavancagem" e pelas debilidades dos capitais".

Estes excertos servem para escrever uma coisa simples: os jornalistas portugueses sabem escrever sobre assuntos técnicos que misturam factos conhecidos e aparentemente compreensíveis pela generalidade das pessoas? Não me parece. O uso indiscriminado de jargão técnico, de conceitos equívocos, de elipses explicativas, de frases feitas em reuniões de executivos, dão uma péssima informação a quem queira entender a questão essencial do BPN: como é que a falência aconteceu? Porque é que o Estado interveio e quem a incentivou através da CGD? Como é que decorreu o jogo CGD-BPN-BCP e quem o animou nos bastidores? E as questões básicas, essenciais que parecem não são explicadas por ninguém: para onde foi o dinheiro dos milhares de milhões? É que a alguma sítio foi parar, disso não haja dúvidas. Foi para as offshores? Indaguem e escrevam-no. No julgamento que decorre há uma testemunha que sabe. Porque não a entrevistaram depois do depoimento? Porque não procuraram saber esses factos básicos, fundamentais, para entender o que se passou no BPN? P

Para além destas perguntas básicas cujas respostas não se apresentam a todos em modo claro e inequívoco, sobram muitas outras que o artigo de hoje exemplarmente mostra: os termos usados no artigo, certamente próprio de um jornal económico destinado a executivos de agências de folhetos de comunicação incompreensível, são suficientes para se perceberem as limitações do nosso jornalismo a todos os níveis.

É um jornalismo analfabeto, pretensiosamente engalanado em termos aspados e sem manual de instruções para o leitor.
É um jornalismo que desinforma porque o que não informa devidamente contribui para o ruído ambiental do desconhecimento silencioso.
É um jornalismo inútil porque estende palha discursiva em páginas escusadas o que poderia ser relatado em meia dúzia de linhas.
É um jornalismo em que os factos são frequentemente substituídos pelas opiniões dos "reguladores" ou por quem fornece a informação pronta a imprimir.
É um jornalismo desastrado porque confuso, contraditório e eufemístico.
É um jornalismo de elipses em que as frases que se sucedem perdem frequentemente a lógica discursiva.
É um jornalismo focado num assunto que se desgarra do que o rodeia e que o jornalista não consegue perceber.
É um jornalismo em que o jornalista quer escrever frequentemente sobre o que não percebe, não domina nem sequer vislumbra.
É um jornalismo de basbaques em rapidez frenética pela escrita em cima da hora.
É um jornalismo que não se percebe onde foi ensinado ou onde se aprendeu.
É um jornalismo que evita factos complexos porque a natural dificuldade de compreensão do autor não abarca a profundidade do que é simples mas leva muitos anos a aprender.
É um jornalismo frustrante porque não dá notícias, mas apenas fornece dados desconexos.
É um jornalismo que se deveria evitar a todo o custo mas tem proliferado a ritmo alucinante.

Parafraseando Frank Zappa, numa tirada célebre sobre os críticos musicais dos anos sessenta:

É um jornalismo de pessoas que não sabem escrever, que falam com pessoas que não sabem falar para pessoas que não sabem ler.

Até quando teremos que aguentar a carrada de jornalistas que temos assim? Porque é que não podemos encontrar nos media portugueses um único jornalista que saiba do que escreve de modo que nos comunique o que sabe e de modo fiel com os factos que aconteceram?

Porquê mais esta desgraça das judites e dos Zés do jornalismo televisivo, as marias de são josé no rádio e dos jornalistas de imprensa que não percebem o que escrevem e comunicam por sinais de escrita criptografada em frases feitas?
Para que servem as escolas de jornalismo em Portugal ? Para produzir estes profissionais seria melhor acabar com elas. Dantes eram melhores e não tinham formação superior.

terça-feira, abril 26, 2011

Refastelados

Imagem do Expresso.

Estes são os quatro presidentes da República eleitos que tivemos desde o 25 de Abril de 74. Perante a crise gravíssima que eles e os partidos políticos a que estão intimamente ligados provocaram por incompetência para governar e conduzir os destinos políticos do país, que disseram ontem, dia 25 de Abril?
Que era preciso estarmos todos unidos e coesos. Resta saber com quê e com quem. Com eles e as ideias que defendem? Pois sim.
O primeiro a contar da esquerda, o mais refastelado deles todos, foi eleito duas vezes, tentou uma terceira e durante uns meses negros de 2004 andou tão calado e fugido que nem ao largo do Rato assomava. Alguma coisa terá sucedido para tamanho sumiço. Durante os seus governos o país definhou de tal modo que foi preciso aparecer por cá o FMI por duas vezes para nos dizer como tínhamos de fazer as contas. Os seus ministros das Finanças nunca tiveram poder suficiente para o mandar calar e fazer o que deveria ser feito. Foi o pai desta cegada em que se transformou Portugal.
O seguinte foi governante durante a década dourada em que recebemos carradas de ouro, não do Brasil mas desta vez em fundos estruturais da Europa. Que fez com isso ? Escreveu um livro em que relata a suprema categoria da sua governação e uso que destinou aos fundos: estradas, betão, desenvolvimento parolo em centros culturais que não precisávamos, em esportulações várias por capitalistas fugidos ao comunismo e regressados para sacar o Estado. Ainda assim foi talvez o menos nocivo de todos, porque é relativamente poupado e sabe fazer contas.

O terceiro foi um esforçado militar que frustrou as expectativas políticas de uns milhares de descontentes e um inconsequente político que não se sabe o que anda a fazer agora.

O quarto é uma figura lamentável de um regime sem rei nem roque e que teve o desplante de afirmar solenemente e em público que o controlo das contas públicas era coisa de somenos importância porque "havia vida para além do défice". Talvez seja altura de lhe perguntar se a vida que havia era a daqueles que agora sofrem as consequências dessas ideias excelsas de mais um incompetente com ares de discurso sempre embrulhado em inanidades.

É fácil desfazer e dizer mal destes políticos porque as evidências da sua incompetência e das ideias que levaram ao descalabro é de tal ordem que nem é preciso demonstração em teses de doutoramento.
Mas é também verdade que foram escolhidos por eleitores. E são eles os responsáveis pelo que tiveram: esta miséria que está à vista de todos e que aqueles refastelados agradecem porque tiveram a vidinha que nunca teriam. O que podiam era ter mais vergonha e pedirem desculpa do que fizeram.
Mas isso seria se tivessem a noção dos erros e a hombridade de os confessarem.

O subsídio de sobrevivência do PS

A razão para o PS ainda ter ambições de ganhar as próximas eleições, depois de tudo o que os seus governos fizeram, reside em parte nesta notícia que relata a pobreza em que nos meteram e o paradoxo em que nos querem meter: o de serem os pobres a eleger quem os empobreceu, confiados no engano ledo e cego que a fortuna tem deixado durar muito.
Entretanto, a medida esperada para golpear ainda mais a classe média é esta, toda ela devida aos desmandos deste PS e deste Inenarrável mai-lo seu afamado ministro das Finanças que a Economist considerou em tempos o pior da Europa, mas que os tugas acham que foi um génio:

Agora, segundo os técnicos da ‘troika, é preciso ir mais longe: tanto o 13º como o 14º mês devem ser abrangidos e deverão ser pagos na totalidade em títulos do Tesouro português.

O Inenarrável vai passar a ideia de que este corte de rendimento substancial da generalidade dos trabalhadores da função pública ( e não só) se deve inteiramente à crise internacional, ao chumbo do PEC IV e que se o deixassem governar mais e melhor, tal não teria sucedido. Vai ser assim a campanha de mentiras que se aproxima, com o apoio frenético dos apaniguados que vêem a desgraça abater-se sobre a sua vidinha se perderem as eleições.


segunda-feira, abril 25, 2011

O maior Mentiroso dos últimos cem anos

O desplante maior, exposto para todos verem:

O primeiro-ministro afirmou hoje em Santo Tirso que “estes três anos” serão classificados como “a maior crise dos últimos 100 anos” e declarou recusar contribuir para que “isso” obscureça “os grandes progressos” dos últimos seis.

Este Inenarrável tem a lata, depois disto tudo e dos seis anos em que governou como quis, na sequência de outros tantos em que acolitou quem governou também como quis, de dizer esta enormidade em público. E ninguém se riu na cara do farsante nem lhe mandou ovos podres.
Pior ainda: alguns, porventura muitos, ainda acreditam nestas mentiras descaradas deste Inenarrável. Triste, triste.
Desgraça maior não pode haver.

O PCP real

Esta senhora que aparece hoje no Público tem uma tese de doutoramento em História Política e institucional, lá para os lados do ISCTE. E tem agora uma versão light da tese, publicada em livro que o Público apresenta: "A história do PCP na Revolução dos Cravos".
Segundo o jornal é uma história revisionista porque apresenta o PCP como um partido da área social-democrata, interessado em se associar ao PS, no dealbar da Revolução de 25 de Abril de 1974 e com ideias fixas sobre a ausência de interesse do PCP em "golpes" para implantar a "revolução socialista".
Segundo o jornal, a historiadora documentou-se amplamente e conta em detalhe a análise que contraria o senso comum e até o político da altura do PREC e a ideia feita de que o PCP queria mesmo tomar o poder político no país, nesses anos de brasa que se seguiram ao 25 de Abril.
Como se documentou em modo extenso provavelmente leu a imprensa da época, uma vez que será nova demais para ter vivido esse tempo. E a imprensa da época era muito clara nas entrevistas, artigos de fundo, orientação editorial e ambiente geral, o pathos que nos mostrava sem margem para dúvidas para onde o PCP queria mesmo ir: para a democracia socialista que não se confundia de modo algum com a democracia burguesa.
Então se é assim claro e a historiador vê no escuro, o que explica a contradição?
O desconhecimento? A prosápia de revelar uma faceta nem sequer escondida, dos tempos do PREC em que o PCP aparecia por vezes como força social moderadora, desautorizando greves não decretadas pela sua correia de transmissão sindical?
Hoje no i, Otelo Saraiva de Carvalho fala em entrevista sobre o seu relacionamento pessoal e político com o PCP Diz que o PCP, em pleno PREC "promoveu um jantar em casa de Silva Graça que foi comer para a cozinha com a mulher e com as filhas e deixou-nos sós. Tivemos um bate-papo violento. Ele começou a fazer críticas ao MFA e a dizer que o MFA devia fazer isto e aquilo. E eu disse-lhe "Ó doutor, eu não lhe vou dizer o que é que deve fazer no Partido Comunista. Eu considero que o PC tem tido acções muito más, por vezes, que são prejudiciais à revolução e se quiser eu faço aqui uma lista do que é que o seu partido tem feito, mas não lhe admito que me dê orientações, porque o MFA nada tem a ver consigo, nem com nenhum partido, e se precisar de orientações peço ao Melo Antunes."

A historiadora por outro lado, não conhece certos escritos de Lenine que Cunhal conhecia muito bem. "Um passo en frente e dois atrás.", é um deles. E bem conhecido.

Se conhecesse, saberia melhor interpretar estes escritos na Vida Mundial de 1974 e 1975, particularmente o da direita ( clicar para ler), da autoria de Miguel Serras Pereira. Na investigação de História não chega ler documentos. É preciso perceber as entrelinhas e o fluxo informativo encriptado na mensagem. Uma capa da Vida Mundial em Junho de 1974, com uma entrevista extensa no interior e com a citação de que o PCP é de políticas coerentes, não pode ser lido de modo diletante e sem contextualização. E parece-me isso que a profissional faz...

O nome do cretino "elucubrador"

Ficam aqui duas crónicas do JN, recentes, de Manuel Pina. E fica também um artigo cujo autor se identifica no título.

O primeiro é este, de 18 de Abril:

Tempos de calamidade como os presentes suscitam sempre o aparecimento de demagogos e oportunistas e de projectos salvíficos de todo o género.

Ainda o país digeria, estupefacto (ou, se calhar, não), o modo como, apenas com a expectativa de um penacho prometedor, foi fácil encher o vazio das ideias de "cidadania" e "participação" em torno de que Fernando Nobre fez a campanha à Presidência da República, já estava a pular para o palco o omnipresente bastonário dos advogados atirando-se, também ele, a políticos e partidos e propondo uma "greve" abstencionista às próximas eleições para os "envergonhar publicamente perante a Europa e o Mundo".

Marinho e Pinto merece a nossa compreensão, mesmo que esgote a nossa paciência. É um "junky" de protagonismo, quando está muito tempo longe dos holofotes entra em carência, afligem-no dores musculares insuportáveis no sistema vocal e as palavras acumulam-se-lhe, ansiosas, na garganta, sufocando-o e forçando-o a correr em desespero para as redacções em busca de um "dealer" de manchetes ou, ao menos, de títulos a duas colunas ou rodapés de noticiários televisivos para "meter para a veia".

É um caso diferente do de Fernando Nobre. O de Marinho e Pinto resolve-se, tudo o indica, com adequada terapia de substituição. O de Fernando Nobre é obviamente incurável, é um cancro terminal dos valores morais; mesmo o cargo de presidente da AR será só um paliativo.

A resposta a esta crónica surgiu ontem, no JN. Terá sido a primeira vez que o JN deu guarida escrita a um artigo deste teor, de insulto explícito e repetido como só nos blogs se usa. Provavelmente, o dirigente da redacção pensou que o título identificava o autor do escrito. E não se enganou na "elucubração"...
Assim o nome do autor aparece logo no título- Um cretino é um cretino.

Comecemos por onde estas coisas devem começar: o escriba que diariamente bolça sentenças nesta página e que dá pelo nome de Manuel António Pina é um refinado cretino. Posto isto, assim, que é a forma honesta de pôr este tipo de coisas, nada mais haveria a dizer. Citando um treinador de futebol dado a elucubrações epistemológicas, «um vintém é um vintém e um cretino é um cretino». E... Pronto! Estaria tudo dito. Além disso, só se MAP não fosse tão cretino é que valeria a pena mostrar-lhe por que é que ele é tão cretino.

Não costumo responder a cretinos. Mas, correndo o risco de este, como todos os outros, se tornar ainda mais agressivo, vou abrir uma excepção e descer ao seu terreno para lhe responder com as mesmas armas que ele tem usado contra mim, até porque este é um cretino especial, do tipo intelectual de esquerda.

MAP anda, desde 2005, a desferir-me ataques pessoais. O homem tem uma fixação doentia em mim. Incomodam-no muito as minhas posições públicas e sobretudo as denúncias que tenho feito sobre o nosso sistema judicial. Ele nunca se referiu com seriedade ao que eu digo. Prefere atacar-me como pessoa, imputando-me sempre os motivos mais mesquinhos ou os propósitos mais infames.

MAP tem a postura de um medíocre bem pensante, para quem é sempre mais cómodo atacar pessoas em vez de criticar ideias. As pessoas arrumam-se de uma penada, atingindo-as, à falsa fé, com dois ou três adjectivos. Isso dá a essa espécie de cretinos uma ilusória sensação de importância. Os medíocres só se sentem fortes quando humilham os que julgam mais fracos. Discutir ideias ou comentá-las com seriedade é sempre mais difícil porque exige qualidades que não abundam em MAP. Este é um megalómano em permanente ajuste de contas com a sua própria mediocridade intelectual.

Mas, ele é também intelectualmente desonesto, pois interpreta os factos sobre que escreve de modo que as pessoas concluam algo diferente do que eles realmente significam. A título de exemplo: ele já tentou convencer os leitores do JN de que a culpa pelas horas que as pessoas perdem inutilmente nos tribunais portugueses é dos advogados e não dos juízes.

Aliás, MAP nunca teve uma palavra sobre a actuação dos magistrados, a não ser para os elogiar ou então para execrar quem os critica. Ele deve ter algum sentimento compulsivo de gratidão para com eles ou alguma amizade reverencial (este tipo de pessoas age muito por amiguismos), pois adopta sempre uma postura canina em relação à justiça. A agressividade de mastim com que ataca os que criticam o funcionamento dos tribunais é apenas o corolário da sua obsequiosidade de caniche em relação às magistraturas.

MAP julga-se um ser superior. Com a displicência dos tudólogos diplomados ele fala de tudo e de todos, do que sabe e do que não sabe. As suas crónicas no JN, sempre naquele estilo alambicado típico dos ociosos, são a expressão aparolada de um imenso complexo de superioridade. Ele tem de julgar e condenar sumariamente alguém, pois senão sente-se diminuído perante si próprio e, sobretudo, perante o círculo de aduladores que lhe entumecem o ego.

Mas, se repararmos bem, lá nos secretos mais profundos do seu ser esconde-se um homem cruelmente dilacerado por indizíveis frustrações. É possível que na adolescência o tenham convencido de que seria um grande escritor, destino para o qual logo desenvolveu os tiques e poses apropriados. Mas, afinal, nunca passou de uma figura menor típica do universo queirosiano - um personagem que mistura o diletantismo de um João da Ega com os dotes literários de um Alencar d'Alenquer e o rancor mesquinho de um Dâmaso Salcede. Tudo isso, transposto para o jornalismo, resultou numa espécie de Palma Cavalão dos tempos actuais. Enfim, um homem que chegou a velho sem ter sido adulto e a quem os mais próximos, por rotina, caridade ou estupidez, provavelmente ainda tratam como uma grande esperança.

Esse género de frustrações conduz, no limite, ao desespero existencial. Em alguns casos, estes frustrados cometem actos tenebrosos. Porém, em MAP, as suas frustrações e complexos transformaram-no, num sniper que, emboscado nos telhados da sua senilidade rancorosa, dispara cobardemente contra tudo o que mexe, de preferência contra o carácter das vítimas que escolhe ao acaso.

Senhor Manuel António Pina, não se atormente mais. O seu mal cura-se com uma dose apropriada de iodo. Trate-se! Vá para uma boa praia e... Ioda-se!

NOTA: Na próxima crónica apresentarei as razões por que não irei votar em 5 de Junho. Isto se mais nenhum cretino se atravessar no meu caminho.

Em resposta a este chorrilho de insultos do autor que se identifica no título, Manuel Pina foi comedido. Em vez de descer completamente à liça do "elucubrador", ficou pelas amarras da condescendência e da inteligência insidiosa, provavelmente para tornar o escrito publicável. Se fosse num blog...

E portanto escreveu assim, com a elegância do bólide a ultrapassar o carroceiro:

O bastonário Pinto saltou ontem as barreiras (todas, incluindo as do JN, onde, que me lembre, foi a primeira vez que, nos 40 anos que levo de casa, se deu guarida à castiça arte do insulto) e, de cabeça baixa, desembestou desenfreadamente contra o que aqui foi dito sobre a sua patética ânsia de protagonismo com argumentos como "cretino", "refinado cretino", "medíocre", "cretino" outra vez, outra , mais outra, ainda outra, "megalómano", de novo "cretino" (o vocabulário desta espécie de Capitão Haddock, ou Ad Hoc, é escasso), "desonesto", "ocioso", "parolo", "mesquinho", e depois, na secção zoológica, "canino", "mastim" e "caniche" e, na secção psicanalítica," desesperado existencial" (o que quer que isso signifique), "frustrado" e "cruelmente dilacerado". A fina e bastonária argumentação termina a mandar que o cronista se "ioda". Escapou a honra da mãe do cronista, o que, vindo a coisa de quem vem, já foi assinalável proeza...

Tenho um princípio de sobrevivência na estrada que consiste em dar sempre prioridade a um camião destravado (ainda por cima, este vê-se bem que faltou a alguma inspecção). Meto, pois, travões e ele que passe.

É certo que, na sua fúria em contramão, o camionista atropelou repetidamente, provocando-lhe traumatismos vários, a pobre gramática da língua portuguesa. Mas gramática e ele que se entendam. Eu não me queixo. Podia ser pior, sei lá se o homem tem tomado a medicação.

domingo, abril 24, 2011

Erros de palmatória

O Provedor do Público, José Queirós, hoje deu em catar erros no jornal por mor das queixas dos leitores de lupa em riste.

Escreve que têm havido proliferação de erros na escrita do jornal e que por tal "manifesta um diagnóstico negativo. A quantidade de erros de redacção e revisão parece-me superior à tolerável num jornal de qualidade. Os leitores que têm dado a conhecer o seu descontentamento dispensar-me-ão de multiplicar aqui os exemplos. São erros de ortografia, erros gramaticais ( com destaque para as falhas de concordância, o desrespeito das regências verbais, as vírgulas a separar o sujeito do predicado). Alguns surgem com frequência patológica, e imitam o mau português que cada vez mais se ouve, por exemplo nas televisões ( o facto dos sindicatos terem apelado à greve...; tratam-se de novas condições colocadas na mesa da negociação...;o deputado interviu na discussão...;desde Madrid chega a informação...) sem falar já das tropelias clássicas com o verbo haver ou com a distinção entre "por que" e "porque".

José Queirós tem razão: a nossa literacia, melhor, a nossa alfabetização melhorou na junção das letras para se soletrar palavras. É coisa que se aprende logo nos dois primeiros anos de primária, como dantes se dizia e agora se diz "escola básica", porque primária soava demasiado a coisa ainda sem valor e importava mudar para trocar pela semântica valorativa do "socialismo democrático".
Pois foi apenas esse valor inicial que se incrementou. Só esse. Os seguintes ficaram já todos nas intenções de quem propagandeia o progresso do tal "socialismo democrático" na alfabetização, para o contrapor ao tempo da longa noite do "fachismo" em que o analfabetismo atingia uma população maciça. Agora, a alfabetização "é mato", como dantes se dizia. Está por todo o lado para onde nos viremos, particularmente nas televisões.

E é uma alfabetização tão completa e tão perfeita que nem lhes dá para fazer a necessária auto-crítica de arrepiar caminho e entender as razões do fracasso evidente. O qual se percebe melhor quando se lê, por exemplo, um exemplar do Comércio do Porto dos anos sessenta e uma edição do Público onde escreve o Provedor do Leitor.

PS. Acho verdadeiramente delicioso que este Provedor faça os reparos todos que fez , sobre verbos e vírgulas e escreva depois " "Alguns surgem com frequência patológica, e imitam o mau português que cada vez mais se ouve, por exemplo, nas televisões(...)" .

Aquela vírgula antes do "e" fica a matar para quem pretende o papel de matador de erros e gralhas, não fica?

Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso