Fez agora 40 anos que comprei o primeiro número dessa revista, na sequência dos acontecimentos da guerra do Kippur, entre Israel e os árabes e na sequência da "guerra dos seis dias", de 1967.
Durante estas décadas li esporadicamente a revista ( e guardei-as quase todas, principalmente as mais antigas) , sempre interessante e sempre bem feita, gráfica e redactorialmente, apesar da renovação do seu quadro de jornalistas. A ficha redactorial de há 40 anos ( número de15 de Outubro de 1973) reflectia a página do sumário dos assuntos da semana, com nomes sonantes do jornalismo de sempre.
Hoje a revista continua a recomendar-se como modelo e a ler-se com igual prazer. As tiragens, ao longo dos anos, não mudam muito e andam à volta dos 500 mil exemplares. O número desta semana tem na ficha redactorial inexistente ( na edição internacional) o sumário com as palavras cruzadas da praxe e com a indicação de dois editoriais. Um de Laurente Joffrin e outro de Jean Daniel o patrão da revista desde sempre e que conta actualmente 93 anos ( nasceu em Julho de 1920) mais quatro que Mário Soares de quem se dizia há uns anos que para formar a opinião sobre assuntos internacionais teria que ler primeiro Jean Daniel...
Este director da revista tem um blog. Torna-se espantoso como um jornalista com a sua idade continua lúcido e moderado numa escrita que se lê como uma narrativa.
O editorial desta semana, em duas páginas, trata o assunto "Kennedy", agora que perfazem 50 anos sobre a sua morte, em Dallas e é tema de todos os media.
O assassínio de Kennedy ocorreu à hora de almoço de 22 de Novembro de 1963. Cá em Portugal era já noite. De manhã, eventualmente, lembro-me de o meu pai ter ouvido no rádio e comentado que Kennedy morrera e tal significar um choque, mesmo para nós, "isolados" do mundo no tempo de Salazar. Kennedy não gostava do regime de Salazar e muito menos da política ultramarina.
Jean Daniel explica no editorial razões para tal. E conta como foi testemunha desses factos históricos vividos na primeira pessoa, nessa época.Conta como conheceu Camus, como conheceu Kennedy, como conviveu com Walter Lippmann, referência do jornalismo e como se encontrou com Fidel Castro no dia em que Kennedy morreu.
O outro ancião mais novo e que anda por cá a bolsar disparates a eito, tido como homem de Estado nem aos pés deste indivíduo chega. Um seigneur, quoi! Com vida própria e digna de ser contada. O outro só se contar as aventuras nos Galápagos às costas de uma tartaruga gigante...