domingo, 31 de janeiro de 2010

O negociante de orçamentos

Outro artista nacional que nada tem a ver com a Maçonaria ou outras ordens discretas é Jorge Coelho. Hoje dá entrevista ao Correio da Manhã, para realçar uma qualidade dúbia que é a de presidente executivo de uma empresa privada em conjugação com a de figura de guru político, ligado a um partido e antigo político "negociador de orçamentos" por conta do governo ( J.Coelho dixit).

Que releva de importante uma entrevista a um tal líder executivo de uma empresa privada?

Duas ou três coisas. A primeira delas é a pergunta inicial:

Correio da Manhã/Rádio Clube – A Mota-Engil é uma empresa do regime?
Jorge Coelho – Não, a Mota-Engil é uma empresa portuguesa com quase 17 mil colaboradores, que tem uma implementação em cerca de vinte países. Nós somos a empresa portuguesa que tem mais portugueses em todo o mundo. Temos mais de mil portugueses destacados em todos os países em que nos encontramos.

Portanto, nada de regimes, aqui misturados. Jorge Coelho, todos o sabem e ninguém tem a menor dúvida, seria o candidato natural ao lugar de ceo de uma empresa qualquer, logo que saiu da Carris, onde lidava com o pessoal, nos anos oitenta.
O valor de Jorge Coelho como licenciado em gestão, é inerente ao génio que o acompanha desde então. A passagem pelo governo, pelo ministério das obras públicas e o seu papel de negociador de orçamentos, foi apenas o destino natural do génio à altura.
Quem duvida, um segundo que seja, deste destino fatal para um tal portento executivo?

Em segundo lugar, Jorge Coelho, como ceo, escolhido entre o escol, sabe agora que " Presidência da República, Governo, instituições judiciais, os partidos, não há ninguém que tenha hoje peso para pôr em ordem as coisas".

Ordem? Coisas? Que ordem e que coisas? As que lidam com a "estabilidade", o "ambiente político" que permitem o aparecimento de génios assim, na política. Raros e estrelas cadentes que fazem muita falta ao país. Tanta falta que as empresas que não dependem do Estado a não ser para obras públicas, estradas, hospitais, etc, não prescindem deste tipo especial e raro de ceo.

Por último, o que acha Jorge Coelho destas "coisas" que afligem Portugal? Isto:

"Eu acho que houve um erro estratégico em Portugal desde o 25 de Abril. Houve uma aposta forte na modernização das infra-estruturas e houve um erro estratégico absoluto. Foi esquecer um pilar central no funcionamento de um País, que é tudo o que tem a ver com o Estado de Direito. Tudo o que tem a ver com a Justiça."

Ora aí está! A Justiça sempre lhe escapou como problema a resolver e Jorge Coelho sempre escapou à Justiça, com o problema resolvido.

Essa é que é uma grande verdade.

O Expresso de hoje cita um estudo da Economist em que se afirma que " as pessoas detentoras de um poder que consideram justificado violam as regras , não apenas porque podem ficar impunes mas também porque, ao nível intuitivo, sentem que têm o direito de fazer o que querem."

4 comentários:

zazie disse...

ahahahahha

É preciso ter lata.

Diogo disse...

Bom post! Este Coelho é um bom representante da pior escumalha que circula pela política e pelas empresas que sugam o Estado.

Karocha disse...

LOOOOLLLLL zazie

Disse o mesmo no post do JG.

O homem é impagável, mais o ha-dem ehehehehe...

Ljubljana disse...

Eu acredito que, pelo menos alguns deles "ha-dem" pagar por todas estas que nos andam a fazer. Acredito mais, esta situação irá chegar ao ponto em que a populaça irá "atirar alguns pela varanda".