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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

As moscas em voo picado

RR:

"O Governo prejudica mais os utentes do que a greve na CP e REFER"
Os trabalhadores da REFER têm sido constantemente confrontados com cortes nos seus salários, um roubo dos direitos. Nós, trabalhadores, fomos confrontados recentemente pelo Governo não só com as medidas do Orçamento do Estado, mas também pelo decreto-lei 133/2013 [documento que prevê cortes no valor pago nas empresas públicas em subsídio de refeição, ajudas de custo, trabalho suplementar e trabalho nocturno]. É por isso que estamos nesta luta.

Este é o "lead" da  entrevista a um sindicalista -presidente do sindicado dos trabalhadores da REFER, a que se seguirão mais três, igualmente de sindicalistas do sector dos transportes públicos.

Este sector é dos que maiores prejuízos acumula nas contas das empresas do Estado e por isso o que maior atenção suscita nos "cortes" a que as despesas do mesmo Estado têm que suportar para cumprir metas acordadas com os nossos credores externos.
 A RR não arranjou título melhor para a entrevista do que este, o que mostra bem o tipo de jornalismo que temos em Portugal: de facção, enviesado, sem eira nem beira, a não ser a do protesto solidário com o sindicalismo vigente, acorrentado a partidos esquerdistas ou que não querem perder o combóio do populismo esquerdista "contra a troika" e sem alternativa do que o sentimento difuso do "quanto pior melhor". Para eles, claro.

Na Segunda-Feira, no programa da TVI24 Olhos nos olhos, Medina Carreira teve como parceiro de conversa Silva Lopes, o governador do Banco de Portugal da primeira bancarrota do país algures em 1976-1977 ( esteve lá de 1975 a 1980). Medina Carreira foi igualmente o ministro dessa bancarrota num governo de Mário Soares. Foi ministro das Finanças no I governo constitucional e geriu os desmandos que se seguiram ao PREC, com toda a economia importante nacionalizada, incluindo toda a banca e seguros. Medina Carreira, segundo o seu perfil na Wiki, abandonou o PS logo em 1978 por discordâncias quanto à política económica seguida. Imagina-se porquê, uma vez que é a mesma de agora. Sempre que aparece nas tv´s e aparece muitas vezes( particularmente na SICN) aquele proto-ministro das Finanças de um futuro governo PS fico a imaginar uma espécie de país irreal como o que existia naquela época em que o senso comum foi capturado pelo vento político das ideias erráticas  da fantasia de esquerda.
Ambos aprenderam com o tempo e provavelmente já tinham aprendido tudo na época porque o discurso de ambos, segundo registos de jornal ( que por aqui tenho colocado) não difere muito do actual, de aviso, de ponderação nas despesas e de inevitabilidade de crise financeira quando se gasta mais do que aquilo que se tem.
O que ambos disseram no último programa Olhos nos Olhos, sobre a sustentabilidade financeira da Segurança Social foi muito simples e até repetiram várias vezes, embora a entrevistadora ( Judite de Sousa, especializada na vida pessoal de Cunhal) desse mostras de não ter percebido ao longo do programa: não temos dinheiro e quem no-lo empresta fá-lo-á com juros incomportáveis. Daí a necessidade estrita de cortar despesas em salários e pensões que são a fatia mais importante de todo o bolo das despesas.
Deste saber comum que qualquer dona de casa tem, aqueles sindicalistas não querem saber para nada. Interessa-lhes sobretudo criar confusão social, prejudicar outros trabalhadores ( os que usam os transportes) e criar efeito político para derrubar o governo. Objectivos simples, também.

E nisso há toda a esquerda parlamentar a apostar em peso. Por isso o título da notícia. Quando chegarem ao poder, vai ser pior. Mas isso, para os outros. Quem lá estiver toma conta do pote e coloca os amigos chegados. E isso lhes basta pporque foi sempre esse o objectivo imediato ( e meditato) dos partidos "do arco da governação".
 Os outros que lutam denodadamente contra a "troika"  contentam-se igualmente com a parte que lhes convém: quanto pior ficar o país, melhor ficarão eles, partidos esquerdistas que tal como as moscas só vicejam na porcaria social. A pobreza e a miséria são o húmus da esquerda.

21 comentários:

Floribundus disse...

judites e tózeros existem em toda a esquerda da 'conversa fiada'

o Astérix vende mais que o sôzé

uma coisa é certa e nisso os sindicatos e a esquerda têm a quase totalidade da culpa:
o estado é uma porcaria enquanto prestador de serviços

políticos da esquerda à direita
'ter muito esperto nos cabeça'

queriam ser ricos e comer bem e acabaram falidos

o sampaio da revolução depois de abundante jantar às 3h comeu
o perú do dia seguinte e depois de descarnar o último osso disse:
'o passarinho não estava mau'

Green Lantern disse...

É triste mas esta esquerda só estará feliz quando todos estivermos na miséria. Defender quem não trabalha e ganha muito e atacar aqueles que trabalham.

Já dizia o meu pai acabem com os pobres mas em Portugal adoram os pobres e os rendimentos minimos e a miseria, sempre à espera do estado paizinho que meta uns cobres para irem para o café beber minis e dar bolicaos aos filhos.

A minha mãe sabe bem o que sofreu em 1974 e 75 como encarregada numa multinacional onde o Prec e o sindicalismo entrou e só se foi embora quando destruiu tudo. É a famosa igualdade à força.

No privado quando não há dinheiro não se paga aos empregados e fecha-se no estado haja ou não ao dia 23 têm de receber, se não houver carrega-se no privado, que eles são ricos.

Aliás temos um partido PS cuja principal clientela/eleitorado é a função pública. Os que nos emprestam o dinheiro já perceberam isto e que a função pública/reformados/pensionistas está a sugar os recursos do país e querem estancar essa sangria.

No meio disto tudo não há uma alminha de pergunta pelos jovens e que país lhes vão deixar. Vão herdar divida e não podem enriquecer pois tem de pagar a prestação atrasada deixada por alguns inuteis.

Cumprimentos

Portas e Travessas.sa disse...

Assim se faz a história - a crise de 83 a 85, a verdade seja dita, foi o apunhalar das facadas entre o Balsemão e o lucotor de serviço da TVI - isto deu, a bancarrota que tanto falam - tivemos que pagar como nos recordamos

Um Abraço

Floriano Mongo disse...

Estas greves mostram que os comunas não querem saber do mundo real para nada. Preferem o irracionalismo típico nutrido pelo discurso populista dos seus demagogos. Isso faz parte da estratégia comunista.

Quem ao analisar estes os protestos, greves ou qualquer acção comunista concentrar a sua atenção nas reivindicações, mais saúde, educação, salário, etc… para discutir a sua justiça ou viabilidade, não tem ideia de como funciona o movimento comunista. O conteúdo nominal das reivindicações não tem a menor importância, se não fosse aquele seria outro. Se não houvesse nenhuma inventar-se-ia alguma. Se a empresa está falida e acumula dívidas astronómicas, isso nada conta.

Mas quem quer que ultrapassando esses obstáculos, pretenda encontrar um objectivo determinado e único que explique o conjunto, engana-se ainda mais redondamente.

Se os protestos têm um objectivo político determinado, este só é definido na mente dos seus estrategas maiores em termos muitos gerais e vagos. Os slogans não têm a menor importância, muito menos possuem qualquer dose de realismo, pois podem mudar consoante o processo em constante transformação que o movimento acelera quando entender.

A militância comunista não actua como opção consciente da realidade existente. A propaganda não transmite sequer ideias alternativas concretas, limitando a repetir, de maneira rasa, reivindicações doutrinárias.

Nenhum banho de realidade servirá de alguma coisa como se tem visto.
E quem pensa que estas greves têm elevados fins, também se engana.

Os comunas clamam contra a falta de direitos das classes trabalhadoras enquanto promovem greves voltadas directamente contra os direitos da população.

Eis um exemplo da duplicidade revolucionária que opera sempre com dois propósitos simultâneos e antagónicos, um declarado e temporário, o outro tácito e constante.
O primeiro pretende a interferência directa na “solução” de uma situação. O segundo é a desorganização sistemática da sociedade e o aumento do poder do movimento revolucionário.

António Barreto disse...

Apesar da simpatia que Silva Lopes suscita e nos impele a aceitar como boas as suas opiniões, estranhamente, parece ter dificuldade em aceitar que as empresas tenham lucro e em perceber a iniquidade de algumas pessoas acumularem múltiplas reformas ao longo da vida.

josé disse...

"a crise de 83 a 85, a verdade seja dita, foi o apunhalar das facadas entre o Balsemão e o lucotor de serviço da TVI" .

Este é um dos mitos urbanos que perduram.

O problema, em 83, como em 93 e como em 2003 é a Esquerda que temos e que é reaccionária, no seu próprio conceito.

O Balsemão foi um figurão maior na tentativa de se refazer um Estado que perdeu a honra em 1974.

Fracassou porque nunca teve intenção de vencer fosse o que fosse a não ser a sua bolsa.

JReis disse...

José,

Relativamente a Medina Carreira, pergunto-lhe se já leu e o que pensa da carta aberta a Judite de Sousa enviada por José Manuel Catarino Soares ?? (ver por exemplo aqui aqui: http://resistir.info/portugal/carta_a_judite_de_sousa.html).
É que Medina Carreira já viu que Judite de Sousa se prepara pouco e é frágil pelo que faz dela gato sapato no programa. Já a Mário Crespo não conseguiu fazer isso e por isso talvez se tenham incompatibilizado. É que é muito fácil ir para um programa debitar umas ideias sem qualquer contraditório.
Cumprimentos.

josé disse...

Já li a carta de José Manuel Catarino Soares e ele não tem razão. Tem apenas numa coisa: o dinheiro dos fundos de pensões não é do Estado.
Pois não é mas o Estado, como paga as pensões, apropria-se dele...

E outra coisa: o dinheiro que quem trabalha desconta para esse fim é para pagar agora, não é para capitalizar para o futuro da nossa reforma...

josé disse...

Eu com as minhas leituras todas só agora é que me apercebi disso...

Ou seja que aquilo que desconto pouco ou nada terá a ver com o que possa vir a receber, porque não é capitalizado a meu favor.

Aliás, se todos fizerem contas verificarão que ao fim de 35 anos de descontos provavelmente não terão descontado o suficiente para terem reformas elevadas ( como ganham na actualidade) a fim de assim viverem mais uns vinte ou vinte e cinco anos...

Floribundus disse...

mais de 95% não descontou nada ou não descontou o suficiente mesmo ao fim de 40 anos de trabalho.

1/3 da economia é paralela e recebe pensões e subsídios vários.

a solidariedade acabou falida. resta o que se chamava monte pio e agora recebe nome pomposo

os sindicatos dos transportes e os outros pertencem ao conto do Ali Bábá

a esquerda chama estado à carteira dos contribuintes

silva lopes declara hoje que recebe pensão de sobrevivência

a maior parte dos comentários dos mais avariados blogues recordam-me a anedota que contavam os alunos de direito:
'-vindo o depoente
-perdão eu vinha de nascente'

JReis disse...

José,
Bem, nesse caso como foram obtidas as reservas que estão a cargo do instituto de gestão dos fundos da segurança social ?? Por milagre ?? No ponto 3. da carta afirma o seu autor que em 2011 o instituto detinha 8.872,4 milhões de euros de activos, 5,2% do PIB da altura.
Não detendo conhecimentos técnicos suficientes para emitir uma opinião credível, apenas posso dizer que esta coisa das pensões tresanda, não aceito ficar sem os meus já vinte e tal anos de descontos com as mesmas regalias e valor (pelo menos correspondentes a esses anos)às daqueles que até agora ajudei a financiar. Ponto final.

José disse...

Se o país for à bancarrota todos corremos o risco de tal suceder. O dinheiro que as pessoas descontaram para a "reforma" não está lá, à espera delas. É dinheiro volante, como o dos bancos que não têm ao seu dispor todo o dinheiro que os depositantes lá colocaram.

Estas realidaddes se fossem melhor percebidas dariam para que as pessoas compreendessem o sarilho em que estamos. Se o PS ganhar eleições e fizer o que promete, em seis meses ou menos, estamos na bacarrota final como nunca estivemos.

Em 1974, antes do 25 de Abril tínhamos estabilidade do escudo que era das moedas mais fortes da Europa e do mundo. Tínhamos um PIB que já se desencolvia para não nos envergonhar na Europa. Tínhamos poupanças no Tesouro de 800 milhões de toneladas de ouro.Tínhamos um crescimento anual do PIB de cerca de 8 a 10% ( e fora maior nos antes anteriores). Tínhamos as contas públicas completamente controladas e não devíamos as penas aos pássaros como agora.

E tínhamos uma guerra que os socialistas chamam de "colonial" e que diziam que se não a tivéssemos éramos um país rico como os europeus ( não invento porque já demonstrei isso aqui com documentos de época- uma entrevista de Cunhal, de 1972 e um escrito de Mário Soares)

Não tínhamos liberdade para a Esquerda comunista andar a pregar o socialismo. Isso não tínhamos.

Será que precisamos tanto assim dessa liberdade?

Então lá vai: por causa dessa liberdade e desse socialismo, em dois anos ( em 1976)todos aqueles factores se inverteram. Todos os números vieram por ali abaixo e ficamos na dependência do estrangeiro.
Em 1977 tínhamos o FMI e pedíamos de chapéu na mão que nos dessem de comer ( dinheiro para tal); em 1983 idem aspas. E agora é o que se vê.

Alguém contesta estes factos simples e claros?

Zephyrus disse...

Está tudo de pernas para o ar.

O fundo de desemprego para ser sustentável deveria ser totalmente sustentado pelo patrão e pelo empregado. O dinheiro ficaria numa conta poupança a ser mobilizada no fim do contrato.

As compensações pagas pelo patrão pela não renovação dos contratos a prazo devem terminar. Ao fim de um ou dois anos de trabalho essa compensação equivale a um salário extra. As PMEs não resistem.

No futuro o Estado apenas poderá pagar pensões mínimas que garantam uma vida digna. Os jovens terão de começar a trabalhar mais cedo e a poupar mais. Certos hábitos dos jovens e adultos das classes médias serão moderados por força das circunstâncias: festivais de música, viagens, carro aos 18 anos, computador e telemóvel novos todos os anos, ginásios caros, roupas de marca... As famílias ficarão mais conservadoras e mais cuidadosas em relação ao seu património: os mercados fundiário e de arrendamento urbano florescerão.

Este parece-me ser o futuro, que na realidade será um regresso ao passado. A realidade a tal obrigará, a não ser que haja um milagre científico e o Homem consiga energia barata a partir da fusão nuclear.

Com o fim do petróleo barato passaremos a crescer apenas 1% ao ano, em média. E com este crescimento o Estado Social que temos é inviável.

Zephyrus disse...

A Fundação Rockefeller prevê aliás o que escrevo num relatório que financiou há uns anos, mas que não foi falado em Portugal.

Com a globalização esbater-se-ão gradualmente as diferenças entre países ricos e pobres. O mundo ficará dividido entre uma elite muito rica e os «remediados». As classes médias tendem a morrer.

Alguns países sobreviverão, especialmente no Norte e Centro da Europa. O Sul está condenado.

Medina Carreira está atento e sabe o que aí vem. Marcelo Caetano e Salazar se estivessem entre nós também saberiam, tinham uma clarividência muito evoluída.

Para quem estiver interessado: investir em ouro português, terras agrícolas com água disponível próximas das grandes cidades e edifícios nos centros urbanos.

Estamos numa era de transição devido ao fim do petróleo barato.

Zephyrus disse...

E cuidar da família. Da verdadeira família, pai, mãe e filhos. Lutar contra o divórcio, contra as gayzadas e os abortos. Lutar pela Igreja.

Na Cidade, do topo da Babel, a elite usa os agentes sedutores para perverter as massas. A degradação moral conduz à crise. A crise obriga a uma agenda. No fim, há a negociação. Mas ganha a elite, e as massas ficam com a ilusão.

Está tudo no filme Metropolis. Vejam.

JReis disse...

Zephyrus,

Por favor não cometa um erro ffundamental, não confunda estado social com previdência, esta última sim é que paga e pagará as nossas reformas.

Floribundus disse...

Portugal profundo

E, já agora, note-se o efeito da denúncia pública e da pressão popular que obrigou ao recuo da American Psychiatric Association (APA), em 31-10-2013, na reclassificação que havia feito no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5.ª edição (DSM-5), da pedofilia como «orientação sexual» em vez de «distúrbio» mental e parafilia. Essa reclassificação da APA culminou uma tendência subtil de normalização da pedofilia, inscrita numa vasta campanha de submissão da ciência à ideologia politicamente correta. A emenda posterior da APA não desculpa a gravidade da dita reclassificação.

a orientação política entrou no plano da ciência médica:
o MSD-$ já tinha feito o mesmo em relação à paneleirada

os drogas são doentes políticos, o aborto e a sida também

os vícios tornaram-se encargos sociais para os contribuintes

por mim na reforma do estado reservava este só para as forças armadas e oliciais

Portas e Travessas.sa disse...

Crise provocada, em 83/85, pela coligação, PPD/CDS, foi mesmo bancarrota, não faltou nada. Que o diga o Xico Balsemão e o "corneteiro" do regime, este regime, diga-se

josé disse...

"Crise provocada, em 83/85, pela coligação, PPD/CDS"

Basta percorrer os documentos que por aqui tenho deixado para perceber que a bancarrota tem um padrinho e não é o Balsemão. É o Soares.

Não deixou que a revisão constitucional de 82 fosse além da cosmética dos poderes presidenciais e tudo continuou na mesma na economia, até ao fim da década em que a CEE nos obrigou a mudar.

Portanto, o responsável é, mais uma vez a Esquerda.

Portas e Travessas.sa disse...

Arre - o homem não esteve cá

josé disse...

Esteve e está documentado. Basta saber ler e não imaginar.