quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

O racismo e a xenofobia recalcado do politicamente correcto

Não concordo com certas ideias  deste artigo de Homem Cristo, no Observador:

Joacine e Ventura podem estar em lados opostos da trincheira política e frequentemente em confronto, mas são o reflexo invertido um do outro: alimentam e partilham uma visão racial e identitária da sociedade que tem demasiados pontos comuns. Infelizmente, não estão sozinhos. Não falta quem, à esquerda, siga o mesmo guião, por exemplo no Bloco de Esquerda — veja-se a reacção do deputado José Soeiro ao homicídio do estudante do IP Bragança. Do mesmo modo que, à direita, pululam vigilantes das notícias de crime dos jornais, que logo inquirem sobre a etnia de agressores e transgressores quando esta não surge mencionada, para então denunciar encobrimentos e favorecimentos a negros ou ciganos. O ponto é que, à esquerda e à direita, o enviesamento imposto por esta visão identitária e racial começa a ganhar espaço no debate público. E travar o contágio é tão urgente de um lado como de outro.

Prefiro estas ideias deste artigo de António Caldeira, no Do Portugal Profundo:

Em suma, há necessidade de realismo e de responsabilidade governamental e política. Ninguém, e nada, deve ser desprezado para validar uma ideologia. Como é o exemplo nefasto do totalitarismo marxista relativista politicamente correto.


Não sei se à direita pululam vigilantes das notícias de crime dos jornais, embora me reconheça neste retrato quanto ao que fiz aqui, comentando as notícias do jornalismo tipo pente fino, do CM.

Não se trata de catar a origem étnica dos autores do homicídio e vituperar os media que a escondem. Trata-se de coisa mais simples, primária e que deveria ser politicamente correcta, ao contrário do que é: relatar os factos tais como são percepcionados pela maioria das pessoas. 

Quando refiro "maioria das pessoas" não tenho qualquer dúvida que assim seja. A maioria das pessoas distingue entre brancos e pretos, fazendo-o sem preconceitos rácicos primitivos ou hostis por causa disso, no meu modesto entender. 

Quando um grupo de ciganos agride alguém é preciso que se diga que foi um grupo de ciganos que agrediu um preto ou um branco, se tal for relevante no contexto do caso ou então para se esclarecer  que esse grupo de ciganos agiu assim, ou seja em grupo. 

Contar a verdade factual e noticiar os elementos todos não é acicatar racismos ou promover xenofobias, a não ser que tais grupos étnicos sejam em si mesmo e perante certas circunstâncias um problema social, detectado pelo senso comum que é inerente ao "povo", ao cidadão comum.

Pensar e agir de outro modo é que me parece racismo, xenofobia e discriminação recalcadas. 

Parece-me que o Correio da Manhã, ao omitir a nacionalidade e raça ou etnia dos suspeitos do homicídio o fez por receio de ser acusado de promover aqueles interditos. 

E isso é censura, falta de liberdade e no fim de contas estupidez. 

É tão simples quanto isto e nada tem a ver com Chegas, extrema-direita, extrema-esquerda ou o diabo a quatro deste politicamente correcto que o artigo de Homem Cristo exala.

De resto, um branco é um branco; um preto é um preto; um cigano é um cigano. E somos todos filhos do mesmo Deus, para quem acredita. E por isso quem acredita em Deus nunca poderá ser racista.

Quem não acredita é que o pode ser e normalmente, é. Ou tenta escondê-lo, sendo mais anti-racista que o papa.

Este problema do racismo, aliás, tem outras variantes noutros países. Em França, o anti-semitismo ligado à importância da comunidade judaica, é ideia que se usa como arma de arremesso.

Por exemplo, neste artigo do Le Nouveau Magazine Littéraire de Janeiro 2020:


Este Stora é judeu. Ponto. Alguém- Bruno Larebière, na revista Valeurs Actuelles, dita de direita- escreveu que o gajo está gordo como um chibo. E está, basta olhar! Pimba! Anti-semitismo, só por isso...

Arre!


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