domingo, 8 de julho de 2018

O Estado Novo e a memória que os comunistas perverteram

Numa ronda por alfarrabista topei duas coisas interessantes que partilho. São dois livros do "Estado Novo" e que desapareceram de bibliotecas que eram públicas, designadamente nas Casas do Povo e instituições similares, em 1974-75, durante o PREC.
O fenómeno do desaparecimento destes livros que registaram um período histórico é assunto que nunca vi tratado por jornalistas ou ensaistas ou curiosos que sobre o mesmo se dessem ao trabalho de escrever qualquer coisa.

Ninguém menciona publicamente o atentado à Cultura que os comunistas- sim, porque foram eles- praticaram nessa época, em Portugal. Milhares e milhares de livros do "fascismo" foram queimados, surripiados e eventualmente destruídos ou retirados simplesmente de bibliotecas apenas porque eram do tempo do "fascismo". Roubados e desencaminhados. Sou testemunha directa de factos como esse e portanto atesto-o. Mais: em vez dessas publicações começaram a aparecer jornais como o Granma, cubano, que nem se vendia em quiosques, em 1975. Mas havia comunistas que o tinham e apresentavam como leitura de mesa de biblioteca.

Hoje aparecem aqui e ali em feiras de livro ou em alfarrabistas, mas são raros. Um dos exemplos desses livros é uma publicação em dois volumes sobre a inauguração da Ponte sobre o Tejo, então crismada de Ponte Salazar. Tal como o nome, tais volumes desapareceram da circulação que foi certamente de alguns milhares e que foram distribuídos por todas as juntas de freguesia do país, na época. Sei bem porque o vi em casa dos meus pais e folheei com curiosidade. Com o tempo desapareceu mas não foram os comunistas quem o surripiaram, como fizeram ao exemplar que existia na Casa do Povo que então frequentava.

Portanto este é um episódio maligno do PREC, a par de muitos outros e de quem ninguém quer falar.

Outros livros que também desapareceram das estantes de bibliotecas de antanho foram os livros escolares do "fascismo".  Porém, relativamente a estes e a pedido de muitas famílias, alguns foram reeditados e quase fac-similados. Nem todos, no entanto.
O livro de História, por exemplo, nunca o vi assim reeditado.

Ora tal livro é muito elucidativo acerca do modo como se ensinava a História de Portugal, nesse tempo e que muitos ainda recordam, particularmente os que têm mais de 60 anos.

Ora leia-se a propósito dos "descobrimentos/conquistas" do tempo em que fomos pioneiros no Mundo:


O outro livro é este que comemora os 30 anos do Estado Novo. É um livro de propaganda, publicado pela Organizações do Império, em 1957. Fica aqui apenas a capa e contracapa e a introdução ao livro, de F. Matos Gomes que explica aliás o que foi o Estado Novo em várias páginas que proximamente vou publicar, bem como a primeira dúzia de páginas, acerca do "prestígio do Estado", actualmente representado pelo presidente da República no palco dos recreios a homenagear os zés pedros do rockn´roll e nos festejos do futebol, aos saltos e pinchos. É este o símbolo da dignidade do Estado, actualmente...


Ficam aqui também as páginas do último número, de Julho, da revista do PCP, O Militante. Está aqui a definição do que é o fascismo, segundo o PCP, partido que inculcou na linguagem corrente o conceito que já não é o corrente mas sim uma espécie de antonomásia.
Finalmente, os leitores podem perceber o que é o fascismo, para o PCP.  É ler que é muito instrutivo e tem um senão: desmentem o carácter fascista do regime do Estado Novo e muito menos de Marcello Caetano.
Porém, isso já é sabido, até pelo presidente da República. Mas o valor das palavras não tem a ver apenas com o rigor do que significam mas com o valor semântico que lhes é dado. E o valor já é outro...muito estranho ao significado original. Não há praticamente ninguém nos media que não se refira ao tempo de Salazar e Marcello Caetano como o tempo do "fascismo", verbi gratia dos comunistas estalinistas que temos.

Quem ler percebe imediatamente duas coisas: o fascismo, para os comunistas, identifica-se com o capitalismo e vice-versa. "É uma arma de arremesso contra o movimento operário".

Para os comunistas o fascismo nunca desapareceu. É esta realidade que não encontra eco nas discussões que envolvem a política e particularmente um partido comunista como já não há em lado nenhum e que representa o pior reaccionarismo ( a palavra é delas mas assenta-lhes que nem luva) quanto a tudo o que se lhes oponha.

A actualidade, para o PCP representa um agudizar do fascismo. Em Portugal, o PCP continua a ser olhado como um partido democrático quando não é  nunca o foi. Aliás, nunca o escondeu explicitamente.

A Constituição proíbe os partidos ou organizações que professem ideologia fascista. Segundo o PCP esses partidos situam-se todos à direita do PS e sempre assim foi no seu discurso. Porém, sendo um discurso filtrado e de língua de pau, as pessoas em geral não lhe dão importância porque as palavras ritualizadas perdem o seu peso específico e ganham outro que pode não lhes corresponder.

Mas o discurso verdadeiro e sentido pelos comunistas, deveria conduzir a uma proibição do PCP por ser um partido anti-democrático, tal como os verdadeiros fascistas o são.

Quem tem coragem de dizer isto publicamente nas tv´s ? Quem?!

Tal como o Romeiro..."ninguém". E é essa a maior vitória do PCP. Foi esse o "rumo à Vitória" que conseguiram com o sucesso que se vê. Ninguém se atreve a dizer que esse reizinho estalinista vai nu desde o começo...



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