sábado, 18 de janeiro de 2020

O que é isto? Péssimo jornalismo do Público

Público de hoje, artigo de Mariana de Oliveira.



A jornalista Mariana de Oliveira, já muito experiente no jornal Público e que costuma escrever com um mínimo de objectividade, sem mais, hoje tem este artigo lamentável, muito lamentável.

Explico porque assim acho.

A narrativa sobre a comunicação dos factos que ocorreram no caso Giovani, um cabo-verdiano assassinado em Bragança num contexto de violência quase juvenil, desde o início padece de carências jornalísticas graves, a maior das quais é a omissão de factos relevantes para a compreensão cabal do que se terá passado.

Estou convencido que o caso não assumiria o relevo mediático que assumiu não fora a intervenção extemporânea dos militantes da causa anti-racista, com destaque para uma tal SOS Racismo que despudoradamente cavalga uma onda esquerdista de culpabilização dos brancos pela "opressão" dos pretos. Tal e qual e pouco mais que isto.

O destaque que é dado ao SOS Racismo pelos media nacionais inclui o Público, arauto desse esquerdismo que tende a absorver todo o pano mediático disponível.

Portanto, um primeiro facto noticiado em subtexto mas nunca denunciado como aquilo que foi: uma  manipulação mediática para alcançar um efeito político. Clássico e que o Público acaparou, porque é assim que funciona aquela cabeça editorial ( veja-se o editorial de hoje sobre o facto de um ministro de Bolsonaro parafrasear um discurso nazi...).

Os dois primeiros parágrafos do artigo acima exposto, aliás todo eivado de opinião, muito discutível e que deveria ser proibida a uma jornalista que não deve ser comentadora, são dedicados a tais factos, sem outro contexto. O SOS Racismo aparece como uma organização de legitimidade indiscutível como se fora o oráculo de uma verdade assumida. Trágico.

Depois os parágrafos seguintes dedicam-se a escrever sobre o que sucedeu nas "redes sociais" e blogues. Cita-se o "blogue de um professor do ensino superior" sem se mencionar que é o blog Do Portugal Profundo, ( ainda por cima o mesmo blog onde o Público em que escrevia o jornalista Cerejo foi buscar, passados dois anos, o caso da licenciatura de José Sócrates) como se fosse vergonha mencionar tal facto.
Nem sequer é blog anónimo que esses nem têm direito de cidadania mediática. Só o Público e este jornalismo de não sei onde é que tem...para passar estas narrativas enviesadas e no fim de contas "fake" e populistas.

Nos parágrafos conta-se que o tal blog inflamou redes sociais ou vice-versa e entra em liça outro sítio não nomeado e que é "assumidamente nacionalista". Só faltou escrever que é fascista...ou cousa que o valha. Ai, ai, ai! O que vai por aquelas cabecinhas deste jornalismo tão lamentável...

Porém, aparece a menção explícita a um tal MediaLab do ISCTE-IUL, esse sim merecedor do estatuto reservado às entidades oficiais com autoridade na matéria. O ISCTE! Vejam bem! Doutorados na escola do professor Buonaventura de Coimbra, de uma esquerda de malucos, mas com toda a respeitabilidade do ensino como deve ser. O que é ainda falta para entenderem isto? Lerem a Marianne, por exemplo e que nem é de direita?

Enfim, o ISCTE analisou a actividade do "activista" não identificado, porventura fascista e aparecem as estatísticas reveladoras da procura de notícias no tal sítio "auto-intitulado site de notícias" sem direito a mais. Lamentável, lamentável. Triste mesmo.

O que diz a extensão da madrassa do ISCTE? Que " este caso exemplifica o modo como se formam as opiniões políticas no contexto das modernas redes sociais e da facilidade de acesso à produção-e propaganda de conteúdos informativos que elas permitem".  Descobriram a pólvora e é perigosa! Pode queimar este tipo de jornalismo atávico e arreigado a conceitos de censura, agora soba égide do politicamente correcto. E isso não pode ser porque acabam com a profissão do modo como a entendem as madrassas que formam jornalistas, como as escolas de Comunicação Social.

Lá aparece o sociólogo que tem o poder natural da autoridade na matéria, porque tirou um doutoramento sobre caganitas de pássaros ou semelhante e fala com voz de saber: "há quem tente aproveitar-se de casos como o de Givani para passar as suas ideias, ainda que, por vezes, de forma camuflada". "Tentam materializar os medos que existem".

E lá aparece o ogre do momento: André Ventura que no fim de contas é aqui que o artigo pretende chegar. Vituperar uma imaginária "extrema-direita" actualmente corporizada no André Ventura do Chega. Não lhes chega tudo o resto e é preciso falsificar notícias e manipular informação...

Medos? Medos são os deste jornalismo que ocultam, omitem factos, manipulam notícias escolhendo o tempo e o modo de as veicular.

"Apesar de a PJ reiterar que não houve motivação racista dos agressores" lá aparece a menção ao "engano" inicial daquela SOS Racismo, verdadeiro instrumento do incêndio social que ateou, para proveito político.  Esta ideia, inteiramente verdadeira é completamente omitida no artigo de opinião travestido de notícia em modo de narrativa factual.

Por fim aparece a menção a um programa de tv, com a participação de comentadores avençados, como Carlos Anjos, antigo inspector da PJ, que afinal relatou a simplicidade do caso: "um grupo de jovens ciganos" teria sido a origem da autoria das agressões fatais ao jovem cabo-verdiano.

Há 50 anos seria essa a notícia, local e sem espavento algum: um grupo de jovens ciganos, em Bragança, envolveu-se em rixa com outros jovens e daí resultou a morte de um jovem cabo-verdiano.

Este parece ser o facto fundamental. Que o Público sempre omitiu. E que agora se permite especular sobre outros assuntos mais tenebrosos, criando um ambiente propício ao populismo verdadeiro: o que manipula a sociedade colocando grupos sociais contra outros.

Quem começou isto? O marxismo, a luta de classes.

O Público deste Carvalho e agora Mariana Oliveira são apenas mais um instrumento e episódio desta luta. Que continua...

Que tristeza e que decepção! Só me fica uma pergunta: esta jornalista acredita mesmo nisto que escreve? Ou isto é apenas de cor? Aposto mais nesta última hipótese. E compreendo.

Entretanto leia-se o conteúdo da notícia que aparece ao lado daquela transcrição. A jornalista Ana Cristina Pereira lá se retorce toda para evitar falar em ciganos ( "cinco jovens adultos, sem antecedentes criminais, nem características étnicas distintas") , como se isso fosse defeso, proibido e pecado mortal. Que tristeza de jornalismo e que ignorância também.


Escreve, citando algo da PJ que "não é por acaso  que a PJ fala em homicídio qualificado e não em ofensa à integridade física agravada pelo resultado".

Não é por acaso? Então será porquê? Sabe a jornalista quando ocorre a qualificação dos homicídios e quais as circunstâncias? A resposta está à distância de uns cliques no Google:

No artigo 132º do C.Penal há duas situações que se podem indiciar:
(...)
f) Ser determinado por ódio racial, religioso, político ou gerado pela cor, origem étnica ou nacional, pelo sexo, pela orientação sexual ou pela identidade de género da vítima;
 (...)
h) Praticar o facto juntamente com, pelo menos, mais duas pessoas ou utilizar meio particularmente perigoso ou que se traduza na prática de crime de perigo comum;
(...)

Em qual delas se insere a inferência indiciária da PJ? A jornalista perguntou? Será uma daquelas situações em que não se pergunta por não se saber?

A menção ao facto de " os jovens terem considerado a morte da vítima e se conformarem com ela" tem a ver com outra coisa: o dolo, mesmo eventual.  Nada mais.

De resto, no julgamento será esse o facto que se irá discutir e não será nada de surpreender que possa resultar apenas uma rixa, uma agressão e ausência do tal dolo de ofensa mortal...

Daqui a uns meses falamos, se Deus quiser.

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