sábado, abril 09, 2011

O discurso de esquerda, "é porreiro, pá!"

Neste congresso do PS, a tónica é malhar na "direita". E o PS é de "esquerda". E "não há soluções de esquerda sem o PS ou contra o PS", disse mesmo Manuel Alegre. Uma direita imaginária, um moinho de vento inventado em Matosinhos para convencer tolos. Que são muitos e se deixam convencer.

Por isso mesmo, repare-se nestes esquerdistas notórios, democráticos porque o PS é sempre da "esquerda democrática", amigos dos pobres e desvalidos:

O primeiro de todos é o Inenarrável "prime minister of Portugal". Este sinal de presença no rodeo-drive de L.A. ao lado de Putin e outros esquerdistas notórios devia ser apresentado no Congresso que decorre como prova de pertença legitima à "esquerda democrática" que temos. Para se ver em congresso como é que um "esquerdista democrático" se comporta no estrangeiro enquanto primeiro-ministro de Portugal.



O segundo é um pouco mais patusco, mas ainda assim inequívoco sinal de pertença à "esquerda democrática" que temos com o PS.

É uma imagem de Rui.Pedro.Soares, no tempo em que distribuía t-shirts de Che Guevara, com as suas colegas inequivocamente de "esquerda democrática". Rui.Pedro.Soares entretanto evoluiu na escalada de "esquerda democrática" e surgiu como administrador da PT, um sinal inequívoco dessa esquerda e que por isso mesmo lhe deu oportunidade de ganhar em poucos meses, mais de um milhão de euros.
Patacos, para estes príncipes da "esquerda democrática".

A direita ultra-liberal é que não sabe fazer disto...e por isso vai acabar com o "Estado social, a escola pública e o SNS". Estes, da "esquerda democrática", querem que seja tudo como a PT... e as visitas ao rodeo-drive se estendam a todos, em solidariedade e igualdade democráticas. Por isso, nada de liberalismos.


Os comprometidos com o sistema

O Expresso, dirigido agora por um cretino do jornalismo nacional, publica hoje um texto subscrito por 47 personalidades nacionais, onde se apela a um "compromisso nacional".

São estes, os comprometidos:

Adriano Moreira
Alexandre Soares dos Santos
Álvaro Siza Vieira
António Barreto
António Gomes de Pinho
António Lobo Antunes
António Lobo Xavier
António Nóvoa
António Ramalho Eanes
António Rendas
António Vitorino
Artur Santos Silva
Belmiro de Azevedo
Boaventura Sousa Santos
Daniel Proença de Carvalho
Diogo Freitas do Amaral
Eduardo Lourenço
Eduardo Souto Moura
Emílio Rui Vilar
Fernando Seabra Santos
Francisco Pinto Balsemão
Isabel Rodrigues Lopes
João Gabriel Silva
João Lobo Antunes
Joaquim Gomes Canotilho
Jorge Sampaio
José Carlos Marques dos Santos
José Carlos Vasconcelos
José Pacheco Pereira
José Pena do Amaral
José Silva Lopes
Júlio Pomar
Júlio Resende
Leonor Beleza
Luís Portel
Manoel de Oliveira
Manuel Braga da Cruz
D. Manuel Clemente
Manuel Sobrinho Simões
Maria de Sousa
Maria Fernanda Mota Pinto
Maria João Rodrigues
Mário Soares
Miguel Veiga
Rui Alarcão
Teresa de Sousa


Entendem os comprometidos que um dos compromissos é o que deverá existir "entre o presidente da República, o Governo e os principais partidos, para garantir a capacidade de execução de um plano de acção imediato".

Está-se mesmo a ver esse compromisso com o discurso beligerante e eleiçoeiro do PS em congresso, a "malhar na direita" que vai "acabar com o Estado social". E com o PSD como alvo e porta-bandeira dessa terrível direita que surge sempre em épocas pré-eleitorais para que o PS ganhe.

Andamos nisto há décadas. Nestas palhaçadas que não passam disso porque é notoriamente impossível um entendimento entre um professor Boaventura e um Marques dos Santos, da Jerónimo Martins, por exemplo. Mesmo que este tenha dito no outro dia na tv que um bom primeiro-ministro poderia ser o Vitorininho do PS. É que disse mesmo.
E uma palhaçada ainda porque a "terrível direita" não existe a não ser na retórica eleiçoeira deste PS que sabe usar essa arma, eficaz desde sempre porque somos um país pobre e com muitos pobres de espírito. O PSD é um partido social-democrata em muitas áreas à esquerda do próprio PS. Mas isso não conta nada porque o importante é passar o discurso dominante. E quem domina o discurso é o PS, neste momento. O PSD não tem ninguém que rebata estas aldrabices eleiçoeiras e desfaça a farsa que se prepara mais uma vez.

Ainda pode ser palhaçada porque o presidente da República já disse que não se mete " na negociação com a oposição do pacote de ajuda financeira a Portugal". Portanto, para compromisso não está nada mal. Aliás, o presidente parece que não se mete em nada. Ouve mentir e cala-se. Contemporiza com desmandos orçamentais e faz uns avisos esfíngicos à espera que o tempo lhe dê razão para depois vir dizer que a teve. Enfim.

Depois, o que isto significa é apenas uma coisa: estas pessoas têm interesses diversos na política e sociedade portuguesas. Vivem ligados ao Estado, quase todos, directa ou indirectamente. Mesmo, lamentavelmente, os artistas. Precisam de compromissos de Estado.
Alguns dos comprometidos são fautores directos e imediatos desta tragédia que nos atinge. Nenhum deles foi capaz de travar o percurso descendente para o abismo económico em que nos meteram estes inenarráveis que nos governam há meia dúzia de anos. Nenhum deles se incomodou minimamente com os episódios indignos que atingiram o primeiro-ministro Inenarrável que ainda temos. Nenhum deles se afirmou como voz activa de indignação nessas alturas. Alguns parece terem sido juntos à pressa para compor o ramalhete. Resta uma pergunta: quem terá sido o "agregador"? O jornal, naturalmente não diz. Deve ter sido obra o acaso. É um documento que surge do nada e para o nada se destina.

Mas querem compromissos. Compromissos!

Nós não precisamos de compromissos, mas de rupturas com esta merda em estado comatoso que nos tem governado.

A Esquerda farsante

Já estão a girar as ideias mágicas para ganhar as eleições: o PSD quer acabar com "os direitos sociais", acabar com a "escola pública" e o "serviço nacional de saúde". O PSD tem uma agenda ultra-liberal e o seu programa é o do FMI.

E há uma grande diferença entre o PSD e o PS: este partido não quer acabar com aquelas conquistas da democracia. O PSD quer. O PS se tiver que governar com o FMI, fá-lo-á a contra-gosto. O PSD não porque é esse o seu programa.

Foi isto que António Costa acabou de dizer numa entrevista de Judite de Sousa ( que deixou agora mesmo de ser funcionária pública) durante o congresso do PS.

Entretanto, José S. apareceu várias vezes com aspecto compungido e "emocionado". Provavelmente é mais uma facécia deste Inenarrável da política portuguesa.

Os seus correlegionários estão todos unidos à volta desde Inenarrável porque é da vidinha deles que se trata. O país, esse, bem pode lixar-se. E lixar-se-á, sem apelo nem agravo.

Até convidaram Ferro Rodrigues, o emigrado na OCDE onde se encontrava em retiro sabático por causa do Casa Pia.
Veremos o que o futuro nos reseva. A bancarrota espreita e o PS já comemora em happening. O Sombra também lá está, com o mesmo discurso de sempre, o da Esquerda farsante.

Tomem nota...

Na revista Única do Expresso de hoje, dois jornalistas andaram "por Lisboa com dois cartazes dos rostos agigantados de José S. E Pedro Passos Coelho. A quem por nós passou perguntamos o que diriam a estes políticos se com eles se cruzassem na rua."

A conclusão é simples: " Quase metade dos comentários não é reproduzível, por ultrapassar os níveis de decência. As restantes tiradas, se contassem para sondagem, atestariam que os portugueses não querem nem Sócrates nem Passos à frente do Governo: o primeiro é criticado, o segundo só recolhe indiferença."

Um interveniente, com 23 anos e desempregado ( tem uma especialização em energias renováveis mas nunca passou de empregado de mesa) , diz assim:

"O país não está nada bem, é verdade, mas há alternativa? Não."

É isto que se vende nas tv´s à hora do jantar, nos telejornais e em prós e contras avulsos. A ideia básica, chave, é a de que este governo fez o que pode e o que vem a seguir, mesmo de outro partido, não é alternativa e seria a mesma coisa ou parecido. E portanto, para melhor está bem, está bem. Para pior já basta assim.

Este discurso tem décadas. Repete-se sempre, como se demonstra pelos jornais de época. Foi este o discurso de 1976, de 85, de 95, de 2005 e agora.

É esta ideia básica que o PS está a transmitir no seu congresso que decorre: aviltar o partido da oposição, com ideias e propósitos turvos que deram sempre votos a render: "nós somos de esquerda" e o PSD se vier a governar, será a direita. Entre direita e esquerda, nós somos os mais amigos dos pobres e dos trabalhadores e por isso votem em nós que seremos mais solidários, mais democratas e mais tolerantes.

Este discurso, aliado ao jornalismo que temos ( a incrível jornalista Judite de Sousa dizia ontem numa entrevista ao SOl que já não se sentia funcionária pública...) é a razão principal para que um partido e um governo que nos atirou para a bancarrota e obrigou a chamar o FMI, tenha a esperança bem firme de vir a ganhar as eleições.

E tal é uma incógnita porque em 2009, os mesmos fizeram tudo por tudo para ganhar. E ganharam, naquilo que o Inenarrável considerou - e bem- uma "vitória extraordinária".

Durante o Verão, teve as instituições judiciárias mais subidas do país a salvar-lhe o coiro político. E salvaram.

sexta-feira, abril 08, 2011

Confiança cega


Se a notícia desta capa for verdadeira, deveria ser suficiente para o PS afastar este bandoleiro Inenarrável da governação e do partido.

Mas ainda que seja verdadeira, não o vai fazer porque isso implica deixar vagos lugares tão apetecidos. Motoristas, benesses, convites, tachos para nipotes e amigalhaços e tutti quanti. Preferirão por isso nem indagar sequer a veracidade porque acreditam desde já na falsidade. E portanto, basta-lhes a negação do visado que tem crédito do tamanho do mundo entre esse pequeno universo de apaniguados.

Tal como Vale e Azevedo tinha na altura em que lhe apareceram os problemas no clube.


Como diz a sabedoria popular, "não há pior cego do que aquele que não quer ver".


E cegos deste calibre há por aí aos montes e vales da vida corrente que se esvai em expectativas.


Com os burros na água

"Metade da ajuda externa será para pagar dívida que se vence entre 2011 e 2013.

"Estado deve aos bancos nacionais tanto quanto estes vão buscar ao BCE."

"Pedido à UE não trava subida de juros da dívida pública portuguesa."

"Os exemplos da Grécia e da Irlanda mostram que, para os portugueses, está reservada ainda mais austeridade."


Estes são títulos do jornal Público de hoje. Na última página, Vasco Pulido Valente pergunta aos passa-culpas do costume : "A ortodoxia em moda apela a que não se procurem "culpados". Mas, se ñão se procurarem culpados, para quem fica a culpa do tristíssimo falhanço do Portugal democrático?"


O professor Boaventura, um ilustrérrimo intelectual do mundialismo terceiro-mundista, já palpita soluções no mesmo jornal. Uma delas é deveras ilustrativa do pensamento fulgurante deste intelectual mundialista do terceiro-mundo, em catarse: pedir empréstimos à China, Brasil e Angola.

Os novos ricos do mundialismo terceiro-mundista com capitalismo selvagem a medrar à sombra de salários baixos e condições de trabalho menos que dignas, serve agora de tábua de esmeralda ao salvador do terceiro-mundismo.


Esquece este mago da intelectualidade lusa que a líder brasileira, Dilma, já disse perante a torre da cabra, em Coimbra, mesmo à sombra do laboratório de ideias fantásticas ( o CES) do nosso professore tournesol, que comprar dívida sim, mas apenas a países com classificação "triple A". E até pronunciou em português americanizado, como só os brasileiros sabem fazer.


Outra ideia fantástica produzida naquele mesmo alfobre, é esta: Um grupo de economistas quer a abertura de um inquérito contra as agências de rating pelo "crime de manipulação do mercado", disse à agência 'Lusa' um dos subscritores, José Reis.O documento é subscrito por quatro economistas: José Reis e José Manuel Pureza, da universidade de Coimbra, e Manuel Brandão e Maria Manuela Silva, do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).

Os ditos economistas são os mesmos que incentivavam o investimento público a fartar e vilanizar o erário das finanças públicas, como meio de "estimular" a economia: TGV, aeroportos, estradas e mais sangrias na dívida pública. O Estado a gastar para o povo medrar, era o mote destes génios, agora também à rasca.


Como deram com os burros na água, uma vez que os carregavam às costas, pretendem vilanizar o "capitalismo especulativo e de casino" e por isso encontraram o meio: participar ao nosso PGR Pinto Monteiro, ínclito procurador que execra processos de ilícitos políticos abafados em inquéritos criminais, factos de índole criminal que toparam na vileza dos americanos das agências de rating.

É o dois em um, com dois coelhos alçados em vez dos burros que se afogam: o capitalismo bolsista e especulativo e os americanos que escolhem republicano e neo-liberal. E vai ser o nosso mºpº, feito don quijote alçado naquela genialidade inventiva que irá pôr cobro ao desaforo.

Seria apenas ridículo se não revelasse estultícia: não cuidam em saber, cá dentro, quem foi o responsável pelos factos que levaram àqueles títulos de hoje. Não lhes interessa. Et pour cause.

Não querem saber se as suas opções catastróficas para a economia não precisam também de um inquérito criminal. Neste caso por negligência grave, porque de economistas se trata e que têm o dever de saber como funciona o capitalismo em que estamos imersos.

Na Islândia, o povo pretende criminalizar o chefe do governo por opções políticas e económicas erradas e com negligência grave.

Por cá, esses preclaros economistas da esquerda rompante deviam fazer o mesmo: mea culpa em primeiro lugar e depois topar os aldrabões de feira que nos governaram durante uma dúzia de anos.

São esses os culpados. E o povo que vota, naturalmente. Mas este não tem emenda e o castigo é o que já sofre, masoquisticamente.

quarta-feira, abril 06, 2011

E o primeiro-ministro deixa?!

Económico:
O Governo vai pedir ajuda externa. "Perante esta difícil situação entendo que é necessário recorrer aos mecanismos de financiamento disponíveis no quadro europeu em termos adequados à actual situação política", disse o ministro das Finanças, citado pelo Jornal de Negócios, acrescentando que tal exigirá "o envolvimento e o comprometimento das principais forças e instituições políticas nacionais.


Epá! Ainda ontem não precisavam disto e agora é o que se lê...


Inenarráveis- é o que são.

Jaime Gama sai de cena

SIC
O presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, despediu-se hoje do Parlamento, anunciando que não regressará na próxima legislatura, deixando de figurar nas listas de candidatos a deputados do PS.

Este indivíduo, Jaime Gama é do mesmo tempo que o Sombra, no PS. É um histórico do partido e podemos vê-lo nas lides partidárias logo, logo a seguir ao 25 de Abril.


No caso Ançã Regala, um comunista da extrema-esquerda, eventualmente do MRPP, então empedernido e que queria fazer da então Emissora Nacional o que Durão Barroso fazia na Faculdade de Direito, ou seja, uma coutada do partido, Jaime Gama mostrou logo então que era um democrata, conforme se pode ler.

Jaime Gama, então militar, miliciano, já era director dos serviços de noticiários da E.N. Já seria iniciado nas seitas? Não interessa muito.


O que interessa nesta altura em que sai da ribalta é o seguinte: Jaime Gama foi acusado há uns anos por alguns rapazes, de comportamentos pouco abonatórios para a decência sexual vigente, no âmbito do Casa Pia. Uma acusação grave, no mínimo. Jaime Gama queixou-se por difamação e perdeu a acção penal. Ponto.


Não é suspeito nem deixa de ser, nesse caso. Mas deve dizer-se que Jaime Gama, ao contrário de outros, não rasgou as vestes de inocência, não vociferou intempestivamente, nem procurou a vingança legislativa, que se saiba e que efectivamente aconteceu. Sofreu provavelmente o opróbrio da acusação mas ainda assim, candidatou-se e ganhou ( com o apoio do PSD de Ferreira Leite) o lugar de segunda figura do Estado. Não devia lá estar, mas esteve. E publicamente comportou-se como outros não se comportaram. Com um mínimo de dignidade.


Fica o registo.

A democracia que temos é uma farsa?

Sapo: Dívida: Governo diz que juros subiram porque oposição chumbou o PEC.

É o nosso brilhante ministro das Finanças ( o pior da Europa, sem dúvida e quem o disse foram estrangeiros há uns tempos) quem o diz.

Este professor Teixeira dos Santos anda a aprender rudimenos de política. Então apanhe lá esta, a ver se embatuca:

“A comunicação do ministro das Finanças da passada sexta-feira ficará certamente para a história como a mais desastrada e desastrosa que alguma vez foi feita em Portugal, se não mesmo no hemisfério Norte, de todos os pontos de vistas”, afirmou o socialista. O socialista justificou “que é uma declaração que criou a ideia generalizada de um conjunto de facto que temos vindo a perceber que não são reais”. “Por exemplo, só domingo à noite, é que percebi que o famoso congelamento das pensões sociais não constava do conjunto das medidas anunciadas”, disse António Costa.


Outra coisa: os banqueiros mandam no país. Tal parece ser uma verdade incontornável citada nos jornais de hoje e não apenas pelos comunistas que fundamentalmente isso defendem em modo estatutário.


Para se apreciar a democracia que temos em contraponto à ditadura que tivemos talvez não seja preciso ir muito mais longe, tirando a questão da repressão política e das prisões políticas.


Portanto, no regime de Marcelo Caetano, estes Salgados, Ulrichs e Ferreiras tinham mais pudor e não se atreviam a mandar recados de patrões.

Há quem diga ( os comunistas e socialistas) que os banqueiros de então não precisavam disto porque estavam lá, no poder. Mas pura e simplesmente não é verdade, como sabe qualquer pessoa que leia o livrito "Salazar e os milionários."


E nem é preciso ler tal livro: basta atentar que na ditadura, o poder político mandava efectivamente. E agora, em democracia, quem manda?


O poder financeiro e bancário. Voilà! Sem serem eleitos, fazem-se respeitar e mandam como carreteiros.

O Sombra


Ontem, na tv, Bagão Félix, novel conselheiro de Estado, disse de caras, porque em grande plano que José S. é Mentiroso. O primeiro-ministro, perguntado na tv se a reunião do Conselho de Estado abordou o assunto concreto do pedido de ajuda externa, através de um empréstimo intercalar, disse que não. "Não foi discutido". E mais e ainda mais relevante: "Não conheço isso". Segundo Bagão Félix, isto é uma rematada mentira e portanto o seu autor um Mentiroso.
Nada que outros não dissessem antes, com igual poder de argumentação: factos que não se desmentem. Pois, apesar disso, logo apareceu outro conselheiro, Carlos César a secundar a mentirola com argumentos do costume: fumaram mas não inalaram. Falaram mas não discutiram. Não se falou no empréstimo mas falou-se na ajuda externa.

O problema ficaria por aqui, pelo inédito facto de um conselheiro de Estado apodar outro de Mentiroso, não se dera o facto de aparecer na liça, o Sombra.

Explico: Almeida Santos, presidente do PS saiu mais uma vez da penumbra em que se acrisola há décadas, para vituperar o novel conselheiro de Estado. Que "não há memória de um conselheiro de Estado dizer isto de outro" e que o Mentiroso falou verdade.

Este Sombra da política portuguesa, desde que foi rotundamente derrotado nas eleições legislativas de 1984 em que pedia maioria absoluta para o seu partido, cujo governo em tandem, estava a braços com o FMI, reduziu-se à condição de preceptor ( tinha escrito perceptor, por mor da consonância semiótica entre quem percebe e precede).

Neste momento precepta o Mentiroso que para ele fala sempre a Verdade. E por isso foi por ele brindado com o equívoco epíteto de "príncipe da Democracia". Talvez seja mesmo O Príncipe, tornado Sombra.


Esta personagem dos comics nacionais, primeiro surgiu como autor de malfeitorias legislativas e jacobinas. Depos foi educada no Oriente e com os orientais aprendeu a usar o intelecto para confundir adversários. E tem sido proficiente nessa tarefa de sempre. Quando a democracia sui generis e os seus acólitos oficiosos estão em risco, porque os maus se aprestam a tomá-la, salta o Sombra.


Foi assim em diversas ocasiões e em episódios marcantes: quando se descobriu a marosca das viagens-fantasma dos deputados, o Sombra lá estava a pedir contenção e razão, convencendo meio mundo que aquilo era nada e apenas uma leviandade. Quando surgiu o Casa Pia, o Sombra lá apareceu a dizer à turba-multa dos media que "as testemunhas podem mentir". Quando o TGV se aprestava a mudar de poiso, lá surgiu o Sombra das trevas da Ota a garantir que era um perigo porque com o terrorismo " as pontes podem cair". E assim continuadamente.


Agora que a democracia sui generis que o Sombra protege está de novo em risco por causa dos seus protegidos, lá aparece a capa escura da fantasia para ludibriar mais uma vez os votantes. O Sombra vive da luz oculta, como é natural. É apenas uma projecção da sua própria emanação, mas prepara-se mais uma vez para estender o manto. Tomem cuidado.

terça-feira, abril 05, 2011

Um mundo pequeno e singelo

SIC:
O líder do CDS-PP, Paulo Portas, considerou hoje que o primeiro-ministro demissionário "está na estratosfera" e não compreende a situação do país, e responsabilizou José Sócrates pela "discussão vexatória" sobre o FMI.

Não é na estratosfera: é no seu pequeno mundo... Alguém se lembra de Vale e Azevedo?

Alberto Martins, o opróbrio

João Correia, advogado e ex-secretário de Estado da Justiça com este ministro que ainda está, explica hoje no i o que realmente se passou no caso da mulher do dito:

- Então como é que tudo se passou?

- No governo anterior, Conde Rodrigues (antigo secretário de Estado da Justiça), com base num parecer da Procuradoria Geral, indefere o pedido. Ela recorre e está no seu direito. O recurso tramita na secretaria-geral, vai para o gabinete do ministro e depois para o meu gabinete. O meu gabinete manda novamente para a secretaria-geral para informar.

A secretaria-geral, por sua vez, emite um longo parecer, que diz que a senhora tem direito e que o parecer da procuradoria não deve ser seguido, porque os tribunais não lhe dão relevância, o que é verdade. Eu sei bem disso...


E não se fica por aqui. Em relação aos factos controversos, desmentidos pelo ministro e afirmados pela realidade dos carimbos do seu gabinete, João Correia não fica nas meias medidas:


-O que o fez sair do governo?

- Os episódios concretos são indescritíveis e por isso não os descrevo. Em tese, terminou o meu ciclo de trabalho, confiança e relações. Entrei no governo para cumprir uma missão. Entendi que já estava cumprida e tudo o que estivesse a mais era só para estragar. Estragava-me e estragava mais coisas.


- Mesmo assim não escapou aos danos, pós-saída?

- É verdade. E ainda não percebo o que eles fizeram. Ainda ontem vi no "Diário de Notícias" um despacho que eu nem conhecia..


- A revelar que o caso sobre a mulher de Alberto Martins já tinha estado no gabinete do ministro...

- E esteve, esteve lá duas vezes. Foi de lá que migrou para o meu gabinete. E as fundamentações do ministro, no despacho que revoga a minha decisão, são fantásticas e absolutamente ilegais. O ministro não pode despachar sobre o despacho que envolve a mulher, nem a favor nem contra. Não pode revogar o meu despacho, nem podia, porque este tinhase consolidado na ordem jurídica. O ministro fez um despacho a dois tempos ilegal. Primeiro despacha no processo da mulher, que não pode, depois revoga um acto que está consolidado na ordem jurídica e já não podia ser revogado.

Por outro lado, o despacho está fundamentado pelos serviços dele e ele não tem coragem para o dizer.


- E a procuradora, devia receber mesmo o dinheiro?

- A senhora foi maltratada, não merece isto e não tem culpa nenhuma disto. A outra procuradora, que é metida ao barulho, também não tem culpa nenhuma. Eu não sei como é que isto aparece. A senhora diz que está a acumular e não lhe pagam.

É evidente que a imagem de Alberto Martins, resistente anti-fascista, interpelador de Américo Tomás num teatro de Coimbra, numa rábula que ainda rende dividendos políticos, sai chamuscada e com capa de crápula. Mentiroso e mais que isso: indigno do lugar que ocupa.

O que João Correia diz é demasiado grave para ficar em águas de bacalhau, mas provavelmente vai ficar porque a ética republicana, neste caso já nem é a lei que o ministro diz seguir e que segundo João Correia, terá violado por diversas vezes. É outra coisa. Daí que não adiante já apelar à lei, à ética ou até à vergonha. Não se vislumbra nada que possa valer.

Uma coisa é certa e incontornável: se a revogação do despacho do Secretário de Estado se verificou por o mesmo ser ilegal, vai ser preciso mostrar essa ilegalidade e a validade da revogação, com apoio legal. E se a inspecção do ministério entendeu que o ministro não poderia despachar expediente que dissesse respeito à mulher isso vale para o início e para o fim do processo.

segunda-feira, abril 04, 2011

A deseducação da Esquerda utópica

Ana Benavente, socialista responsável por mudanças no sistema de ensino que temos, assinou há dias um artigo no Público, para dizer mal da geração à rasca que cantou o desencanto com o ensino. Benavente acha que o ensino é a chave para "compreender o mundo em que vivemos e para reconhecer o valor da acção individual e colectiva para mudar e melhorar esse mundo, começando pela nossa realidade mais próxima".
E cita uma autora que lhe diz muito porque "a conforta na certeza de não estar só": Cynthia Fleury. Uma espécie de professor Boaventura no feminino.

"(...) é forçoso constatar que a escola se esforça sobretudo em formar não-perturbadores, pensando que tanto melhor preservará a saúde da democracia quanto mais produzir conformistas. Nada disso. Ensinando unicamente a norma e não o seu questionamento, instalamos a inevitável entropia: orquestramos o declínio da democracia. ( ...) é esta a razão pela qual o facto de reflectir sobre as novas práticas inovadoras da pedagogia é trabalhar directamente sobre a saúde democrática, no sentido em que isso significa pensar os fundamentos do projecto democrático."

Chega esta pequena passagem para dizer o seguinte: afastem esta senhora de qualquer programa ou projecto educativo de relevo! Afastem-na porque é um perigo. Foi dela a brilhante ideia das "áreas de projecto" e de "estudo acompanhado". Se não foi podia ser, porque no fim do artigo lamenta a sua extinção... e diz que isso reflecte uma ideologia de direita ( exactamente, esta senhora ainda pensa assim). Portanto temos uma senhora de Esquerda. Das tais que por aqui temos falado. A Esquerda das utopias e das ideias erradas que com boas intenções prejudicam gerações e inquinam o tecido social, como sabem dizer.

Na revista da CGD, deste trimestre, o sociólogo António Barreto, sobre este mesmo assunto diz assim:

"Nos últimos 20-30 anos os princípios pedagógicos que orientam os sistemas educativos portugueses e europeus tem vindo a privilegia a indisciplina, a espontaneidade, a criação pessoal. Eu acho que esses princípios deram mau resultado. A meu ver, os pontos de partida estão errados, como considerar que as crianças têm uma curiosidade natural por aprender, para saber mais, estudar, esforçar-se, para se organizarem. Nada disto é verdade. Essas são coisas que se aprendem e se treinam. Não se pode esperar que as pessoas tenham esse equilíbrio entre disciplina e rebeldia- não se ensina a rebeldia, porque isso não se ensina a ninguém, e ainda bem, mas é preciso ensinar a disciplina, e tem de se treinar o método de trabalho."

Entre estas duas concepções divergentes da Educação qual a que prevaleceu em Portugal? A da senhora Ana Benavente, está bom de ver. E com os resultados que temos.

Porque é que a senhora Benavente conseguiu meter esses conceitos errados nos programas e sistema de ensino? Porque admira todas as Fleurys deste mundo em que vivemos. Pensadoras da utopia e do erro. Porque a esquerda, dantes, combatia o capitalismo e a burguesia, em nome da sociedade socialista. Actualmente, com a falência do comunismo, resta combater o capitalismo e a burguesia, porque são " a direita", o demónio que os persegue nos sonhos utópicos.

E porque é que a senhora Ana Benavente teve o sucesso que teve? Porque é de Esquerda e assim se reivindica.

E António Barreto é de quê? Do Centro?!

A senhora Benavente começa por escrever que nos anos sessenta o analfabetismo era uma pesada herança. A partir dos anos setenta, np entanto " e sobretudo depois de Abril " é que foi a mudança- para melhor, está bom de ler. Os portugueses, com esta senhora Benavente e outros como ela que detestam acima de tudo " a direita" progrediram na alfabetização. As estatísticas da senhora dona Lurdes comprovam-no.
Mas há um pequeno pormenor que tal vez a senhora dona Lurdes entenda melhor que a senhora Benavente: no campo, os camponeses analfabetos sabiam mais, muito mais das tais competências com que aquelas agora enchem a boca, do que hoje em dia. Não sabiam ler nem escrever, talvez. Mas ensinavam os filhos coisas que a senhora Benavente nem sonha e a senhora dona Lurdes já esqueceu porque no Alto-Minho não se fazia só contrabando.
O analfabetismo hoje em dia, nos meios sociais da senhora Benavente, talvez seja bem maior do que nos anos sessenta nos meios rurais. Mas isso, a senhora Benavente e a senhora Fleury nunca entenderá.
E não precisa de entender. Basta que não chegue ao poder outra vez, porque o mal que nos fez é pior do que o de muitos criminosos. Matar a sociedade é um crime maior do que roubar carteiras.

Já começou o descalabro

SIC:

Estão em risco os ordenados deste mês na empresa Metro do Porto. A própria administração reconhece as dificuldades, já que a empresa tem uma dívida de 2450 milhões de euros. O ministro das Obras Públicas diz que está atento e garante que está à procura de soluções.

Gastaram à tripa-forra. Nomearam não sei quantos administradores. Tudo em grande e à francesa. Que o metro é bonito e moderno, lá isso é. Viena em Áustria ( que como todos sabem é um país pobre) não tem um assim, a circular no Ring. Mas nós temos, olarila.
Gastaram aos milhões como se o saco não tivesse fundo. Agora estão à rasca.
Alguém vai pedir contas? A quem? Quem foi o autor do descalabro? O Governo? Tem costas muito largas mas há outros a nível local que merecem o nome nos jornais como autores deste escândalo.

Mas...alguém acha que o vogal-administrador Marco António vai ficar sem a sua cadeira em pele macia?
E sua Excelência o antigo administrador da TDM em Macau? Também vai ficar sem o magro salário do fim do mês, perante a excelente obra de administração que conduziu a empresa a uma falência sem remédio que não seja o costume- sermos todos a pagar a conta?

A saga de Alberto Martins, ministro da Justiça

Leia-se este artigo do Diário de Notícias e particularmente esta passagem:

Um carimbo do “gabinete do ministro da Justiça”, colocado num documento do Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) do Porto, mostra que o processo da procuradora Maria da Conceição Fernandes, casada com Alberto Martins, esteve efectivamente no gabinete do ministro da Justiça. E durante dois dias, entre 1 e 3 de Março de 2010. Ou seja, apesar de, nos variados documentos a que o DN teve acesso, não constar nenhum despacho de membros do gabinete de Alberto Martins, este estava ao corrente do processo que a procuradora avançou no TAF do Porto, apesar de o ministro ter, recentemente, dito que o seu gabinete não teve intervenção no caso.

O documento revelado hoje pelo DN diz respeito à notificação do Ministério da Justiça como réu na acção administrativa da procuradora Maria da Conceição Fernandes. Depois de recebido pelo gabinete do ministro, o processo foi reencaminhado, através de um despacho da chefe de gabinete de João Correia (a 3 de Março de 2010) para a secretaria-geral do ministério. A dúvida que está instalada é: quem é que no gabinete de Alberto Martins passou – ao que tudo indica, informalmente – o processo da procuradora para o gabinete do secretário de Estado?

Confrontado com estes dados novos, o gabinete do ministro respondeu: “O facto de ter um carimbo nada significa. Todos os processos eram distribuídos e tramitados directamente para o gabinete do ex-secretário de Estado da Justiça e pelo seu gabinete despachados de acordo com os critérios por este adoptados.”

Deverá recordar-se que João Correia tinha dito ao jornal i que o procedimento para o seu despacho de autorização de pagamento à mulher do ministro, tinha estado previamente no gabinete deste. Portanto, o ministro não podia nem devia alegar desconhecimento do facto, porque se o fizesse o mínimo a dizer era que tinha sido negligente em modo grosseiro.

O ministro, através do seu gabinete, desmentiu tal facto. Vejamos então como o jornal apurou outro facto: o carimbo que prova que o procedimento esteve efectivamente no gabinete do ministro, dando por isso razão a João Correia e desmentindo o desmentido do ministro. E leia-se o que este ainda por cima diz, sobre isto.

E não se demite, este Alberto Martins. Tem uma concepção de democracia como se pode ver.

Flash-back


Esta imagem da Flash desta semana, retrata um evento- o lançamento da biografia de Passos Coelho, da autoria da jornalista do Sol, Felícia Cabrita.
No "evento" podem ver-se como presentes alguns jornalistas do Sol, incluindo o seu director. Mário Crespo, da Sic-Notícias e alguns políticos, como Miguel Relvas, Ângelo Correia e pessoas que escrevem no jornal, como Catalina Pestana.

Um evento demasiado político-partidário e que compromete a imagem de isenção de jornalistas que provavelmente nem precisam destas coisas para trabalhar bem.

Então porquê? Em primeiro lugar, porquê uma "biografia" que imita uma outra de há uns anos atrás e que se intitulava O Menino de Oiro, prefaciado por...Dias Loureiro? Estas biografias escritas à pressa para a ocasião, valem muito pouco. Provavelmente menos que um artigo de jornal bem feito e distanciado do biografado. Então, repito, porquê? Para imitar o pior que temos da política portuguesa e que estes combatem? Mas como aceitam assim uma imitação tão, tão parecida?

Em segundo lugar e mais grave ainda, que distância, objectividade, isenção, credibilidade numa palavra, passam a ter estes jornalistas depois destas e doutras coisas?

Preferem ser conotados com o PSD? Preferem ser ligados partidariamente a estas coisas?

Enfim, profundamente lamentável. Porque o PSD é o como os demais partidos. E é preciso que o "quarto poder", o mediático, seja o mais possível isso mesmo: separado do primeiro e que se assume sempre como o mais relevante. Daí o especial dever do jornalista em ser "watch-dog", como dizem os americanos. Deve ser um poder de vigilância desse poder e não de promiscuidades espúrias que retiram qualquer réstea de credibilidade nessa vigilância.

Portugal é um país pequeno, mas precisará disto? Acho que não.

A revista Flash é da Cofina que detém o Correio da Manhã. Obviamente , este jornal, há meses que anda a fazer a cama ao primeiro ministro e a este governo. Porém, fá-lo com alguma decência , relatando factos. Espero sinceramente que o continue a fazer se o próximo governo for do PSD. É assim que uma democracia deve funcionar, a meu ver.

A jornalista Manuela Moura Guedes, a páginas tantas desta revista, desanca de modo desassombrado neste Inenarrável que nos governa, com argumentos que se resumem a uma frase: "Sócrates é o problema". E é. Tenho fé, no entanto, que se Passos Coelho ou seja quem for que vier a seguir, for outro problema, haja jornalistas que o escrevam e digam. E que não sejam apenas os da barricada oposta.
Para isso temos já que cheguem e parece que se preparam ainda mais: o indescritível Rangel ainda não desistiu da parceria com o incrível Rui.Pedro.Soares...

domingo, abril 03, 2011

Assim assado no jornalismo

A banalização do recurso a fontes anónimas é inimiga da credibilidade. A queixa é repetida, a justificação é repetida e eu vou também repetir-me, esperando que a repetição possa contribuir para uma melhor reflexão, por parte de redactores e responsáveis editoriais do Público, sobre os prejuízos que a banalização do recurso a fontes anónimas pode causar à credibilidade do jornal.

Este naco de prosa, tirado daqui, é da autoria do Provedor do Leitor do Público e de um artigo que o mesmo hoje publica.
Chama-se José Queirós, o Provedor e não é a primeira vez que "se mete" com a jornalista do Público Mariana Oliveira, verdadeira visada do seu requisitório aparentemente profissionalizado.

Como não conheço os pergaminhos jornalísticos do Provedor fui ver à Rede. E vi isto:

Nascido no Porto em 1951, José Queirós trabalhava actualmente na livraria Figuerinhas, no Porto. Tendo dado os primeiros passos no jornalismo n'O Primeiro de Janeiro, passou pelo Expresso antes de fundar o Público, donde saiu em 2002, para o Jornal de Notícias, que abandonou em 2009.

Portanto, fico a saber que José Queirós foi jornalista em vários jornais. Aprendeu a tarimba nos jornais e agora dá lições de ética jornalística a jovens jornalistas que no seu entender dela carecem. É um mestre, pelos vistos.
Digo já que os seus artigos não me interessam muito. São cinzentos, desinteressantes e até mesmo anódinos e irrelevantes. O Público teve outros provedores e este parece-me o mais fraquinho deles todos. Adiante.

O caso concreto que o Provedor cita para se encanitar com a jornalista tem a ver com as fontes e o uso do anonimato para justificar notícias. Fazendo um "close up", o assunto é delicado e revela pelo menos uma coisa algo idiossincrática: José Queirós, Provedor do Público acha mal que o jornal publique uma notícia, deste modo que explica assim:

No passado dia 11 de Março, o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, foi chamado ao Parlamento para esclarecer declarações públicas que fizera sobre a existência de escutas telefónicas ilegais. Em notícia de antecipação a essa audição, publicada na mesma data, a jornalista Mariana Oliveira dava conta de que “vários elementos do Conselho Superior do Ministério Público” tinham uma opinião diferente a esse respeito e consideravam “anómalas” as declarações do procurador-geral, classificadas por um deles como uma “infantilidade”.

José Queirós, antigo jornalista do Expresso, do Público e do Primeiro de Janeiro acha que as notícias não se devem dar assim. Mas assado. E bem passado, de preferência.
A jornalista poderia ter escrito o que pensam alguns conselheiros do CSMP mas se lhes citasse o nome e a fronha. Assim, não. Assado, talvez. Deixemo-nos de ironias, então.

José Queirós encanita-se com a jornalista que não respeitou as regras jornalísticos que o mesmo certamente sempre praticou, ou com os elementos do CSMP que pensam de modo diferente do PGR?

Quanto a mim, é com estes últimos. Preferia que os nomes fossem expostos ou então não deveria ser dada a notícia. O PGR pensa a mesma coisa, certamente.

Então vejamos o argumento que usa para a crítica:

O que tornava esta notícia “anómala”, para usar o termo atribuído aos conselheiros, era o facto de uma das partes dizer o que pensava em declarações públicas, enquanto a outra comentava essas declarações, e o tema a que aludiam, sob a capa do anonimato. Não é uma forma responsável de fazer passar mensagens, e menos ainda apreciações desprimorosas, como foi o caso. Se o método não incomoda magistrados a desempenhar funções públicas relevantes, deveria incomodar os responsáveis editoriais do PÚBLICO.

Portanto, estamos aqui num processe de partes. De um lado, o PGR e quem o apoia. Viva! Do outro, os que o criticam, mesmo veladamente. Morra! Pim!

Ora então o que é criticável é o facto de haver conselheiros do CSMP que consideram as declarações do PGR " infantis". Porque tal é desprimoroso, segundo o Provedor e uma figura tão importante como um PGR não merece um tratamento tão rasteiro de conselheiros que com ele privam em reuniões.
Mas haverá outros que não pensam desse modo, certamente. Portanto, o que a jornalista deveria fazer, seguindo a lógica do Provedor era averiguar quem, dos conselheiros, achava as declarações infantis e quem achava que não. E publicar os nomes porque senão, nada feito.

Isto poderá reconduzir-nos a uma questão básica do jornalismo: o que é notícia? Os conselheiros que aplaudem o PGR ou aqueles que o contestam? Que diria José Queirós se um principiante do jornalismo lho perguntasse?

E se o jornalista souber que há conselheiros que o contestam, particularmente e no caso concreto, deverá mesmo assim colocar-lhes os nomes no jornal, mesmo que estes lhe tenham pedido o anonimato das fontes?

Que responderia José Queirós a esta pergunta de um principiante do jornalismo? Que sim, deveria?
E se for não, porque se incomoda tanto com este tema?

O jornalismo não tem o dever de contar a verdade? E a verdade neste caso qual é? A de que há conselheiros que batem palmas ao PGR? Isso já saberíamos de antemão...mas o contrário provavelmente não é tão evidente.

Perante tudo isto, o que me parece a mim, que não tenho fontes anónimas que me digam o que pensam de José Queirós, é que defende um jornalismo "suave". Ou seja, sem interesse para o jornalismo que se pretende.

Isso para não escrever outra coisa bem mais indelicada mas que justifico: José Queirós tem partido? Costuma votar em quem?

Será que não tenho o direito de saber, mesmo sem fontes anónimas?



É a Esquerda, seu palerma!

Estas imagens são do jornal Expresso de 1984 ( 10 e 24 de Novembro). Que nos dizem elas , semioticamente relevante, para os dias que correm? Quanto a mim, muito simplesmente que o sistema político que gerou os governos que temos tido, não resolve os nossos problemas estruturais, antigos e profundos. E que em 1974 não eram os mesmos. A Economia era diferente e funcionava de modo diverso. Tenho lido coisas, incluindo o pequeno livrito de Luciano Amaral, publicado pelas edições "Pingo Doce", aliás muito interessante e não consigo entender como não se discute o passado. Antes de 1974, quero dizer.

Temos uma classe política maioritariamente de Esquerda e com os defeitos que tal implica, sem que as qualidades esperadas por todos , dessa mesma Esquerda, se destaquem. É s+o desgraça económica em cima de desgraça económica. E os próceres dessa mesma Esquerda que engloba naturalmente o "socialismo democrático" que de Esquerda já muito pouco tem para além do rótulo, continuam a aposta nos mesmos cavalos perdedores.
Provavelmente, a análise deveria ser mais inefável e incluir outros factores e variáveis e estudos estatísticos à ilharga.
Porém, neste exercício de sociologia de bolso, empírica e desprezada pelos poderes que existem, serve. Para mim, serve porque não encontro quem a conteste nem sequer quem a desminta em modo convincente.
Hoje na última página do Público, podemos ler em posição "ascendente" um dos autores da nossa miséria, Mário S. que é sempre mostrado como figura de referência e relevo de sapiência. No caso , por se ter vangloriado de não ter medo do FMI porque lidou com a entidade duas vezes! E isso é apresentado como um feito!
É este parolismo de jornais como o Público que me derrotam a confiança que poderia ter nos eleitores portugueses. Os editorialistas do jornal vivem a fantasia da Esquerda, ainda. E muitos como eles, da classe média, pensam assim. É o nosso drama maior, quanto a mim. Não há substracto ideológico que se diferencie dessa mentalidade que já é ambiental. Uma tragédia, mais que um drama.

Que podemos ler nesses dois jornais de Novembro de 1984, altura em que atravessávamos uma crise política e social parecida com a que temos hoje? Que nos dizem as lições da História? Quem são os personagens?
Começando pelo fim, os personagens são quase os mesmos de hoje e se não são, as ideias são-no com certeza.
O Expresso era então dirigido por José António Saraiva que hoje dirige o Sol. Vicente Jorge Silva que vice-dirigia, dali a meia dúzia de anos estava a dirigir o Público. Quem é que eles colocaram na primeira página como motivo de notícia? O Bloco Central, em cheio.
Almeida Santos, que era ministro de Estado e falava da crise entre o PS e o PSD, onde se discutia então a oportunidade de mudar Mota Pinto por...Rui Machete. E porquê? Porque, segundo escreve o jornal na segunda página, "PS e PSD falam de coisas diferentes". Como hoje, aliás.

Quais eram as questões essenciais nessa altura? Segundo Almeida Santos, a discussão do Orçamento de Estado para 1985, a discussão com o FMI, a discussão da Lei das Rendas e...pedir mais sacrifícios aos portugueses. E aponta os sucessos do governo de bloco central: redução do défice da balança de transacções correntes; redução em 5% do ritmo do endividamento externo; elevação para 65% a cobertura das importações pelas exportações e a contenção da inflação. E á custa de quê,?- pergunta o jornal. À custa de sacrifícios, responde A. Santos, o epítome destes mais de 30 anos de democracia. Não é Mário S. esse epítome. É precisamente este Almeida Santos, o figurão que precisa de ser respescado para a ribalta do opróbrio. Um indivíduo que fez uma carreira com retórica, paleio, substância corrompida por ideias desfeitas.

Depois ao lado, na página, temos Mário S., sempre o mesmo e então com uma sondagem que o garantia como "o oposto do presidente ideal". Ditto. E viu-se depois como foi. Em dez anos, Mário S. tornou-se o modelo de presidente...mas seria interessante saber quem o colocou no pedestal. A minha opinião é simples: os media, adulados e objectivamente corrompidos pelo mesmo Mário S. Uma ligação espúria que nos falsificou o ambiente político e condicionou politicamente porque fez prevalecer a ideia de uma "Esquerda" associada ao PS como super cola democrática. AInda hoje persiste e ainda hoje ganha eleições.
E porquê? A resposta vem também na primeira página do jornal. José Manuel Tengarrinha, do então MDP, personagem histórico do 25 de Abril de 74, pouco falado actualmente, mas com um papel determinante nos meses a seguir, ideologicamente. Colocado perante a questão, durante um repasto no Pabe ( onde o Expresso entrevistava então personagens da nossa vida política), sobre o relacionamento com o PCP, com quem se aliara tacticamente nas eleições para o Parlamento, Tengarrinha tergiversava em explicações retóricas. A questão era a possibilidade de diálogo com o Governo. O MDP admitia; o PCP nem pensar.
E em sobremesa interrogava-se então Tengarrinha, antes da queda do muro de Berlim, sobre o que era o marxismo. Tengarrinha já não sabia porque citava nas suas dúvidas os pc´s da URSS, da Itália, da Finlândia. O que Tengarrinha sabia, no entanto é que era de Esquerda. Isso, sim. E nada mais. Desejava uma "democracia socialista". Como aliás estava na Constituição.

Esta discussão política, em Portugal durou ainda mais uns anos. Moldou sempre toda o nosso espectro eleitoral, os partidos eleitos, os governos escolhidos por esses partidos. E por consequência todas as políticas, incluindo naturalmente as económicas, nos anos vindouros.

No ano seguinte, por isso mesmo, o jornal pelas teclas de José Manuel Fernandes ( sim, esse mesmo)interrogava-se sobre o futuro, para 1985. E o futuro era negro. Depois das promessas daquele personagem sinistro da política portuguesa ( Almeida Santos é porventura o mais pernicioso de todos os políticos que já tivemos, na minha modesta opinião que explicarei se necessário for) tínhamos pela frente uma ano pior do que os dezoito meses anteriores. Os PEC na altura chamavam-se "Planos de Estabilização", em modo mais restrito. Conforme se lê, "os preços dispararam, o poder de compra baixou, restringiram-se as importações e lançaram-se impostos extraordinários para minorar o défice orçamental." A inflação estava nos 30%! É imaginar as fortunas que se fizeram em especulação, nesses anos e os desequilíbrios sociais que tal suscitou.

Por isso mesmo o título da reportagem: "A crise continua...sem luz no fundo do túnel".

Exactamente tal como hoje.

E quem aparece em citação de intervenção, no artigo? Vítor Constâncio, monsieur constant, nesta política à portuguesa e outro personagem repelente da mesma. E que diz monsieur Constant? Isto que é de chorar, sem rir:

" Talvez se tenha ido longe demais, talvez se verificasse uma situação de overdose".
E que dizem outros- "meios ligados à banca"- ? Isto:

" O que me preocupa já nem sequer é a situação das empresas que estava com a corda na garganta. O que é verdadeiramente dramático é que muitas outras, que eram excelentes unidades industriais, sólidas e saudáveis também começam a ficar aflitas porque o mercado interno quase desapareceu."

Estas questões eram prementes em 1984. Em 2011, repetem-se, apesar da "década prodigiosa" de 1995-2005 . O que aconteceu, entretanto para aqui chegarmos?

É o que veremos em seguida.

Portanto, "à suivre", como diziam os franceses da banda desenhada. "Continua" , escrevia o Tintin português.

PS: escrevi como título, "É a Esquerda, estúpido!" Mudei para o que está porque me soava a anglicismo. Não se diz em português, "estúpido", dessa forma. Diz-se antes, palerma. Que é o que temos sido.

sábado, abril 02, 2011

A opção simples

Estas duas imagens são de O Jornal de 22.4.1983, com um texto de cada um dos líderes políticos da época sobre as eleições dali a três dias e o da direita é da revista do Expresso, de 22.2.1986, logo a seguir à eleição presidencial e com um título premonitório: " A partir de agora nada ficará como dantes". E não ficou, de facto. Toda a porcaria que se gerou em Macau, saltou para a nossa ribalta nos anos vindouros. Toda a ribaldaria com malas de dinheiro a fugir em aeroportos, corrupção de figuras gradas e tudo o que depois se soube e muito do que não se sabe, começou aí, nesse mesmo dia.

E como é isto possível ao longo dos anos? Como é possível uma personagem deste calibre na política portuguesa continuar inimputável, sem que alguém lhe diga "basta!" ?
É simples e a receita é dada no artigo de O Jornal ao lado, intitulado "Uma opção simples".

Diz assim, entre outras pequenas maravilhas do léxico demagógico que ganha eleições, sempre que seja preciso:

"No próximo dia 25 de Abril, os portugueses vão ser confrontados com uma escolha clara: ou se decidem pela continuação da política ruinosa dos três últimos anos, da responsabilidade dos governos e dos partidos da "ex-AD" ou da "nova AD" ( como quiserem, é igual) ; ou optam por uma mudança de política que passará por uma deslocação do centro de gravidade da vida nacional da direita para a esquerda democrática".

Voilà! É esta a receita. E depois condimentada com frases como esta: " O PS apresenta-se ao povo português com a linguagem da verdade e do rigor, oferecendo-lhe propostas concretas". Eram as tais cem medidas...e entre elas uma avulta como prioridade das prioridades: "Contra a corrupção no Estado". Vejam só!
No escrito não esquece outra coisa fundamental: o apelo ao voto útil no PS, dos comunistas, cujo modelo "não exerce mais qualquer poder de atracção, especialmente sobre a juventude" e "está, de resto, em falência em todo o mundo".

Com esta estratégia simples- diabolizar a direita, apresentar o PS como um partido mais que responsável e de esquerda e capaz de captar o eleitorado comunista cujo modelo "faliu", o PS tem ganho eleições.
E vai continuar até que alguém consiga convencer um número substancial de eleitores que o PS é a ruína permanente e em execução constante. Não tem emenda, nunca nos conduziu a bom porto em circunstância alguma e só nos tem afundado economicamente.
Essa é a realidade que uma maioria não quer entender.

Vamos conseguir! Ó tempo, volta p´ra trás...


Estas duas imagens são de jornais de 1983 e 1984. Em pano de fundo um desdobrável da propaganda do PS de então, para as eleições de 1983. Anunciava já o que viria sempre a seguir. ou seja, "vamos conseguir!". E nem coloco aqui os cartazes com a figura de Mário S. a sorrir e a dizer sem pudor "comigo, convosco, contra a crise" e ainda "Juntos vamos conseguir". Dali a dois anos foi corrido por indecente e má figura governativa e o sucessor, o sempiterno sempre-em-pé da política nacional, Almeida Santos de seu nome, levou um banho eleitoral histórico. E pedia então a maioria absoluta! No desdobrável em pano, o PS anunciava 100 medidas! Para cem dias. Pouco mais de três meses. Ler algumas delas é uma barrigada de riso,mas esta gente leva-se muito a sério nestas coisas. São elas que lhes garantem a vidinha que têm e levam há dezenas de anos a esta parte com a complacência de quem vota.

Clicar nas imagens para ver melhor. De O jornal de 22.4.1983 ( à direita na imagem), antes das eleições que seriam a 25 desse mês e do mesmo O Jornal de 21.6.1984, já depois de um ano de governo de bloco central em que Sousa Tavares ( pai) era ministro da qualidade de Vida! E anunciava na primeira página que "Há cada vez mais pobres". O FMI já era então notícia nas páginas interiores: " FMI alarga sector público português" por obrigar em carta de intenções, o governo português a incluir no sector público alargado as 53 empresas públicas tuteladas pelo Estado".
Os problemas nessa altura, nem eram bem esses. Eram antes as negociações com vista à entrada na CEE, a emissora pirata TSF( que tivera a sua primeira emissão pirata, uma semana antes, desde os telhados do Lumiar e da Caparica) e principalmente as FP25 e a prisão de Otelo em relação com uma lei de segurança interna que incomodava sobremaneira a esquerda.

Em Abril de 1983 no entanto, o tempo era de mudança, como se pode ler no O Jornal. Ora o que deram essas eleições? Explica o Expresso de 7 de Maio de 1983 ( a meio e em baixo na imagem) que entre 1980 e 1983 houve uma grande abstenção e um deslocamento do eleitorado da direita para a esquerda que beneficiou o PS ( dois milhões de votos em 1983).
E no entanto, no mesmo número aparece a notícia- "Dívida externa: tem a palavra o FMI", num artigo assinado por Jorge Wemans.

E o artigo começa assim: "Nos corredores frequentados por alguns dos mais credenciados economistas do país. quase todos ex-ministros das finanças, a situação é tida como "desastrosa", "grave" ou "difícil" consoante a sua proximidade política ao último governo. João Salgueiro, esse, já não se salva de deixar a governação com o título de "pior gestor das nossas contas com o exterior", ou, segundo Silva Lopes, de "total irresponsabilidade na gestão da dívida externa".

Em finais de 1981, sete grandes empresas públicas eram responsáveis por cerca de 45,8% da dívida externa, enquanto que o Estado apenas se responsabilizava por 22% no total, escreve o Expresso de então.

Estas coisas fazem-nos sorrir de modo amarelo. João Salgueiro é o mesmo que na segunda-feira no Prós & Contras aparecia muito inteligente a zurzir neste governo e de modo credível. Eppure...nos anos a seguir ninguém aprendeu a lição. Nos dez anos gloriosos do cavaquismo foi o que se viu e em 1995 entrou Guterres e o forrobodó do costume nas contas públicas. Em 2005 entrou este Inenarrável e o tempo e as asneiras repetem-se e os eleitores votam sempre nos mesmos. Não aprendem. Nunca aprendem.
Se dermos uma vista de olhos pelos nomes dos políticos envolvidos nestas coisas, são igualmente sempre os mesmos. De há trinta anos a esta parte, são eles quem governam ou legislam. São eles que mandam e estamos como estamos por causa deles. Não por outra razão.

A previsão de tsunamis educativos


Este indivíduo, o coordenador do programa PISA da OCDE, é teutónico. Não nos entende. A entrevista que dá ao Expresso de hoje ( clicar para ler) é reveladora dos equívocos e problemas de comunicação que temos a nível oficial e de cultura. Em variados domínios.

Schleicher fala uma linguagem que só pode ser descodificada por exemplos, por parábolas e por anedotas. O pobre Andreas disse que "Portugal tem conseguido diminui o número de alunos com competências muito baixas e garantir mais equidade no sistema." Não nos percebe, está bom de ver. E se calar acredita mesmo naquilo que disse.
Então seria melhor para pobre Schleicher partir de um pressuposto: somos um povo de aldrabões natos e de simuladores de competências. Somos um povo semi-analfabeto que elege governantes salafrários que nenhuma país da Europa civilizada toleraria, com excepção da Itália que nem precisa de governantes para nada. Mas nós precisamos.

Para nos perceber bastar-lhe-ia conhecer melhor a professora Lurdes Rodrigues. O seu percurso profissional e as suas "competências". Já daria para ver melhor o panorama. Saber como adquiriu ( a crédito da CGD, enquanto ainda governava) o seu andar na Av. de Roma e essas coisas que interessam a quem quer perceber um povo e as suas idiossincrasias.

Para entender melhor quem somos e o que somos, poderia ler o pequeno texto publicado na página seguinte do Expresso, assinado pelo antigo extremista de esquerda, Nuno Crato. Dá dois exemplos de sistemas de ensino onde a excelência pode não ser uma palavra vã e um logro para papalvo ver.
Conta que em 2004 quando um tsunami varreu as costas do Índico, uma pequena de 10 anos, turista vinda de Oxshott, nos arredores de Londres, estava numa praia da Tailândia e apercebeu-se do mar a esvaziar estranhamente e os barcos a agitarem-se ainda mais estranhamente nas águas. Percebeu, porque aprendeu na escola que esses eram sinais inequívocos de tsunami e avisou os pais. Salvou-os porventura.
Em 2009, no Pacífico, outra pequena de 10 anos, Abby Wutzler, moradora em Wellington, Nov a Zelândia ( nossos antípodas) topou os mesmos sinais de perigo numa praia da Samoa. Avisou os pais e provavelmente salvou-os mais a umas tantas pessoas.
O antigo esquerdista Nuno Crato conta isto como um exemplo do saber aparentemente inútil que salva vidas. Poderia até contar no escrito que há quarenta anos os portugueses da escola primária eram obrigados a saber as linhas de caminho de ferro de Angola e Moçambique. E todos os relevos orográficos do país...
E cita o pai da perversão. Um tal Spencer, falecido em 1903 que dizia que o conhecimento interessa pouco; o que vale é a acção.
A minha professora primária educada no Estado Novo, dizia muitas vezes que "o saber não ocupa lugar".

Ao lado do artigo de Nuno Crato aparece uma publicidade a um curso- "The 6 days´mini-MBA- curso intensivo de gestão" ( sic). Já vai na 17ª edição e por isso deve ser muito procurado por quem ande à cata de currículos recheados destas coisas avulsas. "Mini-MBA´s " deve ser assim uma coisa a modos de mini-croissants. Buchas para entreter a "fome de conhecimento". E de acção, está bom de ver. Dois em um, portanto, em formato mini. Com eventual mini-preço também.

Em 6 dias, citados em "inglês técnico", melhor, em 48 horas, os pagantes inscritos aprendem a nível de "mini-MBA", mini noções de : "Contabilidade da Empresa; fiscalidade; Finanças da Empresa; Marketing e Marketing internaciona; Gestão estratégica e Gestão do Conhecimento; Gestão de Operações e Logística; Comportamento Organizacional, Cultura Empresarial, Gestão de Mudança e Liderança".
Está visto: somos peritos em tretas. E aldrabices. É isso que o professor Schleicher tem de entender melhor...

Se fosse em Portugal e o tsunami ocorresse junto ao ISCTE, numa altura de sossego e sem ninguém lá dentro, acho que ninguém avisaria ninguém. Mas o estrago seria nulo. Todos ficaríamos a ganhar.

sexta-feira, abril 01, 2011

O repetente do FMI

Sapo:

O ex-presidente da República Mário Soares disse hoje não ser daqueles que têm muito medo do Fundo Monetário Internacional (FMI), recordando que enquanto primeiro-ministro teve que recorrer a ele duas vezes e que Portugal resolveu os problemas.

Claro que Mário S. não tem medo do FMI. As duas únicas vezes que Portugal esteve à beira da bancarrota, tirando esta, foi com os socialistas. Os amigos dos pobrezinhos e que são sempre de esquerda porque se opõem aos ricos capitalistas que querem sempre esfolar o povo. Os socialistas foram sempre os amigos privilegiados dos pobres da classe média. Com um resultado evidente mas que muitos se negam a reconhecer: os seus governos geram sempre pobreza, maior miséria e são exactamente o contrário do que prometem. Depois de verem o resultado desastroso das políticas que aplicam, desculpam-se sempre com os outros. E voltam ao mesmo.
A população portuguesa, pobre em termos relativos, aprecia o discurso do PS porque lhe promete o que espera: vida melhor e combate aos privilégios. Nunca cumpre as promessas mas consegue sempre enganar quem vota.

Então aquele Mário S. nesse discurso é um ás e foi assim que ganhou a eleição presidencial em 86: aliando-se a uma esquerda que votou no mal menor porque o adversário era "de direita" e esta é o mal em si mesmo. A direita, em Portugal nem tem coragem de assumir o nome, tal é o opróbrio que lhe caiu em cima durante mais de 30 anos.

Temos por isso um Mário S. que governou sempre mal e obrigou o país a estender a mão ao FMI por duas vezes. Mas Mário S. mostra orgulho nisso como se vê. E ninguém lhe atira o pano encharcado a recomendar-lhe pudor.

Agora temos outra vez o FMI à porta. Quem o trouxe cá, novamente? O PS novamente. E que ganha eleições sempre com o mesmo discurso: contra os ricos e exploradores. É um discurso oco, falso, porque se há burguês em Portugal, é precisamente Mário S.

No entanto, na próxima campanha eleitoral vamos vê-lo novamente com o discurso de sempre e que ganha eleições.

O povo português não tem emenda.

Em Portugal estamos sempre em 1 de Abril

Para estes inenarráveis que nos governam, o dia das mentiras é todos os dias, sempre que lhes der jeito.

Habituaram-se de tal modo que se trata já de um vício, iniludível mas cuja essência produz sempre os seus efeitos: enganar uns tantos. Muitos, de preferência. Tantos quantos lhes permitam continuar a mentir. E conseguem, pelo que lhes compensa o vício.


A Mentira maior continua

Campos e Cunha, no Público de hoje escreve que a presente crise de governo ( que não propriamente crise política como todos se lhe referem) foi desejada pelo próprio Governo e explica porquê:

"Sabiam certamente, que os resultados orçamentais de 2010, avaliados pelo INE-Eurostat, não confirmariam os mágicos 6,9% do PIB. Apesar das receitas extraordinárias o défice de 2010 é mais grave que o de 2009 na versão anterior e que quase nos levou à bancarrota há um ano. Logo, há várias semanas que o Governo adivinhava o final desta semana e antecipou-se."

O que dizer disto, assim tão escarrapachado na cara do povo?

Que aqueles que concedem o benefício da dúvida a este governo e partido têm e terão o que merecem. A única explicação para o fenómeno continua a ser a dos apaniguados e daqueles que ainda acreditam que o PS é um partido de esquerda que defende os pobrezinhos contra os ricos capitalistas que nos querem aldrabar e tirar mais do que estes tiram. Este raciocínio básico, essencial, de fundo é p que ganha eleições em Portugal. E se tal não é verdadeiro, compete a quem está na berlinda denunciar e explicar o sofisma e a aldrabice disto.

Outra aldrabice explicada num pequeno artigo de Carlos Fiolhais, físico em Coimbra: " as energias renováveis são, por ora, muito caras e pouco eficientes. "

Este discurso não passa no Governo. Passa a propaganda e a imagem falsa. E os dinheiros que são de todos nós vão para alguns, à sombra desta aldrabice.
De resto é difícil encontrar uma única política de governo actual que não seja uma pura aldrabice e mentira de todo o tamanho. Seria interessante que quem sabe apontar factualmente essas aldrabices o fizesse e desmontasse ponto por ponto a política deste governo. É incrível. Como é possível que as pessoas que lidam com investimentos, como é o caso dos famigerados bancos e agências de rating, tenham confiança mínima em nós, como povo que elege?
Inenarrável mesmo.

Filhos e enteados

Ontem, citando uma notícia do i que reproduzia palavras de João Correira, ex-secretário de Estado da Justiça, com Alberto Martins, dizia-se que o seu despacho a autorizar o pagamento à mulher do ministro tinha sido precedido de uma movimentação do processo com passagem do mesmo, previamente, pelo gabinete do ministro. E que o chefe de gabinete era sobrinho da beneficiária.

Hoje, o Público cita um comunicado do ministério da Justiça em que o ministro desmente as duas coisas. Um desmentido formal que também aqui fica relatado porque é relevante e implica a alteração substancial de factos que se tinham dado como assentes. E podem não ser.

Não obstante, o mesmo Público relata que a beneficiária da autorização de pagamento recebeu logo, logo, a massa. Outros magistrados que tinham visto ser-lhes atribuído o direito a remuneração por acumulação de funções, ainda não receberam.
Há uma diferença aparente: a beneficiária, neste caso, viu despachado favoravelmente, mesmo sem pedir expressa e formalmente, o seu requerimento. É um aspecto do caso que importa elucidar e certamente o MºPº que anda a fazer um inquérito o fará.
Isso porque existia um processo judicial, no TAF do Porto. E no caso dos restantes magistrados incluídos no despacho que autorizou o pagamento, tal não acontecia. O que é estranho como se misturaram as duas coisas, aparentemente imiscíveis.
Não obstante, o jornal cita hoje o caso de mais nove magistrados que tinham ganho acções judiciais, administrativas, contra o Estado e já havia execuções em andamento. São casos diferentes daqueles e que importaria distinguir para bem da verdade e do esclarecimento deste caso nebuloso.
Por outro lado, o presidente do SMMP, João Palma reconheceu que estava incluido num caso desses e já recebeu. Seria interessante perceber como é que lhe foi concedido o direito, neste caso em tribunal ( o que torna distinto e muito mais transparente todo o processo de atribuição e legitima esse direito de um modo diferente e claro). Seria interessante porque se calhar a mulher do ministro obteria igualmente ganho de causa em tribunal.
E se tal tivesse sucedido, seria outra coisa. Muito mais ética. Muito mais adequada.

Portanto, assim, passamos da fase dos sobrinhos para a dos filhos e enteados...mas continua tudo em família.

quinta-feira, março 31, 2011

Um círculo bem redondinho

Na Quadratura do Círculo de hoje, o animador convidou o adjunto Silva Pereira, que ajuda o primeiro-ministro nos assuntos de Estado.
A conversa roda à volta da crise que atravessamos e o tema é arredondado em jargão político de circunstância com todos a desejarem que a campanha que se avizinha seja civilizada, sem dureza e portanto mole.

Estes indivíduos da Quadratura estão arranjados na vidinha que têm. Lobo Xavier consulta em várias empresas e advoga por aí. Vive bem e a crise não o atingirá quase nada. Pacheco Pereira é uma espécie de sociólogo-historiador da contemporaneidade e cronista de jornal que vive bem, também. O animador do programa é o elo mais fraco mas mantém a postura cordata de suavidade interventiva.
As conversas que dali saem sobre os diversos assuntos contribuem para a mistificação ambiente. Os verdadeiros problemas são escamoteados e a linguagem usada para ocultar a tragédia que nos assola.

O programa Quadratura do Círculo estiolou. Não é de agora, mas agora é mais visível. Não adianta nada; pouco ou nada se aprende e devia acabar.

Não se esqueçam desta notícia!

Já tem uns meses, mas vale a pena ler. É de um jornal americano:

REYKJAVIK, Iceland (AP) — Iceland‘s former prime minister has become the first world leader to be referred to a special court for possible prosecution on charges that he acted negligently in the lead-up to the country’s financial crisis.

Tuesday’s parliament vote means that former Prime Minister Geir Haarde will appear before a special court for allegedly failing to prevent the financial crash of 2008.

Iceland‘s debt-fueled financial system collapsed at the height of the worldwide financial crisis, sending its currency tumbling and unemployment soaring.

Repare-se bem na expressão da formação da culpa: negligência na condução dos negócios públicos.

Por cá nem se trata de negligência mas de contumácia na asneira, dolo na aldrabice e culpa grave na bancarrota.

Não há volta a dar-lhe: estes indivíduos inenarráveis que nos governam têm de sentar o cu no mocho e apanhar pela medida grande. Vão brincar para o raio que os parta! E façam-no com o dinheiro deles, se o tiverem.

Já vamos nisto...

Sapo:

O INE anunciou hoje que a revisão em alta do défice para 2010 de 6,8 por cento para 8,6 por cento. Esta alteração deveu-se à incorporação nas contas nacionais das imparidades com o Banco Português de Negócios (BPN), que acrescentam um ponto percentual ao défice de 2010, 0,5 pontos percentuais provenientes das empresas de transporte e 0,3 pontos percentuais relativas ao Banco Privado Português (BPP).

A nova metodologia, aplicada em diversos países, leva assim no caso de Portugal a uma revisão do défice em 1,8 pontos percentuais.

Pouco falta para que apareçam pessoas que costumam ser ouvidas e acreditadas pela opinião pública ( quer dizer os comentadeiros e tudólogos do costume) a dizer que isto já é um caso de polícia. Como diziam do BPN. Só que no caso do banco, os milhões eram menos. Agora são biliões e as asneiras e aldrabices aparecem em catadupa.

"Como é possível terem feito isto ao país?!!", foi assim que o Inenarrável disse no outro dia em que percebeu que não tinha saída airosa.

Entretanto em España, nuestros queridos hermanos já gozam com a situação:

Aos olhos do ABC, Diário Digital espanhol, Sócrates é "um antipático contra todos".Por insistir que Portugal não precisa de ajuda externa, o primeiro-ministro é comparado a um condutor que viaja em contramão numa auto-estrada convencido que os outros é que estão errados."

Pudera! Águarrás no cu dos outros é-lhes refrescante...

Mas diz mais, muito mais:

"Para acreditar em Sócrates, acrescenta o periódico, "temos de nos abster das partes mais importantes da sua biografia". É que o político "começou a sua carreira como fundador da juventude do partido social democrata e mais tarde, já socialista, a sua carreira no sector privado da construção, nos anos 80, foi uma das mais desastrosas da época, tendo mesmo sido destituído.

A sua licenciatura como engenheiro também levanta muitas dúvidas "tendo em conta que quatro das cinco disciplinas concluídas foram aprovadas por um professor que mais tarde foi ocupar um importante cargo no Governo de Sócrates. Já a quinta disciplina foi aprovada pelo próprio reitor da Universidade Privada de Lisboa que acabou por ser encerrada precisamente pelo cúmulo de irregularidades que foram surgindo à medida que se investigava o escândalo", continua o ABC. Mas o facto de alguns dos poucos exames feitos terem sido enviados por fax e ao Domingo não impediu o primeiro-ministro de aparecer na televisão a defender a sua honra e a acusar os seus adversários de estarem a inventar um esquema para o prejudicar, sublinha.

Agora, "do que se trata é de dinheiro. De muito dinheiro e da possível quebra de um país. O Presidente do Eurogrupo, Jean Claude Juncker, já fez as contas a Sócrates e assegura que Portugal precisa de um plano de resgate de mais de 70 mil milhões de euros para garantir o pagamento de uma dívida que está essencialmente nas mãos dos espanhóis", critica o jornal."


Os espanhóis já perceberam que temos um Inenarrável a governar e com o apoio de 90% do seu partido...
"Como foi possível terem feito isto ao país?!!"

nipote

Em italiano, nipote pode traduzir-se como...sobrinho.

Segundo o jornal i de hoje, o antigo Secretário de Estado da Justiça, o advogado João Correia, defende-se da insídia que o ministro da dita, sem qualquer pejo de vergonha, lhe lançou, a propósito do pagamento de 72 mil euros à mulher, do seguinte modo:

"Quando chegam [os documentos], são enviados para a secretaria geral, em seguida vão para o gabinete jurídico, onde é feito um parecer, depois vão para o gabinete do ministro e só depois iam para o meu gabinete. O ministro tinha de saber que aquela magistrada era mulher dele e o seu chefe de gabinete também tinha de saber que a senhora magistrada era a tia dele."
E mais: "Alberto Martins deve saber o nome da mulher, eu não."

Com este tiro ao porta-aviões do ministério, Alberto Martins, ministro da Justiça deste governo republicano, socialista e laico, jacobino por essência e compromisso, continua como se nada fosse com ele, mas apenas com os gabinetes e despachos jurídicos no ministério que ele tutela, de que tem a responsabilidade política e neste caso pessoal e intransmissível.

Mas não se demite, não. Isso é para tansos e um ministro assim, tão socialista e tão laico e tão republicano, cuja ética se confunde com a lei, mesmo que tenha violado essa lei, não se demite. Nunca. É demitido. Mas...por quem?!

PS: Entretanto, João Palma, do MºPº continua a falar umas coisas. Era melhor que se demitisse e quanto antes.

quarta-feira, março 30, 2011

Basta!

Na SIC-Notícias neste momento, José Ferreira entrevista Avelino de Jesus e Carlos Moreno. Este, antigo juiz do tribunal de Contas e em tempos gozado pelo palerma do Câmara Corporativa ( um blog inenarrável) acaba de dizer coisas sobre as parcerias público-privadas que deixam indícios fortíssimos de fraude nas negociações, por banda do Estado.

É preciso saber quem foram os negociadores, concluir a amplitude do escândalo ( e Carlos Moreno sugere uma auditoria para se ver qual o valor que o Estado terá de pagar) e organizar um inquérito criminal para se punir com penas de prisão quem cometeu tal desfaçatez. E ir ao bolso dos prevaricadores se tal for provado.

O próprio entrevistador disse que "é um escândalo" ao saber que os encargos que temos de pagar por esses erros notórios, agora apontados por Carlos Moreno e outros, todos derivados de sobreestimação de receitas, são da ordem dos milhares de milhões.

O negócio das parcerias público-privadas devia ser investigado criminalmente pelo DCIAP. Mesmo que Pinto Monteiro entenda que não se devem resolver problemas políticos através de inquéritos judiciais.
Aqui não se trata disso. Trata-se de um assalto ao contribuinte em números inimagináveis. Em favor de alguém e de alguns que é preciso determinar quem são. E quem calculou as receitas etc. sabia ou devia saber muito bem o que estava a fazer. É preciso saber quem foram, nome a nome, pessoa a pessoa e indagar o que fazem agora, onde estão e como é que foi possível cometerem uma coisa dessas de uma importância maior que o problema do BPN.

Quem se preocupa em fazer um inquérito relâmpago e com uma actuação digna de mérito no caso do pagamento à mulher do ministro, deveria de igual modo organizar rapidamente um inquérito com apreensão de documentos nos respectivos ministérios, antes que desapareçam, porque o valor do "abuso de poder", aqui não são 72 mil euros. São mais de dezenas de milhar de milhões. Sao biliões de euros que todos teremos de pagar por causa da decisão de alguns, muito poucos. O escândalo da antiga JAE, comparado com isto, é um jogo de crianças. Uma brincadeira. É isto que nos vai arruinar nos próximos anos e foram poucos, muito poucos os autores deste escândalo inominável.

Temos o direito de saber quem são. Não podem ficar no escurinho do cinema a chupar drops de aniz...
BASTA!

Ilegalidades administrativas

Pode ler-se aqui a justificação legalista para o ministro da Justiça ter revogado um despacho do seu secretário de Estado, a propósito de um pagamento feito pelo Estado à sua mulher.

O documento invoca o artigo 44, nº1, alínea b, do Código do Procedimento Administrativo, segundo o qual "nenhum titular de órgão ou agente da Administração Pública pode intervir em procedimento administrativo ou em ato ou contrato de direito público ou privado da Administração Pública quando, por si ou como representante de outra pessoa, nele tenha interesse o seu cônjuge, algum parente ou afim em linha recta ou até ao 2º grau da linha colateral, bem como qualquer pessoa com quem viva em economia comum".

Aqui há uns tempos, no auge da polémica do Freeport, houve uma confissão inusitada:

José Sócrates admite poder ter mantido uma conversa com o seu tio a propósito do projecto Freeport de Alcochete.

Na altura ninguém se lembrou daquele artiguinho do CPA...

Bancarrota, cortesia José S.

Do Público:

Para o norte-americano Barry Eichengreen, que foi consultor do FMI no final dos anos 90, a Grécia, a Irlanda e Portugal vão ter de fazer haircuts (corte no montante da dívida), de preferência com garantias colaterais do fundo de resgate do euro. O professor da Universidade de Berkely, na Califórnia, diz que não podem ser só os contribuintes a pagar a factura do ajustamento orçamental.

Só entra nestes processos quem está na bancarrota. Quem aqui nos conduziu não foi a decisão do PSD em rejeitar o último PEC. Foram tão simplesmente as políticas económicas do pior ministro das Finanças da Europa e principalmente por causa de um Inenarrável que continua apostado em nos afundar ainda mais.
E há quem ainda lhe dê crédito. Segundo as sondagens, muitos ainda. Certa de 30% dos eleitores. Serão masoquistas ou simplesmente carneiros ? ( tinha escrito burros, mas respeito mais estes asininos do que certos eleitores).

Entretanto, o jornal irlandês The Independent, escreve-nos uma carta. Essa carta diz que temos um primeiro-ministro que é um criminoso. Não diz assim, mas nas entrelinhas vai dar ao mesmo. E um criminoso escolhido por 90% dos membros do seu partido para continuar a governar se lhe derem oportunidade.

Era bom que um jornal português lhe escrevesse também uma carta, recordando um indivíduo que anda refugiado em Londres. Vale e Azevedo, é o seu nome. Não confundir com o primeiro-ministro actual.

A verdadeira crise da Justiça. Enésimo caso.

Em 15 de Outubro de 1998, dois advogados publicaram no Público um artigo em que davam conta de supostos privilégios de juízes serem julgados em foro especial. No caso, a juiza Fátima Galante, então casada com o juiz Rui Rangel. O assunto era já de escândalo: a juíza tinha sido acusado pelo MºPº de corrupção num assunto que envolvia um processo em que intervinha um solicitador, Patuleia, entretanto falecido.
O artigo do Público seguia-se a um outro da autoria do cunhado da dita, Emídio Rangel, em que defendia a honra da cunhada ( e do irmão, por supuesto, como diriam nuestros hermanos). Tenho esse artigo de Rangel em que defende a honra perdida da familiar. Também me lembro de o processo ter chegado ao STJ e o MºPº da secção criminal, então representado por Laborinho Lúcio, ter defendido que a arguida, juíza, deveria ser julgada por esse crime. O STJ entendeu de modo diferente e passou a esponja jurídica e judicial sobre o caso. Adiante.

Segundo o Público, os dois advogados que sabem muito bem o que se passou na realidade e ainda saberão ( pelo que há quem saiba que eles sabem...) foram entretanto condenados por causa desse artigo, por ofensas à honra da magistrada em causa. Houve um tribunal português cujos juízes provavelmente já estão a desembargar qualquer coisa que condenou aqueles em 25 mil euros para pagar essa honra ( onde vão as centenas de milhar que agora são pedidas a esmo por altas figuras da magistratura...) ofendida.

Os advogados recorreram para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem e ganharam agora a sua causa.

O Estado português, por causa daquela condenação que viola os direitos do Homem, vai ter de esportular 41. 484 euros. Quem os deveria pagar? Obviamente quem violou os direitos do Homem. Ou seja, o tribunal que condenou em primeiro lugar. Os juizes que assim decidiram.

E escrevo isto porque agora posso fazê-lo, com esta decisão do TEDH em que se escreve sobre a necessidade de haver equilíbrio entre os valores em conflito, "entre os quais se incluem o direito da população a ser informada sobre questões relacionadas com o funcionamento do poder judicial, os imperativos de uma boa administração da justiça e a dignidade da profissão de advogado."

Quem lê estas palavras, lembra-se imediatamente do caso Face Oculta e por isso é mais que certa a condenação do Estado português, daqui a uns anos, por decisões de tribunais nacionais tomadas o ano passado...

Este é um caso paradigmático da verdadeira crise da Justiça: a que se recusa a dar a cada um aquilo que lhe pertence. E com fundamento em interpretações legais. Por vezes peregrinas, mas ainda assim, afirmadas ex catedra.



Um sarau é uma arma carregada de futuro

Já lá cantava o catalão... no tempo da outra senhora e assinalando a poesia.

Esta semana a revista Flash ( que vou passar a consultar porque é um excelente barómetro da sociedade portuguesa "afluente") publica uma pequena reportagem alusiva às comemorações do Dia Mundial da Poesia, na Sala das Bicas do palácio de Belém.
O pequeno texto da revista é um must que se encaixava na perfeição , nos textos da revista Nova Antena, do antigamente. No tempo da outra senhora, D. Gertrudes de seu nome.
O sarau literário-social-comemorativo teve a organização da Primeira-Dama, a quem Vasco Graça Moura, sempre presente, dedicou uma declamação. Escreve a revista que "chegou a nomear a primeira-dama de alta magistrada da poesia".

Presentes no evento, vários actores, o filho de Miguel Sousa Tavares ( que tocou piano, lindamente, certamente), Manuela Eanes e até Simone de Oliveira, a decana das desfolhadas.

Pois, pois...os últimos versos do poema do catalão, do antigamente e do tempo da outra senhora, a D. Gertrudes, diziam assim

Maldigo la poesía concebida como un lujo
cultural para los neutrales
que lavándose las manos, se desentienden y evaden.
Estamos tocando el fondo,
estamos tocando el fondo.



Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso