Em 1975 Portugal caminhava para o socialismo comunista a passos largos. Isso era entendido lá fora, claramente. Lá fora quer dizer na Europa e EUA. Em artigos de revista que apareciam por cá, o panorama que nos relatavam contrastava nitidamente com o que era publicado aqui, pela imprensa da época.
O que lá fora, na Europa democrática e EUA era entendido como uma viragem política para o socialismo comunista, cá não passava da luta política de sempre e com os partidos da Esquerda e Extrema-esquerda integrados no "processo democrático". Essa ilusão era perfeita para a generalidade das pessoas que não se apercebiam com nitidez do que estava para a acontecer e cujo processo só terminou claramente em 25 de Novembro de 1975.
A revista Time, num número de Agosto de 1975 não tinha dúvida sobre a natureza da "troika" que se preparava para entregar o país ao Bloco de Leste e à órbita de Moscovo.
Em França, a revista Le Nouvel Observateur, das bandas do socialismo democrático, ou seja da social-democracia, também não tinha grandes dúvidas, com mostra este artigo de 20 de Janeiro de 1975 e outro de 10 de Fevereiro desse ano.
O L´Express também dedicou um número especial, em Janeiro de 1976, sobre a "tentação totalitária", a propósito da publicação de um livro de Jean-François Revel. Fica para amanhã porque são várias páginas claras e inequívocas sobre o que o PCP queria por cá.
Nessa altura, apareceram também por cá alguns "intelectuais" como Jean-Paul Sartre, acompanhado por Simone de Beauvoir e Pierre Victor, então já ex-director do Libération. Ao lado do filósofo do existencialismo esquerdista, pousavam alguns intelectuais portugueses que não consigo identificar.
Alguém saberá identificar os indígenas que em Abril de 1975 foram à conferência na Casa de Imprensa ( particularmente a senhora de óculos) , tal como publicado na Flama de 18 de Abril de 1975?
Em 1974 já cá tinha estado um cantor, Georges Moustaki, uma espécie de vagabundo anarca que falava assim, como mostra a imagem do Século Ilustrado de 3 de Agosto de 1974.