terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Jornalismo a olho...e pente fino.

Capa e notícia do CM de 30.12.2019 acerca do homicídio de um jovem no Campo Grande, em Lisboa, no dia 28.12.2019:



Quem? Um jovem de 24 anos e "três ladrões que o queriam assaltar", fazendo parte de eventual "gang".

O quê? O jovem foi esfaqueado por aqueles e  abandonado no local, acabando por morrer.

Quando? No dia 28 de Dezembro, Sábado, ao final da noite.

Como? Três facadas.

Onde? No Campo Grande, num parque, em local pouco iluminado, junto à faculdade de Ciências.

Porquê?  Resistir ao assalto.

De todos estes factos, um deles foi completamente inventado, o relativo à resistência ao ataque. Sendo plausível não era facto conhecido inequivocamente, apenas suposto. E os outros factos, tirando o relativo ao número de facadas e ao homicídio, eram ainda incertos. Tal como a referência ao jovem ter estado no McDonalds para uma refeição.

Na primeira página aparece "morto por resistir ao ataque". E ainda a menção a "gang", por haver notícia de outros assaltos na zona, praticados por um "grupo de homens, com facas".

Isto é jornalismo a olho. Medíocre.  Com factos metidos a mascoto e que desinformam. Estes jornalistas, se são jovens deviam aprender o b-a-b-a que ainda não sabem.

A jornalista do pente fino, hoje, com a papinha toda feita pelos investigadores da PJ que lhe forneceram a matéria informativa, eventualmente em segredo de justiça ( isto sou eu a pressupor também...),  é mais concreta...



Este jornalismo carece de maior rigor informativo, por isto que vem no Observador, hoje:

Pedro Fonseca jantou com os pais em casa, para depois se encontrar com os amigos. Era fim de semana: noite de sábado, 28 de dezembro. Os amigos esperavam perto do restaurante 100 Montaditos, no Campo Grande, mas o jovem de 24 anos nunca chegou a encontrar-se com eles.

Veio de autocarro da Pontinha, onde morava com os pais e onde tinha estado a jantar com eles. Por volta das 23h00 chegou à paragem Campo Grande. Passava junto ao Museu de Lisboa, quando terá sido abordado por três outros jovens, mais novos que ele, que o ameaçaram e exigiram que entregasse todos os bens que trazia consigo. Se tentou resistir ou não ao assalto, só os alegados autores do homicídio poderão contar: ninguém testemunhou o crime, além deles e da vítima. Nem os amigos — que continuavam à espera do jovem, no restaurante 100 Montaditos. Certo é que Pedro Fonseca acabaria por ser esfaqueado mortalmente. Ficou caído junto a uma passadeira.

O relato foi contado ao Observador por fonte familiar, que nega que Pedro Fonseca tivesse estado a jantar no McDonalds naquela noite ou que tivesse sido abordado pelos assaltantes quando se dirigia para o seu carro — como chegou a ser avançado inicialmente. O que aconteceu entre a paragem do Campo Grande e a passadeira junto ao Museu de Lisboa é ainda, em parte, uma incógnita — mas que começa a ser desvendada.


Portanto, o jovem Pedro não veio de carro, não tentou estacionar junto do Campo Grande, não jantou no McDonalds,  não houve qualquer testemunha do crime ou do que ocorrera antes do mesmo, no local.

A primeira notícia do CM é uma borrada quase completa. A notícia de hoje é apenas a do costume: pegar no brinco e realçar um facto anódino como pivot de uma notícia.

Mais e melhor: foi escrito em sítios da internet e talvez outros jornais que os suspeitos do homicídio, além de serem jovens serão de nacionalidade guineense, ou de lá provenientes. O CM nem uma palavra sobre o assunto...

A informação é relevante, tanto quanto será quando estas pessoas são vítimas de brancos. Aí salta o anti-racismo da Joacine a exigir castigos severos.
Mais ainda: se fosse ao contrário, e a vítima fosse um jovem guineense, já teríamos manifestações de rua, com o Mamadou e quejandos a agitar as hostes e o presidente da República a falar do caso nas tv´s e instalar-se-ia um bruá mediático previsível e insuportável.
O Público já teria feito duas primeiras páginas sobre o caso e até na Antena Um a Abertura seria para o caso.
Assim, nem o Ventura se atreverá a dizer uma palavra. 

Como a jornalista do pente fino sabe disto, oculta, omite e oblitera a informação. É o racismo por omissão.

Arre!

ADITAMENTO em 8.1.2020:

O CM, com a jornalista do "pente fino", "caçou" as fotografias dos suspeitos e escreveu que "não são portugueses". Não diz de que terra são, mas a Joacine já deve saber, para fazer valer a sua indignação que irá eventualmente  gaguejar um pouco, neste caso.

Quanto às fotos publicou-as na primeira página. Os nomes vêm lá dentro e têm apelido Djau, Amadu e Balde. Todo um programa...


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