quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Uma "conversa em família" em Abril de 1970

Século Ilustrado de 25 de Abril de 1970:



O que se percebe do teor destas declarações que são uma fonte primária, contrasta com o discurso verborreico e costumeiro dos antifassistas.

Marcello Caetano referia-se a Mário Soares e ao papel anti-patriótico que o mesmo desempenhava no estrangeiro. Fala sobre a liberdade de expressão, sobre a guerra no Ultramar e sobre as eleições. Tudo matérias que actualmente são desvirtuadas, mesmo com os factos todos à mostra, nos relatos históricos.

Se isto acontece com factos de um passado nem por isso muito remoto e vivido por muitos, o que fará com os relatos acerca de um passado que nem sequer foi vivido e é apenas conhecido de cor...


12 comentários:

joserui disse...

Mário Soares esse extraordinário antifassista! O tal que fazia e cobria logo a seguir, como os gatos.

Maria disse...

Muito bem José, subscrevo.

Maria disse...

José, desculpe vir maçá-lo. Há cerca de meia hora enviei um comentário sobre o tema anterior (com uma resposta ao joserui, a que juntei mais algumas curiosidades), para a caixa respectiva. Estou farta de o procurar e não há meio dele aparecer. Que estranho. Terá ele ido parar a algum dos seus outros blogos?

joserui disse...

Maria, não há comentário. Mas também naquele post já há comentários a mais… sobre essa história de perder comentários pode utilizar um esquema que já utilizei em muitas instância que é escrever num editor de texto offline e depois quando achar que o comentário está pronto, fazer copy/paste (copiar e colar!) na caixa. Mesmo que não apareça, bloqueie ou se perca, tem sempre a cópia (ou o original) no editor de texto e pode voltar a enviá-lo. E acabam-se as conspirações nas caixas de comentários.
Aqui ando mais treinado e escrevo directamente na caixa, mas antes de enviar lembro-me 99% das vezes de fazer um "copy". Quando calha mal ainda tenho o "paste". Mas ainda ontem escrevi um muito curto duas vezes.

Pedro disse...

Ou seja, o senhor presidente do conselho está a dizer que a liberdade de expressão é reconhecida - desde que seja para concordar com ele !!!

Já sei onde foram buscar ideias para a minha ostracização - conversas sim, mas só com quem ofereça antecipadamente garantias de que vai concordar entusiasticamente com tudo o que for dito pelo pessoal da extrema-direita.

Se o ridículo matasse o extremismo político estaria terrivelmente desfalcado.

muja disse...

Maria,

também me acontece de vez em quando. O melhor é fazer como o JRF diz - escreva noutro lado e copie.

muja disse...

Este não será o nacionalista das cavernas ressurgido?

Esse também fazia queixinhas de o insultarem e ninguém lhe ligar nenhuma...

zazie disse...

Mais outro a atirar-se ao cientoinismo, à evolução das espécies e ao humanismo laicista:

Roberto Calasso, L’innominabile attuale.

Maria disse...

Obrigada José e Muja. Eu sei, eu sei e faço copy&paste muitas vezes, mas desta vez não pensei fazê-lo estùpidamente e mal cliquei no "publicar" desapareceu numa fracção de segundo.

Estava muito bom, modéstia à parte, pois falava sobre cinema, Hollywood e excelentes realizadores /produtores judeus como o Darryl Zanuck, o William Willer, o David O'Selzenick, o Cecil B. de Mille e muitos outros (isto é para o joserui que abordou o assunto e fez notar quão inteligentes são os judeus do cinema, mas também alguns escritores, arquitectos, etc., todos ganharam o Nobel - e de facto são-no, não há como negá-lo).

Falei do caso curioso da judia e rebelde Bette Davis e do desaguizado que manteve durante anos com Jack Warner e com o Estúdio de era dono, Warner Brothers, processando-o e depois de uma luta tremenda que durou anos e lhe deu cabo da saúde, ganhou o processo. Ela era boa actriz mas com muito mau feitio. Naqueles tempos eram quase todas e todos bons artistas. E os filmes fossem eles dramas, comédias ou musicais eram pràticamente todos excelentes. Alguns destes já são clássicos como os extraordinários Os Dez Mandamentos e West Side Story e vários outros mais. Há uma frase da Barbara Stanwick que explicava o motivo do sucesso dos filmes: "Oh those marvelous writers!"

Falava de dois casais com relações de trabalho com o meu Pai (ainda em Lisboa) excelentes pessoas, que nos deixaram saudades. Forem eles, os maridos, que contaram aos meus Pais episódios passados em Auschwitz onde tinham permanecido cerca de um ano sem nunca terem sofrido maus-tratos ou violência da parte dos oficiais ou guardas. Isto é era para calar a boca aos parvinhos e aos cretinos.

Falava ainda de vários casais que conhecemos já em Londres, com quem o meu Pai teve relações de trabalho, todos eles judeus - um russo, outro norte-americano, dois polacos, todos eles casados com mulheres católicas - uma inglesa (ex-modelo), duas norte-americanas, outra italiana - pessoas que se tornaram grandes amigos dos meus Pais e de quem guardaram as melhores recordações. As mulheres eram todas extrovertidas e de enorme simpatia; os maridos todos introvertidos, com mau feitio e muito austeros, só o norte-americano escapava a esta regra.

Havia um amigo (português) dos meus Pais que dizia que "os judeus são misteriosos" e é verdade, quem lida com eles sabe que sim. Este nosso amigo sabia bem do que falava, era um cristão-novo e se dúvidas houvesse de que estava dentro do assunto, tinha todas as características fisionómicas estampadas nas feições. Nas viagens d'avião que fazia perguntavam-lhe se era judeu, dada a sua fisionomia, ele respondia que não... e de facto não era, visto que a família já era portuguesa desde há várias gerações.

Todos os judeus de que falo/escrevo acima de modo resumido e que tinha desenvolvido no comentário desaparecido, eram efectivamente muito taciturnos e pouco sociáveis (excepto o norte-americano) só se abriam sobre a vida pessoal e familiar com pessoas muito suas conhecidas e da sua máxima confiança. Era o caso dos meus Pais.

Maria disse...

Esqueci-me de agradecer ao joserui a sugestão que também fez. Escrevi "José" por distracção, mas era joserui que devia ter escrito:)

Pedro disse...

Caro muja.

Eu não me queixo.

Porque me haveria de queixar se vocês apenas confirmam as acusações de cavernícolas que fazem contra vocês ?

Até vos agradeço a figura de ursos que estão a fazer.

Finjam que não veem as provas que desautorizam a vossa propaganda e só falem com salazaristas e nazis - em nome da "liberdade".

Não perceber que isso é coisa de atrasado mental é já um statement do valor da vossa ideologia e das pessoas que lá andam.

Não podia haver nada mais esclarecedor.

Pedro disse...

E a Maria conheceu imensos judeus que... gostaram de estar presos em Auschwitz.

Enganei-me, afinal isto é mesmo um site cómico.