domingo, 31 de janeiro de 2010

Um artista nacional

Artur Santos Silva deu entrevista à Única do Expresso. Extensa e a propósito da efeméride do centenário da implantação da República, a cuja comissão preside.

A revista começa logo por dizer que é "bisneto, neto e filho de republicanos". Os dois últimos foram da Maçonaria, mas Artur não. Porquê?

Artur Santos Silva explica: "Não há nada que me estimule a ser. Gosto das coisas bastantes mais claras. Tenho respeito, o meu pai e o meu avô foram, mas não vejo justificação para estes interesses."
À pergunta sobre se " estes interesses determinam ainda o sucesso da vidas das pessoas em Portugal", responde: "não sei como funciona. Dizem que sim. Mas penso que as máquinas partidárias têm hoje mais peso. Talvez seja inocência da minha parte."

Pois deve ser. No governo actual, uma percentagem elevada pertence à Maçonaria. As máquinas partidárias tiveram pouca influência, pelos vistos.
Segundo um acórdão recente do STA, um recorrente, José da Costa Pimenta, antigo juiz de direito, escreveu preto no branco que o STA e o STJ eram lojas maçónicas e os conselheiros nem tugiram muito, porque apenas mugiram o facto de concomitantemente, o mesmo ter dito que nos tribunais havia uma "máfia".

Seja como for, Artur Santos Silva reconhece que as coisas com a Maçonaria não são claras e os interesses, para alguns, justificam a pertença.

Santos Silva foi fundador do PSD, com Mota Pinto, Sá Carneiro, Barbosa de Melo e...Figueiredo Dias. Portanto, um grupo do Norte, com destaque para Coimbra . E porque não foi juntar-se ao PS jacobino e mação a que o pai pertenceu ( e saiu logo em Abril de 74)?
Porque..."o programa era muito radical" o incomodava-o o "tom radical do programa e as bases ideológicas."
Ainda assim, reconhece ter votado por duas vezes em Mário S. depois de ter votado em Eanes e por duas vezes em Sampaio, para presidentes da República.
Quanto a Manuel Alegre...ah, sim, coisa e tal, é amigo dele e pois tem admiração por ele e até como poeta e assim. "É um bom candidato?", pergunta-lhe a revista. "Não respondo", diz Santos Silva.
E perante a insistência da revista, sobre " dos quatro PR eleitos, qual o mais fiel às tradições e cultura republicanas"?, responde muito simplesmente: " Não tenho legitimidade para fazer juizos comparativos."

Sobre a sua experiência de executivo público, pergunta-lhe a revista se depois de ter sido secretário de Estado em 1976 ( VI governo provisório), alguém mais o convidou:
"Várias vezes. Mário Soares, antes do bloco central. Também Mota Pinto e Pinto Balsemao, e desafiado por António Guterres."
"Cavaco Silva é que não o convidou"...acrescenta a revista. "Não", responde Santos Silva.

Portanto, "falta de legitimidade". Tal e qual.

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