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quinta-feira, 25 de maio de 2017

Os varridos do glorioso MRPP

 Observador:


Garcia Pereira foi chamado de “canalha” e de “chulo” no jornal oficial do MRPP — o Luta Popular, controlado pelo fundador Arnaldo Matos. Acabou fora do PCTP/MRPP: primeiro suspenso a 6 de outubro de 2015, na sequência dos maus resultados nas legislativas; depois apresentando a demissão em mão a 18 de novembro do mesmo ano. Apesar disso, ficou em silêncio. Há dois dias, a 23 de maio, quebrou-o e diz-se traído por alguém que considerava um “pai” e confessa que o que mais o magoou foi ser chamado de “social-fascista” ou de “anticomunista primário“.
A oferta de um par de sapatos, os Mercedes supostamente alugados para Arnaldo Matos ir ao teatro, o nível burguês de duas lanchas de recreio ou um corte que o retirou de um vídeo do partido são algumas das histórias que esta resposta de Garcia Pereira torna públicas.

A “traição” do “pai”
Desde o último trimestre de 2015 que Garcia Pereira se recusou a dar entrevistas a falar sobre a sua saída do PCTP/MRPP. Agora, criou um site, com o endereço “Em Nome da Verdade” e o título “Só a verdade é revolucionária”, exclusivamente para responder ponto por ponto a Arnaldo Matos e aos membros do partido que o atacaram.
Garcia Pereira confessa que o silêncio decorreu da “completa estupefação e do autêntico estado de choque” em que ficou por ser “apodado de social-fascista, de anticomunista primário e de outros epítetos similares”. O advogado — que foi o rosto do MRPP em várias campanhas — admite que pode “ter cometido erros”, também na “última campanha eleitoral”, mas nunca foi nem será “social-fascista”.
O que “magoou” mesmo Garcia Pereira foi, explica no mesmo texto, “o facto de esses ataques terem vindo precisamente de alguém que considerava como um verdadeiro amigo e até como um Pai”, o que “constituiu um golpe e uma traição que senti profundamente.” Ficou ainda surpreendido por camaradas que o conhecem há décadas terem aceitado “assinar textos que eles nunca escreveram por si (mas sim Arnaldo Matos, com o seu estilo inconfundível) com coisas que eles sabiam que eram perfeitas falsidades”.
Garcia Pereira começou depois a questionar-se “sobre o que realmente estava a acontecer e onde estava o Arnaldo Matos que conhecera e com quem tanto aprendera.” E no texto enumerou alguns exemplos do que considera virtudes de Arnaldo Matos: “Onde estava, na verdade, o Arnaldo Matos que, em 1975, ordenou a Durão Barroso – que apareceu na sede nacional do Partido, na Avenida Álvares Cabral, com uma camionete cheia de mobiliário da Faculdade de Direito – que o fosse de imediato restituir pois no PCTP/MRPP não éramos ladrões e que aquela era uma atitude indigna de comunistas? Onde estava o Arnaldo Matos que, na noite da morte de Sá Carneiro em Dezembro de 1980, na mesma sede nacional, verberou com veemência alguns camaradas que se vangloriavam da morte daquele, afirmando que os comunistas desejam a derrota política dos seus adversários mas não se vangloriam com a sua morte física?”
O antigo rosto do MRPP afirma já não reconhecer o amigo como o mesmo, já que Arnaldo Matos sempre lhe disse que, por mais “desagradável ou negativa que a verdade pudesse ser, os marxistas-leninistas não a distorcem, não a falsificam, não a reescrevem”. No mesmo texto, Garcia Pereira lembra os elogios que Arnaldo Matos fizera a si, ao seu trabalho e à sua atividade ao longo de décadas, não só “em privado”, mas também “em reuniões, sessões, comícios” ou até “no discurso de padrinho de casamento.” Nesta longa exposição, Garcia Pereira divulga também um vídeo feito por Arnaldo Matos numa homenagem feita ao advogado quando fez 60 anos.


Continua aqui.

O MRPP não foi apenas isto que agora se mostra e representa um panorama de loucura política e quiçá, pessoal.
É preciso falar no MRPP para se entenderem alguns dos fenómenos que ocorreram durante o PREC, mormente as prisões  de alguns dos seus próceres mais notórios.

Uma dessas prisões foi a da então militante Maria José Morgado, hoje procuradora-geral distrital de Lisboa, um cargo imediatamente abaixo da PGR, na hierarquia do MºPº.
Maria José Morgado apresenta-se actualmente como uma candidata-sombra para suceder à actual PGR Joana Marques Vidal.  Deus nos livre!

Em Dezembro de 1974 Maria José Morgado foi presa pelo COPCON, coisa fantástica tendo em conta o panorama político da altura. MJM era mais papista do esquerdismo comunista do que o papa Cunhal. E por isso foi presa...e entrou em greve de fome, com uma carta aberta aos militantes publicada no órgão oficioso do MRPP, O Tempo e o Modo ( que fora um viveiro de esquerdismo moderado durante o marcelismo).


A revista Vida Mundial da época, um cóio comunista  próximo da extrema-esquerda e também do  PCP, mostrava:


Em 1975 o MRPP mostrava na mesma revista que "a luta continua".



Que não haja a mínima ilusão: para estas pessoas a "luta continua " sempre...e é uma luta de insensatez, de radicalismo, de irrazoabilidade que se manifesta sempre que as condições aparecem.

Deus nos livre de pessoas assim!

9 comentários:

joserui disse...

(a verdade) "os marxistas-leninistas não a distorcem, não a falsificam, não a reescrevem" Hehehe, que programa inacreditável. Estes indivíduos são lunáticos radicais.
Também gostei de saber do Durão Barroso gatuno de móveis… tudo boa rapaziada.

José Domingos disse...

A grande maioria desta malta, continua á espera da hora deles, e do ajuste de contas, julgam-se as salvadoras da pátria. estou-me a lembrar da outra agarrada a uma eminência parda do regime, o moçambicano, já partido.
Todas elas são da escola da justiça, que só vê bem com o olho esquerdo, aplicadoras de uma lei enviesada, tipo Coimbra, ou para o lado que dá mais jeito.
Tenho receio que alguma chegue mais acima.
Conhecem muito bem os meandros da casa da treta, ali para são bento.

zazie disse...

Fanatismo
Demência
Sado-masoquismo.

Estas coisas não mudam porque não são nem políticas nem ideológicas

zazie disse...

O Barroso robuou porque mandaram roubar. Perguntem à Maria João Rodrigues quem mandou roubar as fotocopiadoras e mais maquinetas do ISCTE porque ela sabe.

E podiam continuar por aí fora que até chegavam a personagens mais engraçadas no status quo

O Barroso foi a chefe lá daquela anormalidade para os estudantes por se ter auto-nomeado?

ehehehe

Quem é que mandava? era o Saldanha Sanches ou foram sempre estes psicopatas que nem o couro arriscavam porque viviam na clandestinidade antes do 25 e nas palminhas do Copcon depois?

Neo disse...

Psiquiatria política, eis uma oportunidade de negócio :)
Com todos estes tarados por aí na máquina do Estado e nas universidades a produzir pequenos Boaventuras, estramos fritos (em inglês, fucked).
Concordo, isto não tem cura. Hibernam até à próxima oportunidade para impor as suas fantasias a todos os demais. São comunopositivos.

aguerreiro disse...

A única coisa que lhes poderá valer é.. o Alzheimer, pois nem a aposentadoria lhes vale! Aliás esta conversa fiada do G: P. traduz isso mesmo, só memórias do passado, pois nesta doença o passado recente não coalha! E viva o Grande Timoneiro camarada Arnaldo! Realmente só dores de corno.

PJMODM disse...

O grande timoneiro suscita um bocejo ou uma gargalhada, conforme o estado de espírito, e o maior interesse do personagem é enquanto revelador de um país e da qualidade intelectual e democrática de tantos seguidores (e subseguidores) de que beneficiou (a geração dos jovens em setenta tem muitos personagens com tanto para ensinar aos jovens de hoje...).
Quanto ao antigo capacho, a coisa, é simplesmente deprimente. Esse nem gargalhada suscita, e o portugalex que tanto microfone meteu à frente de tal boca, cujas alarvidades eram propagadas quando davam jeito (uma vez sabujo, sempre sabujo). Diz-se agora amante fiel da verdade, incapaz da mentira, Valha-nos Deus, no caso a repugnância suscitada nunca foi tanto de política ou de sanidade, sempre foi essencialmente sobre o caráter e honestidade...
As sic's, tantos jornaleiros e alguns advogadeiros que transportavam esta coisa (e levam outras da mesma igualha ao serviço de donos de conveniência) nas palminhas bem que podiam limpar as mãozinhas (mas, pf, não o façam nas paredes do meu prédio antes os grafitis do que a vossa merda).

lusitânea disse...

O que é certo é que nenhum sheltox liquida estes insectos.Saem da prisão, um pequeno abanão, ainda mais fortes e cheios de ambição na maioria dos casos contemplada!Estão todos bem de vida!Como é segundo eles justo para a vanguarda.O zé povinho esse só tem um caminho:africanizar e participar na feitura da raça mista agora só cá dentro e por nossa conta!
Por uma Lei sobre traição ao povo Português!

Floribundus disse...

a geringonça possui o
'boçal' cezarzinho

'cheguei, vi e ... afoguei-me no rubicão'