terça-feira, janeiro 10, 2012

O caso da licenciatura de José Sócrates volta à ordem do dia

Já dizia Armando Vara nas conversas escutadas no Face Oculta: "O Público vende pouco mas faz manchetes". Daí o apetite: "isso compra-se!"

Hoje o Público mancha a primeira página com uma notícia requentada mas de efeito útil: voltar a lembrar a vergonhosa licenciatura do antigo primeiro-ministro e o modo como foi obtida. Tal assunto permanece na ordem do dia porque não se fala noutra coisa no julgamento que decorre sobre o caso UnI.
Em causa, particularmente, a prática de crimes de falsificação de documento ( que engloba também a comparticipação no crime de uso de documento falso, é preciso não esquecer e pode ser objecto de alteração substancial de factos...) cujas suspeitas incidem sobre responsáveis da UnI, em julgamento, particularmente "o seu" reitor, Luís Arouca. É por isso inteiramente legítimo que se questione em tribunal este caso e este assunto em particular e daí o interesse em ouvir José Sócrates em julgamento, como testemunha. Evidentemente, sobre esses factos e se algum que lhe for perguntado implicar responsabilidade penal do próprio, o mesmo pode recusar-se a responder. É um direito e garantia processual que lhe assiste, mas ao mesmo tempo pode e deve dizer o que sabe sobre os documentos que usou para atestar a validade da sua licenciatura, mormente na Câmara onde trabalhava. É sobre esse facto que o eventual crime ainda não terá prescrito porque o uso do documento ocorreu relativamente há pouco tempo. É evidente também que este facto não foi investigado a fundo como deveria: com buscas naquela autarquia, com buscas em outros sítios e o interrogatório de suspeitos que lidaram com esse dossier, na autarquia. Ainda vai a tempo e não precisa de ser o DCIAP a fazer tal coisa. Aliás nem se compreende porque lhe foi destinado tal processo...porque não é das competências típicas do DCIAP. As falsificações de documentos, sem mais, são investigadas pelo DIAP. Alguém explica então o que se passou?

O Público repristina assim o assunto voltando à vaca fria da investigação do DCIAP. Diz José António Cerejo ( com Andreia Sanches)que falou com Cândida de Almeida, a propósito do facto de esta ter investigado com base em fotocópias um facto que tem a ver com o crime de falsificação. Resposta? Desconcertante: solicitou à DGES ( direcção geral do ensino superior, entidade competente) o dossier do aluno José Sócrates, "tendo sido enviados os documentos que aquela universidade havia remetido àquela entidade nos termos da lei após o encerramento da Universidade. Foram esses documentos oficiais, remetidos por aquela direcção-geral que foram tidos em conta na invesrigação que correu termos no DCIAP " Assim, candidamente, sem mais nem menos.
Repare-se: no caso "mulher de Alberto Martins" e por causa de documentos que o ministério da Justiça usou para justificar o pagamento de um suplemento remuneratório aparentemente indevido, o DIAP de Maria José Morgado, organizou e efectuou uma busca ao ministério e apreendeu documentos "oficiais". Não para averiguar falsificações, mas também eventualmente, mas apenas para averiguar se foi cometido um crime de abuso de poder. Tão só.
No caso da licenciatura de José Sócrates, o DCIAP ( que depende directamente do PGR e por este foi acompanhado neste caso) para investigação de um crime de falsificação de documentos, único que tinha relevo criminal porque a irregularidade na obtenção de licenciatura não é necessariamente um crime em si mesmo, contentou-se com os documentos "oficiais" que lhe foram remetidos pela entidade que poderia e deveria merecer as maiores suspeitas: a própria Universiadade.
Das duas uma: ou o DCIAP de Cândida de Almeida e Pinto Monteiro não ponderaram os factos que estavam em causa, ou seja, a eventualidade de a própria universidade ter adulterado documentos relevantes ou entregado para uso do beneficiário documentos falsificados, demonstrando um amadorismo e incompetência intoleráveis ( porque à data a suspeita era mesmo essa, a de existirem documentos falsificados, atenta a reportagem que o Público então efectuou e o que António Caldeira investigou e note-se que este foi interrogado como arguido no DCIAP por aquela, por queixa de José Sócrates a propósito deste assunto) ou então a outra explicação implica a demissão imediata daqueles dois responsáveis. E não só a demissão...
Este caso tem que ser reaberto para bem da Justiça portuguesa, porque se os documentos que Rui Verde guardou e mostrou no seu livro são os originais, então os outros que foram a base de investigação do DCIAP são apócrifos e falsos, alguns deles. E terão sido usado enquanto tal, na tal autarquia. É preciso saber porque o eventual crime ainda não prescreveu.

NB: a latere, o Público ouviu três juristas, um deles o professor Figueiredo Dias, especialista em direito penal e pai do nosso Código Penal de 1982 ( foi o presidente da Comissão que o elaborou numa altura em que ainda não eram os escritórios de advogados a legislar), sobre a validade em investigar um crime de falsificação de documento com base em documentos apócrifos e fotocopiados aparentemente dos originais. Figueiredo Dias tergiversa, ao contrário dos outros dois ( Rui Rangel , desembargador "no crime" e António Martins, da associação sindical dos juízes). Diz que "do ponto de vista jurídico não levanta nenhum problema haver uma investigação com base em fotocópias".
Problema não levanta, claro. O que levanta é a solução...porque para se analisar a eventual falsificação de conteúdo de um documento emitido por uma entidade, em comparação com a sua fotocópia, torna-se necessário saber se o documento original foi o que serviu de base à fotocópia ou se trata apenas de mais um palimpsesto, um apócrifo que serviu à fotocópia...e havendo dois originais é preciso saber qual vale mais. Ora, no caso, nem sequer dois originais existem. Há só um original, em desconformidade com a fotocópia e o que serviu de modelo à fotocópia desapareceu de vez, pelos vistos. Tal facto conjugado com outros, mormente o depoimento de testemunhas que reafirmam algo que contraria o teor da fotocópia, pode efectivamente sustentar prova suficiente do crime de falsificação. Mas para tal é preciso investigar primeiro.
Dito isto, se em 2007 o presidente da República tivesse o senso de demitir o governo, dissolvendo a A.R., com base nestas falcatruas que se tornavam evidentes, das duas uma: ou as eleições davam a vitória a esse Inenarrável ( o que duvido muito porque com um processo crime às costas e a Justiça imparcial e independente a funcionar o país perceberia a quem entregaria o poder) e estaríamos na mesma ou pior ou então não davam e não teríamos a troika à perna.

segunda-feira, janeiro 09, 2012

A Maçonaria dos bons e maus mações

Moita Flores está na RTP Informação a fazer uma defesa descabelada da Maçonaria. Atropela-se nos argumentos ( acabou de dizer que a independência de Timor começou com conversas entre maçónicos de todo o mundo) e acha a Maçonaria o centro do mundo do bem. Moita Flores acha que esse mundo do bem nem sequer é secreto mas aberto. Só faltou dizer que a Maçonaria é a mãe da democracia...e do valor da transparência como regra.

Moita Flores, claro está, acha que há bons maçons e maus mações. Evidentemente, Moita está do lado dos bons. E defende a dama de modo descabelado, relegando para a giena a tal loja que não conhece e de quem se fala.
Dos seus parceiros de conversa, Rui Rangel, juiz, diz que não pertence a lojas. Marinho e Pinto idem, aspas, acrescentando que nunca pertencerá.
O programa é muito parecido com outro que passa à mesma hora, na SicNotícias: O dia seguinte. É sobre o futebol.

Atenção: os do costume apareceram na tv!

Proença de Carvalho e José Miguel Júdice apareceram esta noite na TVI, certamente convidados pelo seu magnífico director de informação, José Alberto Carvalho, para defender José Sócrates. Mais uma vez e uma outra vez servindo-se de manipulação de factos que as pessoas comuns não desmontam facilmente. Por isso mesmo, o costumeiro Sousa Tavares voltou à senda da alarvice no comentário a propósito.
Em primeiro lugar, o advogado de José Sócrates, Proença de Carvalho, fala na tv, em tempo de antena, sobre um processo pendente quando sabe que o seu estatuto não lho permite. Ignora olimpicamente tal facto e nada nem ninguém o aborrece por isso. Muito menos a sua ordem que nunca o porá na ordem porque o bastonário tarda nada está também a falar publicamente sobre o assunto. Proença é assim, um perfeito inoxidável, nesse aspecto.
Depois informou as pessoas que o seu cliente não tinha sido notificado para comparecer em audiência de julgamento e que ainda assim está "disponível" para tal.
Tudo aponta para que seja mais uma manipulação habilidosa de factos. José Sócrates fora notificado para comparecer. E até sexta-feira passada todos sabiam disso. O MºPº só nesse dia prescindiu da audição de José Sócrates, apesar do requerimento obviamente autónomo que efectuou. Explicações precisam-se porque já se fala nos sapos deste Portugal em "erro da juíza", ideia transmitida implicitamente por aqueles dois causídicos. Não haverá erro algum, mas a ideia já passou. Quem é o autor desta manobra maquiavélica?

José Miguel Júdice, julgando ainda estar em 2009 vem dizer que José Sócrates não tem de ser ouvido porque não merece ser arguido, ou coisa que o valha. Júdice é advogado? Não sei se ainda tem inscrição da Ordem em dia, mas se tiver está impedido tal como o outro.

O que fica deste episódio tristíssimo protagonizado pela TVI de José Alberto de Carvalho? Uma repetição do que se passou em 2009: uma manipulação informativa, gizada e protagonizada pelos mesmos indivíduos. Não desarmaram, não desistiram de defender o indefensável e de proteger um Inenarrável. Distorcem factos ( a notificação do visado); não noticiam os factos relevantes ( um advogado de um dos arguidos falou e disse algo que não passou nem sequer em contraditório) e escondem a verdade que sabem muito bem qual é: José Sócrates, segundo vários testemunhos, obteve uma licenciatura de favor na UnI. Não querem que tal venha a público e seja reconhecido oficiosamente. Porquê? Lá saberão.

Só espanta porque razão o fazem. Só espanta como as pessoas não se cansam deste jogo de mentiras.

As fontes inquinadas do Público dão nisto

Diário de Notícias:

Foi devido às pressões conjuntas do PS e do CDS que, no Parlamento, foram retiradas do projeto de relatório final sobre as "secretas" as referências à influência maçónica nos serviços.

Os dois partidos argumentaram que reuniões realizadas à porta fechada não poderiam implicar um relatório substantivo, que violaria o pacto de confidencialidade estabelecido com as personalidades ouvidas.

No projeto de relatório final, a deputada Teresa Leal Coelho, do PSD, retirou as referências à maçonaria para tentar obter um texto consensual. Mas o impasse manteve-se à mesma, com o PS e o CDS a insistirem nos seus argumentos e o PCP e o BE a não quererem ficar ao lado do PSD por acharem que o documento deveria ser mais crítico do que se propunha em relação, por exemplo, à conduta do secretário-geral do SIRP, Júlio Pereira, nos inquéritos internos que desencadeou sobre os casos que envolveram o SIED. Existiram apenas cinco documentos partidários - e o PSD manteve no seu a questão da maçonaria.

Afinal, quem é que se sente incomodado com a mistura da Maçonaria nos assuntos de Estado? Não são os deputados do PS ou do CDS...

Continuam os faxes ao Domingo...

ionline:

Proença de Carvalho alega que só tomou conhecimento de que Sócrates devia ser ouvido hoje pela comunicação social, na passada sexta-feira, motivo que o levou a enviar domingo um fax para o tribunal a comunicar que o ex-primeiro-ministro, a residir em Paris, não podia comparecer hoje nem terça-feira no Tribunal do Monsanto, Lisboa.

Este Inenarrável tem um azar monumental.

Aditamento: Após a audiência do dia de hoje, o advogado de José Sócrates, Proença de Carvalho, esclareceu que foi ele próprio quem aconselhou o seu cliente a ficar onde está e não comparecer. Brilhante, para um advogado de crime! E adiantou que não havia requerimento autónomo do MºPº para ouvir a testemunha José Sócrates, o que terá sido confirmado pela PGD de Lisboa.
Portanto, as notícias que andavam por aí eram fruto do jornalismo tipo para quem é, bacalhau basta...

O caso José Sócrates, a Uni e a PGR

José Sócrates não vai estar presente, hoje, no julgamento da UnI. Porquê, se o Ministério Público assim o requereu, depois de a sua presença ter sido prescindida por quem o indicou, ou seja a defesa de Luiz Arouca?
Na altura em que tal foi notícia, também se mencionou um facto aparentemente contraditório: embora o MºPº do julgamento requeresse a audição de José Sócrates, portanto, como testemunha de factos e não apenas abonatória, soube-se que a PGR tinha desistido de ouvir o antigo primeiro-ministro em julgamento. E tal foi noticiado pelo Diário Económico que transcreveu parte de uma informação da PGR:
O Ministério Público não pediu autonomamente para ouvir o Senhor ex-primeiro-ministro, José Sócrates. O que o Ministério Público requereu oportunamente, na sequência da apresentação da testemunha pela defesa, foi que se esta viesse a ser ouvida, o Ministério Público quereria inquiri-la também", avança fonte oficial da PGR. Concluindo: "Tendo sido retirado o requerimento pela defesa deixa de subsistir o requerimento do Ministério Público", avança fonte oficial da PGR.
Esta informação é de 14.12.2011. Porém, ainda neste fim de semana todos os media se referiram ao facto de José Sócrates estar presente hoje, em julgamento, no caso UnI.
O que se passou para que toda a gente fosse enganada assim de modo tão básico, quando havia um comunicado da PGR a dizer o que afinal se verificou hoje?
Mais: aparentemente, o MºPº do julgamento requereu mesmo autonomamente a audição de José Sócrates em julgamento. Mas tal suscita dúvidas que o comunicado da PGR não esclareceu. E essas dúvidas resultam de factos que foram notícia que ficou sem esclarecimento da mesma PGR.

Portanto vamos ao essencial da questão:
O que se pretende com o processo penal? Descobrir criminosos e só os criminosos. Julgar e punir ou absolver consoante a prova e as regras ( apertadas) que condicionam a sua produção.
Será a presença de José Sócrates assim tão importante no caso do julgamento UnI, em que se discute a prática pelos arguidos de crimes graves que lesaram o património da universidade privada? São crimes de "associação criminosa, abuso de confiança, fraude fiscal, burla, corrupção e falsificação de documentos".
Que factos estão em julgamento, por exemplo relativamente a falsificação de documentos? Não sei e porventura serão alguns relativos a licenciaturas. Como a de José Sócrates que perante todas as evidências indiciárias e resultantes das denúncias recentes do antigo vice-reitor Rui Verde e também arguido no processo, foi uma licenciatura obtida por favor. E em condições tais que a falsificação de documentos assume relevância muito importante.
Não sei se a investigação do caso UnI foi efectuada nessa vertente. Se não o foi deveria tê-lo sido e é tempo de pedir responsabilidades a quem não o fez, para saber porquê.
Porém, após os factos conhecidos recentemente através do livro de Rui Verde e que são elementos novos que acrescem aos que já se sabiam, o MºPº do DCIAP tem a estrita obrigação de reabrir o processo que foi arquivado e indagar novamente acerca dos factos relativos à falsificação que não está prescrita, mormente a que resultará de documentos existentes numa certa autarquia.
Neste contexto, a inquirição de José Sócrates no julgamento da UnI assume relevância ou não?
Evidentemente que assume, porque o seu depoimento em que será obrigado a responder com verdade acerca das perguntas que lhe forem feitas pela acusação, defesa e tribunal ( oficiosamente e em busca da verdade material, objectivo superior do processo penal) torna-se sumamente importante para comprovar, pelo menos, factos que contendem com a falsificação de documentos, crime imputado aos arguidos ou a algum deles.
O que o arguido Rui Verde relata no livro que escreveu é um requisitório sobre o crime de falsificação de documentos, em que se imputa a autoria dos factos à UnI, ou seja à própria instituição dirigida pelo principal arguido, "o seu" Luiz Arouca.

Esta factualidade é incontornável para aferição e averiguação da verdade material, objectivo superior, como se disse, do processo penal e por isso mesmo erigido em princípio que não deve ser derrogado.
Por isso mesmo só espanta que o MºPº, através da PGR tenha desistido de ouvir José Sócrates. Não se entende a justificação da PGR a propósito da falta de interesse em ouvir uma testemunha depois de a defesa que a apresentou ter prescindido da mesma e o representante legítimo do MºPº na primeira instância ( não é o PGR quem representa o MºPº na primeira instância) também ter entendido que era importante a audição dessa testemunha.
A PGR tem o dever de esclarecer duas ou três coisas depois disto:

Porque entende não ser importante ouvir José Sócrates em audiência de julgamento da UnI.
Se emitiu instrução escrita à titular do processo, na primeira instância, para desistir da audição da testemunha, prescindindo da mesma e em que condições o fez.
E se o/a representante do MºPº em julgamento concordou com essa instrução da PGR depois de ter requerido a audição da testemunha, e com a justificação apresentada pela PGR. Neste caso, quando é que decidiu prescindir da testemunha porque até à passada sexta-feira aparentemente ainda o não tinha feito...

Finalmente, o tribunal colectivo não está sujeito a hierarquias que emitam instruções ( ao contrário do que disse um Marinho e Pinto a propósito de outro assunto e em discurso de abertura de ano judicial, no ano passado). É nisso que radica a independência dos tribunais e os respectivos juízes podem ( e a meu ver devem) arrolar oficiosamente a mesma testemunha, perante estes factos estranhos, em consideração pelo princípio da verdade material vertido neste caso no artº 340º do CPP: "O tribunal ordena, oficiosamente ou a requerimento, a produção de todos os meios de prova cujo conhecimento se lhe afigure necessário à descoberta da verdade e à boa decisão da causa."
O tribunal pode e deve ( a meu ver) não só arrolar tal testemunha como juntar aos autos o livro de Rui Verde. É essencial tal prova para a descoberta da verdade. Até porque os arguidos podem mentir...

Aditamento: Se no requerimento do MºPº para ouvir José Sócrates em audiência de julgamento, na sequência de requerimento da defesa para tal, se diz que a sua audição é importante para a descoberta da verdade e se refere que é a mesma requerida por ter sido aludido o seu nome por diversas testemunhas, então o requerimento do MºPº é para todos os efeitos, um requerimento autónomo, suficiente por si só para se entender a audição de José Sócrates separado da defesa e independente dela e não se compreende por isso o teor do comunicado da PGR.
Há que esclarecer tal facto.
Mais: nesse caso não se compreende também a atitude do advogado de José Sócrates, Proença de Carvalho, porque não deveria ter dito ao seu cliente para faltar. É que nesse caso, o mesmo já iria ser ouvido por outra parte processual que não apenas a defesa.
Com advogados destes, estamos bem servidos.
Entretanto, o jornalismo tipo para quem é, bacalhau basta, informado pelos mesmos do costume, já fala em "erro da juíza"...

O julgamento da UnI e as notícias

TVI:

O ex-primeiro-ministro José Sócrates não vai estar presente como testemunha no julgamento do caso Universidade Independente, que esta segunda-feira prossegue no Tribunal de Monsanto.

José Sócrates informou o tribunal de que não iria estar presente por estar a viver no estrangeiro, mais concretamente em Paris, França.

Sic-Notícias:

Luiz Arouca está a ser julgado por associação criminosa, abuso de confiança, fraude fiscal, burla, corrupção e falsificação de documentos.

Entre os principais arguidos do caso UNI estão o ex-reitor Luíz Arouca, o antigo vice-reitor Rui Verde e Amadeu Lima de Carvalho, o antigo acionista da empresa SIDES, acusados de associação criminosa, abuso de confiança, fraude fiscal, burla, corrupção e falsificação de documentos.

A crise na UNI começou com suspeitas de irregularidades no funcionamento da instituição, tendo-se verificado em fevereiro de 2007 sucessivas reviravoltas no controlo da instituição e da empresa que a detinha, a SIDES, disputadas por duas fações em litígio.

A instituição foi encerrada compulsivamente a 31 de outubro de 2007, por decisão do então ministro do Ensino Superior, Mariano Gago.

(...)

À chegada ao tribunal, Luís Arouca não quis prestar declarações aos jornalistas.

O ex-primeiro-ministro e antigo aluno da Universidade Independente José Sócrates e o antigo ministro e deputado socialista João Cravinho devem hoje ser ouvidos como testemunhas no julgamento do caso UNI.

O advogado do antigo reitor da Universidade Luiz Arouca, adiantou à Agência Lusa que o seu cliente prescindiu da audição de José Sócrates como testemunha defesa, mas que o Ministério Público (MP) o indicou como testemunha de acusação, pelo que a sua audição terá de se efetuar.

O causídico disse desconhecer em concreto se José Sócrates, a residir atualmente em Paris, estará hoje presente no Tribunal do Monsanto, em Lisboa, mas admitiu que a videoconferência não é praticável neste caso e que a sua audição por carta rogatória também não seria normal.

Durante a sessão de hoje estava também prevista a audição do ex-primeiro-ministro José Sócrates, que até às 09:20 ainda não tinha chegado ao Tribunal.

A TVI 24 já sabe que José Sócrates não está presente em audiência de julgamento, hoje. A SIC- Notícias ainda anda aos papéis...

domingo, janeiro 08, 2012

O amigo Joaquim...visto por quem o conhece

Sapo desporto:

António Oliveira, irmão de Joaquim Oliveira e antigo selecionador nacional, afirmou em entrevista à RTP que a Olivedesportos, empresa do seu irmão que detém os direitos televisivos em Portugal, controla quase tudo o que se passa no futebol nacional, incluindo a nomeação dos presidentes da FPF e da Liga.

«O presidente da Federação é colocado por um lóbi fortíssimo que existe em Portugal. O presidente da Liga é colocado na Liga por interesses do lóbi que domina o futebol em Portugal. Quem? A Olivedesportos, obviamente. Mas eu já o disse publicamente. Enquanto não se alterar este estado de coisas, vai tudo continuar na mesma», referiu o antigo treinador do FC Porto.

É o irmão quem o diz. E parece saber o que diz. O "amigo Joaquim" de quem é amigo, afinal?

A justiça de ricos e pobres

Vale a pena ler esta pequena "carta à directora" do Público de hoje (clicar para ler) , da autoria de Santana-Maia Leonardo. Em tom irónico retrata com uma exactidão factual o que se passa na Justiça, actualmente. Nem sequer é caricatural porque a aproximação à realidade é manifestamente exacta.

Os sem-vergonha

Correio da Manhã de hoje.

Estes dois ex-governantes deviam servir de exemplo da hipocrisia, do destempero orçamental, do malabarismo palavroso e da pouca-vergonha.

Durante o consulado de José Sócrates tiveram nas mãos a pasta da Justiça. Tudo fizeram para desacreditar a magistratura que perseguiram profissionalmente, cortando-lhes no vencimento mais do que seria razoável e de modo iníquo em virtude de uma sanha pessoal e particular inexplicáveis. Particularmente o da esquerda, José Magalhães que mostrou à saciedade o pendor execrável de uma personalidade política .
Pois bem. No auge da sanha persecutória, a associação profissional dos juízes quis saber os gastos dos ministérios em pequenos perks, tipo telemóveis, ajudas de custo para almoçaradas etc.
Primeiro, negaram ilegitimamente o acesso à informação, mostrando de que categoria é a democracia que apregoam. Agora sabe-se porquê:

Dispunham ambos de um cartão de crédito com um "palfond", cada um deles, superior ao que cada magistrado ganha, em líquido ( o cartão também era líquido). Acresce que nem eram sequer os únicos titulares desses cartões de crédito pagos por todos nós. Também os seus chefes de gabinete gozavam desse privilégio soviético, de casta . Por mês, só naquele ministério, em cartões de crédito, a despesa potencial ( seria bom saber com que justificação legal) era de cerca de 16 mil euros, pagos por todos nós. A par desses cartões vergonhosos tinham ainda, como escreve o Correio da Manhã, "uma espécie de saco azul para almoços e jantares de ministros, secretários de Estado e chefes de gabinete."

Em Junho, altura de eleições, aquele José Magalhães, em almoçaradas e jantaradas torrou mais de 3 500 euros à nossa custa.
A responsabilização criminal destes indivíduos para quando fica? É que o crime de peculato tem algo que se lhe diga.

Ah! E já me esquecia: estes dois têm fama de pertencerem a lojas maçónicas. Como não serão da Mozart nem do Salieri nem consta que sejam músicos de câmara, o Expresso e o Público não se indignam pela promiscuidade. São da boa maçonaria...

sábado, janeiro 07, 2012

Mário Soares e a verdade

José António Barreiros e o livro de Mário Soares em recensão crítica. Vale a pena ler, porque J.A.B. hesita em contar a verdade que conhece e não hesita em denunciar Mário Soares como aldrabão. Obviamente nenhum Público, Expresso, D.N ou mesmo i vai pegar neste comentário ao livro daquele e publicar o que diz J.A.B. em nome da verdade e contra a aldrabice. Fica aqui a amostra:

Para enxovalhar Rui Mateus, Soares diz que o conheceu empregado de um restaurante e que teve uma ambição tal que quis ser ministro dos Negócios Estrangeiros do seu Governo. Mente por omissão da verdade. A ligação entre os dois é muitíssimo mais vasta, próxima, e, é só ler o livro que aquele escreveu, para concluir que em matéria de "comedorias" o conhecimento não se limitou a restaurantes.
Remata, enfim, dizendo que envolveram no assunto o então Governador de Macau, Carlos Montez Melancia, que seria absolvido judicialmente. Mente por adulteração da verdade. A história do processo judicial ainda está para ser contada, como a história dos processos judiciais que nunca existiram em torno do caso. E como é que a absolvição do Governador neste processo deu em condenação em outro, o "caso do fax".
No momento em que escrevo estas linhas hesito se contarei ou não toda a história desse aproveitamento político, económico e pessoal da televisão de Macau que o livro tenta branquear.
Confesso que o descaramento do livro me incendeia um sentido de revolta pessoal. Que a "reconstrução" da História me repugna como cidadão, como o faz tanta historiografia oficial arregimentada que tem andado a ser escrita em relação ao que nem regime político chegou sequer a ser e hoje está em estilhaços, o estado cadaveroso do País.
Sei que se o fizer, contando o que sei, serei sujeito aos efeitos da difamação e do enxovalho, porque ele e este estilo de obra são o rosto de um modo de ser que define a actual Situação, o verso dos que a criaram, o anverso dos que a consentiram. Talvez haja um direito à tranquilidade, minha e dos meus, que eu deveria saber preservar.
Por outro lado estou perante uma figura pública idolatrada a quem tantos perdoaram tudo, à direita e à esquerda, com quem tantos se arranjaram para tanto. Ficarei isolado e à mercê.
Talvez haja, enfim, o respeito devido à idade, se não houvesse o respeito devido à Nação de todos nós. Apodar-me-ão de desapiedado, logo quanto a um livro em que o seu autor se fez cercar, no lançamento, da imagem inocente dos seus netos.
Vou tentar tranquilizar o espírito e logo verei. Até passar o hálito da sordidez do caso e do perfume barato com que agora o vejo contado.

A revista do Expresso mudou...para pior

Começou assim ou quase ( o número é de 74 e o jornal começou em 73)

Evoluiu assim, dez anos depois, em 1985 já com a nossa crise endémica como notícia de primeira página.

E nem a Europa nos salvou. Em 1990 a revista era assim.


Em 1996 o futebol já era rei.

Em 2003 fizeram um balanço.

E em 2004 já se chamava Única.

Em 2008 passou a chamar-se revista Única e começou a tratar assuntos em modo conceptual. Geralmente de modo brilhante e para coleccionar, apesar das Ferreiras Alves que não deslargam.
O designer é Marco Grieco. E os demais responsáveis são Mafalda Anjos, José Cardoso e Nelson Marques e outros. Parabéns a todos porque foi a melhor revista que se publicou em Portugal nestes últimos anos.
Passou agora a chamar-se Revista, parece que conserva o mesmo director de arte mas deixou de ter ficha de redacção para se saber quem é quem.
Sabe-se no entanto que nesta renovação uma parte importante da revista é dedicada a Carlos Cruz que pela enésima vez jura pela sua santa saudinha que está inocente.
Pois está e a Revista dá-lhe espaço, sem falar com as vítimas. Como dá a um tal Horta Hosório, para uma entrevista que a meu ver esconde o essencial. Doença de falta de sono? Com uma cura sindicada por uma dúzia de executivos do banco? A Revista não quer perceber, como no caso Cruz. Mau sinal. E assim a Revista, pela primeira vez desde 1974, piorou e muito. Aligeirou, superficializou-se e mediocratizou-se. À imagem e semelhança do director. É pena porque era o único motivo para comprar o jornal.


A Maçonaria vista por quem dela sabe alguma coisa

José António Barreiros, no seu blog:

"(...)Enfim a parte cívica, pública, social: se há que denunciar vigarices, arranjismos, compadrios, pulhices a coberto de organizações, vamos a isso! Mas vamos a direito. Que não seja só nos serviços de informações.
Há uma forma simples: cada um declara a sua pertença presente e passada e o porquê: mas que isso suceda nos jornais, nos tribunais, na política, nas organizações religiosas.
Quanto a mim o que havia para saber sabe-se e soube-se pela minha boca.
Mas, já agora, porque quando o Sol nasce é para todos e o de hoje teimou em chegar, há horas com este texto que arranco às entranhas da alma, não só ser maçon: que nada escape. Que se faça um varejo de alto a baixo da influência e penetração que tiveram outras organizações, essas à pala da religião, na vida portuguesa.
Basta de hipocrisia, chega de velhacaria!
A certos e determinados que estão silenciosos quais fantasmas, lembro-lhes, para incutir ânimo, o que o seu Jose Maria Escrivà de Ballaguer escreveu: «Vira as costas ao infame, quando sussurra aos teus ouvidos: "Para que te hás-de meter em complicações?"». Venham esses também, para a praça pública, que agora é que isto está bom e sobretudo apetitoso e é a oportunidade sacrificial da mortificação.
Querem portanto discutir os organismos de influência em Portugal e no Mundo? Embora, vamos a isso! Até por uma questão de higiene moral e cívica.
É pois hora de barrela! Hora de arregaçar mangas, pôr a água a correr, venha a sabonária e a lixívia.
Que este Pais, que mete nojo e cheira mal, está a precisar de uma boa esfrega!

A sabedoria do dia

Hoje cito José Pacheco Pereira ( isto anda mau...) no Público, sobre as maçonarias. Depois de resumir a sua petite histoire sobre " a viúva", como lhe chama, escreve assim:

"(...) pude observar o contínuo crescimento da instituição, através das suas novas obediências, no seio de gente nova cuja atracção pelo Supremo Arquitecto e pelos bons costumes me parecia bastante remota. Pelo contrário, todos os que ia conhecendo a entrar na Maçonaria, nos meios políticos, económicos e da comunicação social, pareciam atraídos por uma coisa muito diferente: poder, influência e dinheiro, por esta ordem ou por outra ordem muito semelhante."

É isso mesmo e nada mais. Esta guerra iniciada pelo Expresso e continuada pelo Público foi por motivos espúrios ao que agora pretendem, ou seja uma moralização política, sempre bem vinda, aliás. O que começou com uma guerra suja entre Impresas pode acabar por moralizar um pouco mais a política. Duvido no entanto que o interesse, mais uma vez de causa e suspeito, de alguns jornalistas consiga ir mais além do que já foi.
Se fossem começariam já por se interrogar sobre as suas chefias...principalmente nas tv´s.

Salieri, Expresso Julho 2011, Janeiro 2012

Ricardo Costa, o grande director que o Expresso arranjou, escreve hoje no jornal o resume da sua grande cacha destes últimos seis meses no jornal.
Tudo começou com o desconvite a um tal Bernardo Bairrão, um anódino da TVI que esteve quase para ser do governo e só não terá ido para o poder, porque "era contrário à privatização da RTP e a Ongoing era a principal interessada na compra da televisão pública."
Depois de isto escrever no ponto 3 ( clicar para ler) o fantástico Costa escreve no ponto 13 que este casus belli do Expresso contra um tal Silva Carvalho, "apesar do detalhe das notícias e da trama óbvia entre os serviços secretos, a loja Mozart, a Ongoing e alguns dirigentes do PSD, este caso foi muitas vezes visto como um ajuste de contas entre o Expresso e a Ongoing."

Está claro, claríssimo mesmo, para quem lê, que assim não foi. Ricardo Costa, o fantástico director do Expresso continua com estes fogachos de inteligência. E conclui: "parece que alguns políticos já perceberam a história. "

Pois já, também me parece. Balsemão, aliás está contra as maçonarias. Sempre esteve, não esteve?

Entretanto, no Diário de Notícias de hoje, Nuno Vasconcelos a alma negra dos Costas do Expresso, tranquiliza os adversários, fazendo bluff: é a favor da continuidade de Zeinal Bava e Henrique Granadeiro na PT. Ricardo Espírito Santo, do BES já o tinha dito antes...
Noutra notícia no jornal de hoje, sobre Santos Ferreira, presidente do BCP, escreve-se que tem ligações à maçonaria. Alguém do Expresso, mormento o fantástico Costa das evidências saltitantes, se preocupou com o assunto, entre 2006 e 2008? Não?! Ninguém? Andavam distraídos, era? Ou a cretinice é marca de água da casa?

A propósito do Expresso, ando a concordar demais com o que Miguel Sousa Tavares escreve. Hoje, sobre Elísio Alexandre Marques dos Santos, presidente da Jerónimo Martins, diz o que é preciso: com patriotas destes, vou ali e já venho.

sexta-feira, janeiro 06, 2012

Este jornalismo não presta

Sol:

Uma personalidade com traços de paranóia, transtorno delirante e narcisismo. É o que ressalta da perícia psiquiátrica sobre Paco Bandeira, feita a pedido do seu advogado no âmbito do processo em que é acusado pelo crime de violência doméstica, que está em julgamento no Tribunal de Oeiras.

Esta notícia é do Sol, mas foi publicada noutros órgãos de informação. Isto é grave por vários motivos. Um relatório médico, de perícia psíquica, deve ser sempre um relatório confidencial e reservado a quem legitimamente o pediu ( o tribunal, no caso) e quem o pediu, para além do visado que o pode obviamente contestar juntando outro relatório.
Divulgar publicamente este tipo de relatórios periciais é muito mais grave do que violar qualquer segredo de justiça e aqui nem disso se trata, eventualmente.
O jornalismo que embarca nesta ignomínia não merece respeito e o Sol deveria, sob a responsabilidade do seu director, arquitecto José António Saraiva, cuja sensatez já se comprovou, pedir desculpa, retirar a notícia e nunca mais repetir uma coisa destas. Por outro motivo bem simples: quem não consegue interpretar um relatório destes, o que é indiscutível para a maioria das pessoas, dá um sentido ao mesmo que prejudica seriamente a honra do visado. A honra mais básica.
Isto é sob qualquer ponto de vista, inadmissível e este jornalismo é execrável.

Os donos das lojas

Em 2009 era assim:

Mota-Engil, Soares da Costa e Edifer admitem pedir indemnização ao Estado devido ao veto do Tribunal de Contas às concessões rodoviárias.

O impasse do concurso para as novas concessões rodoviárias provocado pelo chumbo do Tribunal de Contas está a ameaçar as construtoras portuguesas. A situação é de tal ordem que estas ameaçam mesmo poder vir a recorrer para tribunal exigindo as devidas indemnizações.

O mote foi dado por António Mota, presidente da Mota-Engil, líder do sector de construção em Portugal, que em declarações na Sic Notícias deixou o aviso de que um pedido de indemnização ao Estado está a ser ponderado devido ao veto do Tribunal de Contas à concessão do Douro Interior.

Como é sabido, durante o Verão de 2009 aconteceu o fenómeno da tomada de poder de alguns media, como revelam as escutas do Face Oculta e um primeiro-ministro Inenarrável ganhou as eleições outra vez, numa vitória tangencial que considerou então "extraordinária"!

Depois disso foram "renegociadas" as PPP, tendo nesse assunto assumido um papel relevante um tal Paulo Campos.

Ficaram assim, os "indignados" de 2009. E mais ninguém lhes ouviu qualquer lamúria pública.

As pessoas têm que saber disto e pedir responsabilidades políticas, civis e criminais a quem as têm.

Morreu Pedro Osório


Uma das memórias vivas da nossa música popular dos últimos quarenta anos, morreu. Pedro Osório era músico, "orquestrador", no início dos anos setenta, depois de ter feito parte do Quinteto Académico ( imagem acima da capa do Século Ilustrado de 8.4.1967).

Quando comprei a revista Mundo da Canção ( publicada no Porto) no mês de Maio de 1970, o tema principal ( e motivo da compra) era o VII Festival da Canção, e quem o ganhou nesse ano foi a cantiga Onde vais rio que eu canto, cantada por Sérgio Borges, também recentemente falecido.
Nessa altura já Pedro Osório aparecia como orquestrador da canção Corre Nina, de Paulo de Carvalho, tida então como favorita.


Nos anos seguintes Pedro Osório continuou a ser presença marcante na música popular portuguesa, com muitos créditos reconhecidos em discos variados. No Lp de Sérgio Godinho À Queima Roupa, em pleno PREC de 74-75, Pedro Osório aparece creditado com agradecimentos "pela orelha atenta e colaboração na supervisão".
Porém, a obra que para mim melhor o recorda é este disco de José Almada, uma pérola esquecida da nossa música popular, publicado em 1970. Os arranjos e orquestrações são da autoria de Pedro Osório e segundo o autor dessa obra-prima da mpp, José Almada, o disco foi gravado apenas com voz e guitarra simples e os arranjos acrescentados depois por Pedro Osório. Brilhantes e de uma eficácia inebriante. Uma obra-prima esquecida, porque nem sequer foi passada a cd.

O assalto ao BCP e o atentado ao Estado de Direito


Jardim Gonçalves, ex-presidente do BCP concedeu uma entrevista à revista Tabu do jornal Sol de hoje ( imagem supra, para clicar e ler).

Na parte que interessa explica para quem quiser entender, o que sucedeu entre 2006 e 2008 com o BCP que passou para as mãos de um grupo diverso daquele que o fundou. A Maçonaria do GOL, neste caso, teria muito a explicar porque os segredos sendo, como são, a alma dos negócios, ainda não foram desvendados. Os bons maçons correram com os maus da opus dei e fizeram o que está à vista: a quase destruição de um banco que corre o risco de passar a ser chinês, depois de ter sido o maior banco privado em Portugal.
Jardim Gonçalves diz em meias palavras, o seguinte:

"Era preciso que o engenheiro Jardim, o dr. Paulo Teixeira Pinto e o dr. Pinhal saíssem. Não houve mais nada. (...) Era preciso descredibilizar as pessoas para que estas saíssem. E depressa. "
Quando o Sol pergunta "para que entrasse quem"?, a resposta é sucinta e para bom entendedor só falta apontar certos nomes agora na ribalta:

"Para que entrasse alguém que fosse dócil para quem governa e para determinados interesses. Hoje não estamos a discutir quem manda no país, se é o PS ou o PSD, se é o Bloco...o problema que se analisa é que rede de pessoas é que está a tomar conta de determinadas coisas."

Quando a Tabu lhe pergunta se "concorda com Filipe Pinhal, que o Governo de Sócrates tomou de assalto o BCP", Jardim responde assim:

"Não há três administradores da CGD a saírem que o primeiro-ministro não saiba...Não há! Não sai um que o primeiro-ministro não saiba, quanto mais três!"

Estas declarações são a denúncia de um crime público em que o suspeito é o mesmo Inenarrável de sempre: José Sócrates. Um crime de atentado ao Estado de Direito como o foi a tentativa, parcialmente conseguida, de controlar órgãos de informação de massa, o que se encontra amplamente documentado nas escutas do processo Face Oculta.

O Ministério Público deste país, com o PGR Pinto Monteiro e o presidente do STJ, encolheram os ombros e fizeram de conta que os indícios de tal crime não existiram. Como o crime é público e a Justiça significa dar a cada um aquilo que lhe pertence, ainda não perdi as esperanças de tal suceder um dia destes.

Outro bom mação

António Arnaut, o "pai" do nosso serviço nacional de saúde que não enjeita o filho que vive a expensas alheias, é outro bom mação. Em declarações ao jornal i de hoje diz que os maçons "devem assumir-se voluntariamente" e que há "uma cultura de clandestinidade na instituição devido à perseguição de que a maçonaria foi alvo durante a ditadura".

Não há dúvida que assim é. O PCP, partido mais que perseguido durante a ditadura, como todos sabem é organização secreta e muito discreta.
Por isso pergunta-se António Arnaut: " que necessidade há de ocultar" ? António Arnaut finge não saber, como bom mação que é, mas a explicação é tão simples e simbólica como a escada em caracol da Regaleira: o segredo é a alma do negócio. É só isso.

O maçon de Abril, um bom mação

Imagem do Público de hoje.

Vasco Lourenço, um sempiterno "capitão de Abril" é maçon. Da loja 25 de Abril, apropriadamente dependente do GOL. Em declarações ao Público de hoje, "demarca-se" de outras maçonarias, mormente a da Loja Mozart49 a que pertencem aqueles que agora estão na berlinda, designadamente...quem, exactamente? O presidente do grupo parlamentar do PSD? Um empresário concorrente de Francisco Pinto Balsemão e que lhe tem dado água pela barba ( Balsemão pronunciou-se ontem sobre a Maçonaria, em declarações fantásticas que agora lhe surgiram do nada...), um ou outro antigo dirigente de um serviço de informações e uns tantos mais que para o caso, "interessam para nada".
O que interessa pois, neste assunto que o Público agarrou com ambas as mãos jacobinas? Vilipendiar uma certa loja maçónica, caída em desgraça por causa de algo mal explicado: a essência do assunto tem a ver com o facto de um antigo director do SIED ter saído de cena para integrar uma empresa privada de comunicação ( a tal que é rival do dito Balsemão e lhe tem dado água pela barba), em perfeitas condições de legalidade discutível e ter continuado a manter contactos privilegiados com quem ficou no interior do serviço. Só isso e nada de mais se apurou que integrasse conduta criminal, ética ou deontologicamente ilegítima. Mas...para o Expresso e agora para o Público o assunto continua a trazer notícia e laivos de indignação.

Descobriram que o tal director pertencia a uma loja maçónica, a mesma a que pertence o dirigente da empresa que integrou. E que o líder parlamentar do PSD também é afecto ao mesmo ritual. Foi o suficiente para cair o carmo dos títulos de primeira página e a trindade da conspiração maçónica.
Como a lógica cretina não os deixaria avançar muito mais, desencantaram um bom maçon para se "demarcar" do mau maçon. Brilhante!
O sempiterno capitão de Abril Vasco Lourenço pertence à fina flor da maçonaria portuguesa, o GOL, de sua declinação. O tal director e o líder parlamentar do PSD, ao lumpen das lojas,neste caso uma espelunca que dá pelo nome de Mozart49.
Diz o sempiterno capitão de Abril, ao Público de hoje: "É evidente que se alguém das secretas, através de uma loja, passa informação para fora, ou para outro membro da loja, quer seja por venda comercial ou com outra finalidade, coloca uma questão do foro criminal, que não é próprio da maçonaria."
"Questão do foro criminal"?! Evidente?! Qual será? O sempiterno capitão de Abril, bom mação, não especifica porque a tal não se sente obrigado. O código Penal não é o seu RDM e portanto, basta-lhe a autoridade de bom mação para tipificar o crime contra o mau mação.
Sobre maçonaria o sempiterno capitão de Abril sabe umas coisas: "Quando alguém me telefona e se identifica como maçon falo mais facilmente com ele, o que não quer dizer que faça o que ele me pede. A fraternidade funciona assim". Portanto, temos uma fraternidade criteriosa cujos parâmetros são conferidos pelo sempiterno capitão de Abril. Falar, está bem, porque sim. Irmãos são irmãos, cum catano! Fazer tudo o que lhe pedem, está quieto ó Vasco. Primeiro vamos ver se é possível e depois logo se vê. E já agora, o que será que o sempiterno capitão de Abril, bom mação, tem feito que a gente não saiba e que lhe tenham pedido? Boas obras certamente.Discretas e fraternas.

Por causa desta coisa toda, os membros secretos da sua loja 25 de Abril estiveram ontem reunidos e chegaram a um consenso: há bons e maus maçons e o Público dá hoje conta disso.
Por exemplo, outro sempiterno capitão de Abril que chefia os serviços de fiscalização das secretas, Marques Júnior, será outro bom mação. Se lho perguntarem, não dirá porque um bom mação esconde a mão que pratica a boa acção. O Público não diz, mas essoutro bom mação não tem problema algum em conversar particular e amigavelmente com um dos seus fiscalizados, porventura outro bom mação. Aliás, todos os do GOL são bons maçons. Por isso mesmo, empenharam-se na eleição de um presidente da República que também era um bom maçon, Fernando Nobre. Dessinteressadamente e porque sim, os bons devem sempre triunfar sobre os maus.
Os esquemas, tráficos de influência variada, actividade de "gang", movimentações secretas para colocação de maçons em lugares-chave na administração do Estado, tudo isso é apanágio das seitas de maus maçons. O exercício espiritual, a fraternidade desinteressada e amiga, a busca do bom caminho e a procura da luz são "evidentemente" a marca de água do bom mação.
Vasco Lourenço é o bom mação. Oremos.

quinta-feira, janeiro 05, 2012

Rewind

Marinho e Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados, foi constituido arguido pelo crime de difamação de um juiz. Pelo que disse publicamente de um juiz de direito, em diversas ocasiões, nunca lhe citando o nome, num exercício corajoso de ignomínia.

É isto que conta a revista Sábado de hoje. Assim:
O juiz de instrução Carlos Alexandre solicitou ao Ministério Público (MP) que abrisse um processo-crime ao bastonário da Ordem dos Advogados. Carlos Alexandre diz que Marinho Pinto lhe chamou inquisidor da Idade Média. E António Marinho Pinto já foi constituído arguido.

Em causa estão as críticas duras que o bastonário fez, no ano passado, à prisão preventiva aplicada pelo chamado superjuiz a dois jovens envolvidos nas agressões a uma colega. O advogado chegou a dizer que o juiz “torce a lei e adapta-a aos seus preconceitos, aos seus medos, aos seus complexos”.

As declarações do bastonário surgiram no meio da polémica causada pelo vídeo da agressão de jovens colocado no Facebook. As imagens mostravam duas jovens a agredirem uma terceira, de 13 anos, inclusive com sucessivos pontapés na cabeça, quando a vítima já estava no chão; o vídeo foi feito por um colega. Marinho Pinto qualificou então de “terrorismo de Estado” a decisão de prisão preventiva para dois dos acusados, solicitada pelo MP e ratificada pelo juiz. E afirmou-se “estupefacto” com o que classificou como uma medida de um sistema judicial “da Idade Média”, que seria também o “reflexo de um fundamentalismo justiceiro próprio dos tempos da Inquisição”.

A Sábado apurou que, logo após estas declarações de Marinho Pinto, em Maio de 2011, o juiz Carlos Alexandre referiu a colegas magistrados a intenção de comunicar o caso ao MP. O presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses também se manifestou disponível para apoiar uma queixa judicial, mas Carlos Alexandre acabou por fazê-la sozinho, numa extensa participação em que relata ao pormenor as declarações do bastonário dos advogados.

Em 17.3.2011 escrevi aqui o seguinte:

O discurso de Marinho e Pinto, ontem na abertura do ano judicial é uma ignomínia, mais uma, para a magistratura portuguesa.
Citando o Público, disse em público perante a plateia mais alargada das autoridades judiciais portuguesas que se ficaram, algo que roça o insultuoso e o inadmissível em democracia numa cerimónia do género. Evocando hipocritamente o sentido de Estado que não tem, insultou como quis.
Referindo-se a um juiz que toda a gente identifica como o titular do TCIC, Carlos Alexandre, apelou abertamente à sua punição, intrometendo-se na análise juridica de um caso concreto que está pendente num tribunal e perante a passividade completa e abúlica dos presentes.
Disse que "há magistrados que desafiam impunemente a autoridade do próprio presidente do STJ", não compreendendo sequer que o pSTJ neste caso é um "mero juiz de instrução", como o mesmo se autodefinou para definir o "outro".
Marinho e Pinto para além desta prova de ignorância crassa ainda teve o topete de farpear a atitude de devolução do telemóvel, pelo referido juiz de instrução, apelidando-a de "chicana". E para comprovar a sua razão suprema perante os juizes do supremo, chamou à colação o episódio de umas supostas escutas de que o juiz poderia ter sido alvo, como a prova definitiva do despautério que lhe pretende imputar e sindicar como razão disciplinar. Ao seu lado, porventura impassível e imperturbável, sentava o PGR que na mesma ocasião em entrevista ao DN disse a mesmíssima coisa, sem qualquer reparo do flibusteiro da Ordem dos Advogados.

Depois do que disse publicamente e da ofensa grave que proferiu, Marinho e Pinto, em vez de assumir o que disse, ou retractar-se publicamente, escuda-se numa atitude cobarde de dizer que não disse o que disse. Em vez de assumir a suprema ignorância de dizer publicamente e perante juizes do Supremo que um juiz de direito deve obediência hierárquica a outro juiz e mesmo sendo do Supremo, mesmo depois de o tribunal Constitucional lhe ter mostrado a suprema ignorância, Marinho continua a fazer-se desentendido. Evidentemente, nestes casos de grandes males, os remédios têm de ser à altura. Em sede judicial, designadamente.

ADITAMENTO:

Segundo se pode ler num comentário na revista InVerbis, o agora arguido Marinho e Pinto, que agora se faz desentendido e desvaloriza o teor das ignomínias que proferiu, apelando a um pretenso direito de expressão e livre opinião, nem sempre pensou assim.
Como se pode ler no teor deste acórdão que não lhe deu razão, Marinho e Pinto abespinhou-se judicialmente com um comentador de televisão de Domingo à noite, de seu nome Marcelo e pespegou-lhe com uma acção cível por este ter dito algo que nem sequer tem comparação em gravidade e peso institucional. É ler...

Soares dos Santos, o investimento estrangeiro e a Lever, em 1972

A propósito deste postal de Helena Matos no Blasfémias, este artigo é da revista Observador de 1972 e retrata Elísio Soares dos Santos, nome muito familiar do agora patrão da Jerónimo Martins. Já foi por aqui publicada em tempos. É ler o que diz, sobre o investimento estrangeiro...
N.B. para quem não saiba, Alexandre Soares dos Santos tem um primeiro nome: Elísio.O da foto...e que ficou encarregado da firma logo em 1968. Em 1974 diz que passou "sem problemas, um período conturbado". Só isso. Ou seja, safou-se da sanha comunista e colectivista.

Diz que percebe de contas, este bastonário...

Económico:

Domingues de Azevedo considera que “foi uma inconsciência” termos provocado eleições antecipadas.

António Domingues de Azevedo, actual Bastonário da Ordem dos Técnicos oficiais de Contas, diz, em entrevista ao jornal i, que "se tivéssemos seguido o PEC, talvez tivéssemos tido melhor capacidade negocial [com a troika] e a possibilidade de diluir mais no tempo a tomada de medidas do que tivemos", defendendo que "aquilo que estamos a fazer em dois anos devia ser feito em cinco ou seis anos".

E sublinha: "não sei como é que teria sido com José Sócrates, mas sei que neste momento estamos pior do que estávamos, disso não tenho dúvidas nenhumas. Nem nenhum cidadão tem dúvidas quanto a isso". Por isso, considera o bastonário, "hoje em dia, muitos portugueses já pensam 'volta Sócrates, estás perdoado' .


Aditamento: Informam os comentadores que este Bastonário foi deputado do PS durante alguns anos. Não admira que saiba tanto de contas...

Jornalismo caseiro







































O Público anda há dois ou três dias a tentar provar que o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, pertence a uma loja maçónica. Parecia difícil e hoje acrescenta mais um elemento de facto à tese conspirativa: Montenegro participou num jantar em que estiveram presentes outros indivíduos que se referenciam através de uma loja, a Mozart49. Bingo!- acha o Público, com aquela direcção fantástica que o compõe. Conclusão brilhante na última página onde se colocam imagens a subir e a descer: Montenegro deve descer pela direita baixa e sair de líder. Com tal efeito, o objectivo da causa será alcançado!


O Diário de Notícias também agarra a onda, mas de modo mais comedido e sensato: O líder parlamentar do PS também é da maçonaria. Conclusão? Devem todos assumir que pertencem a obediências discretas secretas e afins e colocar esse interesse relevante no registo.

O deputado do PCP, obediente a outros orientes, acha que tal é irrelevante. Afinal, a lei já obriga os deputados a declararem a respectiva pertença a lojas de mercearia política...e informa ainda mais, o Diário de Notícias que há umas semanas publicou um estudo extenso sobre o assunto e ninguém ligou patavina: "são às dúzias os maçons no Parlamento."

O Público de amanhã o que vai dizer disto? Que com jornalismo deste tipo ainda venderá menos do que vende?

quarta-feira, janeiro 04, 2012

A Fraternidade em guerra aberta

...e o Público anda a dar tiros no escuro e a fazer as figuras do Ricardo Costa.

Económico:

Afinal foi o PS que recusou referência ao poder da maçonaria num relatório parlamentar sobre as secretas.

A fuga de informação de um relatório preliminar do Parlamento sobre os serviços secretos alimentou ontem uma acesa troca de palavras entre PSD e PS.

Para os social-democratas a publicação deste documento pelo jornal "Público" deve ser levada até às últimas consequências e o Parlamento tem de "avaliar se há ou não responsabilidade criminal" na divulgação deste relatório. Teresa Leal Coelho, vice-presidente da bancada do PSD, diz que no seu entendimento houve "uma violação inequívoca" do dever de sigilo dos deputados e, "caso se verifique que há responsabilidade criminal, será feita uma queixa ao Ministério Público". O PSD não o disse taxativamente, mas deixou no ar a ideia de que terão sido os socialistas a tornar público este relatório preliminar. Depois de Ricardo Rodrigues ter garantido publicamente que nunca recebeu o projecto de relatório final (logo não poderia ter contribuído para a sua divulgação), Teresa Leal Coelho reagiu de forma taxativa: "No dia 21 de Dezembro, às 18:20, foi enviado pelos serviços da 1ª Comissão uma minuta ao deputado Ricardo Rodrigues, para o seu próprio e-mail, com a versão do relatório", que acabou ontem por ser publicada pelo "Público".

Já Fernando Negrão, presidente da comissão de Assuntos Constitucionais onde tudo se passou, duvida que haja "matéria criminal", "porque não se trata de uma comissão de inquérito", embora haja "a quebra de um acordo de cavalheiros o que é grave e não deveria ter ocorrido".


terça-feira, janeiro 03, 2012

As maçonarias andam às turras

TVI24:

As ligações entre a política e a maçonaria foram colocadas em causa esta terça-feira pelas notícias dão conta da supressão de termos ligados à maçonaria «apagados» do relatório das secretas. O PSD já negou que tivesse apagado qualquer referência. A loja maçónica é a Mozart, uma das mais influentes do país.

A loja Mozart é uma das mais poderosas da maçonaria portuguesa. Terá cerca de 70 membros, entre eles estão várias figuras ligadas ao presente e passado dos serviços de informações portugueses como Jorge Silva Carvalho, actualmente quadro na empresa Ongoing.

A loja Mozart 49 integra a chamada maçonaria regular. Está ligada à grande loja legal de Portugal, a segunda corrente maçónica com mais seguidores no país.

A ela pertencem dezenas de membros, tendencialmente de orientação política mais à direita e é considerada uma das mais poderosas e influentes do país.

A Mozart foi criada em 2006 por Paulo Noguês e António Neto da Silva, ex-deputado do PSD.

Dela fazem parte Jorge Silva Carvalho, ex-director do serviço de informações estratégicas da defesa, João Alfaro, outro homem que já esteve ligado ao serviço de informações
Silva Carvalho e João Alfaro integram agora a Ongoing, de Nuno Vasconcellos, também ele membros da Mozart.

Luís Montenegro é outro dos nomes que marca presença na loja, uma presença que não desmentiu quando questionado pelos jornalistas hoje no Parlamento. Os restantes nomes são secretos, mas sabe-se que entre eles estarão mais políticos, juízes, empresários e jornalistas.

Os rituais da Mozart são pouco conhecidos. Apesar das luzes da ribalta aquando do caso Silva Carvalho e da fuga de informações para a Ongoing, a loja é considerada discreta, tanto que não se faz representar nas sessões colectivas da grande loja legal de Portugal.

Os encontros dos seus membros decorrerão em locais variados como hotéis de Lisboa, um edifício do Bairro Alto ou a sede no bairro de Alvalade da própria grande loja legal.

Por enquanto a notícia é a tal "Loja Mozart". Mas há outras, mais jacobinas e ansiosas pela hegemonia.
O Público de hoje já deu o mote: continua a ser jacobino dos quatro costados e por isso recebeu o documento confidencial vindo do Parlamento e publicou-o em facsimile, porque a guerra entre maçonarias está em curso e o Público já ocupou trincheira.
Outra coisa muito curiosa é a menção a "juízes" como fazendo parte da loja maçónica. O que procuram estes magistrados com estas obediências espúrias que escapam à consciência de independência que todo o magistrado deveria ter? O que procuram estas pessoas? Cargos? Benesses de alguém do poder? Privilégios em escolhas para ocuparem cargos de poder?
Seja o que for, é sempre alheio ao exercício da magistratura.
Um maçónico não deve ser magistrado porque abastarda a função.

Malhar nas tv´s

Este artigo de José Vítor Malheiros, no Público de hoje, analisa o panorama informativo nas tv´s seguindo o roteiro das habituais repórteres tipo Felgueirinhas, da RTP2.
JVM diz que passou uma boa parte da vida a dizer que as notícias servidas pelas nossas tv´s e fruto de "manipulações da informação" seriam acidentais e resultado de incompetência ou desleixo.
Será assim ou não porque quem escolhe as pivots da informação televisiva sabe muito bem o que pretende: não incomodar demasiado certos poderes políticos de bloco central e que mandam efectivamente na democracia que dura há quase quarenta anos. Uma partidocracia que temos como modelo e que as tv´s moldaram porque se há informação que marca a agenda da opinião pública mais básica é a das tv´s.
Como é possível termos uma pivot como a tal Felgueirinhas, na tv pública? Como? Do mesmo modo que temos na tv privada uma Ana Lourenço. A diferença entre ambas reside apenas na imagem. A essência é a mesma.

O mundo de alice dos nossos patrícios


Sapo:

Segundo o jornal Correio da Manhã, que avança com a notícia, o dinheiro em causa está bloqueado desde que Isaltino Morais começou a ser investigado por ter escondido contas na Suíça e na Bélgica, um processo que acabou por levar a uma condenação de dois anos de prisão.

Enquanto Ministro das Cidades e Presidente da Câmara de Oeiras, as declarações de rendimentos de Isaltino no Tribunal Constitucional revelam detalhadamente estas aplicações na UBS.

Quando, em 2003, cessou funções enquanto Ministro das Cidades, Isaltino declarou ter uma participação num fundo da UBS no valor de 47 869 francos suíços, cerca de 32 mil euros. Nessa mesma declaração, o autarca afirmava que esta conta não tinha sido mencionada no ano anterior, quando iniciou funções neste cargo, por lapso.

Em 2005, quando iniciou funções como Presidente da Câmara de Oeiras, as aplicações na UBS dispararam para os 369 284 euros. Em 2007, 2008 e 2009, segundo as declarações apresentadas no Tribunal de Constitucional, o montante das poupanças manteve inalterado.

Este dinheiro, bloqueado pelas autoridades judiciais, só poderá voltar a ser movimentado quando o processo, que tem sido alvo de vários recursos por parte de Isaltino Morais, estiver resolvido.

Segundo o Correio da Manhã, Isaltino que foi ministro das Cidades até Abril de 2003, acumulou uma pequena fortuna, de mais de um milhão de euros que depois dividiu com o sobrinho ( taxista). A maior parte desse dinheiro guardado nos cofres helvéticos, foi aforrada por Isaltino entre 1993 e 2002.

A acusação de corrupção a Isaltino não se comprovou no tribunal da Relação de Lisboa, depois de se ter provado na primeira instância de Oeiras. Isaltino acabou condenado por uma mera fraude fiscal, a uma pena de prisão de dois anos que tudo indica não irá cumprir.

O dinheiro que Isaltino tem na Suiça é dele e dele continuará a ser. Só não lhe tilinta no bolso porque o processo ainda não acabou, mas em breve acabará.

A Justiça, neste caso, teve um desfecho de Alice e a crise da Justiça, neste caso tem uma face patrícia.


O "advogado do crime" das elites

Imagem do Público de hoje.

Rui Patrício é um advogado da firma Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva e Associados, (uma das firmas do regime; uma das três irmãs que segundo Júdice deveriam sempre ser consultadas em assuntos de Estado...) onde está desde 2005, altura da ascensão ao poder executivo do PS de José Sócrates. Esteve no Conselho Superior da Magistratura de Maio de 2009 até há pouco tempo. Rui Patrício foi um dos membros do CSM ( nomeado pelo PS) que pretendeu castigar o juiz de instrução do processo Casa Pia, Rui Teixeira, numa decisão de tal modo grave e politicamente condicionada que só envergonha o poder judicial corporizado naquele CSM. Foi essa uma das páginas mais negras do poder judicial em Portugal, a par das decisões sobre o processo Face Oculta, acerca da "extensão procedimental". Tudo, aliás, com a mesma origem política. Para Rui Patrício, estes fait-divers, porventura nada têm a ver com a crise da Justiça, embora sejam a sua manifestação mais saliente e importante nos últimos anos. Essa, sim, é a verdadeira face oculta da crise da Justiça: a degradação da sua independência e da sua autonomia. A erosão da sua importância como poder de supervisão de outros poderes, em democracia. Rui Patrício contribuiu como poucos para essa erosão. Mas nem sequer tem consciência disso, pelos vistos.
Ao mesmo tempo que estava e permanecia no CSM era advogado de José Penedos, um dos arguidos mais proeminentes do Face Oculta e um dos sombras do regime e do Estado a que chegamos.
Na altura não viu qualquer incompatibilidade ética com o facto. E agora acha que toda a acusação é "um romance". Negro, por supuesto.

Hoje, no Público dá entrevista onde fala sobre a Justiça e a crise da mesma cuja ideia, falsa, entende ser aproveitada por dois tipos de pessoas : quem nada percebe do assunto ( jornalistas, obviamente) e quem tem uma agenda na área, a quem a ideia de crise aproveita sempre. A propósito, Rui Patrício deveria pregar o discurso ao sócio principal da firma, José Manuel Galvão Telles, outro inoxidável do regime ( que uma vez teve azar...) que pensa de modo diverso...

Ao jornal i, de há cerca de quinze dias, sobre o fenómeno da mediatização excessiva de casos judiciários, dizia assim: "Mas andamos sobretudo a não medir as consequências do excesso de opinião, da mediatização da justiça, da superficialidade e da rapidez dos juízos. E não estamos no mundo de fantasia da Alice, embora às vezes pareça. Estamos no mundo real e com consequências reais."
Quando Rui Patrício fala sobre o "romance" da acusação no processo Face Oculta, para defender o seu cliente, sabe perfeitamente que assim não é. Sabe perfeitamente que os investigadores do processo chegaram ao cerne do mal da corrupção no Estado. Sabe, como disse o seu colega Rodrigo Santiago, que esse processo contende com as mais altas esferas da administração do Estado que temos e tivemos nestes anos mais chegados a nós.
Sabendo tudo isso, resume o que sabe a uma ideia fantasiosa de mundo de Alice. Acaba exactamente por fazer o que vitupera aos mediáticos. Com uma diferença: por motivos de agenda pessoal. Interessa-lhe pessoalmente fazer passar essa mensagem em nome dos interesses do seu cliente e dos seus, obviamente ( não consta que faça advocacia pro bono, neste caso).

O que diz na entrevista sobre a crise na Justiça é quase irrelevante porque inteiramente deletério, embora seja contra a corrente dominante do pensamento mediático. O que diz sobre a crise da Justiça é fruto de meros palpites empíricos. Não acredita na crise da Justiça porque acha que em 2o anos as coisas melhoraram substancialmente no que se refere aos processos atrasados. O que sendo verdade, não desmente os atrasos crónicos, sem solução à vista, nos processos administrativos e fiscais e em sede de processos executivos. Que se agravaram e ninguém é capaz de resolver por não quererem olhar de frente para uma realidade visível.
Acha ainda que melhorou no funcionamento dos julgamentos que agora não são adiados como eram dantes. Mas tal só aconteceu de há uma dúzia de anos para cá e porque se alterou radicalmente o sistema de justificação de faltas no processo penal.
Do ponto de vista informático diz que também houve melhorias. Talvez. Para um copy paste de decisões de magistrados, sem dúvida alguma que sim. Mas por exemplo em melhoria e racionalização de meios, nem pensar. Processos que há vinte anos tinham 100 folhas, hoje, com a tal informatização via Citius, têm 500, sem exagero de espécie alguma. Fotocópias que dantes eram tiradas a preceito, hoje é a eito. Melhorias, nisto? Só para quem trabalha em advocacia...
Por tudo isso, Rui Patrício entende que não há uma crise na Justiça mas sim no modo como a mesma é percepcionada pelo cidadão, por culpa dos media, essencialmente.

Este discurso, tentador para quem trabalha no sistema, porque auto-complacente e tranquilizador de consciências é um tanto ou quanto perigoso porque vem associado a outras ideias igualmente perigosas. Rui Patrício acha que há excesso de produção legislativa, o que é verdade, mas acha ao mesmo tempo que por causa disso não se deve mudar nada e deixar tudo a funcionar como está. Acha que o facto de serem escritórios de advogados a fazerem de legisladores é coisa normalíssima e assunto arrumado eticamente. Acha que a corrupção é coisa para prevenir, antes de reprimir e que a investigação do fenómeno é do tipo " de secretária e telefonista" em que a polícia faz disto e o magistrado daquilo.

Por outro lado e por fim, sobre o conceito de "responsabilidade" tem ideias perifrásticas. " Uma cultura de auto-responsabilização- desde o cidadão que participa no forum da rádio durante o horário de expediente, até ao que escreve o seu comentário online quando deveria estar a trabalhar, até ao cidadão que recebe uma notificação que faz de conta que não recebeu ou aquele que critica a corrupção nos processos mediáticos e depois não se importa de ir pedir uma cunha para arranjar emprego para o filho. É preciso uma cultura de auto e hetero responsabilização na Justiça. Falta responsabilizar os agentes a sério."

Este discurso da responsabilização soa a fascista. Assim, com a palavra escrita como deve ser. Rui Patrício pretende sindicar em sede "responsabilidade" quem escreve comentários "on line" enquanto trabalha. Ou seja, funcionários do Estado, claro está. Como o vai fazer, se lhe derem o poder para tal? Muito simples e di-lo sobre a responsabilização dos agentes que violam o segredo de justiça ( um assunto erigido à categoria de violação de um direito mais que fundamental...vital para certos indivíduos normalmente defendidos por este tipo de advogados): "Não me venham dizer que é muito difícil averiguar quem viola o segredo. Precisamos, primeiro, de vontade de investigar."

Rui Patrício, como "advogado do crime" sabe ou deveria saber perfeitamente que em sede de investigação do crime de violação de segredo de justiça não são admitidos todos os meios de prova, mormente escutas ou outras formas de intrusão na vida pessoal dos suspeitos. Sabe ou deveria saber que quem viola o segredo de justiça normalmente conta com isso e com o facto de a variedade de suspeitos plausíveis da prática do facto tornar impraticável a "responsabilização" criminal. Sabe que mesmo sendo individualizado o suspeito da prática de tal crime, o "romance" da acusação será desmontado precisamente por advogados do tipo Rui Patrício que vivem processualmente, sempre "no mundo da Alice, porque as nossas leis processuais ( as tais que Rui Patrício defende não se lhes toque agora) o permitem.

A crise da Justiça também vive com estas entrevistas e estes advogados.

segunda-feira, janeiro 02, 2012

Uma boa notícia, para começar o ano

R.R.:

Pela primeira vez desde 1960, quando começaram a haver estatísticas deste género, o número de vítimas mortais nas estradas portuguesas ficou abaixo das 700, mais concretamente 690. Apesar de alguns períodos mais negativos ao longo do ano, 2011 registou resultados históricos na sinistralidade rodoviária.

Pode ser apenas uma tendência ou um fenómeno passageiro. Espero que não e estou convencido que é para ficar, porque se conduz melhor e mais devagar nas estradas portuguesas, por razões várias e algumas delas ligadas ao essencial da questão: segurança rodoviária. As razões do fenómeno, essas, parece-me que se ficam a dever a uma consciência cívica mais apurada e para o que tem contribuído, em grau elevado, a meu ver, a publicidade aos acidentes trágicos e mortais. Os media fizeram o que as instâncias de governo não conseguiram fazer.

O PIngo Doce é holandês e o capital não tem pátria.

A Jerónimo Martins, dona do Pingo Doce, dominada pela família Soares dos Santos, mudou-se para a Holanda.

O capital não tem pátria, já se sabia. E Soares dos Santos é um patriota, como o atestará qualquer um dos seus empregados, a quem paga ordenados de terceiro mundo. Ou António Barreto, dirigente da Fundação do mesmo. Um patriota que prefere pagar impostos aos holandeses, para poupar umas massas...

Com patriotas destes, vou ali e já venho.

Peçam à Ana Lourenço...

O amigo António Caldeira bem se esforça. Mas...isso de transmitir em directo e via tv o depoimento do Inenarrável que está em Paris, no julgamento do processo da U.Independente, tem algo que se lhe diga.
Obviamente, o interesse é público, relevante, e em qualquer país civilizado seria notícia em directo. Mas...estamos em Portugal e o jornalismo, principalmente televisivo, depende de outras regras. O jornalismo de tv ainda consegue alguns furos, raros é certo e mais para os lados da TVI, mas é andorinha sem primavera.

O melhor exemplo , no entanto, do mainstream e do conformismo ambiente e apodrecido é o da jornalista Ana Lourenço que vai reunir um painel de comentadores "contra a corrente". Vejam só:
Contra a corrente! Vai ser de rir e chorar por mais.

Aditamento: melhor ainda, peçam à grande repórter de vãos de escada Sandra Felgueiras( no prédio onde residia a empregada do Sofitel, o furo desta grande repórter foi tocar à campainha de entrada e esperar pela resposta...) que faça a cobertura do acontecimento. Irá brilhar pela certa.

"A lição de Porter"

Michal Porter é um académico norte-americano, consultor, conferencista e que nos anos noventa esteve cá em Portugal, a convite de um governo de Cavaco Silva para estudar e apresentar relatório sobre as nossas vantagens competitivas. Parece que o programa PEDIP pagou o estudo e que deu até para outros estudiosos apresentarem estudos universitários.
Ontem li qualquer coisa algures sobre a nossa indústria têxtil ser um exemplo de adaptação e renovação cujo modelo o tal Porter então previu como caminho a seguir.
Hoje no Público deparei com este artigo de um ilustre membro de uma academia de conhecimento, em forma de programa.
Francisco Jaime Quesado cronica no Público, de vez em quando, mas já cronicou o jornal i. Hoje ao ler a crónica lembrei-me de qualquer coisa porque o nome Porter ficou-me desde o tempo da parolice cavaquista.
E o que li deixou-me estupefacto. Os "choques de competitividade" também passam pelos auto-plágios, ou o tempo para escrever coisas originais já não chega? Este tipo de habilidades revela uma desonestidade para com os leitores que não deixo passar sempre que as topo. Sorry.


Acima, a crónica do Público de hoje. Abaixo, a crónica no i, de 24.3.2010, do mesmo autor:

"Quando nos anos 90 o Professor de Harvard Michael Porter elaborou o célebre Relatório, encomendado pelo Governo Português de então, o diagnóstico sobre o que fazer e as áreas estratégicas de actuação foi muito claro – ou se reinventava por completo o Modelo Económico ou então a Economia Portuguesa tenderia a morrer com o tempo. Quase vinte anos depois, o balanço é conhecido – Défice Estrutural Elevado, Desemprego incontrolado, um Tecido empresarial envelhecido e ultrapassado. Urge mudar. Mas haverá solução? O que diria Michael Porter se voltasse hoje a Portugal?

Porter voltaria a dizer – desta vez com muita mais força – que a aposta nos Factores Dinâmicos de Competitividade, numa lógica territorialmente equilibrada e com opções estratégicas claramente assumidas é o único caminho possível para o futuro. Falta por isso em Portugal um verdadeiro Choque Operacional capaz de produzir efeitos sistémicos ao nível do funcionamento das organizações empresariais.

Uma Nova Economia, capaz de garantir uma Economia Nova sustentável, terá que se basear numa lógica de focalização em prioridades claras. Assegurar que o “IDE de Inovação” é vital na atracção de Competências que induzam uma renovação activa estrutural do tecido económico nacional; mobilizar de forma efectiva os “Centros de Competência” para esta abordagem activa no Mercado Global Se Michael Porter voltasse a Portugal, não poderia dizer outra coisa. Por isso, torna-se um imperativo de identidade nacional saber que será sempre possível não desperdiçar esta nova oportunidade."

O óbvio que grita

A notícia é do Correio da Manhã de hoje, assinada por Eduardo Dâmaso e Sérgio Azenha que obtiveram a informação de "fontes conhecedoras do processo". Ou seja, violadores de segredo de justiça, da PJ ( mais do que provável) ou do MºPº. Seja como for, esta violação de segredo de justiça é nada. Não prejudica a investigação e apenas prejudica a imagem de Isaltino Morais, se entendermos que essa imagem ainda continua impoluta depois de tudo o que se sabe e não está em segredo de justiça, mormente as contas na Suíça do sobrinho taxista.

A informação relata o chamado óbvio ululante ( expressão brasileira salvo erro da autoria de Nelson Rodrigues). Isaltino é o que é. A investigação criminal em Portugal continua a ser o que foi e a opinião pública o que tem sido.
Tudo uma vergonha.
Por causa de tudo isso, Isaltino está agora num beco. Mas há sempre uma saída, "por cima", desde que haja dinheiro para pagar advogados, recursos e expedientes dilatórios. A justiça, em Portugal também vive disso, o que é uma outra vergonha a acrescer àquelas.
Se a opinião pública fosse diversa daquilo que é, Isaltino, depois do episódio do sobrinho taxista nunca mais se candidataria à autarquia. Se a investigação criminal fosse diversa daquilo que é, Isaltino teria muita dificuldade em explicar uma situação que de tão óbvia, grita pela verdade aos olhos de toda a gente. E se a justiça fosse coisa diversa, com leis substantivas e adjectivas adequadas, mesmo com todas as garantias, Isaltino não sairia por cima de coisa alguma, sem antes prestar contas do que fica por baixo.

domingo, janeiro 01, 2012

Portugal é maior do que os líderes que temos

"Portugal é maior do que a crise que vivemos", afirmou o chefe de Estado, pedindo uma "união de esforços".

A crise tem paternidade: precisamente aqueles que andam agora a sacudir a água do capote e que nem sequer a reconhecem. A crise, para esses, tem pais incógnitos...

Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso