quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

O racismo e xenofobia importados


No discurso da manifestação de professores, há uma semana, Arménio Carlos falava das medidas da troika e disse: "Não se espantem, porque entretanto os tais três reis magos que vêm em Fevereiro agora a Portugal (...). Um é do Banco Central Europeu, o outro também é da Comissão Europeia e até há um mais escurinho, que é do FMI".

Da esquerda à direita, a expressão usada pelo líder da CGTP foi comentada e criticada durante toda a semana como sendo "racista". Mas Arménio Carlos também teve defensores, como o ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa João Soares, que escreveu um post no Facebook a dizer: "O etíope é mesmo escurinho. E dizê-lo, como o disse Arménio Carlos (sou insuspeito), não é, nem de perto nem de longe, racismo. Não vale fazer demagogia populista com coisas sérias. O racismo, a sério, é uma coisa séria de mais para se brincar com ela a fingir."

Por que é que a expressão "até há um mais escurinho" é racista? "Não há como fugir à questão racial", diz Mamadou Ba, do SOS Racismo, que critica igualmente as declarações de João Soares. "Não parece aceitável que o líder da CGTP se refira à cor da pele de quem quer que seja. Nada pode justificar o uso do "escurinho"." Mamadou Ba explica: "O diminutivo em si, a formulação linguística... O "escurinho" esconde-se por trás de um eufemismo. Esta expressão, o "escurinho", é sinónimo do "pretinho" no tempo colonial e da escravatura. Esta foi sempre a relação de força do colonizador onde a raça é a medida dessa relação.
"

Isto foi há cerca de 7 anos atrás. Ontem, no Parlamento aconteceu isto: 

Os líderes parlamentares decidiram esta manhã quase de forma unânime (só André Ventura ficou de fora) não avançar com um voto de condenação no Parlamento às declarações do deputado do Chega sobre a deputada do Livre, Joacine Katar Moreira. Ventura recusa pedir desculpa pelo que disse no facebook da deputada e reclama que se tratou de uma “ironia”.


A razão de não condenação prende-se com uma questão táctica: não dar palco a André Ventura...

Evidentemente, já deram e são sempre os mesmos: aqueles que incendeiam as "redes sociais" e outros fora com o discurso de ódio contra quem supostamente os ofende, agarrando-se a qualquer cousa que lhes cheire a racismo para arremessar.  E arremessam. 

Este discurso do ódio tem sido sistematicamente aproveitado pela actual ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, designada juíza Conselheira do STJ, numa espécie de promoção with a bullet.

Ontem sentiu-se habilitada com discurso encomendado e botou assim, uma condenação de preceito ao deputado. Uma ministra, do poder executivo entende que deve criticar um deputado...e não é a primeira vez que denota pouco saber sobre a separação de poderes. Enfim.

Van Dunem há imensos anos que não despacha um processo real, com gente dentro, no âmbito do poder judiciário ou adjacente, no MºPº. Sempre "coordenou" ou dirigiu alguma coisa. 

Mesmo assim logrou consenso de pares para a promoção ao mais alto tribunal do país, numa espécie de consagração de carreira, para decidir jurisdicionalmente,  à custa da preterição de muitos outros que trabalharam sempre nos processos. 

Por mim custa-me a perceber como alguém com um curso de direito tirado assim, como aqui se pode ler ( praticamente em dois anos completos e nada mais) , possa ascender a estes cargos, a não ser por uma singela circunstâncias: estar ligada intimamente ao poder político que tem mandado em Portugal nas últimas décadas, ou seja o PS. Inteligentes é o que não falta, na magistratura...mas esta parece ser especial e está sempre a queixar-se de racismo e o diabo a sete da xenofobia destes chega p´ra lá.


O que é que esta senhora vai fazer para os tribunais superiores com estes ressentimento e discurso de ódio, sempre latente em todas as entrevistas que vai dando?
Que perfil é este para alguém que agora é magistrada do STJ ou mesmo do TC como consta que quer vir a ser?

Portugal entrou, pelos vistos,  numa deriva de loucura democrática com estas personagens...e já muito afastado daquele bom senso que o próprio João Soares, insuspeito,  manifestava ainda em 2013. 

Incrível como meia dúzia de anos de geringonça de extrema-esquerda permitiu chegar a isto que temos: racismo e xenofobia importados e usados para efeito político imediato...

Entretanto a putativa direita portuguesa congrega personagens tipo Homem-Cristo...

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Opus diabolus