terça-feira, 31 de julho de 2018

Roblupção

Blasfémias, com perguntas certas e precisas de Telmo Azevedo Fernandes:

Vou fazer como Ricardo Robles e especular. Ele em negócios imobiliários, eu em comentário político.

Se Catarina Martins sabe mais do que diz saber sobre o caso do imóvel de Alfama, a garantia que poderá ter recebido de António Costa de que o PS não hostilizará o Bloco se este se mantiver dentro de níveis bem comportados de crítica ao Governo poderá não ser suficiente para criar um cinturão higiénico em torno da sua liderança.

Embora interessando a Costa não deixar Robles cair da vereação, mantendo-o na grelha mais ou menos acesa conforme for útil, talvez Catarina Martins se veja mesmo obrigada a aceitar a sua demissão para contenção de danos no Bloco.

Bastaria que se viesse a verificar que aquando das declarações que fez sobre o caso e do lançamento da teoria da cabala contra o seu partido Catarina Martins sabia que a intenção de Robles era desenvolver um negócio de alojamento turístico, para a sua própria liderança ser posta em causa. Nesse caso, apesar dos seus olhos azuis, o cordeiro Robles teria de ser sacrificado.

Isto porque além da hipocrisia e amoralidade do Bloco já exaustivamente comentada por estes dias, para além dos aspectos políticos desta novela subsistem algumas dúvidas de outra ordem.

A título de exemplo:
No “business-case” que Robles apresentou à CGD para obtenção do crédito, a finalidade do investimento era a de habitação permanente ou de prédio de rendimento para short-rentals turísticos?
Já que o Bloco que defende o fim do sigilo bancário em situações de políticos sob suspeita, poderá o vereador fornecer cópia da memória descritiva do projecto entregue ao Banco?
Que colaterais apresentou Robles à CGD para o mesmo efeito? Património, avalistas?
A Segurança Social já confirmou oficialmente que a compra do imóvel se fez por apresentação de propostas em carta fechada?
A Segurança Social informou a Câmara Municipal de Lisboa sobre proposta de compra vencedora para eventual exercício do direito de preferência na aquisição por parte do município?
Qual a justificação da Câmara Municipal de Lisboa para não exercer o direito de preferência.
Não configura conflito de interesses a decisão da CML e o facto de Robles ser vereador?
Robles terá transparência suficiente para tornar pública a memória descritiva do projecto submetido à CML para se verificar que a intenção inicial era habitação própria (ou da irmã)?
Como é que a CML despachou aprovações em tempo record quando em situações mais simples de obras em prédios na mesma zona da cidade a espera desespera os proprietários?
Ricardo Robles pode divulgar factura das obras de reabilitação para se verificar se foi cobrado e pago IVA?

Seria também de homem e não de uma patarata se Ricardo Robles, em definitivo, esclarecesse se pretende ou não:
Doar eventuais mais-valias de uma futura venda do imóvel (ou fracções)?
Solicitar reembolso de IMT pelo facto de imóvel se encontrar dentro de ARU-Área de Reabilitação Urbana?
Abdicar de isenção ou redução de IMI por prédio estar na ARU?

Bem sei que Catarina Martins já declarou o caso encerrado, mas apesar de as questões acima não serem exaustivas, a sua liderança partidária poderá ser fortemente afectada pelo menos em parte significativa pelas respectivas respostas e, sobretudo, pelo grau de conhecimento prévio que Catarina tenha tido delas.


ADITAMENTO:

O CM de hoje, 1 de Agosto,  publica uma resposta do BE que denota bem o jacobinismo que o infesta: a lei é tudo. Mas sobra uma dúvida: quem fez a avaliação tributária ao imóvel e que critérios seguiu? Foram idênticos aos dos prédios das redondezas? É isso que importa agora indagar e saber, para se contar ao povo e mostrar o que é esta canalha...


...que para já suscita risos, mas é preciso saber mais para se saber se é preciso ir um pouco mais além:



ADITAMENTO em 2.8.2018:

O CM de hoje revela outro pormenor importante para se entender que há porcos mais iguais que outros:



Para a maioria das pessoas isto pode parecer anódino, mas não é. No reino da burocracia jacobina a lei que obriga a uma  intervenção de peritos em arqueologia, em casos semelhantes ( construção junto a uma muralha fernandina, no caso) é essencial para se obter qualquer parecer camarário de viabilização de obras.
Aparentemente não foi o caso e o vereador Salgado, um sabidolas antigo, resolveu.

Vai ficar assim e o MºPº vai deixar passar isto em branco?

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