Este panorama exposto denota vários nomes repetidos, sendo o maior cromo Mário Soares, como histórico inamovível do PS, desde 1973 e Cavaco Silva como histórico imbatível do PSD desde 1980. Obviamente são figuras incontornáveis das últimas décadas e por isso deverá ser-lhes dado o que merecem: a paternidade do regime que temos e as suas vicissitudes.
A Mário Soares, como esquerdista-mor, não comunista mas compagnon de route nas opções ecnómicas do PREC, deve ser atribuída a paternidade de duas bancarrotas, pelo que fez e pelo que não soube fazer, dizendo que sabia. Isso para além do apadrinhamento contínuo da degradação económica resultante do socialismo democrático como modo de governar, macaqueando sociais-democracias de países ricos com bolsa de pobre e que nos atirou para a cauda dos países europeus em termos de prosperidade.
Ao socialismo democrático de um perigoso governante, metido numa masmorra de luxo e agora visitado frequentemente por aquele, deve-se a terceira das desgraças nacionais em menos de 40 anos. Pedir ajuda externa de chapéu na mão é uma indignidade para um país que aqueles não integraram como vergonha inominável, porque eventualmente não sabem o que tal significa.
O que trouxe fundamentalmente a democracia do tipo europeu que se instaurou em Portugal a partir de 1976, após o PREC e a tentativa da esquerda comunista tomar o poder político e executivo?
Trouxe a liberdade de essa esquerda marxista, digamos assim para simplificar, conseguir chegar ao poder executivo e perdurar no poder legislativo, com representação parlamentar permanente e propaganda ideológica difusa e eficaz. O apelo aos pobres como destinatários do bem-fazer político dá sempre votos para maiorias, mesmo revelando-se paradoxal quando lhes provoca ainda maior pobreza.
Era isso fundamentalmente que faltava até 25 de Abril de 1974.
Faltavam outras "liberdades" como a de expressão plena dessa corrente ideológica marxista-comunista, nos media de massa, o que implicava a Censura e faltava a possibilidade de debate aberto e alargado dessas ideias, o que noutros países era possível.
O que é que tínhamos em troca dessa falta de liberdade alargada? Em primeiro lugar uma estabilidade política que excluía a esquerda comunista e socialista marxista. Depois a segurança social de uma criminalidade muitíssimo menor. Depois, uma verdadeira confiança nas instituições públicas que se regiam por princípios legais e valores conhecidos e coerentes com aquela liberdade limitada.
E que ganhamos nós com a mudança operada em 25 de Abril de 1974?
Três bancarrotas e um país sempre economicamente atrasado em relação à Europa são as consequências mais evidentes porque não passa pela cabeça de ninguém minimamente instruído que tal sucedesse se o regime anterior tivesse continuado e evoluísse nessa continuidade, como Marcello Caetano pretendia.
Maior insegurança social a todos os níveis, com um reforço substancial da segurança social de um número limitado de cidadãos, aparentados aos partidos chegados ao poder entretanto disseminado por cliques partidárias, ideológicas, pessoais, de grupo e de casta familiar em alguns casos.
A democracia gerou uma "classe política" que agora conduz os partidos, orienta o poder político e governa, com os resultados e nomes que o Público mostra.
Portanto, a diferença essencial com o regime anterior reside no advento ao poder da ideologia marxista e comunista, ou seja da Esquerda como factor de influência primordial em todos os aspectos da nossa vivência pessoal.
Com um pormenor: esta democracia alargada não permite que se inclua no seu seio político-partidário quem defenda ideias ditas fascista, salazaristas ou mesmo de extrema-direita, porque procede à amálgama de todas elas, aliás diferenciadas, para as proibir constitucionalmente. É uma democracia de Esquerda, portanto e por isso mesmo, apresenta o mesmo defeito que o regime anterior, segundo a sua própria lógica.
Por mim, concluo que tal opção resultou para nós, portugueses em geral, incluindo os mesmos comunistas e socialistas, numa maior pobreza material e de espírito até.
E por isso é altura de nos interrogarmos sobre quem somos e o que queremos, alargando a opinião a quem não é politicamente correcto com esta democracia.
O artigo de VPV no Público de hoje é inconsequente na análise que se aproxima da que faço embora por outras razões ( VPV é um tanto ou quanto jacobino...)
A conclusão lógica que VPV deveria extrair é que este regime que temos não presta por causa das pessoas que o tem composto. A democracia não tem culpa disso, mas o anterior regime que VPV detesta, previa tal efeito perverso e cuidava de se precaver contra tal mal, embora o tivesse feito igualmente mal...