sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

O silêncio sepulcral sobre a pedofilia de cá...

Em França é notícia em várias publicações, até de esquerda ( Marianne e L´Obs) o caso singular de um escritor maldito por ter publicado em 1974 um livro acerca das preferências sexuais por crianças de menoridade.

Gabreil Matzneff é o nome de quem se fala. Escritor, intelectual francês da geração post-68, publicou naquela data à luz da Julliard, sem grandes problemas, o livrinho "Menores de 16 anos", sem distinção de sexo e que agora, depois do mal, faz a caramunha, muito indignado pela intolerância.

Uma das passagens do livro, transcrita pela L´Obs é elucidativa: " Quando tiverem nos braços, beijado, acariciado, possuído, um rapazinho de 13 anos ou uma rapariguinha de 15, tudo o mais há-de parecer sem graça, pesado e insípido".

Não há qualquer dúvida sobre a preferência do dito em matéria sexual quando já tinha quase 40 anos...e aos 50 experimentou a sensação com uma rapariguinha de 14, em plena coerência de gostos e princípios.

Essa rapariguinha, eventualmente apaixonada e sem "autodeterminação" como agora se diz, aceitou tal cortesia e relação, em 1986.

Passadas estas décadas decidiu contar a experiência, em livro, agora publicado. O pedófilo assumido em 1974 mostra-se indignado com a candura da narrativa de flor sem tempo.

Enfim, o tema é retomado nessas revistas por causa de um fenómeno estranho: na altura e depois, ao longo dessas décadas houve manifestações de apoio a tal pedofilia, da parte de certos intelectuais, da esquerda predominante.

É esse o assunto do momento: saber o que pensam tais criaturas, verdadeiramente, acerca da pedofilia, do gosto acentuado e sexual de maduros por crianças.

O tema assumiu importância quando toda a comunidade ocidental ( sim, porque relativamente a outros lados e comunidades nem é tema...nem se discutem por cá tais tabus, por receio de um suposto racismo ou xenofobia) aceitou que tais comportamentos devem ser qualificados como criminosos por lesarem gravemente aquela autodeterminação de qualquer pessoa, mesmo enquanto criança, a escolher as suas preferências para formar casal, desenvolvendo em harmonia a sua natureza e educação.

Hoje é coisa assente que a pedofilia consiste no seguinte:

«Pedofilia» é um conceito da área da Psiquiatria que define uma perturbação que se insere no grupo das parafilias. Implica uma perturbação mental no indivíduo. Os critérios para a efectuação de um diagnóstico são: 

- a presença de fantasias imaginárias sexualmente excitantes, impulsos sexuais ou de outros comportamentos, de forma repetitiva e intensa, durante um período de pelo menos seis meses, implicando uma actividade sexual com uma criança; 

- as fantasias, impulsos sexuais ou comportamentos estão na origem de um sofrimento clínico significativo ou de uma alteração do funcionamento social, profissional ou de outros domínios importantes; 

- o indivíduo é sempre maior de dezasseis anos e tem pelo menos mais cinco anos que a criança implicada. 
A expressão «violência sexual contra crianças» pode englobar indivíduos com esta perturbação do foro psiquiátrico que é a pedofilia. 
Isto é: todo o indivíduo com esta perturbação, chamado «pedófilo», que passar das suas fantasias ao acto, exerce uma efectiva violência sexual contra uma ou mais crianças. Passa a ser, assim, um agressor sexual de crianças.

Portanto, lendo o artigo da LÓbs se compreenderá melhor e até se insere na área da "Cultura":


Por cá estas coisas passam em silêncio absoluto, sepulcral, nos Públicos e quejandas sics e publicações com Visões.

Et pour causa?

Talvez. Depois do escândalo Casa Pia abateu-se um silêncio de morte sobre este tema, porque os pedófilos que escaparam andam por aí. Alguns,  tendo em atenção o que então foi dito sobre a amplitude do escândalo,  bem escorados...

Ninguém mais falou sobre isto e apagou-se na Internet o que havia de referências a certos figurões...

E a ironia das ironias já foi sinalizada aqui, onde escrevi o seguinte a propósito dos "ballets rose":

Pelo que lemos, o depoimento de uma miúda de 16 anos, foi credível para este Pires de Lima, no sentido de levar a “obrigar a miúda” a delatar, indicar os suspeitos que o mesmo toma imediatamente como inculpados. Mais, nem sabe ao certo se as miúdas “tinham relações completas”. Portanto, exames nem vê-los. Processo crime formal e com garantias de defesa, nicles. Mas essa vítima não é alegada como destituida de credibilidade...

Pires de Lima, à semelhança destes novos notáveis da política rosa, também mexeu imediatamente os cordelinhos. Telefonou ao director da PJ, seu amigo e igualmente ao ministro da Justiça, Antunes Varela.

Que fizeram os notáveis da rosa, no caso Casa Pia, para além de se estarem a cagar para o segredo de justiça? Telefonaram para vários notáveis. Até para o PGR. Até para presidente da República. Até para o ministro. Até para o titular do processo se pudessem. Até para a PJ.

Fizeram tudo por tudo, para quê? O que Pires de Lima fez no caso ballet rose? Não. Precisamente o contrário e que Pires de Lima vitupera como um escândalo: fizeram tudo para parar o processo e a investigação em curso que envolvia um dos deles, Paulo P.

O actual presidente da CML, António Costa telefonou, pressionou, tentou saber, tentou controlar. A correligionária Ana Gomes, como já o escreveu por duas vezes, organizou um gabinete de crise no largo do Rato e tentou combater a evidente cabala em curso.

No caso do ballet rose houve uma vítima de 16 anos que foi tomada a sério em tudo o que disse. Os visados nunca se defenderam porque como o próprio Pires de Lima refere, nunca chegou a haver processo crime e principalmente “ não foi feita prova de que algum deles, alguma vez, tivesse violado uma rapariga”.

Não obstante, Pires de Lima dispensa os nomes dos envolvidos como verdadeiros culpados. E adianta o facto de se ter “abafado o caso”, assim:

“Para abafar o caso, uma vez que estavam metidos no assunto indivíduos como Correia de Oliveira, o Quintanilha Mendonça Dias ( que era ministro da Marinha) acharam que se não era ballet rose, também não era nada de grave. Todos tentaram aliciar as meninas, mas não consumaram. Elas não eram susceptíveis de serem ofendidas. Não passou de uma tentativa de estupro e todos prestaram caução de boa conduta. Para que não houvesse punição dos arguidos.”

No caso Casa Pia, não houve apenas uma vítima a denunciar crimes sexuais, verdadeiros crimes consumados e repetidos e não meras tentativas. Houve várias vítimas que foram todas desacreditadas pelo próprio presidente da Assembleia da República de então, Almeida S. ( disse que as testemunhas podem mentir). A rapariga de 16 anos que desencadeou o processo que Pires de Lima destapou em escândalo, não mentiu. Foi credível e mereceu todo o crédito para denunciar os condes e outra gente da “alta sociedade”.

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