domingo, outubro 30, 2016

Las canciones dell´arcobaleno

Para escrever sobre música espanhola e italiana dos anos sessenta e setenta do século passado é preciso voltar atrás muito tempo.
No Portugal desse tempo e também nesses países a música popular que se produzia, ouvia e vendia era mais cosmopolita e eclética, porque não havia domínio quase absoluto, como hoje, da sonoridade produzida em estúdios anglo-saxónicos. Felizmente tal situação poderá desaparecer com a relativa facilidade em produzir música, actualmente e dá-la a conhecer via internet.

Nesse tempo, os espanhóis e italianos tinham os seus cantores que por cá se ouviam com muito proveito.
No final da década de sessenta alguns nomes mais conhecidos eram divulgados nos rádios, em discos pequenos e tinham êxitos ocasionais.

Para além do grupo alargado dos cançonetistas que emparelhavam por cá com as doses diárias de Roberto Carlos ou Maria da Fé e António Calvário e que davam por nomes como Los Bravos , Massiel ou Janette, ou cantavam La La La ou Un rayo de sol, havia outros que se ouviam doutro modo.

O Pop, em Portugal do inicio dos anos setenta era mais ou menos assim, como escrevia José Cid na Mundo da Canção nº 13 de Dezembro de 1970:


Em Espanha não era muito diferente. Entre os espanhóis,  o tempo de Júlio Iglesias ainda não chegara com o Canto a Galicia, só aparecido em 1972 ( Mundo da Canção, Março de 1972).


Mas chegara o de um desconhecido Joaquin Diaz, cujas canções ainda hoje se ouvem com muito proveito. o You Tube mostra tudo. A imagem é de Dezembro de 1969


Outra figura da cantoria espanhola "de qualidade" era Joan Manuel Serrat cujo disco de 1971, Mediterraneo é um clássico, particularmente a cançoneta ( Nena) Que va a ser de ti...( lejos de casa)



Serrat era um cantor preferido da esquerda portuguesa que escrevia no Mundo da Canção. Talvez seja o autor espanhol que mais letras teve nesses anos de transição dos sessenta para os setenta.





Outro era Patxi Andión que até teve capa na edição de Abril de 1970:


E também Paco Ibañez, em Janeiro de 1970:


Ou Manolo Diaz e os Aguaviva, grupo vocal de grande categoria e que se poderia inserir na corrente folk progressista ( musicalmente). Os Aguaviva têm dois discos fundamentais da música popular espanhola, para além do primeiro: Poetas andaluces de ahora 8 1975) e Apocalipsis ( 1970):

Aqui uma reportagem de Outubro de 1970:


Para além desses, em 1970, Waldo de los Rios apresentou uma parte coral da 9ª Sinfonia de Beethoven, a Ode à Alegria em tom festivaleiro que fez um grande sucesso. Reincidiu depois com parte da sinfonia nº 40 de Mozart, na mesma tonalidade ligeira. Se há música que me lembre essa época com todos os toques de nostalgia é esta:



Ainda se ouvia o grupo Mocedades com o inolvidável Eres tu, em 1973. E pouco mais. Havia um grupo C.R.A.G. que julgo não se ouvia por cá, mas devia porque tem um tema, de 1974 que é de antologia:

Solo pienso em ti, romântica até mais não se poder ouvir ( e nos anos oitenta, ouvi vezes sem conta...):



Da Itália, muito para além das Gigliola Cinqueti  vinham Sergio Endrigo, da casa que não tinha tecto nem tinha nada ou seobre a Arca de Noé, muito ouvida e já um clássico e Claudio Villa com uma canção à la crooner, sobre Il tuo Mondo. Tudo em 1970




Porém, o grande contributo da música italiana para o panorama português que o escutava nessa época reside noutro tipo de música que emparelha plenamente e por vezes com vantagem sobre os progs ingleses da época.

Alguns grupos aparecidos na primeira metade dos anos setenta são simplesmente fabulosos.

Arti+Mestieri, com discos como Un Giro di valzer per domani, de 1976, um dos melhores desse ano em toda a música popular.
Area e os discos Crac, de 1975 ou Arbeit Macht Frei, de 1973 ou Maledetti de 1976.
Premiata Forneria Marconi, com os discos Storia di un minuto de 1972 ou Photos of ghosts que contém o hit de 1973 Celebration que passava por cá no rádio e até servia de indicativo a programas:



E por fim Eugenio Finardi que em 1976 publicou o disco Sugo que contém a cançoneta La Radio que ouvi inúmeras vezes e tenho o disco em versão original italiana e nacional.




Questuber! Mais um escândalo!