domingo, 26 de janeiro de 2020

As ondas do jornalismo nacional com odor de cloaca

 Helena Matos, no Observador, escreve que o jornalismo nacional se orienta por ondas em que umas empurram outras para um olvido ritmado por acontecimento escolhidos por entidades anónimas.

Julgo que tais ondas, cada vez mais frequentes,  provém de uma grande cloaca, uma loca infecta onde as notícias, veiculadas por entidades anónimas, subscritas por avençados do regime ( a Lusa, a Sic, grupos de media globais, na falência, etc etc) se manifestam em ambiente malcheiroso e de odor pestilento.

Há dois exemplos nos jornais de hoje.

O primeiro é do Jornal de Notícias e aparece logo na primeira página:




O "caso Neto de Moura" é paradigmático deste jornalismo que exala ondas de cloaca. Neto de Moura subscreveu um acórdão inatacável juridicamente, insuspeito de qualquer parcialidade, erro judiciário ou mesmo asneira jurídica discutível.
Cometeu um deslize politicamente incorrecto nos tempos de odor pestilento e inquisitório que correm: em vez de citar Marx e a relação exemplar que teve com a mulher ou outro como o comunista Luís Althusser que matou a mulher, citou uma passagem da Bíblia para contextualizar a decisão que versava sobre um caso de violência doméstica, numa altura em que a onda pestilenta sobre tal assunto inundava os éteres e redacções de notícias e de programas de circo, em horário nobre de tv.
Foram estes palhaços, literalmente ditos,  que abriram mais a cloaca e fustigaram com todo o mau-cheiro possível a honra e consideração devida a um magistrado que se limitou a dizer o direito conforme o entende e com toda a legitimidade para tal.
O máximo desse humor com cheiro a merda foi mostrado no programa do palhaço rico do regime, com a associação da pessoa do magistrado a um calhau com olhos e a uma galinha estúpida, sobrepondo a inteligência indigente de tais palhaços.

Tal onda propagou-se e aumentou de tal tamanho que nem um canhão da Nazaré e deu para nela surfarem todos os ignorantes e frustrados do poder judicial,  incluindo alguns magistrados.

Nem um dos colegas daquele desgraçado pelos media saiu a terreiro para dizer que os reis deste jornalismo iam nus.
Nem um, o que mostra bem o carácter de muitos elementos preponderantes e responsáveis em  tal classe profissional: enguias que se movem no lodo dessa mesma pestilência e dela carecem para respirar bem.

Agora, é o que se lê: o pobre desgraçado, vilipendiado, de honra profissional perdida para sempre, até o nome teve que mudar.  Lembra-me um filme antigo que o mesmo deve conhecer bem já que foi esquerdista empedernido: A Honra perdida de Katherine Blum.

Agora, este novo caso de Isabel dos Santos comunga da mesma pestilência mediática. Tal como alguns já referiram o sistema político angolano há muito que é o o que sempre foi: um sistema delineado para uma oligarquia mandar e aproveitar pessoalmente o que devia ser de todos, porque se afirmam democratas. Alguns chamam a tal sistema, uma cleptocracia.
Não discordo, mas contextualizo e exijo que as instâncias judiciais tenham isso em conta porque devem ter.
Investigar factos denunciados parcialmente como crimes, sem ter a noção do modo como poderão ter sido cometidos e do contexto jurídico, político e constitucional em que o foram, num país estrangeiro, parece-me ridículo e quixotesco. Não se investigam regimes políticos corruptos através de processos no DCIAP. Ponto final.

Porém, a corrupção circunscrita da referida Dos Santos e família, é já assumido como um facto e portante ao darem conta de que o mesmíssimo sistema que persegue agora um dos seus, estará na senda da justiça e da regeneração de tal regime, não ligam à circunstância de tal ser uma pura e simples farsa e uma manifestação de perversidade jurídica.

No mesmíssimo Jornal de Notícias, financiado por dinheiros ocultos, uma vez que é segredo saber de onde provém a fonte de receitas da Global Media, administrada pele advogado Proença de Carvalho, com um director chamado Camões e cujo percurso profissional se associa a um José Sócrates, esse mesmíssimo jornal com jornalistas probos mas necessitados de emprego, escreve coisas espantosas sobre o caso Isabel dos Santos:


Destacam ( Rita Neves Costa, eventualmente formada na sede-mãe daquelas cloacas mediáticas, os cursos de jornalismo e comunicação) os luxos da família Dos Santos mas nem uma menção se faz aos luxos que os mesmos deram a ganhar ao tal Camões e ao patrão mediático. Nem uma palavra sobre o assunto...

E sobre o "drama isabelino" uma tal Alexandra Tavares-Teles, outra eventualmente formada naqueles centros e filha de quem foi, têm a lata de escrever isto: uma branqueadela, salvo seja,  à maneira deste jornalismo. Fazem a merda e tapam, logo a seguir, como os gatos dantes faziam.


No CM, outro expoente desta cloaca inferne e infrene, pelo sensacionalismo exasperante que se manifesta na capa do jornal de hoje ( "casas da princesa em Lisboa valem 5,7 milhões. Registadas em ofsshore nos EUA") .
Eduardo Cintra Torres tenta colocar um pouco de perfume nesta estrumeira e ao mesmo tempo destapa com exuberância toda a pestilência dessa mesma cloaca: este jornalismo vive destas merdas. O sistema mediático dá relevo exclusivo e determinante aos poderes que as replicam, ampliando o efeito e escondendo o mau-cheiro.


Entretanto vai ser necessário aparecer mais gente a reflectir deste modo para que se estabeleça a normalidade e se afaste a onda do mau-cheiro jornalístico. Embora se saiba que outra virá, rapidamente.
Aqui estaremos para tentar detectar o olor...

O caso é mesmo este, mas é preciso ser um professor em Oxford a dizê-lo porque este jornalismo não sabe:


O professor de Ciência Política em Oxford Ricardo Soares de Oliveira considerou hoje à Lusa que o conflito entre Angola e a empresária Isabel dos Santos é "intensamente político" e ultrapassa o funcionamento normal do Estado de direito.

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